Franco, como sempre, genial

Escrevo para acudir, a pedido, um jovem leitor, aluno de uma escola de economia dita “alternativa” ou “heterodoxa”, que me escreve relatando que está cursando a disciplina de nome “Finanças Públicas”, e que, segundo ele mesmo, usando expressão de rara felicidade, “é nesta cadeira onde ocorrem as maiores atrocidades”.

Com efeito, são muitos os alunos (as) que escrevem relatando “atrocidades” cometidas por professores de escolas “alternativas”. É preciso fazer alguma coisa para socorrer essas vítimas inocentes da incapacidade do sistema universitário brasileiro de filtrar seus professores conforme critérios objetivos de qualidade.

O caso é tela, conforme o relato da vítima, consiste no seguinte: o(a) professor(a) (vamos deixar tão impessoal quanto possível a fim de evitar represálias, sempre violentas quando as identidades são reveladas) ensina a seus alunos que a hiperinflação brasileira “era apenas inercial”, e que nada tinha que ver com a crise nas finanças públicas, que até a falecida velhinha de Taubaté sabia existir. Em apoio a esta tese amalucada, raciocinando por absurdo, o(a) professor(a) formula a seguinte hipótese: se o combate ao déficit público fracassou, como demonstrado pelo “Pacote 51” (que é de 1997!) e que só as medidas ditas de “desindexação”, como a URV, efetivamente funcionaram, então, diz o(a) professor(a), o Plano Real não poderia ter dado certo, a menos que a hiperinflação fosse “puramente inercial”.

Esta pérola de charlatanismo econômico apenas exemplifica um fenômeno sobre o qual é preciso refletir, a saber, o fato da plana e rasa incompetência profissional ocultar-se sob um manto ideológico, querendo com isso ganhar a legitimidade que sempre deve (?) ser dada “à visão alternativa”. Isto até pode fazer sentido na imprensa, onde “ouvir o outro lado” é uma norma constitucional que garante a sobrevivência de várias espécies em extinção. Graças a esta abertura, muitos “acadêmicos” de reputação para lá de sofrível estão toda hora opinando sobre tudo o que se passa, por que sempre é necessário “ouvir o outro lado”. Existem muitos “profissionais” em ser “o outro lado”, o do contra, como existem “os suspeitos de sempre”.

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Claudio

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PAC e a realidade (além da blogosfera e do jornalismo rasteiro)

Desde os anos 60 do século passado a atividade de planejamento governamental encontra-se em um beco sem saída, seja no âmbito acadêmico, seja nas inúmeras tentativas de implementar pacotes de políticas públicas, em variadas economias nacionais. O Brasil não é exceção. A era dos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND), durante os governos militares, foi uma prática mais acadêmica do que de geração efetiva de resultados ou disseminação de uma cultura de planejamento na Administração Pública. Na seqüência do Plano Cruzado, ocorreu mais um fracassado esforço de planejar o crescimento econômico, e durante o Governo anterior as discussões em torno do “Avança Brasil” foram rapidamente deixadas de lado. Agora, surge o PAC, “Programa de Aceleração do Crescimento: 2007-2010”, com propósito análogo a essas tentativas: acionar um esforço de planejamento que possa induzir a que agentes privados atuem na intensidade desejada. A cola que liga tudo isso é, outra vez, o crescimento do PIB ou, na metáfora usada no PAC, “romper barreiras e superar limites”.

Leia o resto aqui (a blogosfera está cheia de opiniões ingênuas sobre o PAC…).

Claudio

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