Ladrão bom é ladrão rico?

This article adds to the empirical literature on the relationship between corruption and economic growth by incorporating the impact of economic freedom. We utilize an econometric model with two improvements on the previous literature: (1) our model accounts for the fact that economic growth, corruption, and investment are jointly determined, and (2) we include economic freedom explicitly as an explanatory variable. Using a panel of 60 countries, we find that for countries with low economic freedom (where individuals have limited economic choices), corruption reduces economic growth. However, in countries with high economic freedom, corruption is found to increase economic growth. Our results contradict the generally accepted view that corruption lowers the rate of growth.

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Discurso de abertura do Encontro de Liberais que começa…hoje!

Por motivos pessoais – muito bons, diga-se de passagem – não pude ir ao encontro de liberais que começa hoje, em Brasília. Mas o Adolfo teve a bondade de reproduzir, no blog, o discurso de abertura. Segue:

Discurso de Abertura do Encontro de Pensadores Liberais: Mudar o Mundo

Mudar o mundo é fácil; difícil é mudá-lo na direção certa. Hitler, Stalin, e vários outros mudaram o mundo, mas não creio que o tornaram um local melhor. Todos eles eram movidos por nobres objetivos, e todos fracassaram. Eram movidos por ideais, acreditavam estarem fazendo o melhor para seu povo. Contudo, os conduziram para a fome, miséria e destruição. Ser movido por ideais nobres não basta para tornar o mundo um lugar melhor. Mais importante do que o fim visado é o meio utilizado. Não existe um fim digno de se almejar quando os meios para alcançá-lo são ilícitos. É neste ponto que fracassam todos os inimigos da sociedade aberta, se esquecem de que os fins NUNCA justificam os meios. O desrespeito pelos meios, objetivando um bem futuro, é uma característica comum aos maiores fascínoras da humanidade.

Um homem não deve matar seu vizinho para se apoderar de sua propriedade. De maneira semelhante, não é lícito a uma sociedade sacrificar parte de seus cidadãos em prol de outros. Mesmo que os sacrifícios sejam feitos por uma minoria, em vantagem de uma maioria, não é direito do Estado exigir mais de determinados grupos do que de outros. Tão logo o Estado desrespeite esse princípio básico encerra-se a democracia e começa-se a ditadura. Tão logo o governo passe a tomar medidas restritivas à minoria, para satisfazer um desejo das maiorias, encerra-se o respeito característico de um sistema democrático. Contudo, numa sociedade baseada no voto universal, como escapar da ditadura da maioria? Como evitar que, para perpetuarem-se no poder, governantes satisfaçam cada vez mais uma maioria à custa do desrespeito por uma minoria indefesa?

A pergunta acima já foi feita milhares de vezes por filósofos, cientistas políticos, economistas e intelectuais preocupados com o futuro da humanidade. Respostas foram dadas, nenhuma delas perfeita, e continuam ainda sendo propostas. Não almejo aqui resolver essa questão. Proponho apenas um subterfúgio, proponho uma pergunta mais simples: o que possibilitou que pessoas bem intencionadas tomassem decisões cruéis, injustas e ainda assim mantendo-se no poder? Como ideais tão nobres, como a felicidade geral, transformaram homens comuns em ditadores sanguinários? A resposta é simples: excesso de poder. O excesso de poder na mão de poucos homens é a maior causa de genocídios da história de nosso planeta.

A democracia não é um fim em si mesma. A democracia só é importante pois ela é um instrumento para garantir a liberdade individual. Mas a democracia só é efetiva para garantir a liberdade enquanto o poder do Estado for pequeno. Um regime democrático pode ser tão sanguinário quanto qualquer ditadura. Para tanto basta que o poder do Estado seja grande o suficiente. Um liberal compreende isso. Um liberal compreende que só estará a salvo da discricionaridade do Estado enquanto este permanecer pequeno. É por este motivo que um liberal é contra um Estado grande e influente. Nós liberais sabemos de todas as ineficiências econômicas geradas pela intervenção estatal. Mas nossa objeção contra um Estado grande não é econômica, é moral.

Animador. Animador.

Como a obesidade do governo pode aumentar por conta de…

…diagnósticos feitos pelo próprio governo. Um dia é o terrorismo. No outro, a falta de segurança. Em um terceiro dia, a obesidade de alguém.

O desafio que as pessoas não desejam enfrentar – porque é um bem público – é: quem defenderá suas liberdades? Não me venha com esta de trocar segurança por liberdade. Não existe um único brasileiro, pobre ou rico, que prefira viver no calabouço, comendo capim só porque está mais seguro. Este trade-off só existe no discurso de quem deseja destruir suas liberdades.

Quer viver em uma democracia?

No século XXI existe um único inimigo do seu direito de escolher que roupa vestir, onde morar ou quantos filhos ter: o socialismo. Infelizmente, para os sinceros utópicos, este é um fato. Sua roupagem atual tem duas tonalidades: a norte-coreano/cubana e a sino-bolivariana. Tal como em padrões monetários, o mau socialismo expulsa o bom socialismo, embora ambos sejam inferiores ao não-socialismo.

Assim, prevejo que o mau socialismo (Kim Jong Il e Fidel Castro) desaparecerá em breve. Contudo, as elites (sim, leitor, se você leu os livros escritos no cárcere por….Milovan Djilas, sabe do que falo) que governam estes países reagirão para não perderem seus privilégios, duramente conquistados sob um manto de discurso “social” ou “socialmente responsável” ou qualquer outro adjetivo que se queira dar a isto e adotarão a prática marginalista.

Como assim? Basta ver o que fazem todos os governos de centro-esquerda da América Latina. Note que, em respeito à esquerda anaeróbica, que vê Opus Dei e fascistas até entre militantes do PSDB, classifico o governo venezuelano e o brasileiro como de “centro”-esquerda: aos poucos aumentam o poder regulatório do Estado para além do ponto ótimo em termos das liberdades civis e econômicas, minando a importância da propriedade privada.

É um movimento menos brusco e mais, digamos, anestésico, do que a escravidão colonial. Naquela época, você simplesmente dizia ao negro que seu corpo não lhe pertencia e que você tinha os direitos de propriedade sobre ele (lembre-se como eram contabilizados os escravos pelos portugueses: em número de “peças” ou “cabeças”). Ao invés de fazer isto, você, primeiro, avança um discurso “social” e cria alguma indignação (além de doutrinar as crianças de forma lenta e gradual). Depois passa uma lei restritiva. Algo como tentar censurar a blogosfera (opa, quem tentou fazer isto recentmente?). Claro, sempre que alguém reclama, você lança centenas de textos falando da conspiração da Opus Dei e da Tropa de Choque com as bençãos da grande mídia que deseja expulsar o príncipe operário do poder.

Quer viver em uma democracia? Lembre-se do famoso adágio norte-americano: o preço da liberdade é a eterna vigilância.

Metropolis

Existe um filme brilhante de Fritz Lang, o Metropolis. Na época de universitário, como todo mundo na minha idade, eu assisti ao filme. Trata-se de uma obra-prima, certamente. O interessante é que, na época, eu vivia submetido a bons professores e os tradicionais pterodoxos (e os explosivos pterodoxos-bolivarianos). Para minha sorte, havia um amigo, da Filosofia, que era mais crítico de tudo do que qualquer um que conhecia. Hoje ele leciona filosofia em uma universidade federal.

Este meu amigo me ajudava na compreensão destes filmes malucos. Talvez ele tenha sido o responsável por eu gostar dos filmes expressionistas, odiar os franceses e torcer o nariz para o pervertido Pasolini. Ele simplesmente me apresentava aos filmes e eu, seguindo a idéia de experimentar novas formas de expressão cinematográficas, assistia a tudo que via pela frente. E conersávamos muito sobre o que víamos. Foi uma boa época, sem dúvida.
Não quero tirar o prazer de alguém que nunca assistiu nenhum destes filmes (até mesmo Pasolini e Godard), mas Metropolis tem uma mensagem que, na época, combinava com o discurso nazista e que era a acomodação entre os proletários e os burgueses. Meus amigos socialistas achavam isto ruim porque, na verdade, gostariam de ver o pau comer , desde que não os atingisse, claro. Para este povo, a vida é passear de motocicleta escrevendo um diário enquanto se mata um ou outro burguês aqui e acolá.

Ok, há muita polêmica sobre se o final feliz deste filme é apenas uma infeliz coincidência com os desejos de Goebbels, Hitler e a corja toda, ou não. Não vou discutir este etéreo conceito de “pensamentos da época”, mas o fato é que, após receber o convite de Goebbels para trabalhar pelos nazistas, Fritz Lang se mandou para os EUA onde, aliás, filmou o último filme da trilogia de “Dr. Mabuse, o gênio do crime” (e o único falado deles) .

Desde então, toda vez que vejo um discurso de “pacto social”, eu fico desconfiado. Mas mais desconfiado ainda eu fico quando vejo união de sindicatos patronais e de trabalhadores (embora patrões também trabalhem, a esquerda anaeróbica gosta de pensar em si própria como o único amontoado de gente que trabalha) em torno de propostas. Sempre há algum interesse oculto. Por exemplo, nenhum destes sindicatos defende o fim da contribuição sindical, senão que a deseja como algo petrificado em lei. O objetivo, claro, é fazer com que todos pertençam às corporações. Qual a diferença deste discurso para o de Mussolini? Nenhuma. Mas o problema é que quem diz isto é chamado por eles de anti-socialista ou anti-patriota, conforme a tonalidade da madeira que cobre a cara-de-pau do sindicalista.

Ok, falamos um monte de cinema e de cinismo sindical. Agora, isto tudo me veio à mente quando eu vi a que nível podem chegar as relações perigosas entre esta gente.

É preciso um pouco mais de leitura – e eu recomendo Mancur Olson – para se entender as implicações dos efeitos negativos dos sindicatos sobre o desenvolvimento econômico (para o caso do Brasil, veja isto, por exemplo). Mas no caso das relações perigosas, eu me lembro do clássico artigo de Bruce Yandle, sobre batistas e contrabandistas (revisitado e revisado pelo próprio aqui).

Qual é o final disto tudo? Bem, nem toda história tem moral (ou ética, como vimos entre os aliados do sr. da Silva, esta semana, notadamente seu amigo, o sr. Calheiros). Mas o mais importante é que você tenha a chance de, um dia, assistir Metropolis do Lang (veja se consegue a cópia original, em preto e branco, muda, não a que ganhou cores e trilha sonora nos anos 80), o 1984 do Orwell, e tente sair da armadilha mental que é achar que uma ideologia que justifica matança porque “o futuro será melhor para todos” é melhor que a outra que justifica a mesma matança porque “você é de uma raça superior”.

Aliás, pouca gente gosta de admitir (porque realmente é incômodo para quem ama ideologias como estas), mas nazismo e socialismo têm muito em comum (além do fato de Hitler ter importado a idéia dos campos de concentração da URSS) e um bom livro que mostra isto é o The Lost Literature of Socialism, de George Watson. É meio chato de se ler, mas é interessantíssimo. A capa do livro tem as chamadas mais interessantes:

  • The state can make of mankind anything it wants – that sums up ther theories (Tocqueville)
  • Germany takes Schleswig with the right of civilisation over barbarism, of progress against stability (Marx)
  • There is something wrong with a regime that needs a pyramid of corpses every few years (Orwell)
  • How, as a socialist, can you not be an anti-semite? (Hitler)

A combinação é explosiva, certo? Ok, o ponto é óbvio: não se deve tomar escritores humanos como escritores divinos, imunes aos erros da lógica (ou às imoralidades). Talvez aí esteja uma das melhores formas de se defender a liberdade de pensamento. Afinal, é melhor ter várias pessoas errando e acertando do que apenas uma, cujos erros e acertos são impostos a todos por um governo assessorado por um conselho de iluminados que, opa, também são humanos.

A importância da liberdade

Leia este depoimento do Erik, lá do Moral Hazard. Claro, outro excelente aspecto da liberdade é aquele que diz respeito às descobertas.

Incrível mesmo é como pouquíssimos estudantes de Administração conhecem Hayek (e, na contramão, sabem de cor o manual de como pedir subsídios em bancos estatais).