O Banco Central que não sabe se agrada à Fazenda e à candidata ou se cumpre sua função constitucional (e uma palavra sobre o “Santandergate”)

A impressão que se tem é esta. Leia a matéria. Lá um diretor do Banco Central, Odilon, explica ao jornalista que a questão de crédito é uma questão de defasagens (uma explicação que qualquer aluno entende, quando estuda o multiplicador bancário).

Ocorre que ele prefere não falar em números muito exatos no que diz respeito à estrutura de defasagens, ou seja, sobre quanto tempo leva para o impacto ser potencializado. Por que? Porque ele e nós sabemos que esta medida é difícil de ser precisada. Muito mais difícil do que estimar o impacto da Selic sobre o PIB.

Um dia depois de atacar a liberdade de expressão, pressionando nos bastidores o Santander a pedir desculpas por cumprir seu dever com seus correntistas de informar o que os analistas do banco pensam de uma eventual reeleição da Dilma, claro que os bancos privados jogaram confetes no anúncio da medida exótica da Austoridade Monetária.

Aliás, curiosamente, o governo não é muito rigoroso para pedir desculpas quando ele próprio tem amigos que espalham boatos. Lembra da história da CEF e do Bolsa-Família em que uma ministra acusou a oposição? Pois é. Lá, naquele episódio, os governantes não se mostraram muito estadistas, e não pediram desculpas pela trapalhada cometida.

O que vem por aí? Bom, todo mundo que é sério tem avisado, na blogosfera, que o ajuste é inevitável. Enquanto isto, a direção do Banco Central vai se acomodando em uma posição perigosa. Fosse eu um criador de metáforas, diria que Tombini está mais para Júlio César do que para Dida.

Liberdade de Expressão e Relatórios do Santander: só pode ser análise técnica se for com materialismo histórico…e otimista. Ou melhor, só se for otimista. Senão, a gente manda tirar!

Liberdade de imprensa não se coloca atrás da porta dos fundos

É realmente um tema importante, não é? A tal liberdade de imprensa. Já passei raiva demais explicando o óbvio para alguns. Já tive bons momentos debatendo o não-óbvio com outros. Entretanto, não dá mesmo para aturar a falta de argumentos de algumas pessoas. Acho que o Felipe Moura sente o mesmo.

Ah, mas o Felipe cita um filósofo que não curto

Veja bem, leitor, não sou olavete, mas nem por isso acho que leitores de Olavo não possam citá-lo e, obviamente, se o Felipe está na Veja e cita o Olavo isto não o torna um cidadão de segunda categoria. Caso ele degolasse alguém, poderiámos discutir. Mas ter opiniões diferentes faz parte do jogo democrático. O ponto importante é a coerência da argumentação e, sim, há uns valores morais importantes como a tolerância com as opiniões distintas (e é por isto que admiro a democracia norte-americana que permite praticamente todas as manifestações ideológicas, desde que não haja agressão física).

Caso você julgue pessoas por parte do que ele fala ou porque ele está à direita ou à esquerda de alguém, então você não deveria estar lendo este texto, ok? Pré-conceitos devem ser substituídos pelos conceitos, em um processo natural de evolução, imagino eu. Não sou perfeito, mas não pretendo piorar.

O último que sair apague a luz dos fundos

Liberdade de expressão, meu caro humorista, é importante demais para ser tratada como se fosse uma porta dos fundos de algum barraco. Estou aqui educando, corrigindo provas, falando de esforço individual, participando de grupos de estudos, debatendo, ensinando, aprendendo para que o Brasil não tenha pessoas que achem que a melhor argumentação possível é uma frase no twitter. Eu ganho inimigos que não assumem que suas notas ruins são fruto de suas escolhas e você pode ignorar os comentários de que não gosta, não é? Isso quando não faz um “Portaria” como os primeiros, nos quais a gente quase sentia a vontade que você tinha de mandar algumas pessoas para aquele famoso lugar. É, é bom ser famoso e poder mandar as pessoas para aquele lugar, eu imagino.

Ensinando o óbvio para os que não toleram aprender: pão e circo

Vamos usar a divisão do trabalho, tão bem descrita por Adam Smith? Eu, que já estudei instituições, falo da liberdade de expressão e do desenvolvimento econômico. Você, que sabe fazer boas piadas, dá circo para as pessoas, ok? Mas não fique aí pedindo que pessoas não possam trabalhar para colocar pão na mesa porque você, que defende a liberdade de fazer piadas com cristãos (eu não tenho problemas com isto, ok?), acha que a intolerância só vale para alguns. Lembre-se: pão e circo. Cuide das palhaçadas que nós cuidamos do nosso pão.

Ainda a liberdade de expressão…

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Algumas pessoas me perguntaram sobre os dados do post anterior. Bem, veja aí a sanha do governo brasileiro, que vê tudo como “crime de difamação”, etc. Acho que um governo que faz o que faz – notadamente em 2012 – não é um sujeito ao qual eu confiaria um “marco civil”, viu?

Mas, claro, esta é minha opinião apenas.

Liberdade de expressão

Este breve relato mostra que os liberais realmente são indesejados na América Latina. Afinal, ir à Igreja é sempre, como sabemos do discurso do “líder-estudantil-que-não-estuda-porque-está-na-passeata”, Igreja é coisa de “elite católica opressora”.

Se você ainda acha que os porta-vozes da diplomacia do presidente da Silva e aliados estão com a razão ao apoiarem os vizinhos bolivarianos, então certamente você não vê problemas em perseguições políticas também.

Um discurso repleto de mentiras repetido muitas vezes, acho que disse Goebbels, torna-se verdade. O leitor deve ter cuidado com o que ouve. Talvez eu esteja mentindo. Talvez a oposição venezuelana esteja mentindo. Talvez o presidente esteja mentindo. Como você sai deste imbróglio? Só mesmo estudando e criando algum discernimento.

Não há como recomendar uns “dez passos para a auto-iluminação”: você vai errar, achar que tal blogueiro é bacana e o outro é um crápula, depois poderá até mudar de idéia e perceber que foi enganado. E assim vai. Só temos que combinar uma coisa: tente não ficar na nuvem da ilusão na hora em que o autoritarismo estiver em seu momento crucial de implantação no Brasil. Senão, este processo todo cessa e a “iluminação” virá de gente que acha que sabe o que é melhor para você.

Onde está a blogosfera “de responsabilidade social” nestas horas?

As minorias cuidam de seus privilégios conseguidos junto ao governo (com ou sem zumbi escravocrata…) e se esquecem do que prometeram: lutar pela livre expressão. O motivo? Simples: o doador é amigo do ditador. Por isto os comentários imbecis de gente que reclama de minha definição de “movimentos sociais” são apagados antes de chegarem ao blog: os sujeitos não conseguem nem um mínimo de coerência.