Livros-texto de economia e a URSS

Soviet Growth & American Textbooks

David M. Levy – Center for Study of Public Choice , Sandra J. Peart – Jepson School of Leadership Studies

Abstract:
We examine the treatment of Soviet growth in successive editions of American economics textbooks published between 1960 and 1980. What we find repeatedly is over-confidence in the potential for Soviet growth and an asymmetric response to past forecast errors. More than this, the textbooks report faster Soviet income growth combined with a constant ratio of Soviet–US income. Textbooks that abstracted from these institutional details (thin) offered a wider range of application than those which focused on one society (thick). A simple way to distinguish these two traditions is whether the book used a productivity possibility frontier [PPF] for cross-societal comparisons. Thick accounts did not while thin ones did. It was in the institutional dimension that the account by Tarshis differed from that of Samuelson.

Capital humano versus Enade

Simon vai ao ponto:

“MEC: um em cada 4 professores se forma em curso ruim”, diz O Estado de São Paulo, dando como ruim uma notícia que, se fosse verdadeira, seria ótima: 3 em cada 4 professores se forma em um bom curso!
Mas é claro que não é nada disto. Como os resultados das provas do ENADE são “normalizados” em uma distribuição simétrica, sempre vai haver mais ou menos um quarto no nível inferior, mais ou menos um quarto no nível superior, e muitos cursos no meio. Este mesmo tipo de bobagem aparece em outras notícias, que procuram comparar resultados de áreas diferentes, como se as pontuações fossem comparáveis. Também não faz sentido comparar os resultados de um ano para outro, porque as provas variam de ano a ano, e todas são “normalizadas” cada ano.
O fato é que o ENADE não trabalha com conceitos de “bom”, “ruim” ou mais ou menos, mas, simplesmente, ordena os cursos em uma escala de 5 pontos, distribuições parecidas para cada área como a do quadro ao lado, feito para todas as áreas em conjunto. Se todos os cursos forem muito bons, ou muito ruins, a distribuição vai ser sempre a mesma.

Ahá!

Maior salário de professor, melhor qualidade do ensino

Mais um dos infindáveis artigos que encontram este resultado, aqui. Para os alunos de Econometria, atenção para a discussão sobre endogeneidade.

p.s. uma boa discussão seria “como se mede a qualidade do ensino”?

Por que superstições persistem?

Does Fortune Favor Dragons?

John Nye, Noel D. Johnson

July 2, 2009

Why do seemingly irrational superstitions persist? This paper analyzes the widely held belief among Asians that children born in the Year of the Dragon are superior. It uses pooled cross section data from the U.S. Current Population Survey to show that Asian immigrants to the United States born in the 1976 year of the Dragon are more educated than comparable immigrants from non-Dragon years. In contrast, no such educational effect is noticeable for Dragon-year children in the general U.S. population. This paper also provides evidence that Asian mothers of Dragon year babies are more educated, richer, and slightly older than Asian mothers of non-Dragon year children. This suggests that belief in the greater superiority of Dragon-year children is self-fulfilling since the demographic characteristics associated with parents who are more able to adjust their birthing strategies to have Dragon children are also correlated with greater investment in their human capital.

Cotas próximas às eleições

É um câncer na política brasileira esta história de criar privilégios segundo o calendário eleitoral, não? A discussão, agora, é a das cotas. Leia aqui. O que está em jogo é a destruição ou não do capital humano brasileiro. Pode-se retardar o desenvolvimento por décadas com políticas burras ou pode-se desacelerá-lo por décadas com políticas tolas. Claro, há sempre a possibilidade de uma política burra/tola dar errado e o crescimento não ser prejudicado.

Mas pense bem nas questões que Simon levanta antes de reclamar de “vôo da galinha”…

Por que a língua inglesa é importante?

Muitos alunos reclamam da dificuldade de se ler em inglês. Pois bem, uma língua estrangeira é simplesmente uma língua. Contudo, veja só esta minha breve história. Há um minuto atrás estava lendo o excelente “Uma Senhora Toma Chá…” que já citei aqui antes. Deparei-me com o famoso Kolmogorov (famoso para qualquer um que já tenha sofrido com um estudo intermediário de Estatística). Resolvi ler um pouco sobre o famoso gênio russo. 

O que você faria? Provavelmente o que eu fiz: foi à Wikipedia. Agora, veja a diferença de qualidade e quantidade nos verbetes em português e em inglês. Em qual deles você aprende mais?

Obviamente, o problema não é só da língua. O problema é a falta de leitura (e a falta de livros em nossa língua) dos brasileiros e correligionários lusitanos de todos os continentes em relação a um simples americano médio. Por isto minhas buscas por material útil para ampliar meu conhecimento geralmente converge para os sites de língua inglesa. 

Não se trata, como dizem alguns parvos, de imperialismo. É pura questão de prática: ou eu aprendo menos e fico estagnado, ou aprendo mais e me desenvolvo.

Determinismo genético, liberdade e Bayes

Excelente ponto do Caplan sobre a relação entre determinismo genético e livre arbítrio. A hipótese importante, no caso, é a de que pessoas pensam de maneira bayesiana, o que não é algo tão difícil de se aceitar, certo?

Capital (h)umano

Minha homenagem à esta foto, devidamente avaliada pela Nariz Gelado. Alguém ainda se nega a discutir a questão da qualidade do ensino? Ou o significado prático de tantos diplomas de especialização (fajutos) para professores do ensino básico/médio? Ou a doutrinação ideológica disfarçada de pedagogia? Onde é que estão a dona Durham e o sr. Simon Schwartzman? Precisamos deles nestas discussões.

It’s the economy, stupid – versão Apartheid

Labor Markets in South Africa During Apartheid

Mariotti, Martine (2009): Labor Markets in South Africa During Apartheid. Unpublished.
Abstract

Conventional wisdom holds that international political pressure and domestic civil unrest in the mid-1970s and 1980s brought an end to apartheid in South Africa. I show that, prior to these events, labor market pressure in the late 1960s/early 1970s caused a dramatic unraveling of apartheid in the workplace. Increased educational attainment among whites reduced resistance to opening semi-skilled jobs to Africans. This institutional change reflected white economic preferences rather than a relaxation of attitudes toward apartheid. I show that whites benefited from the relaxation of job reservation rules and that this is the primary cause of black occupational advancement.

Conclusão interessante.

A persistência das más idéias

Leo Huberman pode ser bom em despertar em qualquer um o sentido de revolta. Mas não entende nada de economia. Em resumo, assim se pode ver seu livro mais famoso. E, novamente, nosso amigo Tambosi reclama da persistência aparentemente irracional de muitos em adotarem seu livro no século XXI.

Este é um tema muito interessante na história da ciência: sabe-se que o sujeito errou, mas persiste-se no erro maior de divulgá-lo como correto. A adoção de idéias estranhas pode ocorrer por má formação de quem as lê (nível baixo de capital humano) ou por algum outro mecanismo no qual o custo de se acreditar em bobagens seja baixo para o crente

O resultado disto, para mim, é que a ideologia passa a exercer um papel muito maior no receituário que a pessoa pensa ser adequado para entender/resolver algum problema do que o raciocínio científico normal (erro-e-tentativa). Minha leitura – ainda li pouco, sei disso, sobre este tema – sobre a ciência na Alemanha nazista e na Rússia soviética (pense em exemplos mais recentes, leitor) – mostra que é o que acontece: gente absolutamente sem preparo assume o poder por conta de lealdade ao regime muito mais do que por conta de algum conhecimento científico (geralmente até o tem, mas é menor do que a maioria dos pares) e tudo é resolvido por ideologia. 

Note que o caminho da ideologia não é exclusivo desta ou daquela corrente de pensamento. O sinal de que a canoa virou ocorre quando o sujeito começa a negar que sua teoria tenha falhas. Ou ela é “científica” e as outras não o são, ou ela é perfeita e definitiva. Mais ou menos o contrário do que se propõe para a empreitada científica. Simplesmente: se você acha que sua teoria é definitiva, então deve investir apenas em divulgação ideológica (e não em desenvolvê-la já que não há porque desenvolvê-la).

Se fizermos um estudo empírico simples sobre isto no Brasil, o que será que encontraremos?

Capital humano ou preço do insumo?

De Tóquio para a BBC Brasil - As indústrias japonesas estão contratando “estagiários” de outros países asiáticos a um baixo custo, ameaçando a mão-de-obra brasileira no Japão.

(…)

Os brasileiros e filipinos concorrem principalmente às vagas na fábrica local da Sony. “A vantagem deles (filipinos) é que não reclamam do serviço e nunca faltam”, analisa Márcio Nakamura, funcionário de uma empresa de recursos humanos que emprega brasileiros e filipinos na indústria.

“Esses estagiários são uma mão-de-obra muito barata para o Japão”, explica o professor Edson Urano, da Universidade Sophia de Tóquio.

O restante da notícia é interessante, claro. Em uma sociedade na qual o crescimento populacional não aumenta tanto, a dependência da mão-de-obra estrangeira é, cada vez mais, um problema sério. Um perfeito exemplo de fundamentos microeconômicos da macroeconomia…

Ed Glaeser contou metade da história

Ed Glaeser tem uma boa proposta para melhorar a educação nos EUA sob a administração Obama: contrate os melhores professores. Embora seja uma simples e boa proposta, Glaeser nem tocou em problemas sérios de incentivos na educação. Por falar em Obama, o homem forte de Wall Street no governo Clinton já está escalado.

Capital Humano versus Instituições

The premise of our analysis is that development requires both institutions and the knowledge how to use the institutions; neither is effective on its own. This suggests that the debate over whether institutions or human capital cause growth (discussed in Glaeser, et al., 2004) may be framed too restrictively. Our other premise – that there are two types of education and both must be considered to account for development – suggests that accounts of development that rely on unidimensional metrics of human capital may leave out an important part of the story.

O modelo, puramente teórico, está aqui. A discussão vai longe. A discussão sobre como surgem instituições e como o desenvolvimento econômico dispara é pano para manga…

O ensino público loteado entre os urubus

Leia ambos com atenção. Qualquer opinião contra a maioria bolivariana é, obviamente, taxada de neoliberal e os méritos do argumento são, normalmente, ignorados.

Educação no Brasil

Household Income As A Determinant of Child Labor and School Enrollment in Brazil: Evidence From A Social Security Reform

Author/Editor: Carvalho Filho, Irineu E.
Authorized for Distribution: October 1, 2008

Summary: This paper studies the effects of household income on labor participation and school enrollment of children aged 10 to 14 in Brazil using a social security reform as a source of exogenous variation in household income. Estimates imply that the gap between actual and full school enrollment was reduced by 20 percent for girls living in the same household as an elderly benefiting from the reform. Girls’ labor participation rates reduced with increased benefit income, but only when benefits were received by a female elderly. Effects on boys’ enrollment rates and labor participation were in general smaller and statistically insignificant.

Bacana, né? Em um artigo bem menos técnico, outro tema de destaque: empreendedorismo.

Educação: um motivo a menos para subsidiá-la

Interessante artigo sobre uma das justificativas mais senso comum (do mundo!) para se subsidiar a educação. Valeria uma estimativa para o Brasil. Coisa para gente que gosta de equação minceriana e afins.

IPEA para quem tem apenas segundo grau?

O Espectro Econômico mostra mais uma herança da administração da Silva que é deixada para as próximas gerações. É óbvio que me refiro ao longo prazo, não ao curto prazo, em respeito ao próprio auto-proclamado objetivo do famoso órgão público.