Outro dia, segundo me informam alguns dos alunos, numa destas aulas de história econômica, houve uma discussão sobre prostituição e família. Acho que era algo de sabor weberiano. Após ouvir alguns relatos sobre a vida das prostitutas, uma aluna disparou: “entre viver como prostituta na rua ou ser atriz pornô, prefiro a última opção”.

Ok, o pessoal riu um bocado – eu também, quando fui informado do cômico fato – e é bom lembrar que sorrir faz bem a não sei quantos músculos faciais, embora haja aí uma falta de estimativas sobre o custo e o benefício de sorrir. Mas a aluna tem um ponto. Wendy McElroy, em seu XXX – A Woman’s Right To Pornography, após entrevistar várias atrizes pornôs, conclui que a vida delas não é tão ruim assim, nem associada a ilegalidades da forma como alguns pintam (sempre me lembro dos políticos brasileiros, tão puritanos e, ao mesmo tempo, clientes de cafetinas: quem é o ilegal desta história?). Por outro lado, em seu livro sobre bordéis no estado de Nevada, o estado com o menor índice de HIV nos EUA, Alexa Albert mostra evidências de que a legalização da prostituição nem sempre é algo que piora o bem-estar das prostitutas, para não falar do bem-estar social. Eu não terminei de ler este pequeno e-book que comprei em 2002, mas ainda volto a ele um dia destes.

Então temos três formas de ganhar dinheiro: (a) atriz pornô, (b) prostituta em bordel e (c) prostituta na rua.

Há que se comparar os custos de oportunidade entre estes três casos. Ca/Cpb, Ca/Cpr, Cpb/Cpr. O que a aluna disse, creio, foi: Cpr/Cpb > Ca/Cpb. Mas e quanto ao bordel?

Comentários?

Claudio
p.s. Às vezes a gente se diverte neste trabalho. Mas só às vezes.