Onde, exatamente, começou o fim da Argentina?

Num país amplamente desprovido da estrutura institucional liberal dos países anglo-saxões, os imigrantes não-cidadãos que encheram o país inquietaram muito a burguesia nativa. A época de reforma liberal, sob os ‘radicais’ de Irigoyen (1916-1930), estendeu as franquias políticas, mas deixou a massa da classe trabalhadora despida de representação política – e, portanto, suscetível de mobilização demagógica pela esquerda fascista de Perón. [Merquior, J.G. O Liberalismo Antigo e Moderno, 1991, p.125]

Ok, eu concordo que trabalhadores representados também estão sujeitos à manipulação demagógica (vide o Brasil). Mas Merquior pode ter encontrado a raiz básica do início do fim argentino.

p.s. Note como ele, acertadamente, nomeia os peronistas de “esquerda fascista”, um termo que esquerdistas não gostam, mas que representa bem seu modo de pensar e agir na grande maioria dos episódios da história.

Romantismo e Liberalismo

A imaginação romântica só podia florescer dentro de um profundo respeito pelas fantasias pessoais; por isso o romantismo era liberalismo em literatura, na sua desconsideração pelo decoro clássico e na sua subversão de regras clássicas. Igualmente, o liberalismo sustentava que o domínio pessoal era algo de inestimável em si mesmo e não apenas um meio para outro objetivo. [Merquior, J.G. "O Liberalismo - Antigo e Moderno", Nova Fronteira, 1991, p.61]

Não consigo, mesmo, entender porque algumas pessoas insistem em dizer que o “liberalismo é malvado e feio pois acaba com a diversidade”. É justamente o oposto e Merquior coloca isso muito bem no trecho acima.