Banco Central pelo país, autoridade fiscal contra

Alex resumiu bem um debate que, na imprensa e blogosfera brasileira, geralmente toma tons ideológicos, religiosos e, portanto, inúteis para o entendimento da realidade: o debate sobre as políticas fiscal e monetária. Recomendo fortemente a leitura. Aqui, em diversos momentos, citei o problema da política fiscal e de como alguns interesses se faziam ecoar na imprensa por meio de críticas quase infantis à atuação do Banco Central brasileiro (“patinando”, “complô”, “anti-social”, etc).

É curioso lembrar que, justamente pela política monetária recente, temos uma situação menos perigosa do que a que teríamos se estivéssemos sob o arranjo monetário do governo Geisel, Sarney ou Collor, para citar apenas alguns. O criticado sistema de metas ainda nos mantém em situação melhor do que no resto do mundo. 

Verdade é que, lá fora, critica-se o sistema de metas. Gente de calibre muito maior do que muitos de nossos críticos debate melhorias no sistema enquanto, aqui, ainda é muito forte o vício da autoridade do jornalista (blogueiro) que nem sempre lê (ou entende o que lê) artigos científicos. Cabe ao leitor, claro, escolher o que é ou não artigo de qualidade por conta própria e, claro, com ajuda de gente boa.

Este blog não tem pretensões religiosas e nem recebe patrocínio do Banco Central. Mas também não concorda com críticas infantis.

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4 comentários sobre “Banco Central pelo país, autoridade fiscal contra

  1. Caro Shikida,

    Acho que o sistema de metas no Brasil esta devendo, veja bem entre 2000-08 a inflacao media no brasil foi de 6,8% ao ano. Eh dificil dizer que isso eh um sucesso.

    Alem do mais, as taxas de juros reais brasileiras eram as mais altas do mundo. Nao creio que o Brasil seja pior que o uzbiquistao para ter que pagar juros tao altos assim.

    Nao estou aqui defendendo a autoridade fiscal, mas tambem nao vou defender a politica do BACEN.

  2. Adolfo:

    Nos últimos 4 anos a inflação média anual ficou em 4,8% (a meta no período foi 4,5%), com desvio-padrão de 1,3%. As expectativas têm ficado ancoradas ao redor da meta, em contraste com o período inicial, quando teimavam em ficar acima da meta. Por estes aspectos eu diria que o regime deve bem menos do que você sugere.

    Quanto às taxas de juros, os resultados do parágrafo acima não avalizam a noção de que as taxas foram mais altas que o necessário. A questão relevante, da forma como eu a entendo, é por que são necessárias taxas elevadas para manter a inflação ao redor da meta e não acredito que a resposta esteja no regime monetário.

    Minha hipótese é que o crédito direcionado contribui para isto.

    Abs

    Alex

  3. Grande Alex,

    Creio que voce tambem concorda que 4,8% de inflacao anual tambem nao eh motivo de comemoracao. Ou estou errado?

    Talvez a taxa de juros tenha que ser alta para manter a inflacao ao redor da meta apenas porque nao ha credibilidade no regime de metas brasileiro, essa tambem me parece ser uma hipotese viavel.

    No mais eh sempre um prazer ler seus posts.

    Grande abraco,
    Adolfo

  4. Eu acho mesmo alta, mas aí é questão do mandato. O BC só pode perseguir a meta que lhe foi confiada. Se esta é alta, vamos brigar para baixá-la, mas, dada a meta, o BC tem entregue a inflação bastante próxima.

    Quanto ao efeito da credibilidade sobre a taxa de juros, pode ser, mas deveria também aparecer nas expectativas, não?

    Bração,

    Alex

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