Competição é sempre boa

Segundo o pessoal do Android Authority, descobri que o Office está liberado (pelo menos em versão básica) para celulares com Android e Iphones. Não é grande coisa, mas mostra que a Microsoft resolveu tentar recuperar seu mercado perdido para a Google.

Não acho que terá muito sucesso ainda, mas parece que a gigante deu um passo diferente.

Competição e postos de gasolina

Marcelo Soares, lá no livro de caras, mandou-me (e a muitos outros) este interessante link para um artigo científico sobre postos de gasolina e competição.

Vamos ver o resumo?

Usa-se um tradicional modelo empírico de entrada para investigar o grau de competição em mercados locais de postos de gasolina no Brasil. Mostra-se como o número de firmas nos mercados varia com mudanças na demanda e na competição com dados para 2.590 municípios considerados mercados isolados. Os resultados mostram alteração na conduta competitiva com o aumento no número de postos, sobretudo até a entrada do quinto posto. O modelo utilizado não requer dados de preços e, a partir de características dos mercados, tais como população e número de firmas, pode indicar se há um padrão geral de conduta anticompetitiva no varejo de combustíveis em pequenos municípios brasileiros.

Com uma base de dados desta, o mínimo que se pode fazer, caso você goste do tema, é ler o artigo, não é? Eu não conheço este modelo teórico que eles usam, mas se é possível tirar conclusões interessantes, mesmo que não se tenha a variável preço, eu fico intrigado. Bom, só lendo para ver do que se trata.

p.s. Mudando completamente de tema, eu não conheço muito sobre estas árvores de decisão e análise de regressão, mas o tema é bem comum na comunidade que usa R.

Mercados funcionam

Irônico mesmo é que, à boca pequena, todo mundo já ouviu de um amigo que isto é verdade. À boca pequena porque alguns temem o funcionamento do mercado. Outros, porque pode haver muita coisa perigosa para se descobrir. Os laranjais do lago Balaton ganham um novo significado, se é que você me entende.

p.s. Compare o verbete do autor citado acima na Wikipedia em português e em inglês antes de falar que não há viés, que somos bons, que o Corcovado decolou, etc.

O brasileiro selvagem, o trânsito e a liberdade

Descia a rua com calma e, lá embaixo, outro motorista vira e entra na mão oposta. Ao lado dele, espaço para se acomodar. Do meu, nenhum. Vejo que não há muita folga na passagem dos dois carros e, assim, páro e vou lentamente para não arranhar meu carro e nem o do outro motorista. O mesmo não resiste: “- Folgado, heim”? O que este episódio nos ensina? Primeiro, que muitos brasileiros não entendem a educação no trânsito. Quem entra na via não tem a preferência sobre quem nela já está. Em segundo lugar, o episódio mostra que o brasileiro pode ser bem selvagem em situações do mais absoluto cotidiano.

Você deve se perguntar, imagino, sobre como eu vejo um Brasil mais liberal gerando mais prosperidade para todos já que o nível de educação de gente como este motorista beira à selvageria (sem ofensas aos que habitam as selvas). Você pode se perguntar mais: como é que o brasileiro viverá em sociedade se não tem, em média, um nível de educação decente? E o que dizer do nível de leitura: dois livros (contando ebooks) ao ano, segundo uma pesquisa divulgada há algum tempo, com surpreendente baixo nível de estardalhaço, na imprensa?

Geralmente, 90% dos meus amigos mais autoritários começam seu argumento desta forma. Quase posso enxergá-los dizendo: “- E agora, camarada? Este imbecil aí vai aprender o tal liberalismo”? Ou então: “- Eu não te disse? Brasileiro não sabe viver em sociedade. Não tem jeito mesmo”. Daí passam para todo tipo de solução (principalmente se a conversa ocorrer em um boteco…) como: “- Tem que botar este povo na linha com leis mais duras”! Ou: “- Este povo tem que ser obrigado a aprender no chicote. Precisamos de mais “militarismo”!

Os argumentos, digamos, brasilocêntricos, sempre fazem questão de enfatizar a estupidez do povo brasileiro. Por algum motivo mágico, os críticos, também brasileiros, escapam deste estado de burrice e alegam que isto é normal porque “- Eu tenho estudo, eu fiz faculdade”. Bem, infelizmente, muitos destes meus amigos são capazes de furar filas, dirigir como o imbecil acima, etc. Ou seja, não é tanto a educação formal a causa do problema, embora ela seja importante.

Por que brasilocêntrico? Bem, porque não é verdade que comportamentos assim não ocorram em outros países. Por exemplo, os suíços podem portar armas e não saem por aí matando gente em escolas. Logo, dizer que desarmar as pessoas soluciona o problema da violência no Brasil não é uma afirmação lá muito sólida. Outro exemplo interessante e triste é o do estupro de mulheres. Nenhuma lei impediu, até hoje, que o fenômeno terminasse em qualquer lugar do mundo. Entretanto, parece ser correto dizer que – voltando à Suiça – haja menos estupros neste pequeno país europeu do que no Brasil (mesmo que façamos as costumeiras normalizações como “estupros por 10 mil habitantes”). Então, nada de brasilocentrismo (ou jabuticabismo).

Sabemos, graças a pesquisas as mais diversas, que há algumas características impressas em nosso DNA por conta do processo evolutivo (e lembre-se que macacos podem ser tão ou mais violentos que os seres humanos). Por outro lado, nossa evolução também nos faz criar instituições que prolonguem nossa sobrevivência. Tais fatos valem para brasileiros e não-brasileiros, claro. Não é difícil se aceitar que nossa sobrevivência tenha uma relação positiva e forte com a renda per capita (ou da renda familiar), o que nos leva, para a tristeza dos que odeiam a economia, à inevitável necessidade de entender que tipo de instituições geram mais ou menos renda per capita (e, eventualmente, que instituições geram sociedades menos desiguais).

Sobre esta questão, os economistas têm trabalhado um bocado e, claro, sabemos pouco ainda. Nosso conhecimento parece indicar alguns fatos surpreendentes e outros nem tanto. Por exemplo, sabemos que algumas instituições geram maior renda para as famílias do que outras porque estas instituições foram moldadas (geralmente por ninguém em particular ou como resultado inesperado de alguma medida tomada por alguém, no governo ou não) de maneira a incentivar as trocas voluntárias entre pessoas.

Sabemos também que há ambientes que poderíamos chamar de “cultural”, no sentido de certos valores que alguém poderia chamar de “base moral” que levam ao desenvolvimento. Por exemplo, sabemos que pessoas que valorizam matar outras pessoas não são lá muito propensas a trocas voluntárias e preferem o roubo. Este não é um bom valor em termos das trocas voluntárias mas, surpreendentemente, pode ocorrer de o roubo gerar, de forma não-intencional, instituições pró-desenvolvimento. É possível imaginar que a abundância de terras em um vasto continente norte-americano no início de sua colonização tenha gerado pouca demanda por direitos de propriedade privados. Não-intencionalmente, o crescimento demográfico torna a terra mais escassa e, portanto, esta demanda pode mudar.

Que valores são os “melhores” para gerar uma sociedade próspera e pacífica é algo que não sabemos responder ainda. Por outro lado, parece mais interessante pensar que sua descoberta é um processo de tentativa e erro que pode acertar seu alvo se não for tolhido por instituições ruins. Por exemplo, ao proibir os moradores de um bairro de passearem com seus filhos numa praça, estará o governo gerando pessoas enclausuradas com todas as consequências que daí advém (boas ou más).

grafico_mortes_liberdade

O tema é, sem dúvida, polêmico e cheio de arapucas ao longo do caminho. Entretanto, percebo que até mesmo o pobre motorista sem noção de educação básica pode aprender a dirigir melhor em uma sociedade mais liberal do que em uma sociedade autoritária. Aliás, países mais livres (tomando apenas a dimensão econômica) também parecem ser países com menos fatalidades no trânsito (veja o gráfico acima). Pura correlação ou há uma conexão causal? Será que a liberdade econômica gera infra-estrutura melhor e, portanto menos acidentes? Ou será que a liberdade econômica é compatível com uma atitude menos violenta e, portanto, há menos acidentes?

Não tenho a resposta, mas imagino que o leitor tem muito a ganhar se pensar neste problema e, claro, cuidado com o trânsito: motoristas mal-educados e violentos ainda não são a exceção neste país…

Fonte dos dados: Wikipedia (verbete: List of countries by traffic-related death rate) e http://www.freetheworld.com.

Libertários são libertários…ponto.

Ao dizer “capitalismo”, as pessoas não querem dizer simplesmente livre mercado, nem simplesmente o sistema neomercantilista vigente. Ao invés disso, o que a maioria das pessoas quer dizer com “capitalismo” é esse sistema de livre mercado que atualmente prevalece no ocidente. Em resumo, o termo “capitalismo”, da forma como é geralmente utilizado, esconde uma suposição de que o sistema atual é um sistema de mercados livres. E já que o sistema atual é, na realidade, o sistema do favorecimento governamental de empresas, o uso comum do termo carrega consigo a suposição de que o livre mercado é o favorecimento governamental de algumas empresas (23).

Então, agarrar-se ao termo “capitalismo” pode ser um dos fatores que reforçam a confusão do libertarianismo com a defesa do corporativismo (24). De qualquer forma, se a defesa dos princípios libertários não é mal compreendida – ou pior, se é compreendida corretamente! – como a defesa das corporações, a relação antitética entre o livre mercado e o poder corporativo deverá ser continuamente destacada.

Trecho tirado daqui.

A beleza do mercado

Estava a ler um antigo livro de Armen Alchian. Aí encontrei a melhor definição da função social da firma capitalista: a de suprir o mercado de produtos sob uma situação de demanda incerta. 

O mais louco de tudo é que a história provou que este arranjo – o mercado – consegue dar conta disto enquanto a opção socialista é um fracasso nato na eficiência econômica e na distribuição de recursos. Mais ainda, esta bela função social da empresa tem sido desprezada e esquecida por muita gente interessada em ganhar dinheiro arrancando recursos da sociedade para si (por meios que nunca envolvem pesquisar o mercado para tentar obter lucros). 

Engraçado como as pessoas se esquecem de como o arranjo impessoal do mercado livre lhes dá até o conforto de criticarem este mesmo arranjo. Elaborarei, quem sabe, mais sobre este ponto depois.

Enquanto cristãos brasileiros recorrem ao Estado para promoverem suas “crenças”…

Gwartney mostra que outros cristãos são possíveis.

Quando as decisões são tomadas politicamente, as visões minoritárias, geralmente, são suprimidas. Por exemplo, em uma escola pública, a maioria decide se serão permitidas orações, se haverá aulas de educação sexual e qual deverá ser a ênfase nas habilidades básicas. Aqueles que não concordam com a decisão deverão desistir ou então pagar duas vezes pela educação, uma vez nos impostos e outra nas mensalidades da escola privada.

Um sistema de mercado permitiria que cada minoria fosse representada. Por exemplo, sem interferir na liberdade dos outros, alguns pais poderiam enviar suas crianças para escolas que permitem orações. Cristãos praticantes, que freqüentemente se encontram em minoria, deveriam apreciar esse aspecto do capitalismo, que permite que pessoas tenham objetivos diferentes sem conflito ou rancor.

Será que sobreviveremos ao catolicismo brasileiro?

p.s. outros religiosos podem adaptar suas perguntas a seus credos. Basta lembrar do “brasileiro” para distinguir a religião entre os selvagens da religião nos países mais tolerantes.

Como o mercado pode ajudar em desastres naturais

Uma leitura comum – e errônea – acerca do funcionamento do mercado é a de que o mesmo seria incapaz de ajudar as pessoas a resolverem problemas derivados de acidentes ou catástrofes naturais. Será isto verdade? Os eternos pterodoxos da ala “criado-pela-avó-e-cheio-de-insegurança” são raivosos na crítica: como são incapazes de tomar qualquer iniciativa, vêem o mercado como o mal satânico.

Há críticas razoáveis ao mercado, mas elas não vêem da pterodoxia. Elas só vêem de quem entende o que é o mercado e o que ele faz de bom para a sociedade. Creio que uma discussão muito frutífera pode vir desta interessante coletânea de textos sobre os efeitos da catástrofe de New Orleans. Trata-se de um e-book muito bacana (mas não tão bacana como este…?)

Julian Simon’s “last resource”

Julian Simon chamava a criatividade humana de “o último recurso”. A criatividade do brasileiro para driblar as dificuldades é um belo exemplo de funcionamento dos incentivos sobre a mente humana. Neste caso, o exemplo é mais bacana porque mostra o funcionamento do mercado.

Democracias menos liberais são também as mais falidas? – o argumento anti-mercado

Como sabem os leitores deste blog, um argumento comum ouvido entre as trincheiras não-liberais (sem dados para comprovar a tese, claro, mas com muito líder sindical em cima de caixotes bradando como Mussolini) é o de que o comércio “escraviza e destrói”. Para esconder as mamatas que recebem do governo, espalham por aí que o individualismo é uma ficção ou um pecado.

Pois bem, o gráfico abaixo não tem mais do que 2000 caracteres, mas mostra uma correlação entre dois rankings. Em um deles, o Sudão está entre os primeiros (estados falidos). No outro, os EUA está entre os primeiros (condições favoráveis a criação de empresas…privadas).

Se há alguma explicação para este gráfico, eu arriscaria que governos mais falidos, aqueles que maltratam mais sua população, que são péssimos provedores de bens públicos, são também os que mais dificultam a criação dos mercados.

Pergunte ao seu professor: por que poderia haver uma relação como esta, do gráfico acima, se todo mundo diz que liberalismo só é compatível com sociedades que oprimem os cidadãos?

A tirania do (meu) gosto contra o mau (= seu) gosto

Pedro Sette, de forma bem didática, explica o problema da pretensão de alguns no mercado, notadamente o cultural (ou, por que não, também o mercado de idéias). Uma bela aula de economia por um não-economista.

Próxima parada: Macau

O setor privado brasileiro já está de olho em Macau. Qual será o potencial de exportações? Eu diria que um bom estudo econômico sobre Macau seria de interesse agora. Mas isto é apenas uma sugestão para empresários profissionais, não para os rent-seekers que infestam a selva.