E no Brasil? Qual a visão do brasileiro acerca do comércio exterior?

Nossa Receita Federal, eu sei, acha que o comércio exterior é uma imensa desculpa para tributarem qualquer importação. Agora, o que o brasileiro pensa? Será que a resposta será similar à dos norte-americanos?

Alguém conhece uma pesquisa similar? Este bando de políticos que fazem campanha e que dizem representar os brasileiros têm alguma pesquisa a respeito? Eu gostaria de saber. Jovens brasileiros parecem insistir em uma noção de comércio que eu diria, até, esquizofrênica. Mais ou menos assim: o brasileiro adora consumir mais produtos, mas sofre de um certo chavismo infantil – talvez fruto de uma doutrinação tímida misturada à falta de informação – no qual ele percebe qualquer produto estrangeiro como uma ameaça.

Em resumo: um IPAD é ótimo, mas um IPAD é uma ameaça (maligna) contra nossa nação.

Epílogo: “nação”, cara-pálida?

Aliás, o que é mesmo uma nação? Vamos subverter um pouco o sujeito que está em sua zona de conforto.

Consider two nations, each claiming the same piece of territory. Each may try to gain its ends by force, threats, or offers of payment or exchange. It seems reasonable to suppose that the outcome will be efficient, that the territory will end in the control of the nation willing to pay the higher price. The alternative conjecture would be that the stronger nation will usually be the winner, since it can, if necessary, annihilate the other. Under circumstances of total war, this is doubtless true. But in a world of many nations, the winner of a war of annihilation, although better off than the loser, may be seriously disadvantaged with regard to all other nations. The use of such tactics is then unprofitable and the threat of them implausible. So it seems reasonable to suppose that what determines the winner is not the total resources possessed by each nation but the resources each nation is willing to spend to gain its end and that this will correspond roughly to the value of the end. 

Territory may be of value to a nation for many reasons of strategy, sentiment, politics, or economics. We will assume that the reason of chief importance for the phenomena we wish to explore is economic. More specifically, we assume that the value to a nation of any territory is the increase in tax collections made possible by control of that territory, net of collection costs. 

Sensacional, não? Neste artigo de 1977, David Friedman faz a pergunta que nem sempre ocorre às pessoas: não seria uma nação aquilo que foi conquistado por alguém, com fins de maximização de riqueza? Assim, não é uma nação aquilo que se caracteriza por uma “cultura”, “língua”, “povo”. Na verdade, o que prevaleceu na conquista foi alguma “cultura(s)”, “língua(s)” ou “povo(s)”. Acha estranho? Então me explica a diversidade cultural, linguística e de populações da China comunista.

Mercados funcionam

David Friedman – que já está no Brasil, salvo engano – concede uma curta entrevista para o ZH. Ao mesmo tempo, Fred Foldvary tem um ponto interessante: mercados não falham nunca.

Para criticar os autores, claro, tem que ler antes, né? Portanto, cuidado com os comentários. Particularmente, ainda estou com Friedman.

Tipos de liberais

Só para lembrar, nos EUA, “liberal” é sinônimo de “social-democrata”. Já “conservative” é algo como “conservador” mesmo. Logo, os liberais americanos se chamam de “libertarians”. Bem, vamos ao caso. Tyler Cowen criou uma taxionomia sobre os libertários dos EUA:

1. Cato-influenced (for lack of a better word).  There is an orthodox reading of what “being libertarian” means, defined by the troika of free markets, non-interventionism, and civil liberties.  It is based on individual rights but does not insist on anarchism.  A ruling principle is that libertarians should not endorse state interventions.  I read Palmer’s book as belonging to this tradition, broadly speaking.

2. Rothbardian anarchism.  Free-market protection agencies will replace government-as-we-know-it.  War is evil and the problems of anarchy pale in comparison.  David Friedman offered a more utilitarian-sounding version of this approach, shorn of Misesian influence.

3. Mises Institute nationalism.  Gold standard, a priori reasoning, monetary apocalypse, and suspicious of immigration because maybe private landowners would not have let those people into their living rooms.

4. Jeff Friedman and Critical Review: Everything is up for grabs, let’s be consequentialists and focus on the welfare state because that’s where the action is.  Marx is dead.  The case for some version of libertarianism ultimately rests upon voter ignorance and, dare I say it, voter irrationality.

5. “Hayek libertarianism.”  All or most of the great libertarian thinkers are ultimately compatible with each other and we have a big tent of all sorts of classical liberal ideas.  Hayek and Friedman are the chosen “public faces” of this approach.  “There’s a classical liberal tradition and classical liberal values and we can be fuzzy on a lot of other things.”

Acho que fico entre 1 e 5 tendo simpatia pela abordagem de David Friedman que eu não classificaria como Rothbardiana já que o fundamento não-austríaco de Friedman costuma ser rejeitado por boa parte dos seguidores de Rothbard.

Como toda taxionomia, esta é sujeita a críticas, mas eu gostei. Gostaria, na verdade, era ver uma classificação liberal para o Brasil. Aposto que quase não existem tendências.