O avanço totalitário

Os bolivarianos – nome dado aos socialistas, por eles mesmos, para se desvincularem de sua história manchada de sangue alheio – buscam derrubar o último (suposto) obstáculo que lhes atrapalha: o controle da imprensa. Obviamente, a RSF, que adora reclamar de perseguição a jornalistas, ainda não foi capaz de se tornar mais eloquente diante destas notícias (sic).

Obviamente (de novo), a resposta para estes ultrajes governamentais não deve se basear em alguma imagem mitológica do jornalista enquanto “herói que busca a verdade”. São todos uns auto-interessados, como os economistas, leitores deste blog e outros seres ditos humanos. O ponto é que a busca do auto-interesse é bom para a imprensa: significa mais vontade de fiscalizar o governo ou a oposição. Ao tentar controlar a imprensa, regular seu conteúdo, etc, age-se como no clássico 1984 de George Orwell (que o pessoal da esquerda odeia ler), na tentativa de controlar, em algum momento do futuro, o que você, leitor, pensa.

Lamentável mesmo é que a RSF nem se manifeste.

p.s. outro momento imbecil da esquerda latino-americana (e do bolivarianismo iraniano): o multiculturalismo de um único lado. Dá para prever o aumento do consumo de alfafa na América Latina…

O futuro da imprensa

Marton tem idéias interessantes sobre o futuro da imprensa. Trecho:

Acho que, no futuro próximo, será possível e desejável criar micro-agências de notícias de escopo ultra-específico, por exemplo “agência do bairro de Perdizes”. Ou então um caderno ser transformado de editoria em agência, distribuindo seu material independentemte, por exemplo “agência Folha Ilustrada”. Mesmo assim, não faço a mínima ideia de como essas empresas poderiam se pagar. Pôr um RSS delas em sites seria capaz de sustentar seus jornalistas?

O problema dos incentivos é claro, não? Eis uma pergunta interessante vinda de um blog também muito interessante.

Imprensa

A imprensa é sempre culpada, dizem alguns. Marcelo mostra como este comportamento patológico de alguns políticos se repete. Depois que ouvi um assessor de imprensa dizer que “liberdade de imprensa não era importante” (ele se queixava que seus colegas de faculdade, os jornalistas, faziam o diabo com algum entrevistado de sua empresa), eu desisti. Agora só converso com jornalista que não quer acabar numa prisão porque fez seu trabalho bem feito. 

p.s. o tal assessor jogou fora a liberdade de imprensa porque, como se vê, não entendeu todas as implicações da mesma.

Interesses encastelados

Esta, de alguns políticos mineiros me deixou estupefato. Quando traduzem “vested interests” como interesses vetustos, sempre há quem sugira “interesses encastelados”. Mas a mineiragem da notícia é demais. 

Marcelo Soares, como sempre, prestando um serviço ao país. Jornalista bom é igual a este moço…

Entrevista com Renato Lima

1. Renato, este blog sempre faz críticas ao jornalismo econômico. Você, como jornalista, tem todo o direito de revidar. Como você vê a prática do jornalismo – inclusive o econômico – no Brasil? Há críticas? Elas procedem? Qual, enfim, é sua visão?

Temos alguns veículos de boa qualidade. O Estado de São Paulo faz uma das melhores coberturas nacionais e o Valor é disparado o mais abrangente veículo de economia. Na mídia regional, a qualidade flutua bastante, mas há notáveis contribuições.

Os erros do jornalismo econômico são mais fáceis de mensurar. Entretanto, acredito que mais freqüentes, e perniciosos, são os erros do jornalismo político. Aí inclui a relação questionável entre jornalistas e fontes em Brasília, muitas vezes querendo plantar matéria para ver a reação da sociedade. Em cultura, decaímos muito em relação ao que existia de cadernos culturais jornalísticos em décadas passadas. Mas ganhamos excelentes veículos na Internet, como o Digestivo Cultural. E há também o Café Colombo – um programa de rádio que está disponível para podcast, em www.cafecolombo.com.br e que sou um dos apresentadores. heheheh

Na questão da qualidade, identifico um problema geral e outro específico para o jornalismo econômico. O geral é que em jornalismo se tem uma carga de trabalho muito elevada e salários pouco atraentes. A reportagem das redações, em sua maioria, é composta de pessoas jovens. E, quanto mais jovem, mais difícil ter a memória de eventos. Dessa forma, o presidente fica livre para falar “Nunca antes neste país…”.

No caso de jornalismo econômico, há um agravante particular de seleção. Nas faculdades de jornalismo são poucas as que possuem cadeiras, com alguma qualidade, de economia. Mais difícil ainda é um foca que sonha estagiar em redação numa editoria de economia. A universidade não forma e o povo não quer. Entra, muitas vezes, porque sobra vaga e é emprego. Economia é vista como algo complicado, cheio de números, difícil de ser desvendada. Esse profissional, que cai de pára-quedas assim, é o mais fácil de ser enganado por uma fonte. Isso eu acho que dá um estudo interessante para mensuração, Cláudio…heheheh

2. Imagine que tenho um jornal e quero lucro. Publico uma matéria tendenciosa sobre algum político. Qual a solução? Menos liberdade de imprensa? Existe – e se existe, funciona? – auto-regulação da imprensa neste
aspecto? O que sua prática diz? O que você nos conta do mercado jornalístico a este respeito?

Mais, muito mais liberdade de imprensa. Para o erro de um, que exista outro veículo que vigie e aponte erros do outro. Acontece que, para isso, não basta existir apenas a liberdade formal. A qualidade de imprensa e sua liberdade estão diretamente relacionadas ao acesso a recursos/patrocínio. Quanto menor é a concentração de publicidade em alguns poucos anunciantes, mais arriscado é tocar em determinados temas.

Em um estado inchado, em que a máquina pública captura mais de 40% do PIB e o restante também virou dependente do Estado, como é possível ter liberdade para criticar? Digamos que eu faça uma revista de petróleo. Diga que a Petrobras está mal gerida, que os programas de biocombustíveis têm muita politicagem etc. Quantos anúncios da Petrobras vou ter? Zero. Ok, compreensível. E de fornecedores da indústria de petróleo? Provavelmente zero também. É muito arriscado apoiar quem bate de frente a um governo tão inchado.

No Brasil, quem mais agüenta levar “porrada” da imprensa é o poder legislativo. Eles estão sempre muito expostos. O Executivo tem suas formas de pressão e o Judiciário um enorme poder de dissuasão não amigável… Soube de caso de juiz trabalhista que ameaçou veículo de comunicação que, se publicasse determinada matéria, as causas trabalhistas em litígio pela empresa seriam todas perdidas. Criticar o Judiciário, no Brasil, é o que dá mais dor de cabeça.

3. Assessoria de imprensa e jornalismo: como você vê estas profissões? Pode-se dizer que um assessor de imprensa também tem “muita liberdade”?

Nunca trabalhei em assessoria, sempre estive do lado de cá. O que se normalmente pede do assessor é não vender pauta gato por lebre e auxiliar coisas práticas (foto do entrevistado, horário de entrevista) etc.

4. Renato, você já expressou sua opinião algumas vezes sobre o liberalismo, a economia de mercado e a sociedade brasileira. Existem liberais no Brasil? O povo é liberal? E a economia de mercado? O povo, na sua opinião, gosta de economia de mercado? Ou vivemos em uma sociedade rent-seeking?

Não sei se dá para saber se o brasileiro gosta de economia de mercado ou nunca provou – por aqui. Acho que os incentivos econômicos existentes (e aumentados) são para pedir mais proteção e rent-seeking. É uma questão de instituições. O mesmo povo que aqui pede isso vai para os Estados Unidos ou Canadá (novo destino migratório do Brasil) e trabalham arduamente. Iniciam pequenos negócios e gostam de saber que,
por lá, não tem espaço para jeitinho brasileiro.

Vivemos atualmente uma tragédia da juventude: a busca insana por concursos, estimulada pelo governo federal. A mamata pública dá, no Brasil, estabilidade de emprego e salário, greve remunerada, aposentadoria integral, status. Especialmente nas áreas meio. Todos esses benefícios que terão que ser pagos com o árduo trabalho daqueles que se sujeitam as intempéries do mercado, ao sobe e desce das cotações, às preferências dos consumidores etc. Tendo um incentivo como esse e preferir a economia de mercado é algo quase insano. Peraí que vou ali tomar o meu remédio controlado…

5. Outro dia, Adolfo Sachsida, professor universitário da UCB (Universidade Católica de Brasília), sozinho, sem apoio de qualquer entidade, fez uma passeata liberal em Brasília. Qual o significado disto para os tradicionais think tanks liberais (Ordem Livre, o Instituto Millenium, o IL-RS, o IL-RJ, o IEE e, agora, o Instituto Mises Brasil)?

Os indivíduos podem fazer a diferença na história e espero que Sachsida seja um desses. E, com a internet, o que seriam indivíduos dispersos podem se agrupar e trabalhar de forma conjunta.

Veja, eu devo boa parte da minha formação à atuação de institutos liberais. Do IL-RJ, fui um dos vencedores do I Prêmio Donald Stewart, junto com Diogo Costa, do Ordem Livre, e Rafael Ferreira, colega que fez jornalismo comigo aqui na UFPE e hoje cursa o mestrado em economia da EPGE, RJ. Comecei lendo algumas traduções do IL-RJ e aprofundei leituras depois. Do IEE já cobri umas quatro vezes o Fórum da Liberdade e acho a estrutura organizacional do grupo fantástica. É muito fechada (tem que ser empresário ou estar na linha de sucessão de uma empresa) mas tem sua justificativa (estar sujeito aos riscos de mercado).

Mas sinto falta de Think Tanks como há nos Estados Unidos ou Reino Unido. Que produzam papers e policy reports. Essas primeiras organizações liberais tiveram um papel vital de juntar pessoas para discutir idéias e traduzir obras importantes. O que deve continuar. Acho que poderíamos dar um segundo passo nesse sentido, com uma agenda mais propositiva, analítica e política mesmo – no sentido de influenciar as decisões.

6. Bem, fique à vontade para finalizar a entrevista.

Como diria Henry Hazlitt – um grande jornalista econômico – a arte da economia é perceber não apenas os efeitos imediatos, mas os efeitos de longo prazo de qualquer ação política, rastreando as suas conseqüências para todos os grupos. Isso é o que precisa ser exercitado sempre também no jornalismo econômico. Há uma dificuldade de se fazer esse bom jornalismo numa economia de mercado. Os efeitos visíveis são muito mais fáceis de serem reportados, entrevistados etc. Quando o governo aumenta o salário mínimo, por exemplo, é fácil saber quantas pessoas vão ser beneficiadas e com quanto. Os que perderam
emprego (na margem) não estão organizados em associações, estão dispersos. Da mesma forma, concurso do governo dá manchete, mas não colocam, na mesma matéria, que para custear essas novas vagas outras
terão que ser destruídas no mercado de trabalho. Se a população estivesse mais bem informada dos efeitos negativos das ditas políticas boazinhas, talvez o apoio a esse Estado intervencionista fosse menor. Mas, independente desse fim (diminuição do apoio ou não), o bom jornalismo deve ser praticado olhando efeito intencional e o efeito não intencional.

Abraços

Renato Lima

Colunistas cabeças-de-Word em maus lençóis (sempre)

Tantos lençóis ruins que um jogo de cama seria pouco para esta galera. Por exemplo, eles adoram rótulos. Algo como “Bush = republicano = malvado = conservador”, logo, “McCain = republicano…”.

Mas, ao contrário da vã análise jornalística, existem blogs como o The Voloch Conspiracy. Vez por outro, algum jornalista mais esclarecido tenta pensar com mais fontes e acaba por citar o dito blog (nunca vi, mas concedo o benefício da dúvida). Neste caso, por exemplo, um colunista cabeça-de-Word nadaria na lama. Imagine dizer que o republicano pode ser pró-gay? Os movimentos “gays” de esquerda (99% dos movimentos gays brasileiros?) sequer conseguem visualizar isto. Dirão alguns que é conspiração “estadunidense” comandada pelo “The New York Times” para dominar o mundo.

Mas o fato é que não é. Interessante e vale a pena ler. Ao contrário do que pensa (pensa?) o militonto brasileiro dos “direitos iguais para X ou Y”, o mundo é bem mais interessante do que sua visão, como direi, bipolar, do mundo.

Leia lá que vale a reflexão.

p.s. uma vez eu analisei um aspecto de economia política do “movimento gay” e alguns malucos – que não entenderam nada do texto – escreveram aqueles comentários mal educados me acusando de ser homofóbico. Eu sou burrofóbico, isto sim. Se a correlação entre comentaristas pró-gay mal-educados e burrice é alta, ressalto, há uma elevada correlação entre comentaristas anti-gay mal-educados e burrice. Quem já ouviu falar do Teorema de Bayes que tire suas conclusões.

Que confusão!

Quando leio uma notícia n’O Globo, por exemplo, lembro que seus donos são sócios de Carlos Slim, o dono da Embratel. Também lembro que as Organizações fizeram negócios com a Telecom Itália e muito dinheiro sumiu nessa lambança, um dos assuntos que estava sendo visto pela Procuradoria de Milão naquele inquérito que corre lá na Itália. Aí eu recordo que o pessoal do Globo quer comprar O Estadão, que ninguém sabe quem quer vender, e é sócio da Folha de S.Paulo no “Valor Econômico”, jornal que sempre teve ótimas relações com a Telecom Itália. A Folha também é sócia da Portugal Telecom no UOL. A Portugal Telecom, por sua vez, tem como acionistas importantes a espanhola Telefônica, a mesma que manda na telefonia de São Paulo, que é dona do Terra, e que recentemente fez negócio com a Abril, editora que recebeu um aporte grande de um fundo estrangeiro. Esse negócio foi intermediado pelo Citigroup, acionista da Oi (ex-Telemar) e da Brasil Telecom, controladora do iG. Impossível esquecer que das duas empresas participam os fundos de pensão, os mesmos que teriam os caixas sangrados em R$ 730 milhões para favorecer partidos políticos, vide CPI dos Correios, e que teriam sido usados pelo governo para pressionar o Citi, segundo e-mails trocados entre gente graúda do banco, contidos num processo que era movido em Nova York e que, hoje, não tenho a menor idéia de que fim deu. Óbvio que não é só o Citi, todos os bancos têm relações próximas com os veículos de comunicação, bem como com os sindicatos e movimentos sociais _ Bradesco, Unibanco, Itaú… os banqueiros têm seus preferidos. E o Banco do Brasil, claro, esse um capítulo per si. Ah, e as agências de propaganda, e o pedágio dos grandes negócios, as empreiteiras, os financiadores de campanha, as brigas e vaidades nos bastidores dos negócios e do jornalismo.

Janaína levanta muitas hipóteses. Será que aderiu à teoria da conspiração? Ou tem algo mais além desta imensa teia?

A mídia esquerdista (não-liberal) se superou nesta

Fonte: esta.

Que o socialismo latino-americano acredite na velha Albânia, Cuba ou em cópias disto tudo, vá lá. Mas o mau gosto da legenda da foto da recém-libertada Ingrid mostra que existe algo de cruel na mente de alguns ativistas dos chamados “movimentos sociais”, “lado progressista da sociedade” e outros adjetivos que normalmente não significam nada.

Imagino o escândalo que seria se algum liberal – ou mesmo nossos conservadores – fizessem comentário similar sobre algum militante da esquerda em situação similar. Ia ser o escândalo na imprensa. Alguém duvida?

Péssimo, péssimo. De muito mau gosto.

Sabe aquela crítica ao jornalista?

Falei sobre ela mais cedo. Selva conta sobre os desdobramentos. Li a resposta do Doria. Gosto dele, mas não me convenceu nesta. Bem, pelo menos o diálogo foi realizado, o que é um avanço em relação a muita coisa que se vê no “suposto” jornalismo de opinião brasileiro.

Rent-seeking

Mais um caso no famoso BNDES (e tem mais aqui). Acho que falta à imprensa um pouco mais de atenção a entidades sindicais não ligadas ao PDT. As investigações, por enquanto, parecem centrar-se muito na pessoa do tal Paulinho. Mas seriam as outras entidades sindicais menos ligadas a estas práticas? O esvaziamento da CPI das ONGs sugere que há mais nesta história do que se divulga…

Observatório da Imprensa…mesmo

O blog Resistência tem feito um interessante trabalho de midiawatch. Nada daquelas conspirações acusatórias, mas simplesmente exposição das contradições dos colunistas que formam a cabeça de muita gente por aí. Desta vez, por exemplo, a situação ficou feia para o simpático Pedro Dória.

Pergunta aos jornalistas leitores deste blog

Aqui em Belo Horizonte os jornais estão fazendo o maior estardalhaço sobre uma suposta cartelização dos postos de gasolina. Fala-se de prisões e tudo o mais. Mas o maior favor aos consumidores, nenhum deles fez: dizer os nomes e endereços dos postos.

Alguém sabe como é a regra dos jornais para tal? Mesmo que exista, acho terrível fazer manchete em cima do fato e sequer dar ao leitor a única informação relevante para ele.

Suspenção?

Foi realizada nesta terça-feira audiência de instrução e julgamento dos acusados envolvidos na venda e alterações irregulares de carteiras de habilitação em Belo Horizonte no período de janeiro de 1998 e janeiro de 1999. De acordo com o Ministério Público, três das quatro testemunhas de acusação que prestaram depoimento na audiência presidida pelo juiz Jayme Silvestre Corrêa Camargo, titular da 2ª Vara Criminal do Fórum Lafayette, confirmaram o crime.

Segundo a denúncia do MP, os 16 envolvidos no esquema são acusados de formação de quadrilha, tráfico de influência, falsidade ideológica e corrupção. O crime era colocado em prática com os acusados facilitando a aquisição de CNH´s à candidatos, mediante pagamento de R$ 600. As fraudes eram finalizadas com a participação de três funcionários do Detran-MG, que liberavam o documento aos candidatos que buscavam o meio ilegal para se habilitar.

O próximo passo no processo será o depoimento de testemunhas de defesa, de acordo com o MP. Ainda não há data marcada para serem ouvidas.

REGALIA

De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, quatro envolvidos no crime receberam suspenção condicional do processo. Em contrapartida, terão que se apresentar mensalmente para informar quais atividades estão realizando.

Juro que eu ia comentar os incentivos, a economia e ia reclamar um pouco desta corrupção. Mas ao ler “suspenção” no texto, tudo cessou. Escorregões de teclado acontecem, mas este…

Eufemismos estranhos

Xará tem um bom ponto:

Eufemismos globais

Vi hoje no Bom dia Brasil, a apresentadora dizer que a lei do filho único, na China, estimula as famílias a terem único filho. Isso mesmo: estimula. Vejamos:

China’s one child policy was established by Chinese leader Deng Xiaoping in 1979 to limit communist China’s population growth. Although designated a “temporary measure,” it continues a quarter-century after its establishment. The policy limits couples to one child. Fines, pressures to abort a pregnancy, and even forced sterilization accompanied second or subsequent pregnancies.

De agora em diante podemos dizer que o ladrão estimula a vítima a se desfazer dos seus bens. Ou que o assassino estimula a sua vítima a deixar de viver.

Resmungado às 09:21:00

Alô, universitário: não pense que língua portuguesa é igual a adorno de madame. Não é. É coisa séria cujo esquecimento faz com que você seja incapaz de se comunicar com os semelhantes. Como você não fala a língua dos golfinhos ou dos cães, isto limita bastante sua sociabilidade (ou mesmo a restringe aos sub-alfabetizados…).

Agora os jornalistas estão preocupados…

Agora estão preocupados:

No Brasil, a liberdade de imprensa enfrenta não apenas o exagero das indenizações pelo dano moral, que em alguns casos inviabilizam financeiramente jornais de pequeno porte, como também decisões judiciais que se caracterizam em censura prévia e processos diversos de intimidação, baseados tanto na pressão política quanto na econômica.

Recente reportagem do jornal Folha de S. Paulo sobre a chamada “indústria do dano moral” acrescenta um fato grave e inaceitável: indenizações amplamente mais vultosas quando os impetrantes são juízes. O levantamento conclui que quando é um magistrado que alega ter sido ofendido pela mídia, a indenização obtida é em média de R$ 470 mil.

Quando qualquer outra pessoa busca o mesmo direito, a indenização fixada é de em média R$ 150 mil. Esse levantamento, levado ao conhecimento do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, deixou-o “perplexo”. Essa perplexidade foi traduzida no evento pelo deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), que considera indevido qualquer reparo por dano moral a servidores públicos em decorrência de críticas no exercício da função.

O direito de pleitear indenização por dano moral é reconhecido na legislação positiva brasileira. Sempre que uma pessoa se sente prejudicada, pode pedir um ressarcimento desse dano e fazer isso mediante a instauração de ações junto ao Poder Judiciário. O que fere a liberdade, constrange jornalistas e inviabiliza empresas é a fixação arbitrária de altos valores, acrescidos ainda da distorção denunciada pela reportagem da Folha de S. Paulo.

A questão não é importante apenas porque demonstra um estranho e inaceitável favorecimento de uma categoria profissional, exatamente aquela a quem a sociedade confia a tarefa de aplicar a justiça e de bater o martelo com a venda nos olhos, ou seja, sem olhar para quem.

A questão é importante também porque afeta uma das marcas fundamentais das sociedades baseadas em direitos, que é a capacidade da imprensa de ser e permanecer livre. Por isso, o marco regulatório do país precisa ser revisto, a fim de que sejam excluídos resquícios do autoritarismo incompatíveis com a sociedade democrática atual e com o novo ambiente tecnológico da indústria da mídia.

Pois é, senhores jornalistas. Tenho a maior simpatia pela causa. Mas acho estranho que parem por aí. Liberdade só de imprensa? Por que não investigam mais sobre isto? Alguém, na faculdade, conseguiu a façanha de lhe ensinar que liberdade de imprensa é uma coisa e liberdade econômica é outra? Puxa, então esta pessoa não entende de estatística básica (sim, incluo o cálculo das médias aritmética, geométrica e harmônica na ementa).

Doeu no seu bolso, né, colega? Entendo sua queixa. Seu patrão está preocupado: é só falar do mensalão que vem lá um ex-ministro rugindo (muitos ex-ministros fizeram Direito não foi à toa) que foi ofendido e tal. Vai ver existe um “estatuto do político, do negro (que não é raça), do idoso, da criança e do adolescente” que está escondido na “delegacia da mulher e do índio”.

Percebe, amigo? Quanto mais leis para grupos específicos, pior. Estavam certos nossos avós (alguns deles): o bom é uma lei geral para todos. Tal como expôs de forma bem clara, Frederick Bastiat. Mas, claro, você não leu Bastiat na faculdade porque ele era “de direita”, “imperialista” (embora francês), etc. Corrija isto. Ainda dá tempo.

Ah sim, não se esqueça, colega jornalista, que muitos de seus colegas adoram usar o mesmo mecanismo para chantagear seus críticos. Conhecemos vários casos de jornalistas que morrem de medo de serem pegos falando besteiras e, quando o são, saem-se com ameaças similares às que vocês criticam. Aliás, há uns que, se investigados, sei lá, até chantagem sobre gente importante descobriríamos, eu acho.

Sim, viva a liberdade, colega jornalista. Mas a liberdade de imprensa não é um pacote que você possa usufruir separadamente por muito tempo…

A economia política do Gramscismo – II

Desta vez, sob outro ângulo, o Fabiano, do Resistência, faz uma arguta crítica da dupla personalidade um colunista famoso. O problema do jornal é sua rotina diária (ou semanal). Ao contrário da pesquisa científica – que também pode incorrer (e incorre) em erros – uma coluna de jornal exige muito em pouco tempo e ainda há a questão da popularidade, mais presente e dos interesses excusos que dão um por fora para a veiculação de certas opiniões.

Tudo isto faz parte da vida e é por isto que gostamos de concorrência: ela mitiga estas imperfeições do pensamento dos colunistas. Contudo, no Brasil, esta concorrência ainda é muito pequena, comparativamente a outros países. Talvez uma fonte de críticas interessante seja a blogosfera, mas apenas a que pensa. Esta é outra crítica necessária: a blogosfera tem uma visão de si muito parecida com a que os editores de jornal têm de si mesmos.

De qualquer forma, a crítica do Resistência é de fazer pensar…