Miss Universo e Venezuela

“- Crianças, só leiam o que o tio Maduro manda ler, tá?”

Melhor que muita campanha de moda européia…(original daqui). Quem diria que um dia eu iria ver uma Miss Universo fazer isto? Ganhou de muita suposta militante feminista – que apenas fala, mas não age. Tem que ter coragem para fazer uma sessão de fotos assim.

Homens, mulheres, não importa, todos querem mesmo é liberdade. Por que será?

Primavera Venezuelana

Honestamente, é difícil ter paciência com gente que acha bonito um político que tem acesso às listas de votação e usa isto em proveito próprio não pode ser alvo de admiração de um ou outro estadista. Este alguém foi Chávez (leia este artigo, pelo menos o resumo, para ver como se mede o preço da oposição sob um regime autoritário).

A ele se sucedeu um tal Maduro, que fez questão de dizer em rede de TV nacional que havia visto o falecido candidato a ditador, Chávez, em um muro e, depois, em um passarinho. Uma piada pronta, eu sei, embora nossa diplomacia pareça achar isto tudo muito normal. Bem, até aí, nenhum problema.

Mas no momento seguinte, o senhor Maduro se candidata a ser mais um daqueles que cometem democídio no mundo. Não, aí não é mais tudo bem. Você pode até falar que seu chefe do Banco do Brasil é do PT e, suponha, o PT censura quem fala contra Maduro. Eu aceito este argumento, embora lamente muito que você esteja sujeito a uma mordaça. Pior para você. claro.

Agora, novamente, o que é curioso nesta história toda é a tentativa de Maduro em lutar contra a realidade: a inflação venezuelana é um fato e o modelo redistributivista (este, em que uma espécie de “bolsa-família” vira um subsídio grego enquanto durar o patamar favorável do preço do petróleo) está falido. Já fizeram de tudo: expulsar o capital estrangeiro e lhe tomar os ativos, xingar o Bush, o Obama, etc. Querem congelar preços e calar a imprensa que lhe faz oposição. Resultado? A Venezuela caminha para os piores lugares em todos os indicadores sócio-econômicos que existem.

A Economia Política desta história toda me diz que esta história não terá final feliz. Infelizmente. Mas engraçado mesmo é que nossa imprensa resiste bravamente a chamar isto tudo de uma legítima primavera venezuelana. Para o bem ou para o mal, isto me lembra muito a Primavera de Praga (compare a Wikipedia em língua portuguesa e a inglesa para ver se há viés, se há conteúdo melhor, etc).

Incentivos importam: dotação natural e liberalização

Roger Myerson tem um artigo novo interessante. Eis o resumo:

We consider a simple political-economic model where capitalist investment is constrained by the government’s temptation to expropriate. Political liberalization can relax this constraint, increasing the government’s revenue, but also increasing the ruler’s political risks. We analyze the ruler’s optimal liberalization, where our measure of political liberalization is the probability of the ruler being replaced if he tried to expropriate private investments. Poorer endowments can support reputational equilibria with more investment, even without liberalization. So we find a resources curse, where larger resource endowments can decrease investment and reduce the ruler’s revenue. The ruler’s incentive to liberalize can be greatest with intermediate resource endowments. Strong liberalization becomes optimal in cases where capital investment yields approximately constant returns to scale. Adding independent revenue decreases optimal liberalization and investment. Mobility of productive factors that complement capital can increase incentives to liberalize, but equilibrium prices may adjust so that liberal and authoritarian regimes co-exist.

Mais uma pista sobre a deplorável situação atual da Venezuela, um país admirado por muito estudante e professor de ensino médio por aí. Admirado, talvez, por ser a única ditadura de esquerda a conseguir monitorar quase 100% dos seus cidadãos, usando expedientes safados como o relatado aqui.

Economia é, essencialmente, economia política, como se vê.

A embaixada brasileira na Venezuela abrigaria alguns perseguidos políticos?

Se sim, eis a grande oportunidade de gente que não quer ir para a cadeia por discordar do socialismo do século XXI da administração Chavez. Claro que o movimento estudantil brasileiro não se manifestou ainda sobre isto. Nem os invasores de terra – estes que arrancam pés de laranja “improdutivos” – ou as comunidades eclesiais de base. Nem mesmo a sociedade civil organizada (por quem??). Nadinha.

Detalhes aqui.

Nova versão do artigo científico menos discutido no Brasil

In 2004, the Chávez regime in Venezuela distributed the list of several million voters whom had
attempted to remove him from office throughout the government bureaucracy, allegedly to identify and
punish these voters. We match the list of petition signers distributed by the government to household
survey respondents to measure the economic effects of being identified as a Chavez political opponent.
We find that voters who were identified as Chavez opponents experienced a 5 percent drop in earnings
and a 1.5 percentage point drop in employment rates after the voter list was released. A back-of-the envelope calculation suggests that the loss aggregate TFP from the misallocation of workers across jobs
was substantial, on the order of 3 percent of GDP.

Eu me pergunto quantos blogueiros acham o uso dos dados privados de eleitores uma “natural” consequência da democracia popular bolivariana. O argumento, distorcido, é o de que “quem não deve, não teme”. Se “quem não deve, não teme”, passe-me seus dados bancários, suas senhas, seus dados e as medidas de sua esposa.

Tentando falar sério, este artigo é um dos mais importantes já publicados sobre as consequências do autoritarismo na América Latina. Vale realmente a leitura e eu já o indiquei várias vezes aqui, antes. Entretanto, esta versão é a mais recente e vem em boa hora já que estamos diante de uma polêmica acerca das frequentes insinuações do presidente venezuelano de que invasões de países alheios feitas por ele podem ser legítimas.

Se você achou muito natural e bonito o que se relata neste artigo – em termos de uso de dados alheios pelo governo – então você está a um passo de aceitar algo similar no Brasil.

Quem disse isso?

“À Venezuela e aos povos da América Latina foi imposto um sistema de rotação de governos tão acelerada que era impossível surgir um projeto nacional de longo prazo. Agora, na Venezuela, derrubamos essas limitações. Aqui construiremos a Venezuela potência, em longo prazo.”

A ciência política e a historiografia têm muito a nos dizer sobre a sapiciência de tais frases, não?

Pelo menos ele não se esconde no armário

“A new stage is beginning,” Mr Chavez said. “For me, as the leader of the Venezuelan socialist project, the people are telling me: ‘Chavez, keep on the same path.’”

Eis aí a declaração explícita do sujeito sobre sua ideologia. Por que, no Brasil, o sujeito que pensa como Chavez é tão tímido (salvo pouco honrosas exceções, em certo sentido…)?

Venezuela

Lembra da última vez em que ele reconheceu a derrota? Foi no plebiscito. Em seguida, ele enfiou tudo o que desejava por decreto, goela abaixo dos eleitores. Bem, isto pode acontecer de novo porque o sujeito reconheceu a derrota em alumas das municipalidades que achava ter ganho. Para quem já leu um pouco de Economia Política (e mesmo para quem não leu) está claro que ele quer um parceiro para dividir o fracasso de suas políticas…

Ah sim, mais informes de ontem:

A continuación se presenta el reporte de las 8:30pm el domingo 23 de noviembre.

Se reportan irregularidades en centros electorales de la ciudad capital.

- Se registran testimonios que en el estado Vargas, se le están ofreciendo 120 Bs.F (aproximadamente $50) a las personas para que vayan a votar. Se les hace entrega de una clave de votación para los candidatos del PSUV.

- Se han recibido reclamos de parte de la Comisión de Derechos Humanos del Movimiento Estudiantil de hostilidad en el centro electoral Jesús Enrique Losada del Municipio Libertador en el área Metropolitana. Las acciones agresivas son realizadas por personas pertenecientes al PSUV y dirigidas hacia los testigos, miembros de mesa y representantes de la Comisión. Este centro había reportado denuncias esta tarde.

- El acto de auditoría es un acto público por ley. Se les está prohibiendo la entrada a los ciudadanos para evidenciar este acto.

- Según el centro de denuncias de la Comisión de Derechos Humanos, se han procesado 83 denuncias.

- En el centro electoral San José de Tarbes, se reporta que militares han salido del centro cargando cajas de material electoral. El público reclamó verificar qué había en esas cajas, y les fue negado. El presidente de mesa asegura que era sólo material electoral extra, mandado a trasladar por órdenes superiores. Esto no pudo ser verificado por los votantes presentes en ese momento.

- Muchas de las mesas de votación no han finalizado los comisios aún, por lo que no se puede transmitir resultados por el momento.

Saludos,

Nuevas Premisas

Vejamos o que ocorre nos próximos dias.


Mais sobre a Venezuela

El siguiente es el reporte a las 6:00pm del domingo 23 de noviembre.

Estatus quo

A esta hora varias organizaciones han emitido sus primeros reportes sobre los resultados de las elecciones. No se pueden considerar oficiales y por ende no deben ser propagados todavía.

Por ley la hora de cierre de las mesas es a las 4:00pm, siempre que no haya cola. Sin embargo se tiene información de que algunos centros se han mantenido abiertos a pesar de que no hay electores. Por otro lado, hay reportes de centros que todavía presentan votantes en espera para sufragar y no han podido hacerlo por la lentitud del proceso.

Irregularidades puntuales reportadas por testigos

-Se han observado varias rondas de motorizados por el área metropolitana. Un testigo declaró al ver una de estas hordas que parecían estar armados y llamaban a salir a tomar centros de votación en defensa del PSUV.

-El partido de gobierno ha realizado actos de campaña durante la jornada a pesar de que estaba prohibido. Mas específicamente, se han observado toldos identificados con el partido del gobierno por las inmediaciones de algunos centros electorales regalando agua a los electores e indicando cómo votar, instalaciones con música frente a centros de votación, incluso apariciones públicas de los candidatos haciendo campaña.

-Irregularidades de parte de los efectivos del Plan República (efectivos militares): excesiva participación en el proceso, entregando a los votantes instrucciones para votar y permitiendo utilizar símbolos del PSUV.

-Uno de nuestros observadores vio a votantes ser rechazados de un centro a causa de su vestimenta.

-El partido COPEI informa que el estado Táchira “se está abusando del proceso electoral” al incitar a los trabajadores a votar con una determinada tendencia política.

Los observadores internacionales de Nuevas Premisas en su recorrido por los centros electorales hacen las siguientes observaciones. Explican que el proceso es lento porque no existe asistencia para las personas de la tercera edad. También existen muchas maquinas con problemas funcionales y las mesas se niegan a cambiarlas. En algunas mesas el paso de las capta-huellas ha sido eliminado para acelerar el proceso electoral, que en general tiene una duración de 4 a 6 horas. A los observadores nacionales que los acompañaban les fue negada la entrada a los centros de votación.

Las instituciones venezolanas no han actuado de la manera más transparente, entorpeciendo el proceso electoral.

Saludos,

Nuevas Premisas

Alguém tem que dar um espaço para a oposição se manifestar, não? Já que a imprensa venezuelana não anda bem das pernas, eis aqui um pouquinho de uma “outra visão é possível” do que ocorre sob o bolivarianismo assumido.

Ah sim, o movimento estudantil (que honra as calças) é este.

Ética esquerdista – versão bolivariana

O Coronel é o farol da democracia em meio a muito blogueiro esquisito…

Democracia do Fóro de São Paulo, Chávez e 10 perguntas

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou no sábado, 8, que pode colocar tanques nas ruas do Estado de Carabobo se a oposição vencer as eleições regionais que acontecem no dia 23 de novembro.

Pergunte ao seu professor:

1. O que Obama pensa sobre isto?

2. Por que os militantes dos partidos socialistas dizem que Chávez não é uma ameaça à democracia?

3. Por que os jornalistas de tendências não-liberais insistem em elogiar o presidente da Venezuela?

4. Como você, leitor, compatibiliza sua admiração pelo socialismo com a prática do mesmo?

5. Qual a importância de uma declaração como esta no contexto latino-americano atual?

6. O que é o Fóro de São Paulo, qual a participação brasileira no mesmo, e qual a relação com presidentes como Chávez, Morales e Correia?

7. Como o Itamaraty tem reagido a declarações como esta? Você acha que nosso corpo diplomático e nosso serviço de inteligência, a ABIN, preocupam-se com o surgimento de ditaduras próximas às fronteiras brasileiras?

8. Usar uma camisa com o rosto de Che Guevara, falar de liberdade e direitos civis e apoiar governos e projetos como os de Chávez são atividades logicamente compatíveis? Qual o papel da doutrinação ideológica nisto?

9. Você já ouviu falar no Khmer Vermelho e em como implantaram o sonho socialista?

10. Norberto Bobbio, muito divulgado pela esquerda nos anos 80, obviamente interessada em se mostrar menos hard e mais light, hoje nem é lembrado pela mesma esquerda. Foi trocado por Gramsci. Analise esta troca no contexto das declarações recentes do presidente bolivariano.

Dicas:

1. O texto citado neste post.

2. FARC.

3. Nativismo latino-americano como instrumento de manobra das massas.

4. Os perigos da petrocracia.

5. A inflação como fator polarizador do discurso bolivariano.

6. Existe liberalismo na América Latina?

7. O socialismo bolivariano na agricultura venezuelana.

8. Controle dos meios de comunicação na Venezuela.

9. Grupos de extermínio bolivarianos e a oposição: assassinato ou crime político?

10. O surgimento de um estranho país: Cuba-Venezuela.

11. Imperialismo bolivariano na América Latina.

As investigações sobre o escândalo da maleta continuam

O famoso “maletagate”, ainda sob investigação, revela detalhes de uma cooperação sinistra. Mais, aqui.

Movimento estudantil (sério) enfrenta massacre na Venezuela

Eis minha colaboração para o movimento estudantil que realmente se revolta. Aposto que os de cá nem votaram uma daquelas inócuas moções de apoio…

p.s. Recomendo a leitura do texto citado neste post, no qual se mostra a mais descarada evidência de perseguição política, estatisticamente analisada (e ignorada por boa parte da diplomacia internacional, pelo visto).

Do tempo em que a Venezuela exerceu seu imperialismo sobre o Brasil

Dentre os países da América Latina que investiram através da Instrução 113, entre 1955 e 1963, destacam-se o Panamá, com um investimento de US$ 8,8 milhões, a Venezuela, com US$ 2,3 milhões, Cuba com US$ 2,1 milhões e o Uruguai com US$ 1,0 milhões. Da África, a Libéria, único país africano que obteve licença de importação sem cobertura cambial, aparece com um investimento de US$ 700 mil (da empresa Remington Rand Liberia Corporation, em fabricação de máquinas para escritório e equipamentos de informática).

(…)

Os maiores investimentos venezuelanos foram feitos pelas empresas Clark Equipment International, C.A. (56% do total), no setor automobilístico e a empresa Cia. Nacional de Productos S/A. (21% do total) na fabricação de produtos químicos. O investimento cubano foi todo feito pela Cia. Ron Bacardi S.A. na Ron Bacardi S.A. A empresa cubana construía uma indústria em Pernambuco onde pretendia produzir rum, gelo seco e gás carbônico.51 Os investimentos uruguaios foram essencialmente das firmas Opciones S/A. (51% do total) em Atividades de Informática e Serviços Relacionados e da S.A. Sud Americana de Fomento Industrial (32% do total) na fabricação de produtos têxteis. [Caputo, A.C. (2007) - Desenvolvimento Econômico Brasileiro e o Investimento Direto Estrangeiro: uma análise da Instrução 113 da SUMOC - 1955/1963, dissertação de mestrado, UFF]

Ok, ok, o título faz uma piada com os “cabeças-de-documentos-de-Word” que não podem ver um investimento estrangeiro (fora do próprio bolso, claro) que já ficam assanhados com a urticária xenófoba nacional-desenvolvimentista que acha capital humano coisa de professorinha de primário e endeusa a industrialização-a-qualquer-custo (Teorema do prof. Masao Furtado/Nacional Kid e de seus alunos de shorts).

Mas veja, leitor, que interessante. A Instrução 113 foi uma medida “globalizante” (no vocabulário dos professores de “história” do ensino médio, especificamente no item “coisas ruins que você deve memorizar porque globalização é coisa do demônio, exceto se for com os governos alinhados com a minha ideologia”) que permitiu, inclusive à Venezuela, “explorar” o mercado brasileiro.

Haveria alguém disposto a falar de perdas internacionais e a reivindicar algum trocado pela “herança” histórica? Possivelmente. Aliás, é o que mostra Caputo, neste excelente trabalho. Como o grande investidor era os EUA, muito dos protestos xenófobos brasileiros tiveram força na época contra aquele país (o tal “anti-americanismo”).

O mais bacana é se perguntar sobre o efetivo impacto da Instrução 113. Quanto ela, de fato, representou em termos de industrialização? Digamos, se fosse 50% do PIB industrial, mesmo que a massa xenófoba (nacional-desenvolvimentista-com-pipoca) continuasse ignorante, ela teria a seu favor apenas o fato de que o tamanho do problema (para outros, vantagem) seria grande e valeria a pena discutir, mesmo que fosse para esta massa descobrir que perderia a discussão em 3 segundos.

Sabe quanto foi o percentual de investimento direto estrangeiro em relação ao PIB industrial por conta da “famigerada” Instrução 113, leitor? Não chegou a 1%.

Volto ao sarcasmo com um teorema que acabo de esboçar (tal como muito pterodoxo, o teorema é expresso em linguagem irônica e não exige do leitor mais do que seu lado neandertal para a compreensão, o que facilita a penetração do conceito – com vaselina – em sua mente).

É o Teorema de Jeca Tatu: “A elasticidade-xenofobia-IDE é tal que aumentos de 1% no IDE sobre o PIB industrial gera uma reação xenófoba de, pelo menos 50% em termos de gritaria nos jornais”.

Lição – a despeito do meu sarcasmo, fica aqui uma lição: antes de falar da história brasileira faça o dever de casa. Você pode descobrir coisas interessantes e que, até, veja só, mostre que suas crenças podem estar erradas. Obviamente, você pode ignorar as evidências históricas, mas aí é questão de fé, não de ciência…

Olha aí…

O Leo Monasterio me enviou esta excelente análise sobre o governo do camarada de Fidel Castro, Hugo Chávez. Já falei aqui sobre como esta implicância do presidente Chávez me lembra muito o episódio infame das Malvinas.

A matéria, creio, mostra que as bravatas do dito cujo têm um motivo: desviar a atenção de todos para seu fracasso econômico no plano interno.

Esqueça Syriana, agora o negócio é Venezuelana

Brasil envia armas para Chávez

Meu amigo Aluízio furou a mídia hoje. Foi o primeiro a dar a informação de que aviões da TAM estariam levando armas para o tirano venezuelano. Os portais dos jornais ignoraram o assunto a tarde inteira.

Quatro vôos secretos estão programados para a Venezuela, através da brasileira TAM Linhas Aéreas, transportando 31,5 toneladas de armas de fogo fabricadas no Brasil. O primeiro vôo já chegou, transportando 1,5 toneladas de armas; cada vôo adicional está programado para levar dez toneladas cada um. (Leiam no blog do Aluízio).

O Estadão já denunciou a atuação brasileira no ano passado. Leiam “Brasil arma países em conflito.

Eis aí os interesses que possivelmente estão ocultos nesta posição diplomática brasileira. Talvez seja interessante verificar também o porquê do presidente do Equador estar tão preocupado. Eis um bom tema para debates: o tal “Foro de São Paulo”.

A organização tem sido muito mal cuidada pela blogosfera e pela imprensa. Falta uma análise séria e científica deste grupo. O que é este tal “Foro”? De onde retira recursos? Qual sua história? Análise séria, digo, porque há muita gritaria na blogosfera e pouca análise empírica.

De qualquer forma, eis aí mais gasolina para o circo que já está em chamas…

O circo pega fogo…

O Reinaldo Azevedo estimula a participação popular de forma elegante:

Em linguagem respeitosa, envie o seu protesto ao Itamaraty contra a posição do governo brasileiro em face da agressão de que é vítima o povo colombiano. Envie os e-mails para os seguintes departamentos:

- Assessoria de Imprensa do Gabinete do ministro Celso Amorim
imprensa@mre.gov.br
- DEA – Divisão da Organização dos Estados Americanos
dea@mre.gov.br
- DHS – Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais
dhs@mre.gov.br

Envie, depois, uma cópia de seu protesto para a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. Não é preciso mandar cópia a todos os membros. Basta que ela chegue ao senador Heráclito Fortes (DEM-PI), o presidente.
O e-mail do senador é este:
heraclito.fortes@senador.gov.br

Espalhe esses endereços na rede.

Ah sim, lembra do final do post anterior? Pois é. Só agora o Estadão noticia.

Ainda no mesmo tema, eis o depoimento de um venezuelano sobre a vida sob o governo atual. O bacana é a experiência que muitos dos meus alunos desconhecem: a vida sob uma economia com preços controlados. Foi moda da heterodoxia brasileira nos anos 80-90 pensar em controles de preços como forma de controlar a inflação.

Eis um trecho:

Consider breakfast. My breakfast, to be exact. It’s been months since I have had an oatmeal breakfast or a nice cup of espresso with a drop of milk because coffee and milk has literally vanished from supermarkets’ shelves since last November. And that includes “Mercal”, the government’s supermarket network where the poor are supposed to buy food at subsidized low prices

The reason? Stiff price controls, of course, and fixed currency rates that have been going on for 5 years, too.

I must confess that the very mention of price controls makes me drool at the thought of black beans and precooked corn flour, two staples absolutely essential in our spicy and usually inexpensive cocina criolla (Creole cuisine) that, according to señora Luz, the Dominican immigrant lady married to my office building’s Colombian janitor, I am not the only one to miss.

Leia tudo que é bem interessante.

Reichstag em chamas

Só que, agora, é um pouquinho diferente. Duvida de algo? Digamos que os “fiscais do presidente” tenham resolvido que não é o fracassado plano econômico bolivariano-heterodoxo que deu errado, mas sim a sabotagem é que deu certo. É a mesma coisa de dizer que oferta e demanda não são coisas válidas, mas sim teorias alucinadas de conspirações. Esta história, leitor, já conhecemos. A diferença é apenas de oportunidade. No Brasil da administração Sarney não chegamos ao nível de violência que o atual presidente venezuelano incentiva com seus discursos. Daí que só tivemos umas donas-de-casa irritadas na época.

Mas o erro cometido é o mesmo: querem culpar os empresários em uma economia na qual 99.99% das disfunções é resultado de regulações desastradas do governo. Sempre, claro, a culpa é daquele que não possui o poder de prender ou de criar canais de TV para seu bel-prazer sob o manto das “necessidades sociais” (ou da “segurança nacional”).

O resultado disto, creio, será péssimo.