Rent-Seeking

Paulo Roberto Almeida reproduz uma notável matéria da Veja (via Reinaldo Azevedo) bastante ilustrativa do que seja rent-seeking. Vamos ver o que os cientistas políticos dizem diante da realidade crua dos dados:

Um cruzamento de dados realizado por VEJA mostrou que 6 045 servidores federais de alto nível se filiaram ao PT desde o início do governo Lula. Sete em cada dez desses convertidos tiveram sua carreira turbinada e, em pouco tempo, foram elevados a postos de chefia ou receberam alguma espécie de promoção. (…) “As instituições do estado passaram a ser subservientes aos interesses do governo do PT – e não do restante da população”, diz Maria Celina D’Araujo.
(…)
O cientista político Pedro José Floriano Ribeiro, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). estudou durante oito anos as mudanças na base social do PT e em seus programas. Ele diz que a sigla pode hoje se encaixar na definição de partido cartel: retira cada vez mais do estado recursos vitais à sua sobrevivência.

Ok, podem haver outras interpretações para os mesmos dados, mas a realidade da súbita conversão dos servidores a uma ideologia política não me parece fruto de uma longa e serena reflexão filosófico-existencial. É rent-seeking mesmo.

O leitor pode dar de ombros e perguntar: “e daí?”

Daí que sociedades rent-seeking crescem menos. Não jogue a culpa na política monetária, meu amigo. O problema está no outro lado…

Cordel

Isto aqui embaixo, direto do blog do Pedro Sette (com o qual terei o prazer de jantar daqui a pouco), está muito, mas muito bom mesmo. Por falar em cordel em defesa do leitor enquanto cidadão, não como quadro de algum partido mixuruca, que tal isto?

Cidadão, não companheiro
Martim Cardoso

Prefiro cidadão a companheiro
Salvo se escolho acompanhar
Prefiro por opção e por inteiro
Não por alguém me obrigar

Prefiro igualdade na lei
Que igualdade em tudo mais
Dispenso veleidades de rei
Mantenho veleidades reais

Reais até na ilusão
Que se possa acalentar
Meu direito à decepção
Ninguém ouse roubar

Prefiro iniciativa privada
Com certa dose de risco
A uma vida empatada
Encalacrada no Fisco

No sustento do impostor
(Daí o nome imposto)
Na falta de pudor
De quem assume um posto

E trabalha em causa própria
Como se dele fosse o Estado
São cenas muito impróprias
Para as quais sou tributado

Prefiro que a sacanagem
Seja restrita à cama
Nada a ver com vantagens
Estranhas a quem ama

A quem ama seu semelhante
Por mais que declare fazê-lo
O Estado, quando gigante,
Ninguém consegue detê-lo

Prima pela voracidade
De olho em todos os ganhos
Minguando-os à vontade
Conforme seu tamanho

Dando pouco em troca
Mas com que estardalhaço
Uma bola para a foca
Um nariz para o palhaço

Prefiro cidadão a companheiro
Salvo se escolho acompanhar
Prefiro por opção e por inteiro
Não por alguém me obrigar

Novo herói do bolivarianismo

O bolivarianismo tem um objetivo e duas estratégias: a direta e a indireta (ou gramsciana). Mas o símbolo máximo da revolução calhou de ser um atleta cubano e sua ensandecida (para os não-bolivarianos) atitude diante da derrota.

Claro, sem rancores. Duke disse bem. Aliás, babaquice mesmo é ter tantos assessores supostamente sérios e fazer um discurso imbecil. Pelo menos eu não faço isto (mas também nunca tive assessor, he he he). Por falar nisto, você se lembra de quando comecei o debate sobre matemática em economia, aqui? Transbordou para um debate entre economistas austríacos e não-austríacos. Mas o ponto principal virou pauta de revista de circulação nacional. Veja aí a situação a que chega um ensino médio sem matemática de qualidade. Lamentavelmente, a administração da Silva não tem feito nada para combater isto. Medidas como obrigatoriedade de música, filosofia ou qualquer outro afago para gente que não arruma emprego facilmente (pelo visto nem emprego público) nas escolas privadas não ajudam o aluno. Ajudam apenas os profissionais.

O final disto, claro, é o início deste texto: educaremos meninos mimados pelo patriotismo tacanho. Patriotismo, aliás, que gente como os assessores do sr. da Silva sempre disseram ser ruim para o povo. Como qualquer governo, ao chegarem ao poder, apenas tomaram posse do ufanismo Costa-e-Silva a seu favor. Isto não se pode negar: eles sabem governar.