Editoras e o cartel: por que tão poucos estudos?

Eis aí uma interessante notícia: diante da possibilidade de se verem engolidas pelos ebooks, editoras se unem. Há quem diga que são ganhos de eficiência – provavelmente existem, já que se uniram – mas como será o arranjo interno? E a competição? Afinal, alguém já conseguiu, nestes 500 anos de história, estudar o mercado editorial brasileiro?

Há tantas teses sobre inflação, sobre astrologia pterodoxa, sobre a cor da cueca de Karl Marx, mas há algum estudo aplicado ao mercado editorial brasileiro? Ou só os consultores conseguem dados nesta área?

Eis aí outro exemplo do problema do capital humano (já se juntou ao meu clube?): escassez de dados, má qualidade da estatística aplicada (e do ensino de estatística) e discursos insanos de gente que diz que economia e métodos quantitativos são seres estranhos entre si são todas características de nosso subdesenvolvimento econômico.

Mas as coisas evoluem. Por exemplo, a política monetária, ainda sob ataque dos astrólogos pterodoxos (até ofendo, sem querer, astrólogos bem-intencionados, sorry guys) só não é consenso para quem nunca teve que trabalhar com ela, na prática. No mercado, onde o salário não está ligado ao número de discursos “alternativos”, mas sim ao conhecimento dos dados, o incentivo para falar asneiras sobre política monetária é bem menor. Já na academia, notadamente nos departamentos de economia cujos incentivos são todos políticos e pouco eficientes, discursos cabeças-de-word-le-monde-diplomatique-carta-aos-caros-amigos-da-capital abundam.

Abundam mesmo. Inclusive nas privadas, não apenas nas públicas…se é que você me entende.

Rápidas da blogosfera

Enquanto descubro mais sobre o Mendeley e o R, buscando ajuda com a Economatística, vejo três ótimos posts.

Vamos falar sobre a produção científica

Muitos alunos não encontram seus professores nos corredores e outros acham engraçado como os mesmos adoram galgar cargos burocráticos com um fervor que nem sempre se vê em suas aulas. Acho que é neste momento que a ficha cai: professor também é, infelizmente, humano.

Eis a realidade: você tem que ter cuidado com sua carreira acadêmica. Este trecho abaixo é um excelente exemplo de como os interesses individuais e a ação de alguns grupos pode sabotar o início de um empreendimento científico. Grupos e interesses, veja bem, que estão dentro da própria Academia. Esqueça este papo de que “a faculdade foi capturada pelo setor privado”. O setor público, por exemplo, está longe de ser um isento juiz  e benevolente ator. Verbas alocadas publicamente servem, sim, a interesses específicos.

Agora o trecho:

I proposed the new journal to Cambridge U Press, and they accepted the proposal. Next I needed to select a Board of Editors. I selected a group of Advisory Editors and Associate Editors, with the intent to span all areas of good macroeconomic science, without any prejudice or identifiable “agenda” in methodology, geography, or politics. Then the problems began. I was lobbied by various Advisory Editors and Associate Editors to make changes in the editorial board. The degree of factionalism surprised me. Not only were there attempts to change the balance towards a particular methodological or political view, but sometimes to change the balance geographically, nationalistically, regionally, racially, or ethnically. There also were gender based pressures. Sometimes the lobbying was directed at perceived underrepresentation of a particular group. When I found that to be justified, I asked for suggestions of economists who should be added, and invited additional board members from that group. More disturbing were pressures to eliminate a minority from representation, so that the journal would be captured by a particular group, as has been the case with many other journals, such as the Journal of Post Keynesian Economics, the Canadian Journal of Economics, the Asian Economic Journal, and the Journal of Austrian Economics. I was particularly surprised by the lobbying from some of the European board members to discredit and thereby eliminate board members from other European countries. Since a fundamental purpose of this journal was to avoid becoming identified with any such faction or group, I often did the exact opposite by increasing the size of the minority so that the minority no longer could be marginalized or ignored. When it became clear that attempts to eliminate a minority were counterproductive, that kind of lobbying ended. As a result, the Editorial Board became very large and very diverse, with only the sophistication and high tech competency of all members holding them together.

Difícil gerenciar um simples journal, não?

Desenho de mecanismo

Pouca gente (em Minas Gerais pelo menos) entendeu, em 2007, o porquê do Nobel de Economia. Não é mistério para ninguém da academia que muito pouca gente por aqui entende o que é Equilíbrio Geral ou Microeconomia do Equilíbrio Geral, embora nove entre cada dez calouros de economia – em certos cursinhos – aprendam que tal conceito é coisa de “vendidos”, “demoníaca” e outros adjetivos de obscurantismo medieval (com o devido respeito às inovações da época que, sabemos, não justificam esta má fama do período medieval).

É lamentável que muita gente se comporte assim, como se a Academia fosse sinônimo de ideologia. Claro que existe quem queira sabotar o trabalho sério do colega, mas isso não é a mesma coisa de dizer que todos agem assim. Isto só existe em manual marxista de porta de cadeia.

De qualquer forma, dado que a ignorância impera, vamos trazer alguma luz, algum conhecimento. Este artigo recente é uma interessante aula de história do pensamento econômico que ultrapassa a velhaca ementa que “sempre termina em Karl Marx porque não deu tempo de ir além e preciso doutrinar estes meninos”, típica dos pedófilos intelectuais. Não é um artigo fácil, mas, ei, doutrinar fácil, educar é que dá dor de cabeça.

Se você topa o desafio, tente uma lida diagonal e depois volte grifando. Vale a pena.

Práticas acadêmicas…

Charles Rowley, em um artigo bem tenso, critica Avner Greif por não reconhecer o trabalho prévio de Janet Landa. Aparentemente, Greif não quis dar o devido crédito a quem trabalhou no mesmo tema que ele…anteriormente.

Onde está o multiplicador?

Em diversas ocasiões eu reclamei, aqui, da falta de senso dos economistas brasileiros. Dos políticos, claro, não espero nada por conta dos incentivos que os motivam. Geralmente, meus colegas reclamam da falta de análise de custo-benefício. Coisas do tipo: o governo propõe uma política, implementa-a e sequer analisa corretamente o resultado. Esta é a especialidade de muita gente lá na PUC-RJ, atualmente.

Contudo, minha queixa é anterior e específica a um único tópico: a política fiscal. No início da crise imobiliária norte-americana abundaram discursos sobre o “fim do capitalismo”, “o renascimento de Keynes” e outras baboseiras que não se sustentam, por exemplo, se você relê o próprio Keynes.  Mas o que me incomoda? A falta de simples estimativas de impacto. Onde estão os multiplicadores de renda, por exemplo? Qual a elasticidade-gastos do governo da renda agregada? Quanto, de fato, é gerado por um aumento no gasto do governo?

Alguns estudos já foram citados por mim, em uma tentativa de trazer alguma racionalidade a este debate que mais parece uma conversa de boteco – uma notável involução no discurso dos economistas da era da Silva. Há, claro, um componente da própria evolução da moderna Ciência Econômica que influi nisto – e que me foi lembrado pelo Selva recentemente: os incentivos à publicação acadêmica. Vale a pena, ao leitor interessado em entender melhor o problema ler este pequeno, mas profundo, texto de Bruno Frey.

Mas voltemos ao tema de hoje: os multiplicadores do gasto público. Após tanto tempo, eis que mais um artigo estuda o tema. Trata-se de Oliveira, Marques & Jacinto (no prelo). O foco é o gasto público local, ou seja, o estudo é sobre o impacto dos multiplicadores relativos aos gastos públicos locais. Acho o tema interessante e difícil. Vamos ao resumo do texto:

Este artigo estuda o papel da política fiscal local no crescimento econômico de cidades. Para este fim, o artigo apresenta um modelo espacial de crescimento econômico com governo, que incorpora as contribuições das teorias do crescimento endógeno e da nova geografia econômica. O modelo é avaliado empiricamente através de uma aplicação para as cidades brasileiras na década de noventa. Os resultados mostram que o governo local tem um importante papel no crescimento econômico das cidades, pois os investimentos públicos mostraram-se eficientes e afetaram positivamente o crescimento econômico. O artigo avalia a política de distribuição de recursos via fundo de participação de municípios e encontra efeitos positivos no crescimento econômico. Os resultados mostram indícios de gastos públicos ineficientes e de efeitos negativos da tributação local no crescimento econômico das cidades.

Promissor, não? Bem, os autores escolheram um belo tema e a abordagem da Nova Geografia Econômica está (mais) em moda desde o Nobel ganho por Paul Krugman.  Entretanto, alguns problemas: qualquer impacto que se queira medir, neste caso, restringe-se a uma amostra que parou em 2000. Na verdade, os dados são de dois segmentos de tempo: 1991 e 2000 (o famoso atlas do IDH…). É uma fonte legítima, mas as conclusões para depois de 2000 são sempre complicadas.  Eu seria menos otimista nas conclusões do que os autores, mas vamos lá.

Outro ponto é que a proxy utilizada diz respeito ao crescimento do salário médio em uma cidade. Embora haja um modelo teórico no texto que dá respaldo ao uso desta variável, eu não diria que há uma microfundamentação tal que se possa interpretar o salário como produtividade. Por exemplo, não se considera, nem teoricamente, nem no modelo empírico, a ação de sindicatos locais que, certamente podem impactar no salário médio de uma região.

Finalmente, embora os autores apresentem as seis regressões, senti falta da interpretação que, para mim, é a mais útil em termos de políticas públicas: qual o tamanho do multiplicador? Se os coeficientes estimados mostram algum impacto, tome-se, no artigo, o coeficiente do FPM na equação 6 da tabela 1: 0,0256. Se isto é uma elasticidade, é baixíssima, se não o é, também não é um multiplicador tão forte.  Mesmo com a separação de gastos produtivos e improdutivos (equações 3 e 4), não há muita diferença: o impacto no aumento de salário médio de um aumento do gasto do governo fica em torno de 0,02 (e não está claro que unidade de medida é esta).

Assim, eu gostei mais do título do artigo e de sua introdução do que dos resultados alcançados. Também senti falta de uma revisão da literatura que incluísse artigos publicados anteriormente para o Brasil sobre o tema. O próprio Jacinto, o meu colega Paulo Jacinto, tem artigo anterior sobre o tema. Isto sem falar em alguns textos que o leitor mais atento poderá encontrar nos links deste texto.

Louvável esforço, contudo. Mais um artigo em busca dos multiplicadores tão festejados pelos economistas do governo (lógico…), mas jamais encontrado com facilidade em artigos de quem faz pesquisa e não apenas discurso para a platéia. Novamente, se alguém tiver dicas de artigos sobre o tema, para o Brasil, pode depositar aí na caixinha de comentários.

p.s. a melhor leitura para se entender o que é o tal multiplicador é esta aqui.

Academia

Gelman e Hanson são referências de leitura. Aqui, Gelman discorda ferozmente de Hanson. O “ferozmente” é por minha conta, claro. Mas veja que interessante este trecho:

Even setting aside teaching, advising, administration, etc., some other crucial qualities for academic research include working hard, having the “taste” to work on important problems, intellectual honesty, and caring enough about getting the right answer. I know some very smart and insightful people who have not made the contributions that they are capable of, because (I think) of gaps in some of these other important traits.

Não entendeu? Leia tudo lá.

Pareceristas bons: a história de Wilcoxon

Wilcoxon era um químico que havia esbarrado em um problema com os testes “t” e “F” em seus testes. O que fazer? O cara pesquisou a literatura. Achou algo? Nada. Aí resolveu propor um método. Pesquisou de novo. Achou algo? Novamente nada. O que ele fez? Enviou um artigo para uma revista de estatística, a Biometrics (não é a Biometrika). Por que ele fez isto?

Eis uma lição da pesquisa científica: bons pareceres podem ajudar um autor. Como? Simples, ele esperava obter boas referências dos pareceristas. Bem, o final da história, pode-se dizer, é feliz. Não houve referências e Wilcoxon publicou seu artigo como uma contribuição original na história da estatística.

A história toda é contada no já citado livro de David Salsburg, “Uma Senhora Toma Chá… – como a estatística revolucionou a ciência no século XX”.

Uma coisa que sempre procuro fazer, como parecerista, é tentar contribuir para o autor. Mesmo que o artigo seja rejeitado, o autor sempre pode trabalhar com novas idéias. Agora, vale um aviso. Nem todo parecerista é assim. Wilcoxon, se habitasse a selva brasileira, provavelmente teria sua idéia roubada ou mesmo postergada por conta de concorrentes pouco éticos.

Não que isto não ocorra na civilização como o próprio livro mostra, para a briga entre Karl Pearson e Fischer. Mas no Brasil a coisa é mais feia. Já ouvi de filósofos que barraram defesas de tese (típico controle da agenda) para favorecer a “originalidade” da do seu orientando. Também já vi concursos cujos editais eram publicados e retirados de circulação com apenas um dia. Outro caso famoso é o controle das bolsas de doutorado que levaram um colega a permanecer no Brasil ao invés de ir estudar em Columbia porque, segundo o parecerista, “finanças” era algo que se estudava em centros como a Unicamp (nem o mais radical heterodoxo da Unicamp, se honesto, admitiria isto).

Imagino Wilcoxon neste mundo e a vontade de trocar de lugar com ele aumenta muito. Mas muito mesmo.

O problema não é a matemática, mas sim os interesses

“Understanding Academic Journal Market Failure: The Case of Austrian Economics”

Do resumo:

Heterodox schools of economic thought often claim that discrimination takes place in the market for academic articles. Biases exist that prevent heterodox ideas from appearing in mainstream journals. We assess the claim in the context of Austrian economics. First, we document that the research topics pursued in Austrian journals differ significantly from mainstream journals. Austrians pursue different questions. Second, we argue that Austrian articles do not suffer from discrimination based on lack of formalism or ideology. Rather, the lack of Austrian articles in mainstream journals results from the lack of hypotheses in their arguments.

Da conclusão:

The failure of Austrian economics to penetrate mainstream journals arises from two factors. The first is that Austrian-oriented economists tend to focus on topics that mainstream journal editors do not. This does not imply that Austrian economists do not pursue research programs that yield new insights. Rather, they do not engage the majority of other economists. Second, Austrian-oriented economists present their ideas in a form that does not easily illicit discussion. In essence, they have raised the costs for mainstream economists of engaging in dialogue with Austrians, potentially signaling an unwillingness to engage in debate. The evidence does not suggest systematic discrimination by the journal editors or referees; quality Austrian ideas do appear in mainstream journals when presented in a fashion that transmits the ideas in a low-cost manner.

Interessante artigo. Mas falta uma pergunta: a quem interessa aumentar os custos do diálogo com os economistas não-austríacos? A resposta poderia estar em motivações políticas, não econômicas, de garantir posições dominantes em parcelas de mercado específicas. Scott Beaullier realmente levanta questões que incomodam os que defendem o catecismo econômico, ao invés do debate.

Buchanan nos ensinou que não existe troca isenta de interesses individuais. Quais são os interesses de um empresário? E se os incentivos o levam ao rent-seeking? Faça a mesma pergunta para os economistas heterodoxos, ortodoxos e outros e você começará a entender certos discursos que abundam na academia. 

Sim, Beaullier é um austríaco promissor. Já está adicionado em meus favoritos e não há nada de paradoxal nisto.

Economia dos incentivos na academia: a produção econométrica

WORLDWIDE ECONOMETRICS RANKINGS: 1989-2005
Badi H. Baltagi
This paper updates Baltagi’s (2003, Econometric Theory 19, 165-224) rankings of academic institutions by publication activity in econometrics from 1989-1999 to 1989-2005. This ranking is based on 16 leading international journals that publish econometrics articles. It is compared with the prior rankings by Hall (1980, 1987) for the period 1980-1988. In addition, a list of the top 150 individual producers of econometrics in these 16 journals over this 17-year period is provided. This is done for theoretical econometrics as well as all contributions in econometrics. Sensitivity analysis is provided using (i) alternative weighting factors given to the 16 journals taking into account impact citations, excluding self-citations, size and age of the journal, (ii) alternative time intervals, namely, (2000-2005), (1995-2005), and (1989-2005), (iii) alternative ranking using the number of articles published in these journals, (iii) separate rankings for both institutions and individuals by journal, (iv) rankings for institutions and individuals based on publications in three core econometrics journals.

E no Brasil? Seria parecido com este estudo?

The Undergraduate Origins of Ph.D. Economists

by John J. Siegfried and Wendy A. Stock

Abstract
We document the types of undergraduate colleges and universities attended by those who earned a doctorate in economics from an American university from 1966 through 2003 and examine relationships between type of undergraduate institution and attrition and time-to-degree in Ph.D. programs. The total number of new economics Ph.D.s awarded to U.S. citizens has declined precipitously over the past thirty years. Concurrently, the number of economics doctorates who hold undergraduate degrees from U.S. universities has fallen by half: from a high of about 800 in 1972 to about 400 in 2003. Among those who have earned undergraduate degrees from American institutions, the mix of schools attended by the doctorates has remained relatively stable, with about 55 percent of those who earn a Ph.D. in economics each year holding their bachelors degree from a university that offers a Ph.D. in economics, and a bit more than 10 percent holding a bachelors degree from a selective liberal arts college. Currently, 18 of the 25 American undergraduate institutions that send the largest percentage of their graduating classes on to earn a Ph.D. in economics are liberal arts colleges. Graduates of liberal arts colleges also have shorter time-to-degree and higher verbal GRE scores than other economics Ph.D. students.

Peter Boettke, novamente, ataca o obscurantismo

To me, Austrian economists and classical liberal political economists should not be satisfied professionally until they are the editor of the AER or JPE or QJE and teaching at Princeton, Chicago, Harvard, MIT or Stanford.  Academic life certainly can be productive and personally rewarding elsewhere, but if you aspire to be a significant research economist in the world of professional economics this should be your goal.  Work in proportion to your aspirations.

Excelente posição. Mas por que pararmos aqui?

 Daring to be different doesn’t mean ignoring the established institutional hierarchy and pecking order in publishing.  It means, to me, striving to break into the hierarchy and pecking order on your own terms.  Responsible radicalism in scholarship.

Nada como uma saudável humildade. Finalmente:

So I say embrace the division of labor in our profession, but don’t confuse or delude yourself about the institutional hierarchy or publishing pecking order. And don’t let others act deluded about the hierarchy or pecking order either — if they went to Iowa and publish in the Quarterly Review of Economics & Finance, they are not pushing out the envelope of economic knowledge!  (BTW, I have a paper in the QRE&F with Ed Stringham and JR Clark so I am not against publishing there)

Do good economics, find your relevant niche, and don’t be afraid to push your comfort zone to try to improve your ability to advance economic understanding among your students, the general population, and your peers.

Being a college professor is a GREAT way to make a living, and being part of the economics profession is HONORABLE.  I cannot imagine a better “job” and I cannot think of a better or more important scientific discipline to study.  As I tell all my students, economics is the sexiest of all disciplines.  The argumentative structure is a thing of beauty, and the insights it can provide on the way the world works is breathtaking.

Este é mais um trecho do eterno tema recorrente deste blog: a construção do pensamento e os trade-offs que a ciência apresenta para os cientistas. “Peter Boettke” – anote este nome quando quiser se lembrar de uma boa referência.

Por que é necessário ensinar economia?

Trechos de um bom texto de Sumner:

It is easy to find numerous examples of where common sense views differ from the economistic perspective.  Some of these do not even involve empirical judgments, but rather seem to merely reflect logical errors.  For instance, in Pop Internationalism Krugman pointed out that people often worry about a net loss of jobs both from U.S. investment flowing overseas, and from Americans buying foreign goods, even though (as a matter of accounting) both the current and capital accounts cannot be in deficit at the same time.  (A U.S. trade deficit can only be financed by a capital account surplus.)

Sim, o velho tema de sempre. Mas este trecho é incrivelmente interessante:

Economic philosophers have also addressed this problem.  Wilkerson (2005)noted that human brains evolved under conditions far different from the modern economy:

because of the social nature of hunting and gathering, the fact that food spoiled quickly, and the utter lack of privacy, the benefits of individual success in hunting and foraging could not be easily internalized by the individual, and were expected to be shared.  The EEA [i.e. Stone Age] was for the most part a zero-sum world, where increases in total wealth through invention, investment, and extended economic exchange were totally unknown.  More for you was less for me.  Therefore, if anyone managed to acquire a great deal more than anyone else, that was pretty good evidence that theirs was a stash of ill-gotten gains . . . Our zero-sum mentality makes it hard for us to understand how trade and investment can increase the total amount of wealth.  We are thus ill-equipped to easily understand our own economic system.

O original de Wilkerson nos fala de Psicologia Evolucionária (ou Evolutiva). O tema nos lembra de alguns de meus últimos posts aqui. Pois bem, vamos ao próprio Wilkerson então:

First, a word of caution: We cannot expect to draw any straightforward positive political lessons from evolutionary psychology. It can tell us something about the kind of society that will tend not to work, and why. But it cannot tell us which of the feasible forms of society we ought to aspire to. We cannot, it turns out, infer the naturalness of capitalism from the manifest failure of communism to accommodate human nature. Nor should we be tempted to infer that natural is better. Foraging half-naked for nuts and berries is natural, while the New York Stock Exchange and open-heart surgery would boggle our ancestors’ minds.

Logo, não se defende esta ou aquela ideologia. O foco é mais amplo. O trecho que Sumner citou vale ser completado aqui. Vamos a ele:

We are Envious Zero-sum Thinkers

Perhaps the most depressing lesson of evolutionary psychology for politics is found in its account of the deep-seated human capacity for envy and, related, of our difficulty in understanding the idea of gains from trade and increases in productivity—the idea of an ever-expanding “pie” of wealth.

There is evidence that greater skill and initiative could lead to higher status and bigger shares of resources for an individual in the EEA. But because of the social nature of hunting and gathering, the fact that food spoiled quickly, and the utter absence of privacy, the benefits of individual success in hunting or foraging could not be easily internalized by the individual, and were expected to be shared. The EEA was for the most part a zero-sum world, where increases in total wealth through invention, investment, and extended economic exchange were totally unknown. More for you was less for me. Therefore, if anyone managed to acquire a great deal more than anyone else, that was pretty good evidence that theirs was a stash of ill-gotten gains, acquired by cheating, stealing, raw force, or, at best, sheer luck. Envy of the disproportionately wealthy may have helped to reinforce generally adaptive norms of sharing and to help those of lower status on the dominance hierarchy guard against further predation by those able to amass power.

Our zero-sum mentality makes it hard for us to understand how trade and investment can increase the amount of total wealth. We are thus ill-equipped to easily understand our own economic system.

These features of human nature—that we are coalitional, hierarchical, and envious zero-sum thinkers—would seem to make liberal capitalism extremely unlikely. And it is. However, the benefits of a liberal market order can be seen in a few further features of the human mind and social organization in the EEA.

Ou seja, ironicamente ou não, um conhecimento “científico” da economia – em oposição ao “utópico” – deveria considerar que pensar nos mercados como um jogo de soma zero é algo…primitivo. Assim, concluo eu, humildemente, é necessário ensinar economia.

Na verdade, há várias evidências de que as pessoas não entendem conceitos básicos de economia. Tome-se como exemplo a vantagem comparativa, incompreendida por muitos economistas, não apenas por leigos. Como a ciência evolui conforme os interesses dos cientistas, economistas interessados em desfazer mitos podem muito bem ajudar na evolução da mente humana. Podem, mas alguns preferem a luta por cargos políticos ou mesmo a proteção das barreiras à entrada no mercado das idéias, alardeando que não precisam mais estudar ou nem de prestar atenção a aspectos interdisciplinares. 

Este texto de Sumner foi, realmente, um doce na boca, logo pela manhã…

Political arguments crowd out serious economic arguments

Eis um artigo de Bruno Frey que vai ao limite do debate sobre o que é a ciência econômica e qual sua relevância no mundo.

Frey é um sujeito cheio de insights, logo, vale a pena ler seus textos. Entretanto, este dá pano para manga para brigas com quem não leu (ou leu, mas não conseguiu entender) o que ele tem escrito nos últimos anos. Logo, cuidado na leitura. Frey não vive em um ambiente como o brasileiro no qual o nível do debate se revela na estranha mudança do grau de exigência, fartamente debatido na blogosfera, do último concurso do IPEA (por exemplo, aqui, aqui, aqui e aqui).

Esqueça, por enquanto, suas preferências ideológicas. A relevância da economia deve ser sujeita ao confronto com a realidade, seja na forma de teste de hipóteses numa abordagem mais tradicional (Friedman), ou sob a forma de estudos específicos (Coase) ou, ainda, no formato de algum tipo de simulação como curte o pessoal – hoje – de DSGE

Será mesmo? O argumento de Frey toca nestes pontos sensíveis. Por exemplo, muitos usam o discurso econômico apenas para maximizar a chance de obter um favor político, sem tanta preocupação com o cálculo do custo e do benefício de sua proposta para a sociedade. Isto já foi apontado, para o Brasil, pelo velho Bulhões e tem sido reiterado por alguns críticos recentes (como Pedro Cavalcanti, em sua querela com os defensores da política industrial a qualquer custo). Neste sentido, argumentos políticos geralmente expulsam/diminuem a influência (mas não a importância) dos argumentos econômicos, como eu disse no título, traduzindo uma frase citada no texto original de Frey (um exemplo seria, talvez, este).

Diga-se de passagem, este trecho do texto de Frey resume muito do que eu penso ocorrer no Brasil:

The demand for economists is partly produced by the economics profession itself. Economic theories favouring government intervention increase the demand for economists in public advisory boards and within the public administration. According to Friedman (1986, pp. 8–9), one reason why Keynesian theory became accepted so quickly was that “. . . it opened up such wonderful opportunities for employment and influence by economists . . . the New Deal was the greatest employment programme for economists that ever existed“. In the 80s, the policy of privatisation and deregulation also increased the demand for economists in the private sector.

A citação é boa: ela mostra que há incentivos para que economistas se afastem das proposições positivas e se aproximarem das normativas não por conta de algum apelo vagamente preocupado com a sociedade e o mundo real, como querem alguns, mas apenas por interesse próprio. 

Assim, veja bem, devemos estudar o processo de produção acadêmica. Embora muitos colegas não-economistas concordem comigo, é difícil encontrar algum que se submeta a uma investigação dentro de sua própria área. Touché! Sabemos que o telhado de vidro de médicos, biólogos, físicos, sociólogos, etc etc etc, é tanto quanto ou mais frágil que o nosso. Aliás, este é um dos motivos pelos quais eu gosto da Ciência Econômica: há a possibilidade de uma investigação científica sobre a honestidade de nossos próprios membros. Gera alguma bronca? Claro, mas a compreensão da realidade não avança sem que se pise em patas de ruminantes ou mesmo que se enfrente mamutes…

No Brasil, o debate econômico tem uma dimensão interessante gerada, penso eu, em algum momento do nossa vida sob o padrão-ouro. Em algum ponto daquela época (trata-se de um simples palpite a escolha do final do século XIX, mas há algo aí…creio), o debate se tornou uma bravata ideológica contra a teoria econômica que resultaria em discussões pouco elaboradas com um ou outro insight interessante.

A construção da Ciência Econômica no Brasil tem lá seus aspectos ideológicos, mas também tem seu elemento de capital humano (veja meu post imediatamente anterior a este). Ou seja, enquanto a criação da formação universitária em nossa área prosperou no mundo e gerou externalidades positivas, aqui a dificuldade de suplantar os discursos vazios, mas de bela retórica, parece ter sido uma barreira importante à construção do pensamento econômico baseado em uma forte análise da realidade brasileira. Penso, por exemplo, na imensa diferença de qualidade entre o debate econômico na imprensa/blogosfera brasileira e na de qualquer país desenvolvido.

É quase inevitável não lembrar dos apelos representados pelo currículo proposto por Gudin para o curso e as queixas de Mircea Buescu contra as interpretações econômicas de nossa história que, propositalmente ou não, ignoravam a simples análise estatística dos dados (já citei isto antes, várias vezes, aqui): economistas –  tal como entendo o termo – no Brasil dos anos 50 lutavam para que seus colegas, ao menos, estudassem estatística! Nossa história econômica, digo, nossa historiografia econômica, por exemplo, poderia ser infinitamente melhor se as pessoas não lessem Celso Furtado de joelhos, em frente ao altar, mas sim com a mesma atitude crítica que um estudante tem ao estudar qualquer autor, qualquer teoria ou qualquer coisa.

Entender a produção acadêmica e sua relação com os grupos de interesse é um projeto de pesquisa interessante para os próximos anos. Não para os EUA ou para a Inglaterra, mas para o Brasil. Faz parte da compreensão da história de nossa ciência no país e também, claro, de sua relevância para a economia atual. Até que ponto geramos mais benefícios do que custos é uma questão em aberto. 

Amontoado de textos sobre o tema e/ou quase sobre o tema: este, do Gustavo Franco. Sobre a pesquisa econômica no Brasil, este do Walter Novaes e este, de alguns autores mais ou menos conhecidos aqui sob a aba: “Economic Incentives in Academy”. Se alguém se lembrar de algum outro, por favor, use os comentários abaixo.

Incentivos na Academia

Excelente discussão: o sistema de crítica de periódicos científicos econômicos é ineficaz? O autor não é moleza não e, claro, este tema é importante para a discussão sobre produção acadêmica que, modéstia parte, este autor tem pesquisado nos últimos anos.

Incentivos na Academia – mais anotações

Uma carreira científica é peculiar de certas maneiras. Sua razão de ser é o aumento do conhecimento natural. Ocasionalmente, portanto, um aumento do conhecimento natural ocorre. Isso, porém, não demanda tato, e sentimentos podem ser feridos. Pois em algum grau é inevitável que visões previamente expostas se mostrem obsoletas ou falsas. Acho que a maioria das pessoas pode reconhecer isso e aceitar que aquilo que elas vêm ensinando há dez anos ou mais precisa de uma pequena revisão; contudo, alguns sem dúvida acharão difícil aceitar, como um golpe em seu amor-próprio, ou mesmo como uma invasão do território que julgavam ser exclusivamente seu, e devem reagir com a mesma ferocidade que vemos nos papos-roxos e tentilhões-de-peito-rosa, nesses dias de primavera, quando sentem uma intrusão em seus pequenos territórios. Acho que não se pode fazer nada a esse respeito; é inerente à natureza de nossa profissão. Mas deve-se aconselhar e avisar o jovem cientista de que, quando tiver uma jóia a oferecer para o enriquecimento da humanidade, alguns certamente desejarão cercá-lo e despedaçá-lo. [Ronald Fisher, 1947, em entrevista para a BBC, citado por David Salsburg em "Uma senhora toma chá...como a estatística revolucionou a ciência no século XX, Zahar, 2009]

Ontem eu citei um trecho de Hayek similar em espírito. O ponto comum de ambos é que a empresa produtora de conhecimentos é sujeita a muitas imperfeições.

Existem barreiras à entrada e à saída. Por exemplo, digamos que um grupo decide que seus membros são os únicos, digamos, a entenderem como a economia funciona (logo, os demais são tidos como “ignorantes” ou “mal-intencionados”). Aí não tem quem lhes diga algo novo porque, afinal, eles sabem tudo. É um fenômeno brevemente citado neste pequeno artigo de Klein & Stern. Por outro lado, o sujeito que leu determinado autor e resolveu avançar em sua interpretação em direção distinta à do grupo que pertence, claro, pode ser discriminado e perder amizades (senão acesso a recursos financeiros). 

Note que não estou a afirmar que o grupo do exemplo está mais ou menos perto de algo que se possa chamar de “verdade científica” (existiria tal coisa?). A análise se preocupa menos com o que Fisher, o interessante estatístico, chama de “avanço do conhecimento” do que propriamente com os incentivos envolvidos na aceitação ou não de novas idéias. Claro que pode haver um maluco que queira nos vender misticismo como ciência – e ele sofrerá os mesmos efeitos descritos acima a partir de seu grupo – mas não julgo a qualidade científica de sua contribuição, apenas analiso os incentivos, ok? 

O mercado das idéias é algo interessante de se analisar e não há respostas definitivas sobre o tema. Há incentivos políticos e econômicos envolvidos e a própria definição de ciência sempre está no âmago destas brigas (o argumento estúpido, mas  final é sempre:  “você não faz ciência, eu faço”). Só para se ter uma idéia do tamanho do buraco, veja este texto. Ah sim, um bom estudioso do tema, creio, é o Alberto Oliva, que anda sumido da internet, infelizmente…

A ideologia dos professores

Daniel B. Klein and Charlotta Stern

PROFESSORS AND THEIR POLITICS: THE POLICY VIEWS OF SOCIAL SCIENTISTS

ABSTRACT: Academic social scientists overwhelmingly vote Democratic, and the Democratic hegemony has increased significantly since 1970. Moreover, the policy preferences of a large sample of the members of the scholarly associations in anthropology, economics, history, legal and political philosophy, political science, and sociology generally bear out conjectures about the correspondence of partisan identification with left/right ideal types; although across the board, both Democratic and Republican academics favor government action more than the ideal types might suggest.Variations in policy views among Democrats is smaller than among Republicans. Ideological diversity (as judged not only by voting behavior, but by policy views) is by far the greatest within economics. Social scientists who deviate from left-wing views are as likely to be libertarian as conservative.

Daniel Klein tem sido um nome relevante no debate sobre o viés ideológico na Academia norte-americana. Em outro texto, interessante mas algo incompleto, os mesmos autores dizem o seguinte:

Most intellectuals develop ideological sensibilities by the age of twenty-five or thirty (Sears and Funk 1999), and afterward they rarely revise them substantially. Intellectual delight and existential comfort are taken not in reexamining prior decisions, but in refining and developing ideas along the lines already mastered (Ditto and Lopez 1992; Nickerson 1998). Professors are likely to respect scholars who pursue questions similar to their own and who master similar modes of thought. They are not likely to respect scholars who pursue questions predicated on beliefs at odds with their own. Indeed, if a scholar is engaged in a task that might threaten a colleague’s sense of self, he may give rise to personal distress and create acrimony between them. Professor A might lose standing and credibility with students if a colleague, Professor B, who is teaching those same students in a different course, exploded some of the premises of Professor A’s course materials, lectures, and writings.

Será que os professores se deixam levar por suas ideologias frequentemente? E esta história do sujeito já estar mais ou menos confortável com sua visão de mundo aos 25 ou 30 anos de idade? Concordo com o fato de que a ideologia é algo difícil de se entender, mas isto não implica que ela não esteja presente em nossas vidas. No caso da pesquisa acadêmica, acho que falta alguém que faça algo similar a Klein & Stern. Gostaria de saber se existe o tal viés “esquerdista” que tantos citam – sem uma única evidência empírica, por mais pobre que seja – nas universidades brasileiras. Eu até suspeito que ele exista, mas minha experiência pessoal não é generalizável (qualquer um que tenha estudado…e entendido…um pouco de estatística sabe disso).

De qualquer forma, ficam para o leitor deste blog as referências para começar sua pesquisa na área.

Economia dos Economistas

Em várias oportunidades, neste blog ou em artigos, tenho tratado do problema da produção científica e dos incentivos. Nada mais esclarecedor do que este editorial, do último número de “Psicologia: Teoria e Pesquisa”. Repare como a editora faz um belo resumo dos incentivos distorcidos que o governo tem criado:

É consenso de editores que o crédito de autoria deve ser dado apenas aos que, de forma substancial, contribuíram intelectual e cientificamente na execução do trabalho Essa colaboração deve estar presente na concepção da pesquisa, no seu delineamento e na obtenção, análise e interpretação de dados. Segundo Goldenberg (2001), os autores devem também concordar e compartilhar a responsabilidade pelos resultados. “Não se deve adicionar autores ‘por conveniência’ sem participação efetiva nas etapas do trabalho” (Goldenberg, 2001, p. 2). Por fim, é atribuição dos autores, aprovar a versão final para publicação. Vale lembrar que sempre cabe o recurso do agradecimento em nota de rodapé aos demais colaboradores do artigo que não estiveram diretamente implicados em todos os processos de elaboração do mesmo.

Lamentavelmente, tem-se conhecimento de práticas abusivas nas quais se dá a inclusão de autores em artigos científicos que não participaram efetivamente da elaboração do trabalho. Em alguns serviços, por exemplo, alguns chefes abusam de seu poder hierárquico para obrigar a inclusão de seu nome em todos os trabalhos de seu grupo (Faintuch citado por Goldenberg, 2001). De acordo com o mesmo autor, há ainda casos em que a inclusão de nomes de determinados autores auxilia na visibilidade e no impacto da publicação.

Um dos possíveis motivos que conduzem a atitudes como estas pode ter suas raízes nas políticas adotadas por algumas agências de fomento à pesquisa na qual tem-se estimulado as práticas de publicação com acentuada ênfase na quantidade em detrimento da qualidade. Pressões dessa natureza, obviamente, não devem servir de pretexto para ações escusas e anti-éticas como as de apropriação indevida de crédito em obra intelectual.

Por outro lado, as próprias políticas que ditam os critérios de classificação das publicações científicas podem estar fomentando indiretamente a prática de inclusão de autorias pluri-institucionais. Em particular, a proporcionalidade na representação geográfica dos autores à qual as revistas se vêm obrigadas a contemplar – caso queiram aceder ao patamar de maior qualificação -, de acordo com critérios de avaliação da CAPES/Qualis, pode elevar substancialmente as chances de publicação de um artigo quando neste constem autores de instituições de diferentes regiões geográficas do país e, com ainda melhores perspectivas de classificação se os autores forem afiliados a instituições estrangeiras. Os editores devem estar muito atentos a esses ditames para não permitir que o alcance geográfico se sobreponha à dimensão do mérito científico e macule a conduta ética em seu ofício.

É por isto que eu me orgulho de ter co-autores muito bons. Mas a prática científica também tem co-autores ruins, como bem disse a editora no trecho acima.

As identidades dos economistas

Eis aqui um interessante artigo de Dan Klein. Fortemente recomendado. Trecho (grande):

Economists who favor liberalization are routinely caricatured as exponents of flattening human beings down to machines-”economic man”-and flattening social affairs down to blackboard diagrams and mathematical models. Their policy views are said to stem from a faith in perfect competition. These slurs and monkey-shines are regurgitated by crass economists and are regularly aided and abetted by the left-leaning press. -As though The Theory of Moral Sentiments and The Wealth of Nations had never been written. As though Hayek, Friedman, Coase, Buchanan, Armen Alchian, Vernon Smith, Thomas Sowell, Deirdre McCloskey, etc. have never existed. As though we don’t exist.

The Smithian kin of economics have a problem. Even if that character can be fairly well drawn, it does not have a suitable identity. There is a Smithian character, shared by thousands. But there is not today a functioning Smithian identity. If we had a functioning identity, we would be less fringy within economics at large, and we would cultivate our own cultural niche and occupy the center of that sub-domain. Sometimes such an economist will call himself a “free-market economist.” Some might say “Austrian.” Some will simply say “economist.” None of these work well as an identity for the character favored here.

“Free-market economist” is misleading. First, it is easily misunderstood as the insistence that all markets should being absolutely free-something Smith explicitly rejected, as do most Smithians. Second, it would seem to signify any economist who favors free markets, regardless of other aspects of his character. Although every Smithian economist tends to favor freer markets, not every free-market economist shares the Smithian character. Enthusiastic young libertarians often cherish simple formulae that need to be overcome, or judiciously weakened, to mature into the “squishy” Smithian character. And, further down the path of life, a mature economist who never did relevant or meaningful research, and instead only practiced and affirmed arid applications of certain scholastic modes of discourse, and deprecated criticism of normal science, would not be a Smithian no matter how strongly he favored free markets. These reasons speak also against “libertarian economist” and “classical liberal economist.” Yet another problem with such names is that, while the Smithian character allows for outspokenness, it is just too pushy to announce political opinions in the name.

Regras?

Hoje faz uma semana que o prazo de divulgação da programação – já estendido – deste encontro não foi cumprido. Mais que lamentável.

Qual a racionalidade da procrastinação, neste caso?

p.s. bem privado versus bem público: enquanto isto, este canal privado já divulgou sua programação semanal.