O problema não é a matemática, mas sim os interesses

“Understanding Academic Journal Market Failure: The Case of Austrian Economics”

Do resumo:

Heterodox schools of economic thought often claim that discrimination takes place in the market for academic articles. Biases exist that prevent heterodox ideas from appearing in mainstream journals. We assess the claim in the context of Austrian economics. First, we document that the research topics pursued in Austrian journals differ significantly from mainstream journals. Austrians pursue different questions. Second, we argue that Austrian articles do not suffer from discrimination based on lack of formalism or ideology. Rather, the lack of Austrian articles in mainstream journals results from the lack of hypotheses in their arguments.

Da conclusão:

The failure of Austrian economics to penetrate mainstream journals arises from two factors. The first is that Austrian-oriented economists tend to focus on topics that mainstream journal editors do not. This does not imply that Austrian economists do not pursue research programs that yield new insights. Rather, they do not engage the majority of other economists. Second, Austrian-oriented economists present their ideas in a form that does not easily illicit discussion. In essence, they have raised the costs for mainstream economists of engaging in dialogue with Austrians, potentially signaling an unwillingness to engage in debate. The evidence does not suggest systematic discrimination by the journal editors or referees; quality Austrian ideas do appear in mainstream journals when presented in a fashion that transmits the ideas in a low-cost manner.

Interessante artigo. Mas falta uma pergunta: a quem interessa aumentar os custos do diálogo com os economistas não-austríacos? A resposta poderia estar em motivações políticas, não econômicas, de garantir posições dominantes em parcelas de mercado específicas. Scott Beaullier realmente levanta questões que incomodam os que defendem o catecismo econômico, ao invés do debate.

Buchanan nos ensinou que não existe troca isenta de interesses individuais. Quais são os interesses de um empresário? E se os incentivos o levam ao rent-seeking? Faça a mesma pergunta para os economistas heterodoxos, ortodoxos e outros e você começará a entender certos discursos que abundam na academia. 

Sim, Beaullier é um austríaco promissor. Já está adicionado em meus favoritos e não há nada de paradoxal nisto.

Doze cadeiras: a medida cubana para monopolização estatal

Leia isto.

Numa situação mais privilegiada, Armando Cortéz, dono de um restaurante “paladar”, em Miramar, bairro no leste de Havana, torce para que o novo governo levante as limitações a esse tipo de negócio privado. Na década passada, os paladares receberam autorização para funcionar como empresas familiares para servir refeições, desde que se limitem a não terem mais do que 12 cadeiras e não ofereçam pratos como lagosta e camarão, para que não concorram com os restaurantes do governo. Há centenas deles em Havana.

“Estamos funcionando há dez anos e progredimos bastante, mas é claro que todos nós queremos crescer”, diz. Armando relata que instalou o restaurante – hoje, muito bem cuidado – na casa que era de seu pai. Toda a família de seis pessoas e outros cinco ajudantes trabalham no local. “Eu e outros donos de paladares nos inspiramos em uma novela brasileira, Vale Tudo, na qual a personagem de Regina Duarte abria um pequeno restaurante chamado Paladar, que cresceu e se tornou muito próspero”, explica. “Também queremos prosperar.”

Eis o paraíso não-liberal, cantado em verso e prosa por diversos brasileiros. Impressionante como o governo cubano trabalha para impedir a concorrência (normal e erradamente visto como sinônimo de “liberalismo”) e manter o povo no pior dos mundos, aquele no qual os bens são artificialmente escassos e os preços, claro, elevadíssimos.

Não é por falta de aulas de Economia que esta gente faz besteira. É só estudar um pouquinho.

Talvez este pessoal que morra de vontade de obter uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU queira manifestar sua ojeriza por este tipo de coisa. Opa, não falam nada? Provavelmente gostam…