Competição e postos de gasolina

Marcelo Soares, lá no livro de caras, mandou-me (e a muitos outros) este interessante link para um artigo científico sobre postos de gasolina e competição.

Vamos ver o resumo?

Usa-se um tradicional modelo empírico de entrada para investigar o grau de competição em mercados locais de postos de gasolina no Brasil. Mostra-se como o número de firmas nos mercados varia com mudanças na demanda e na competição com dados para 2.590 municípios considerados mercados isolados. Os resultados mostram alteração na conduta competitiva com o aumento no número de postos, sobretudo até a entrada do quinto posto. O modelo utilizado não requer dados de preços e, a partir de características dos mercados, tais como população e número de firmas, pode indicar se há um padrão geral de conduta anticompetitiva no varejo de combustíveis em pequenos municípios brasileiros.

Com uma base de dados desta, o mínimo que se pode fazer, caso você goste do tema, é ler o artigo, não é? Eu não conheço este modelo teórico que eles usam, mas se é possível tirar conclusões interessantes, mesmo que não se tenha a variável preço, eu fico intrigado. Bom, só lendo para ver do que se trata.

p.s. Mudando completamente de tema, eu não conheço muito sobre estas árvores de decisão e análise de regressão, mas o tema é bem comum na comunidade que usa R.

Os consumidores percebem mudanças no ciclo econômico? (pensamentos sobre a Abenomics)

Tenho falado muito por aqui sobre a Abenomics. Hoje vou usar os dados da economia japonesa para outro exercício que, basicamente, é uma aplicação econométrica popular e, digamos, muito útil para iniciar uma análise de dados. Em outras palavras: pode até ser que você não siga com os resultados depois mas, bem, alguém tem que começar a pesquisar as relações para, depois, poder descartá-las ou criticá-las, certo?

Encare, pois, este texto, como um exercício de Econometria Aplicada. A pergunta que se pretende responder é a do título (obviamente). Então, em primeiro lugar, vejamos um pouco sobre o ciclo econômico.

Ciclo Econômico

O ciclo econômico é o objeto de desejo do economista, par excellence. Melhor dizendo, o economista ficaria muito feliz se entendesse os ciclos econômicos, detalhando seu (e nosso) conhecimento sobre suas causas, efeitos, etc. Uma das formas de fazer isto é por meio da criação de variáveis que possam ter alguma correlação com o ciclo. Estes índices, por assim dizer, podem ser testados afim de se verificar sua efetiva utilidade como previsores neste divertido, mas difícil exercício.

Em primeiro lugar, vejamos esta didática – mas não necessariamente simples – explicação sobre os índices de ciclos econômicos da economia japonesa nos dá o tom.

The indexes of business conditions are summary measures for aggregate economic activity. They are designed to be a useful tool for analyzing current conditions, and for forecasting future economic conditions. They are indexes that combine the behavior of key cyclical indicators that represent widely differing activities of the economy such as production, employment, and many more.

The composite indexes are used to identify the volume of overall business activities by composing percentage changes of selected indicators. On the other hand, diffusion indexes are used to determine turning points of the business cycle, among other purposes, by counting changes in directions of selected indicators.

Ok, sem muitas novidades. Em resumo: quer-se identificar ciclos econômicos. Os mais velhos devem se lembrar do livrinho do Claudio R. Contador, de 1977, no qual o meu xará calculava indicadores como este para a economia brasileira. É, foi publicado pelo IPEA lá nos tempos de inflação alta.

Bom, mais um pouco.

  There are three types of composite indexes:

1) The leading CI
This tends to precede the coincident CI by a few months, and is used to anticipate changes in the direction of the economy.

2) The coincident CI
This coincides with the business cycle, and is used to identify the current state of the economy.

3) The lagging CI
This tends to lag behind the coincident CI by about six months,and is used to confirm turning points and business cycle phases.

Então temos três tipos de índices. Um que precede o ciclo econômico (ou que pretende precedê-lo), um que coincide com o mesmo e, finalmente, um que vem com algum atraso, geralmente  seis meses, depois do ciclo. Em outras palavras, digamos que há uma queda na atividade econômica (medida pelo PIB, por exemplo). Então, o primeiro índice indicará uma queda antes da mesma, o outro deverá cair no mesmo momento e, finalmente, o último índice mostrará a queda com algum atraso.

Em 1977, o IPEA publicava este útil estudo sobre ciclos econômicos...

Em 1977, o IPEA publicava este útil estudo sobre ciclos econômicos…

Temos três formas de medir a atividade econômica, portanto e, sim, defasagens são importantes! Eu sei que você já leu isto no livro de Econometria e se esqueceu. Bem, dê uma olhada lá. Vamos em frente.

A confiança está no fio do bigode…

…dizia o seu avô, não? Mas vamos falar da confiança relacionada ao futuro da atividade econômica? É possível que um aumento no sentimento de confiança da população seja sinônimo de aumento de consumo hoje? Ou seja, ainda que não saibamos ao certo o que ocorrerá ao futuro (que a Deus pertence, para lembrar outro dito popular), seria possível que já nos antecipássemos ao aumento futuro do PIB que esperamos (e, portanto, antecipamos) e já aumentássemos o consumo neste instante?

A resposta, veja, é um sonoro “sim”. É possível que o futuro incerto – porém estimado por qualquer um – possa afetar suas decisões de consumo hoje. Caso alguém espere um filho para daqui a seis meses, ainda que as chances de complicações na gravidez existam, é provável que já comece a ajustar seu consumo hoje. Isto não quer dizer que não haverá aborto e nem que a criança nasça com problemas ou que a mãe venha a falecer no parto alterando, em todos os casos citados, o consumo médio do pai azarado. Mas a simples expectativa quanto ao futuro já alterou o consumo presente.

O tema não é novo em Economia e, claro, há quem ganhe dinheiro construindo índices de confiança ou fazendo pesquisas de opinião. Em nosso caso, temos o índice de confiança do consumidor japonês já ajustado sazonalmente. Um pouco sobre este índice:

  • Consumer perceptions of the following four categories are surveyed: overall livelihood, income growth, employment and willingness to buy durable goods. Respondents are asked to evaluate on a scale of one to five what they consider the prospects to be for the four subjects over the next six months.

  • Points are then allotted in accordance with the one-to-five scale for each category based on the anticipated effects on consumption. The consumer perception index is calculated by computing the weighted average of the points of the results (component ratio).

Consumer perception index:
 The following evaluation points in the five response categories are multiplied by the component ratio(%) and totaled: positive responses (improve +1), (improve slightly +0.75); neutral response (no change +0.5); negative responses (worsen slightly+0.25), (worsen +0).
  • The consumer confidence index (original figure) is then calculated by simply averaging four consumer perception indexes (original figures).

(note) Before the April 2004 survey, the consumer confidence index was the symple avarage (simple average) of five consumer perception indexes including perception of price. From the April 2004 survey, price expectation was introduced as a quantitative questionnaire.

Pronto. Fiz uma pequena correção no texto acima, mas você pegou a idéia, não? Faz-se uma pesquisa amostral com algumas perguntas e constrói-se o tal índice. As dimensões envolvidas no cálculo são basicamente relacionadas a aspectos do ambiente econômico.

Será que o ciclo econômico é importante para os consumidores?

É de se esperar que a resposta seja positiva, pelo que já foi dito acima. Estudar esta relação tem vários aspectos importantes, mas vou me ater ao aspecto didático-pedagógico do mesmo. Meu objetivo aqui é falar um pouco sobre como iniciar a pesquisa desta relação entre as duas variáveis.

A hipótese que me vem à cabeça é a seguinte: será que um aumento ou uma queda (enfim, variações) do ciclo econômico tem algum impacto (ou seja, causa variações) na confiança dos consumidores?

Com todas as limitações metodológicas, as variáveis escolhidas foram o índice coincidente e, claro, o índice de expectativas. Transformá-los em variações é muito simples. Os comandos, em R:

dlconf=diff(log(cons_confidence_index))
dlcoin=diff(log(coincid))

Pronto. Temos as variações relativas de ambos. É fácil ver – neste texto de internet, apenas visualmente, sem testes, ok? – que ambas as séries não apresentam tendência.

abe_consumo

Vamos fazer um exercício aplicado em R com o pacote lmtest, ideal para uma bateria de testes econométricos daqueles que seu professor adora pedir, por exemplo, o teste de causalidade de Granger. Basicamente, o conceito envolve a idéia de que uma série de tempo pode “Granger-causar” a outra se existirem evidências de que defasagens desta ajudem a prever aquela.

A amostra foi delimitada para 2006.01 – 2013.12 (dados mensais) por pura conveniência (as amostras têm comprimento distinto no tempo). Feito isto, fiz primeiro o teste de causalidade de Granger para diferentes comprimentos de defasagem (de 1 a 6), para ver se a confiança do consumidor “Granger-causa” o índice de confiança. Minha hipótese é que isto não deve ocorrer, mas sim o oposto. Então, como diria Dexter, vamos por partes.

No R, o comando abaixo foi alterado apenas no “order”. Fiz de 1 a 6.

library(lmtest)
grangertest(window(dlconf,start=c(2006,1)),window(dlcoin,start=c(2006,1)), order=4)

Vejamos os resultados para a hipótese nula de que defasagens da confiança “Granger-causam” o ciclo econômico.

grangertest(window(dlconf,start=c(2006,1)),window(dlcoin,start=c(2006,1)), order=6)
Granger causality test

Model 1: window(dlcoin, start = c(2006, 1)) ~ Lags(window(dlcoin, start = c(2006, 1)), 1:6) + Lags(window(dlconf, start = c(2006, 1)), 1:6)
Model 2: window(dlcoin, start = c(2006, 1)) ~ Lags(window(dlcoin, start = c(2006, 1)), 1:6)

Res.Df    Df        F     Pr(>F)
1      77
2      83   -6   1.1819   0.3248

Os resultados nos dizem que dificilmente a inclusão das seis defasagens da confiança “Granger-causam” o ciclo (embora haja toda aquela polêmica, estou pensando no p-valor).  Claro que devemos comparar estes resultados com o teste oposto, ou seja, o de se o ciclo “Granger-causa” a confiança. Usando seis defasagens:

grangertest(window(dlcoin,start=c(2006,1)),window(dlconf,start=c(2006,1)), order=6)

Granger causality test
Model 1: window(dlconf, start = c(2006, 1)) ~ Lags(window(dlconf, start = c(2006, 1)), 1:6) + Lags(window(dlcoin, start = c(2006, 1)), 1:6)

Model 2: window(dlconf, start = c(2006, 1)) ~ Lags(window(dlconf, start = c(2006, 1)), 1:6)

Res.Df    Df             F    Pr(>F)
1             77
2             83    -6 4.5306   0.0005529 ***

Signif. codes: 0 ‘***’ 0.001 ‘**’ 0.01 ‘*’ 0.05 ‘.’ 0.1 ‘ ’ 1

Bem diferente, não? Aqui temos que o passado do índice coincidente (que estou usando como proxy do ciclo) ajuda a explicar a confiança atual. Agora que você já viu como se faz os comandos em R, veja um resumo dos resultados para todas as defasagens.

H0: Confiança não-Granger causa Atividade Econômica

Defasagens    P-Valor

1                    0.23
2                    0.49
3                    0.43
4                    0.56
5                    0.46
6                    0.32

H0: Atividade Econômica não-Granger causa Consumo

Defasagens    P-Valor

1                    0.1469
2                    0.0006786
3                    0.00003838
4                    0.0001213
5                    0.0005903
6                    0.0005529

Temos vários resultados e, a maioria deles, diz-nos que a causalidade é da atividade econômica para a confiança. O único resultado mais incerto é da primeira defasagem, no qual esta relação de causalidade parece tornar-se mais fraca, no sentido de que nem a confiança Granger-causa a atividade econômica e nem o contrário.

Algumas limitações e…

O leitor mais versado em Econometria certamente vai levantar alguns pontos. Há os que preferirão discutir a questão dos resíduos destas doze estimações e eles têm minha simpatia: sim, para se aprofundar mais a análise é necessário checar isto. Outros preferem usar algum daqueles critérios de informação (como o de Akaike (AIC) e afins). É outra opção e a literatura é cheia de referências sobre quando eles são ou não úteis.

Há quem queira ver a necessidade de se incluir dummies sazonais e isto pode ser feito no teste (mas, no R, teríamos que fazer isto de outro jeito). O teste de Granger comporta a inclusão de termos deterministas como dummies. Entretanto, eu não fiz nenhum exercício de monitoramento destas séries cujo comprimento é, convenhamos, bem reduzido para que os resultados valham a pena todo o trabalho.

…pontos teóricos para se costurar e…

Digamos que este exercício tem alguma validade empírica – e eu acredito que, sim, ele tem – e que queiramos explorar um pouco mais este resultado em termos de nossas teorias sobre como o consumo varia ao longo do tempo.

O resultado acima nos diz que a expectativa do consumo é uma variável relacionada com a atividade econômica. A pergunta seguinte seria: como se formam estas expectativas (uma pergunta bem diferente de “como se constrói um índice de expectativas do consumidor”). Qual o processo subjacente desta expectativa de consumo na cabeça do indivíduo? É um processo estocástico? Não? Como ele deveria ser modelado?

E o que dizer da influência da atividade econômica sobre a expectativa do consumo? É importante? Como é que ela opera? Qual a explicação destes resultados? E aquela história de choques temporários e permanentes (e, portanto, da renda permanente)? Como ficam estes conceitos nesta nossa análise? E a expectativa de inflação? E a taxa de câmbio? O pós-guerra faz diferença? Daí por diante são diversas avenidas que se pode tomar para a empreitada da pesquisa.

…nossa conclusão

A discussão sobre a política do primeiro-ministro Abe envolve, sim, a questão das expectativas quanto ao futuro da economia. A perspectiva de queda do consumo devido ao aumento do imposto que se aproxima (em Abril) não deve ser desconsiderada. Quanto disto já se traduz em queda de consumo atual é algo que eu gostaria de pesquisar.

Há quem pense que meu tempo em pesquisa seja apenas um estorvo e que eu deveria esfregar o chão da sala de algum outro professor ou que eu deveria me dedicar ao delicado exercício de tirar o pó de cadeiras. Pode ser. Mas ainda acho que a maior eficiência está na divisão de trabalho utilizada de forma inteligente. Qual é esta melhor forma, bem, vocês, leitores, podem me ajudar a descobrir. Acho que é um problema hayekiano bem típico. Espero que, no final de tudo, você tenha percebido mais um pouco como a Economia pode ser interessante.

Quando as premissas são jogadas no lixo…

…nem um Nobel verborrágico se salva. Boa lição de economia e também de como um economista não deve ser portar em público. Por mais que as demandas midiáticas aumentem, há que se ter cuidado e respeito com a opinião pública. Boa, Landsburg.

Como as elites podem destruir o crescimento econômico e mais sobre a crise mundial

A high level of trust between members of a small elite magnifies the returns to political rent seeking by this elite. We present empirical evidence consistent with this thesis, and argue that it follows naturally from viewing political rent seeking as a cooperative game among members of the elite and a non-cooperative game between the elite and the rest of society.

Isto significa, grosso modo, que a patota que adora louvar os supostos méritos de empresas familiares, devem qualificar seu otimismo. É a literatura sobre “rent-seeking” explicando, creio, o subdesenvolvimento de um grande bananal latino-americano (e suas conexões bolivarianas).

Falando em artigos de economia, eis um que finalmente vai além do colunismo irresponsável ou das explicações contraditórias sobre a crise mundial.

“Where’s the Smoking Gun? A Study of Underwriting Standards for US Subprime Mortgages”
by Geetesh Bhardwaj, and Rajdeep Sengupta

The dominant explanation for the meltdown in the US subprime mortgage market is that lending standards dramatically weakened after 2004. Using loan-level data, we examine underwriting standards on the subprime mortgage originations from 1998 to 2007. Contrary to popular belief, we find no evidence of a dramatic weakening of lending standards within the subprime market. We show that while underwriting may have weakened along some dimensions, it certainly strengthened along others. Our results indicate that (average) observable risk characteristics on mortgages underwritten post-2004 would have resulted in a significantly lower ex post default if they were to be given a loan in 2001 or 2002. We show that while it is possible that underwriting standards in this market were poor to begin with, deterioration in underwriting post-2004 cannot be the explanation for collapse of subprime mortgage market.

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Entendeu, né? Ao invés de um bate-papo tradicional com uma triste narrativa sobre o dinheiro perdido ou algo mais doentio sobre um suposto fim do capitalismo, o autor investiga uma das mais citadas causas (supostas) da crise: o relaxamento nos critérios para a concessão de empréstimos. Se ele tem razão, há muito o que ser feito ainda.

Engraçado é que pouca gente tem se arriscado, na faculdade, a tentar explicar a crise. Muito papo mole sobre Finanças sumiu diante da crise atual (todos passam horas lamentando o destino do rico dinheirinho na bolsa), mas os macroeconomistas da casa não são capazes de oferecer boas explicações sobre a crise. Eis outro aspecto “rent-seeking” de alguns componentes da academia. O suposto especialista de Macroecoomia é melhor qualificado do que eu (homem de Microeconomia, se é que me entendem), para falar sobre crises. Pelo menos é o que os macroeconomistas normalmente dizem (esta é, por exemplo, a regra de ouro dos pterodoxos). Mas, se isto é verdade, porque eles esperam os colegas dizerem algo sobre a crise para, só então, pronunciarem-se?

Ao meu favor, ter o Alexandre Shwartsman no 5o SEBH (mérito dos colegas da comissão organizadora, Ari e Salvato) e o Hélio Beltrão Jr. no encontro de 15 dias atrás, foi uma forma de tentar promover o debate. Lamentavelmente, quase nenhum macroeconomista da casa foi ou debateu.

Moral da história: diga-me o que és que eu saberei o que não és.

Se você é racional, que regra segue?

Em tempos de câmbio valorizado e mercado interno aquecido – dois fortes desestímulos à exportação – a Volvo contraria as regras macroeconômicas. A fabricante de caminhões e ônibus aumentou as exportações de US$ 76 milhões em 1999 para US$ 800 milhões no ano passado.

Pára tudo, pára tudo! A matéria do jornal acabou de provar: agentes microeconômicos não seguem as regras…macroeconômicas (seja lá quais forem estas). Caos? Surpresa? Hordas de pterodoxos iniciarão a festa? Nada disto minha gente. Nem tanto, nem tanto. Antes que os pterodoxos espalhem purpurina pelo corpo e encomendem plumas e paetês para o desfile, lembre-se: agentes microeconômicos seguem regras microeconômicas.

O resto da notícia, inclusive, nem dá margem à frase de efeito:

O crescimento das vendas externas da empresa foi consistente. A Volvo exportou US$ 150 milhões em 2000, US$ 208 milhões em 2003, US$ 340 milhões em 2004, US$ 750 milhões em 2005 (graças à venda excepcional de ônibus para o Chile) e US$ 576 milhões em 2006.

De acordo com Carlos Ogliari, gerente de assuntos governamentais da empresa, o mercado sul-americano de ônibus e caminhões atravessa uma ótima fase nos últimos anos, graças ao crescimento da economia dos países e a decisão dos governos de investir em infra-estrutura.

No ano passado, as exportações da Volvo cresceram 18%, taxa bastante acima da média dos manufaturados. Mesmo assim, as importações cresceram ainda mais: 34%, para US$ 496 milhões. Com o lançamento de novos produtos, houve uma queda momentânea no conteúdo local dos veículos, diz Ogliari.

Eis aí uma regra: seu mercado cresceu via aumento de renda (saltinho bonito da curva de procura para a direita)? O que diz o manual mais básico de Economia que você conhece?

O divertido Muamar Kadafi

Kadafi é uma personalidade única. Deve ser o ditador mais divertido do mundo. Já provocou os EUA (e ganhou, portanto, o direito a um livro numa antiga coleção da Abril, uma tal de “Grandes Líderes”), chamou os talebans de homossexuais e projetou carros esporte (se não me falha a memória do que me disse o Leo Monasterio). Mas agora ele inovou.

Essencialmente, a proposta é interessantíssima em termos econômicos. Resumo: Kadafi diz querer que os cidadãos da Líbia usufruam, eles mesmos, das receitas de petróleo. Antes haviam os comitês que decidiam isto e Kadafi não gostou da demora (é o que ele diz…vai saber…).

Vamos ver o quanto disto se transforma em um aumento de renda para os líbios.

Discuta com seu professor de Microeconomia:

a) um aumento de renda aos cidadãos feito por comitês ou diretamente na conta do cidadão são a mesma coisa?

b) Pesquise sobre flypaper effect (ou, em português: “efeito papel pega-mosca”) em Economia. Como você visualizaria isto graficamente?