Antropometria eleitoral

Veja que interessante este trecho do Hit and Run, da ótima Reason:

Voters have always considered physical attributes when selecting a chief executive. For example, tall has always been in. An instructive Wikipedia article on presidential stature reveals that the average American male was slightly over five feet nine inches in 2005, but only 14 of our 43 presidents have been under five feet 10 inches while 18 have been 6 feet tall or more. We’ve always wanted to look up to our leaders, beginning with the father of our country, 6-foot-tall George Washington, the seventh-tallest president in history. Honest Abe Lincoln was an impressive six feet four inches, tied for tallest with overbearing Texan Lyndon Baines Johnson.

É ou não divertido estudar? Claro que é.

Agora é oficial: em breve teremos uma comemoração

Leo Monasterio me acusa de ser hiper-ativo (é mentira, claro) e comemora – um pouco antes da hora porque não chegaram os exemplares ainda – o lançamento do livro no qual temos um capítulo.

O artigo demorou a ser publicado e não teria sido viabilizado sem a hiper-atividade do Leo, claro. Eu e o Noguerol, juntamente com o Leo, estamos muito felizes.

Como este blog é bloqueado pelo “firewall” da faculdade (ele aparece todo desconfigurado), poucos alunos terão ciência do fato. Mas vamos tentar corrigir isto com um pouco de conversa sobre o texto em algumas aulas. Alunos interessados podem me procurar. Terei o maior prazer de falar sobre o tema.

Ah sim, é meu primeiro livro pela Harvard University Press. Dá, sim, uma certa alegria.

Antropometria e Cliometria

Geralmente as duas se confundem em História Econômica. Eis mais um exemplo:

Fertility Decline and the Heights of Children in Britain, 1886-1938
Date: 2009-07
By: Timothy J. Hatton
Richard M. Martin
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:auu:dpaper:613&r=his
In this paper we argue that the fertility decline that began around 1880 had substantial positive effects on the health of children, as the quality-quantity trade-off would suggest. We use microdata from a unique survey from 1930s Britain to analyze the relationship between the standardized heights of children and the number of children in the family. Our results suggest that heights are influenced positively by family income per capita and negatively by the number of children or the degree of crowding in the household. The evidence suggests that family size affected the health of children through its influence on both nutrition and disease. Applying our results to long-term trends, we find that rising household income and falling family size contributed significantly to improving child health between 1886 and 1938. Between 1906 and 1938 these variables account for nearly half of the increase in heights, and much of this effect is due to falling family size. We conclude that the fertility decline is a neglected source of the rapid improvement in health in the first half of the twentieth century.

Antropometria importa?

How useful is anthropometric history? Some reflections on Paul Hohenberg’s recent presidential address to the American Economic History Association

John Komlos
Department of Economics, University of Munich

Abstract: In his recent presidential address to the American Economic History Association, Paul Hohenberg argued that anthropometric history does not meet his criteria for useful research in the field of economic history. He considers research useful if (a) it “helps shape one of our underlying disciplines”; b) it contributes “to clear—even fresh—thinking about current, policy-related issues or on-going scholarly debates about the historical past”; and c) it “penetrates the fuzzy realm of identity-shaping popular discourse”. I argue briefly that only a superficial reading of the literature would lead to the conclusion that anthropometric history has not been useful.

Depois da antropometria, tudo mundo usa altura nas regressões!

Eis a saudável novidade: a altura das pessoas vem se tornando uma variável mais utilizada entre pesquisadores brasileiros (veja, por exemplo, este Machado (2008 )). Meu contato inicial com o tema veio com o Leo Monasterio.

O que o lixo realmente diz?

Eis uma reportagem interessante sobre o lixo no Rio de Janeiro com um trecho que vale a pena criticar:

As lixeiras do subúrbio mostram que, apesar da renda menor, ali se é mais feliz. “Na segunda-feira, há muito resto de carvão e churrasco. Eles reúnem mais os amigos e a família no fim de semana”, analisa Adair. Nos bairros mais carentes do Centro, chama a atenção a quantidade de roupas velhas que não aparece nas áreas nobres.

Opa, opa. O sujeito come mal e trabalha pouco a semana toda. Aí no domingo, ele faz um churrasco com a turma. Será que isso realmente é felicidade? Por que o rico que não faz churrasco no final de semana é menos feliz? Eu também gosto de churrasco, mas dizer que a felicidade de todos pode ser medida pelo churrasco de domingo é ignorar a parte mais interessante da pesquisa que é tentar identificar os grupos de indivíduos segundo seu lixo sem, obviamente, identificar as preferências individuais.

Traduzindo: você pode encontrar tendências em um lixo de um bairro, mas não pode inferir nada sobre as preferências individuais de maneira precisa. Você também pode falar muita coisa interessante, mas tem que ser cuidadoso. Por exemplo, suponha dois bairros idênticos em tudo, exceto na oferta de frutas. Se o custo de transporte for importante, então pode ser que as pessoas de um bairro comam mais frutas do que as outras e isto nada nos diz sobre sua felicidade, exceto que os preços relativos são tais que frutas são preferidas a outros tipos de alimentos.

Mesmo assim, a matéria vale a leitura. Afinal, alimentação, riqueza e desenvolvimento econômico são conceitos que se relacionam intimamente, como mostra, por exemplo, este artigo.