Racionalidade, Vernon Smith e alguns pitacos raivosos sobre uma selva inóspita

William Easterly faz uma resenha do novo livro de Vernon Smith que, apesar de ter ganho o Nobel em Economia Experimental e estudar questões da racionalidade, é olimpicamente ignorado pela pterodoxia brasileira. O interessante é que, usando o dilema dos prisioneiros, Smith encontra:

An example is the well-known two-player game, the prisoner’s dilemma, when each player gets a higher payoff by cheating if the other doesn’t. The payoff is still very high if neither cheat, and it is the lowest if both cheat. Rational behavior predicts that both players cheat and hence wind up with the lowest payoff. Yet laboratory experiments with real human subjects and real money find that both refrain from cheating surprisingly often.

So players are behaving “irrationally,” yet Smith points out that they have managed to get a better outcome than what “rational” behavior would achieve. He argues that players have unconscious social norms of “fair” behavior (and also they may find ways of “socially” signaling to each other these norms, since one thing we know about humans is that their social skills are highly advanced). Unconscious sociability allows humans to realize gains from social exchange that cannot be captured by the explicit “rational decision” model. He finds more evidence for this idea by subtle variations in the social context of the experiment.

Em outras palavras, para o desespero dos “torcedores contra a racionalidade”, a racionalidade parece ser algo bem mais presente em nossa vida do que apenas nas preferências dos indivíduos. Se Smith estiver correto – e vamos supor que está, apenas para exercício – então os economistas poderiam aprender muito sobre o comportamento individual se se unissem a psicólogos e sociólogos que não têm medo, nem preconceito ideológico (ou demente) contra coleta e análise de dados que vão além das médias e desvios-padrões. O ganho, aliás, seria mútuo.

Mas, claro, isto é só o começo. Se quiser conhecer mais sobre o tema, veja algumas das publicações de Vernon Smith.

p.s. nota pterodoxa: sejamos justos, na selva brasileira, todo mundo que é da torcida citada fala que ou a teoria dos jogos é uma “reação contra a malvada economia neoclássica Darth Vader” ou que “Axelrod mostrou que na prática não era bem assim”. Esclarecendo: toda mudança no formato de um paradigma científico (mesmo que alguns achem que ele foi trocado por outro) começa com inovações e, segundo, Axelrod é muito citado, pouco lido e, pior ainda, Vernon Smith é apenas um dos que começaram onde Axelrod parou…e a pterodoxia sequer se deu o trabalho de ler porque estava preocupada em gritar na arquibacanda seu mantra contra a “racionalidade”…

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Um comentário sobre “Racionalidade, Vernon Smith e alguns pitacos raivosos sobre uma selva inóspita

  1. estamos esgotando o objetivo na compreensão dos problemas

    alguns são simplesmente complicados demais para entendermos sem as subjetividades

    a ciência parece ter disto. numa época ela fica mais racionalista, depois ela fica menos, depois ela fica mais de novo…

    quem sabe a ciência não resgate a época do da Vinci, que era um cientista-artista? Afinal, o cérebro que trabalha ambos é um só.

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