Viés ideológico

Todo mundo – exceto os nossos economistas (99% deles) – sabe que o livro de Paul Samuelson (não o excelente Foundations of Economic Analysis, mas o de introdução) tinha um forte viés pró-soviético. Samuelson, provavelmente, era um admirador do planejamento soviético.

Ok, isto não é novidade.

O que há de novo é que dois autores fizeram uma pesquisa por vários livros introdutórios e notaram que Samuelson não estava sozinho em sua época. Mas os mesmos, como afirma Caplan no link acima, interpretam os resultados como um alerta contra os supostos “especialistas” do conhecimento. Na verdade, a discussão de Levy & Peart (os autores) neste artigo segue um outro em que defendiam o não-monopólio de um modelo no desenvolvimento da teoria econômica. Não creio que exista monopólio eterno (basta pensar em concorrência potencial e, claro, nenhum lugar é mais sujeito a hit-and-run do que o ambiente científico) e portanto não compro muito esta tese.

Para Caplan, a questão é mais simples: Samuelson tinha um viés esquerdista. E a bola que ele levanta é: quantos livros introdutórios tinham viés direitista? Afinal, se o argumento de Levy & Peart é sobre especialistas, devemos pensar na ideologia dos mesmos, não?