Bananobama?

Quem não se lembra do sorriso cheio de maldade e alegria da maioria das pessoas quando Bush foi pego de surpresa em 11 de setembro de 2001? Várias piadas maldosas foram feitas sobre sua incapacidade de reagir à notícia enquanto tratava com crianças em uma escola (o que, aliás, parece-me uma extremamente boa percepção de como reagir em um ambiente adverso).

Entretanto, eu aposto que 90% da mesma amostra de pessoas nem se preocupou em criticar Obama por sua incrível demora (um dia?) em se pronunciar sobre o terrorista nigeriano que tentou explodir um avião no dia de Natal. Diga-se de passagem, o contraste da tolerância ocidental em relação à da galerinha do Oriente Médio está na pouca preocupação das pessoas com o fato. Feriado religioso, aqui, é igual a qualquer dia. Imagine um ataque israelense sobre o Irã em pleno Ramadã. Ia gerar uma comoção, passeatas e quebra-quebras (na França).

Pois pode-se discordar de mim sobre alguns aspectos aqui, mas o fato é que Obama não tem sido nada claro sobre como seu governo encara a ameaça terrorista. Será que ele acredita mesmo que ler o incrivelmente errado (e famoso) “Veias Abertas…” trará mais paz ao mundo?

A agenda de Obama inclui esterilizações em massa?

É sempre bom ter cuidado com o que se diz. A resposta a pergunta acima pode ser “não”, mas o grande czar da ciência e tecnologia do governo Obama tem que ser mais claro sobre o que já disse.

No Brasil tivemos algo similar na era Collor. Se me lembro bem, um famoso cientista político falava da ameaça da invasão das cidades por massas de favelados e, ao ser empossado em um cargo público da área de ciência e tecnologia, inverteu o discurso.

O governo, claro, sempre é uma fonte de humor…

O Proer do Obama

Nos idos dos bons anos 90, fizemos por aqui um Proer. Ronald Hillbrecht o explicou bem em seu livro-texto de Economia Monetária. Apesar disso, muita gente usou o Proer como um ponto imbecil em debates políticos. Seria aquilo um socorro caríssimo para os bancos? Calma lá…

O custo do Proer, em termos do PIB, é um dos menores do mundo (onde está meu exemplar não-autografado do livro do Ronald?) e estamos onde estamos hoje, ceteris paribus, também por conta do Proer. 

Agora, e quanto ao Proer do Obama? Funcionará? O pós-keynesiano Leijonhufvud tem sérias dúvidas quanto aos gastos que seu governo pretende gerar para, supostamente, sanar a economia.

Incentivos

Cristiano está chamando a atenção, já há alguns dias, para este incentivo proposto pela administração Obama diante da crise atual. Com sua licença, reproduzimos o trecho:

Já escrevi aqui sobre a idéia do limite de salários aos executivos do setor financeiro dos bancos que pegarem o dinheiro do contribuite americano emprestado. 

Algumas pessoas do setor acreditam que isso vai causar o chamado Brain Drain. Ou seja, uma fuga de cérebros dos bancos que receberem o dinheiro para os que não tomarem empréstimo do governo (Leia AQUI).

Bem, existem duas possibilidades. Primeira, esses caras apesar de serem os experts da área foram pegos de surpresa e o banco deles faliu. Segunda, esses caras não eram tão inteligentes assim e o banco acabou falindo.

Em ambos os casos eu perguntaria: Por que um banco que não precisa do dinheiro do governo demitiria um funcionário/executivo que conseguiu manter o banco equilibrado até agora para contratar um que era executivo de um banco que está mal das pernas?

Parece-me que a idéia do limite diz respeito ao fato de o banco usar dinheiro público. É o que entendo do trecho acima. Pode não funcionar? Pode. Penso um pouco no caso brasileiro. Muitos órgãos públicos funcionam mal e porcamente por conta dos incentivos que se baseiam na mesma justificativa. Salário de funcionário público, a priori, vem na divulgação do concurso e jamais ultrapassará certo teto. 

Isto, em si, já causaria o “brain drain”. 

Não sei bem se é o caso do que propõe a administração Obama, mas se for, há um sério risco de que o pior aconteça. Alguém tem mais detalhes sobre a proposta?

Mais uma solução alternativa para a crise

Zingales tem outra solução alternativa para a crise. Compare com a de Robert Murphy e, claro, com a da administração Obama, para formar sua opinião. Há mais, mas só estas duas já dão uma boa noção de como se pode ligar fatos a teorias (ou não) com certa consistência e realismo. E nada disso requer magia pterodoxa como a que alguns admiram mais do que entendem.

A administração Obama abriu os olhos?

Talvez. Vejamos o título da matéria: Robert Gates acusa Irã de ‘subversão’ na América Latina.

O engraçado é ver o que os Obamaníacos (os que idolatram Obama, ao invés de entendê-lo como, apenas, mais um presidente norte-americano, com defeitos e qualidades) dirão agora, principalmente os anti-republicanos que ocupam cargos em governos latino-americanos.

Ironias…

Rogoff, sobre a Obanomics

Rogoff tem uma visão bem menos fantasiosa sobre o pacote de Obama do que seus entusiastas no Brasil. Vale a leitura da entrevista. Dois excelentes trechos:

Como o sr. viu o pacote de socorro para a indústria automobilística?

Isto realmente é política. Sou simpático à idéia de que, quando o governo assina cheques a torto e a direito para o sistema financeiro, é difícil dizer não para as montadoras. Mas o dinheiro é basicamente um presente para os acionistas das montadoras, e não acho que vá salvar muitos empregos. As empresas deveriam ter sido levadas à concordata. É um completo desperdício de dinheiro. Não acho que os Estados Unidos estarão fabricando carros daqui a 15 anos, da mesma forma como já não fazemos televisões. É uma indústria moribunda.

Os recursos do impulso fiscal poderão ser mal empregados?

Isso vai acontecer. O governo Obama tem de arrumar uma maneira de mitigar esse problema, mas isso é um trabalho difícil quando se gasta dinheiro nestas proporções. Uma parte grande do dinheiro vai para os governos estaduais e municipais, e nós já estamos vendo em Chicago o que pode acontecer, com episódios como o do (Rod) Blagojevich (governador de Illinois, acusado na Justiça de tentar vender uma vaga de senador): ele deve estar tão aborrecido em deixar o seu cargo logo agora que ia receber dinheiro como nunca.

Vá lá e termine a leitura. Vale, como disse, a pena.