Novo livro

Eis minha rápida compra deste mês: Troglodita é você. Falou em psicologia evolutiva ou biologia evolutiva – coisas sérias muito pouco estudadas por economistas brasileiros auto-denominados “pluralistas” – eu compro e leio.

Homens das cavernas

Eis uma discussão interessante (dica do Selva) sobre como evoluem nossas preferências e porque temos tanta gente primitiva entre nós (não pense que estou sendo irônico…não totalmente). O livro é este. Um trecho da resenha? Aí vai:

We see the face of the Virgin Mary staring up at us from a grilled cheese sandwich and sell the uneaten portion of our meal for $37,000 on eBay. We believe in ESP, ghosts, and angels over the scientific theory of evolution. While science offers a wealth of rational explanations for natural phenomena, we often prefer to embrace the fantasies that reassured our distant ancestors. And we’ll even go to war to protect our delusions against those who do not share them.

These are examples of what evolutionary psychologist Hank Davis calls “Caveman Logic.” Although some examples are funny, the condition itself is no laughing matter. In CAVEMAN LOGIC: THE PERSISTENCE OF PRIMITIVE THINKING IN A MODERN WORLD (Prometheus Books, $19.98), Davis encourages us to transcend the mental default settings and tribal loyalties that worked well for our ancestors back in the Pleistocene age. Davis laments a modern world in which more people believe in ESP, ghosts, and angels than in evolution. Superstition and religion get particularly critical treatment, although he argues that religion, itself, is not the problem but “an inevitable by-product of how our minds misperform.”

Eis uma discussão que dá muito pano para manga, polêmica e, certamente, brigas. Mas é uma discussão importante. Afinal, trata-se de estudar a formação das preferências. Isto deveria atrair os verdadeiros pluralistas da Ciência, não?

Aulas de economia

Aqueles que iniciam seu curso de Economia seriamente, certamente terão dificuldades para fazer abstrações. Scott Sumner apontou o problema e Mankiw reforçou. Mas nunca se esqueça que o mais difícil conceito, mesmo para economistas mais tarimbados, é o de custo de oportunidade e seu siamês, a vantagem comparativa.

Por que superstições persistem?

Does Fortune Favor Dragons?

John Nye, Noel D. Johnson

July 2, 2009

Why do seemingly irrational superstitions persist? This paper analyzes the widely held belief among Asians that children born in the Year of the Dragon are superior. It uses pooled cross section data from the U.S. Current Population Survey to show that Asian immigrants to the United States born in the 1976 year of the Dragon are more educated than comparable immigrants from non-Dragon years. In contrast, no such educational effect is noticeable for Dragon-year children in the general U.S. population. This paper also provides evidence that Asian mothers of Dragon year babies are more educated, richer, and slightly older than Asian mothers of non-Dragon year children. This suggests that belief in the greater superiority of Dragon-year children is self-fulfilling since the demographic characteristics associated with parents who are more able to adjust their birthing strategies to have Dragon children are also correlated with greater investment in their human capital.

Liberdade na América Latina

Um diálogo entre este que vos escreve e Paulo Roberto de Almeida resultou neste primeiro texto sobre o tema. Acho que teremos mais alguns artigos em breve, mas dê uma olhada no texto que, no momento atual, ele ajuda a entender um pouco sobre os problemas do avanço do autoritarismo na América Latina.

Boa e má economia

Luz no fim do túnel:

Saiu uma matéria péssima no caderno de fim de semana do valor entitulada “Por uma realidade plural”. O conteúdo era aquela eterna ladainha sobre e economia ortodoxa ter um pensamento único que ignora que o ser humano é mais do que uma funão utilidade, blá, blá, blá. Pior, os entrevistados dizem que a crise financeira PROVA que a economia ortodoxa está errada. Esse papo existe há décadas e a economia ortodoxa continua sendo ortodoxa. E vai continuar sendo, com ou sem crise.

Acho que os críticos e os criticados ganhariam muito se deixassem de lado essa separação ortodoxia/heterodoxia. Eu dou dois motivos. Primeiro, essa separação fica cada vez mais cinzenta, com vários pesquisadores que usam função utilidade e econometria boa chegando a resultados que classicamente são conseiderados “heterodoxos”. Segundo, muitas vezes é difícil saber se a crítica é direcionada ao projeto de pesquisa em si ou ao resultado. Isto é, sempre que se encontra um resultado que vai contra o que o crítico acredita, a faz-se uma crítica sobre o método, disfarçando o alvo verdadeiro, que, no caso, seria o resultado.

Rafael está correto. Os heterodoxos de quermesse – perdão, Alex, não resisti – adoram usar a estratégia da dupla face (duas caras) sempre que podem. Por um lado falam generalidades pseudo-filosóficas em jornais, entrevistas e blogs sobre o fim do mundo, da economia dita neoclássica e outros papos de boteco. Já, por outro lado, nas catacumbas dos encontros científicos, usam econometria (opa, opa, o mundo não é ergódico, tia Tereza!) e outros métodos que condenam em frente ao grande público como meio de se venderem como excelentes pesquisadores.

Exceções de praxe, este é o comportamento mediano da patota. Não pense que isto ocorre só aqui, no Brasil. Alguns economistas mimetizam seus colegas das Ciências Sociais (os de quermesse, entenda-se bem) e se acham doutrinadores, promovendo um discurso mal-educado, agressivo, no qual o insulto é a regra. E olha que nem estou falando dos pterodoxos de quermesse…

O desenvolvimento da economia no Brasil, eu já disse, é um fenômeno interessante e que deveria ser melhor estudado.

Academia

Gelman e Hanson são referências de leitura. Aqui, Gelman discorda ferozmente de Hanson. O “ferozmente” é por minha conta, claro. Mas veja que interessante este trecho:

Even setting aside teaching, advising, administration, etc., some other crucial qualities for academic research include working hard, having the “taste” to work on important problems, intellectual honesty, and caring enough about getting the right answer. I know some very smart and insightful people who have not made the contributions that they are capable of, because (I think) of gaps in some of these other important traits.

Não entendeu? Leia tudo lá.

Mais explicações para a crise mundial

Você, que chegou aqui procurando uma resposta pronta para seu trabalho de geografia, pode ir embora. Não vai achar nada. Já você, que chegou aqui em busca de mais hipóteses para entender e/ou explicar a crise atual, eis dois bons textos.

Lembre-se: este é um blog de pesquisadores. Não um blog de crianças (como as mal-educadas que vão parar na caixa de “spam”).

Dicas econômicas

Ou seriam dicas de economistas? Caplan fala sobre como manter relações sociais . Leo fala sobre consumo de drogas, salários dos garçons e a novidade final: o fim da exigência do diploma de jornalista.

Controle de remunerações

Está na moda falar de tentar controlar os “ganhos” dos CEO’s. Esta idéia comum não encontra paralelo no setor público – aquele explorado e abusado por políticos – no Brasil. Já Russ Roberts fez uma bela crítica a um político norte-americano aqui.

Aliás, esta é uma boa idéia: por que não discutimos melhor os incentivos sobre os gastos públicos? Continuo vendo muita pressa em culpar o mercado pela crise e pouco esforço intelectual em entender as incríveis falhas de governo envolvidas no início da crise. Sem falar na falta de discussão sobre os impactos de políticas econômicas sobre a economia e mesmo sobre a qualidade sofrível de muitos dados que o governo divulga (para fins de análise estatística, por exemplo).

De qualquer forma, Russ Roberts fez algo que poderíamos fazer com cada um destes políticos brasileiros. Basta analisar os dados da Transparência Brasil.

O sempre ativo departamento de economia da GMU

A George Mason University tem um dos departamentos de economia mais engajados do mundo. Talvez não seja – e não é – o mais produtivo em termos de pesquisa, mas é admirável ver que não param nunca. Este aqui, por exemplo, é o pessoal de História do Pensamento Econômico de lá agitando.

Todo departamento de economia que pretenda mais do que uma formação burocrática de seus alunos deveria incentivar eventos deste tipo. Seminários de economia – sobre a produção científica – são sempre bem-vindos. Sempre.

Se mercados livres são tão bons, por que não existem na prática?

Excelente pergunta. Eis a tentativa de resposta.

If a Pure Market Economy Is So Good, Why Doesn’t It Exist? The Importance of Changing Preferences Versus Incentives in Social Change
EDWARD P. STRINGHAM and JEFFREY ROGERS HUMMEL

Abstract Many economists argue that a pure market economy cannot come about because people will always have incentives to use coercion (Cowen and Sutter, 2005; Holcombe, 2004). We maintain that these economists leave out an important factor in social change. Change can come about by altering incentives or preferences, but since most economists ignore changing preferences, they too quickly conclude that change is impossible. History shows that social change based on changes in preferences is common. By recognizing that preferences need not be constant, political economists can say much more about changing the world.

Será que a resposta satisfaz? Vamos ler…vamos ler…

Incentivos importam

Tyler and Alex have new textbooks on micro and macro. Both begin with the same anecdote.

In 1787, the British government had hired sea captains to ship convicted felons to Australia…On one voyage, more than a third of the males died and the rest arrived beaten, starved, and sick…

Instead of paying the captains for each prisoner placed on board ship in Great Britain, the economist suggested paying for each prisoner that walked off the ship in Australia. In 1793, the new system was implemented and immediately the survival rate shot up to 99 percent.

That is economics on one foot–incentives matter.

Direto do Arnold Kling.

Golden Week

O maior feriado japonês, a Golden Week, atinge recordes de viagens. Obviamente, se feriados são “recessivos” (pois o pessoal pára de trabalhar), você não vai me dizer que a patota não incorpora isto em suas expectativas, né? [piada interna do Nepom]

Casar aumenta a desigualdade de renda?

Eis um bom motivo (bom “entre aspas”, né?) para os eternos bolivarianos protestarem contra o “casamento”. A imbecilidade humana vale pouco porque é abundante. Não duvido que haja gente que leia o excelente texto do Caplan e entenda tudo errado. 

Normalmente isto rende uns comentários patéticos – em uma língua que não é nem o português, nem o cachorrês, mas algo entre o suinês e o bovinês – que eu sempre apago rindo. Afinal, não é só casar que enriquece: burrice alheia também.

Múltiplos Chips – Lição intermediária

Este Cristiano é um safado. Antes de eu colocar a notícia aqui ele já fez o trabalho (competente) de levar ao leitor leigo um pouco de sabedoria econômica. Vou apenas complementar, para os alunos um pouco mais adiantados, com um pouco mais de elementos para a análise.

Os chips das companhias celulares não podem ser utilizados ao mesmo tempo para a mesma ligação. Aliás, o que leva o consumidor a usar um ou outro é simplesmente a tarifa, certo? Digamos que os dois chips sejam x1 e x2 (medidos em minutos de uso). Assim, o consumidor só usufrui da ligação o chip mais barato. Ou seja, sua demanda de chip xi (i = 1, 2) é derivada a partir de uma função de utilidade específica: U(x1, x2) = x1 + x2. 

Dado o preço de cada chip, p1 e p2, o problema, familiar ao aluno de Microeconomia é, simplesmente, maximizar U(x1, x2) sujeito a m = p1x1 + p2x2, onde m = renda monetária relevante para o problema. Observe que não é qualquer função utilidade, mas apenas esta (e suas transformações monotônicas positivas correspondentes, obviamente).

Ok, esta foi só para os intermediários. Para uma noção básica, veja o texto do Cristiano.

Um mapa para se preocupar

Nos EUA. No Brasil, como sabemos, a coleta de dados é primitiva e, com isto tudo, ainda se propõe políticas públicas potencialmente perigosas. Ou seja: nem se sabe o que ocorre e se adora propor soluções. Este é um problema sério da ciência brasileira: acusada de positivista, sequer justifica a acusação. Quando querem coletar dados, é só para aumentar a carga tributária.

Eis um bom teste: o aumento do esforço de coleta de dados individuais pelo governo tem relação com as políticas públicas ou com o aumento da arrecadação? Aposto que a resposta é…

A irracionalidade importa?

Há duas visões sobre a irracionalidade: uma, divulgado pela imprensa, errada. Outra, menos conhecida do público leigo, correta. É sobre esta que Posner faz uma crítica interessante. O pano de fundo: o novo livro de Shiller e Akerlof que tenta unir Keynes e a economia comportamental.

Como sabemos, a grande maioria dos pseudo-economistas pterodoxos já rejeita Shiller e Akerlof porque, afinal, eles falam de microfundamentos. Acredite ou não, leitor, há gente que não entendeu ainda a importância dos microfundamentos. Geralmente repete algumas boas críticas que leu de forma bem superficial e, portanto, não entendeu. 

Shiller, Akerlof e Posner, estes sim, vale a pena ler. A crítica de Posner é bem escrita e vale a leitura.

p.s. Finanças Comportamentais? Sim, isto existe. Mas, no mínimo, você tem que saber uma covariância, uma correlação….etc. Fora disto, como eu disse, é ignorância.