“Quem não deve, não teme”

Este é um ditado muito mal utilizado no Brasil. Normalmente os políticos, estes que escondem suas orgias em mansões e seus mensalões, usam-no para criar leis que, supostamente, visam combater a corrupção. Marcelo Soares presta um grande trabalho ao divulgar, portanto, esta notícia. Vou até reproduzir um trecho:

A ONG européia Privacy International acaba de lançar seu atlas do respeito à privacidade no mundo.

A questão é um dos lados da grande moeda da sociedade da informação: como balancear um nível cada vez maior de informação, o que permite fiscalizar melhor o poder e o crime, com a proteção da intimidade dos cidadãos, que está exposta geralmente aos mesmos mecanismos. Pense por exemplo no caso da perda de um CD governamental com dados bancários de uma grande parte da população inglesa, por exemplo.

O Brasil ficou na classificação vermelha, que significa “falha sistêmica em garantir as salvaguardas” à privacidade. O país está entre os piores do mundo em dois quesitos: garantia da privacidade e vigilância de dados médicos, financeiros e movimentos.

Vai lá ler tudo, cara!

Como foi o Encontro de Pensadores Liberais?

Eu não estive lá…mas queria ter estado.

Discurso de abertura do Encontro de Liberais que começa…hoje!

Por motivos pessoais – muito bons, diga-se de passagem – não pude ir ao encontro de liberais que começa hoje, em Brasília. Mas o Adolfo teve a bondade de reproduzir, no blog, o discurso de abertura. Segue:

Discurso de Abertura do Encontro de Pensadores Liberais: Mudar o Mundo

Mudar o mundo é fácil; difícil é mudá-lo na direção certa. Hitler, Stalin, e vários outros mudaram o mundo, mas não creio que o tornaram um local melhor. Todos eles eram movidos por nobres objetivos, e todos fracassaram. Eram movidos por ideais, acreditavam estarem fazendo o melhor para seu povo. Contudo, os conduziram para a fome, miséria e destruição. Ser movido por ideais nobres não basta para tornar o mundo um lugar melhor. Mais importante do que o fim visado é o meio utilizado. Não existe um fim digno de se almejar quando os meios para alcançá-lo são ilícitos. É neste ponto que fracassam todos os inimigos da sociedade aberta, se esquecem de que os fins NUNCA justificam os meios. O desrespeito pelos meios, objetivando um bem futuro, é uma característica comum aos maiores fascínoras da humanidade.

Um homem não deve matar seu vizinho para se apoderar de sua propriedade. De maneira semelhante, não é lícito a uma sociedade sacrificar parte de seus cidadãos em prol de outros. Mesmo que os sacrifícios sejam feitos por uma minoria, em vantagem de uma maioria, não é direito do Estado exigir mais de determinados grupos do que de outros. Tão logo o Estado desrespeite esse princípio básico encerra-se a democracia e começa-se a ditadura. Tão logo o governo passe a tomar medidas restritivas à minoria, para satisfazer um desejo das maiorias, encerra-se o respeito característico de um sistema democrático. Contudo, numa sociedade baseada no voto universal, como escapar da ditadura da maioria? Como evitar que, para perpetuarem-se no poder, governantes satisfaçam cada vez mais uma maioria à custa do desrespeito por uma minoria indefesa?

A pergunta acima já foi feita milhares de vezes por filósofos, cientistas políticos, economistas e intelectuais preocupados com o futuro da humanidade. Respostas foram dadas, nenhuma delas perfeita, e continuam ainda sendo propostas. Não almejo aqui resolver essa questão. Proponho apenas um subterfúgio, proponho uma pergunta mais simples: o que possibilitou que pessoas bem intencionadas tomassem decisões cruéis, injustas e ainda assim mantendo-se no poder? Como ideais tão nobres, como a felicidade geral, transformaram homens comuns em ditadores sanguinários? A resposta é simples: excesso de poder. O excesso de poder na mão de poucos homens é a maior causa de genocídios da história de nosso planeta.

A democracia não é um fim em si mesma. A democracia só é importante pois ela é um instrumento para garantir a liberdade individual. Mas a democracia só é efetiva para garantir a liberdade enquanto o poder do Estado for pequeno. Um regime democrático pode ser tão sanguinário quanto qualquer ditadura. Para tanto basta que o poder do Estado seja grande o suficiente. Um liberal compreende isso. Um liberal compreende que só estará a salvo da discricionaridade do Estado enquanto este permanecer pequeno. É por este motivo que um liberal é contra um Estado grande e influente. Nós liberais sabemos de todas as ineficiências econômicas geradas pela intervenção estatal. Mas nossa objeção contra um Estado grande não é econômica, é moral.

Animador. Animador.

Sábado sensacional em Brasília (reproduzido na íntegra)

ENCONTRO LIBERAL – Programação

Programação do Encontro de Pensadores Liberais:

Data: 01 e 02 de dezembro de 2007 (sábado e domingo)
Local: Universidade Católica de Brasília, campus II (ASA NORTE – SGAN 916)

01/12/2007 – Sábado:

12:00 – 13:00 horas: Inscrição no local do evento (gratuita).
As inscrições também podem ser feitas pela internet, para tanto basta enviar um e-mail para: sachsida@hotmail.com. Qualquer dúvida ligue para (61) 8459-0343.

MESAS REDONDAS
13:00 às 14:45: Idéias Liberais para o sistema educacional
14:45 às 15:00: Intervalo
15:00 às 16:45: Idéias Liberais para o sistema de saúde
16:45 às 17:00: Intervalo
17:00 às 18:45: Idéias Liberais para a previdência
20:00 horas: Confraternização

02/12/2007 – Domingo:
9:00 às 10:45: Palestra com o Prof. Dr. Nelson Lehmann
“Fundamentos Liberais nas obras de Platão, Aristóteles e Santo Agostinho”
10:45 às 11:00: Intervalo

DEBATE
11:00 às 12:45: Quais deveriam ser os fundamentos de um PARTIDO LIBERAL?
13:00 horas: Encerramento.

O formato do encontro foi definido para contemplar uma ampla gama de assuntos e minimizar custos de participação. Assim, interessados em participar do Encontro que residam fora de Brasília terão que arcar com apenas 1 (uma) diária de hotel.

Aos residentes fora de Brasília que necessitem de hospedagem, por favor entrem em contato comigo pelo e-mail: sachsida@hotmail.com. Eu tentarei conseguir preços promocionais junto aos hotéis da cidade. Também estou providenciando transporte para os que chegarem de fora de Brasília. Apenas me enviem um e-mail informando o horário de chegada e providenciarei o transporte até o hotel e até o local do encontro.

Isso é tudo que eu posso fazer, sei que não é muito. Mas conto com vocês, principalmente para ouvir suas idéias e sugestões. Sei por experiência própria o quão cansados estamos de falarmos sozinhos, essa é nossa chance de nos organizarmos, essa é nossa chance de trocarmos idéias e experiências com pessoas que pensam como nós. Pessoas que defendem a liberdade individual – a liberdade de escolha, o livre arbítrio – como valores máximos de nossa existência.

Falácia econômica: o falso dilema entre liberdade e segurança

Outro dia falei aqui sobre a besteira que é supor que existe um trade-off entre liberdade e segurança. Bem, não é que Robert Higgs, também já citado aqui, várias vezes, lançará um livro explicando isto aos incautos? Vejamos um trecho da sinopse do novo livro:

Synopsis

“Those who would give up essential Liberty, to purchase a little temporary Safety, deserve neither Liberty nor Safety,” wrote Benjamin Franklin. Attempting to gain security by sacrificing liberty is also a foolish action, some would add, because it only increases the potential for harm.

In Neither Liberty nor Safety: Fear, Ideology, and the Growth of Government, economist and historian Robert Higgs illustrates the false trade-off between freedom and security by showing how the U.S. government’s economic and military interventions reduced the civil and economic liberties, prosperity, and genuine security of Americans in the 20th century. Extending the theme of Higgs’s earlier books, Neither Liberty nor Safety stresses the role of misguided ideas in the expansion of government power at the expense of individual liberty. Higgs illuminates not only many underappreciated aspects of the Great Depression, the two world wars, and the postwar era, but also the government’s manipulation of public opinion and the role that ideologies play in influencing political outcomes and economic performance.

Higgs tem insistido neste ponto há anos. Acho importante que haja gente assim, como sempre diz o Adolfo (Sachsida), interessada em manter vivas as idéias boas em épocas de abundante ignorância. Muitas vezes, a preguiça mental é racional, como vemos nos estudos de dissonância cognitiva em economia (Akerlof, Caplan) e irracionalidade racional (Caplan). Se você gosta do tema, deveria ver a bibliografia deste artigo (e o próprio, que é para leigos).

Liberais brasileiros

Diz Selva:

Olavo de Carvalho e os Liberais Brasileiros

Mais um rant do Olavo de Carvalho, novamente apontando para a ligação entre o narcotráfico, a guerrilha e os partidos de esquerda na América latina. Interessante é a crítica dele aos liberais brasileiros, dizendo que eles gostam de discutir idéias e esquecem de agir. Os liberais erram também por não conseguirem identificar os principais problemas do país. Se ignorarmos os palavrões, Olavo tem um ponto.

Atenção para o ponto do Selva no final do post: o argumento melhor vence. Mas o melhor sem concorrência de argumentos mais bem fundamentados não é o melhor, digamos, “social”.

O governo brasileiro é a favor dos spams

Achava que não pudesse existir coisa pior do que spam na minha caixa de e-mail. Pois hoje o governo me mostrou que, sim, existe: spam com mensagens analfabetas que eu pago para receber. Sintetizando a história, o governo resolveu colocar a “Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República” para trabalhar, e criou um pequeno e-mail que é mandado (contra a minha vontade, diga-se. Será que cabe um processo por spam?) para alguns órgãos federais. Não sei se todos os meus colegas do banco recebem, mas sei que, todo o santo dia, tanto no período de trabalho quanto agora no doutorado, está lá a propaganda na minha caixa postal.

Pois bem. Hoje, a mensagem se superou: não apenas eu recebo a mensagem contra a minha vontade, mas também descobri que a pessoa que escreve os textos, recebendo grana dos meus impostos, precisa de reforço na gramática. Além disso, o responsável pela revisão dos textos, que também é pago com o dinheiro dos meus impostos, deve precisar de um oculista. Tudo isto por causa do título da mensagem abaixo.

Se você chegou até aqui, não leu toda a mensagem do Ângelo. Pois bem, clique e leia. Há algum tempo eu pensei na relação entre o governo (aquele que deveria, lembra?, livrar-nos do temido empresário ganancioso gerador de falhas de mercado e de outras mazelas) e o “spam” (veja aqui e aqui). Bem, minha hipótese era um pouco distinta deste absurdo que relata o Ângelo mas, veja só como faz falta, agora, um setor privado cioso de suas liberdades e desejoso de exercer seus direitos e cumprir com seus deveres. Houvesse empresários e consumidores assim, em maioria, já haveria protestos contra o uso ilegal do “spam” por parte do único monopólio brasileiro na emissão de moeda e na criação de leis, o Estado.

E olha que a maioria dos membros do partido do sr. da Silva olha com antipatia as semi-independentes agências regulatórias e pedem por sua extinção e/ou substituição por um modelo bolivariano/socialista/estatizante.

Quanto aos jovens, bem, os ricos estão a tratar da matança dos pobres com seu consumo de drogas ilegais em detrimento do verdadeiro conhecimento, aquele obtido na escola. Os mais velhos, aqueles que deveriam dar o exemplo, acham que a escola deve não apenas instruir seus filhotes (mimados?) como também educá-los. Por sua vez, os professores, aqueles que deveriam apenas instruir e que ganharam o direito de doutrinar os filhotes dos consumidores, sob o cansaço do diretor da escola (ou sob seu beneplácito) com as infindáveis “diretrizes do iluminado ministério para o ensino nacional (e afins)”, deitam e rolam sob o comando de gente que acha que, afinal, um outro mundo é possível. Um no qual a liberdade individual é uma “coisa burguesa”.

Já vi este filme antes. Himmler e Guevara são dois jeitos de se mudar o mundo na visão deste povo. Obviamente, como o mundo não pode ser mudado conforme o desejo de dois grupos diferentes ao mesmo tempo, há concorrência entre estas visões e cada uma afirma, com juramento de padre católico progressista (embora isto, hoje em dia, tenha um tom perigosamente pedófilo), que o outro é que é o “feio, sujo e malvado”.

É a vida, eu sempre serei um cético…

Por que Paul Krugman errou em tudo que falou sobre Milton Friedman?

Krugman pode ter feito contribuições interessantes à tal Nova Geografia Econômica, mas, no afã de atacar qualquer pensador ideologicamente distante de seu próprio umbigo pop, falou muita besteira sobre Milton Friedman. Nada que bons economistas não possam corrigir com um pouco de esforço.

Hic Krugman, hic salta.

Encontro Liberal em Brasília

Temas a serem Discutidos nas Mesas Redondas do Encontro Liberal

Ai vão os temas que iremos abordar na sessão “Idéias Liberais para a Educação”:
a) Quem deve decidir o curriculo das escolas?
b) Curriculos obrigatórios para todas as escolas?
c) Quem deve decidir qual livro adotar?
d) Escolas públicas ou privadas?
e) As escolas devem ser gratuitas ou devem ser pagas?
f) Os alunos devem reprovar?
g) Como deve ser a intervenção do Estado na Educação?
h) Como monitorar a evolução da qualidade?
i) Cotas devem ser adotadas?
j) Outras sugestões são bem vindas.

Ai vão os temas que iremos abordar na sessão “Idéias Liberais para a Saúde”:
a) Pública ou privada?
b) Gratuita ou paga?
c) Devemos ter programas específicos para crianças, idosos e carentes?
d) Minorias devem ter tratamento diferenciado?
e) Programas de vacinação devem ser financiados pelo Estado?
f) Alimentos transgênicos devem ser proibidos?
g) O Estado deve proibir o fumo e a bebida alcoólica?
h) Como deve ser a regulação estatal nos planos de saúde?
i) Médicos devem ter o monopólio da medicina?
j) Outras sugestões são bem vindas.

Ai vão os temas que iremos abordar na sessão “Idéias Liberais para a Previdência”:
a) O sistema de previdência deve ser público ou privado?
b) Como financiar a aposentadoria de pessoas carentes?
c) Como deve ser a regulação do Estado nos fundos de previdência?
d) Qual o direito do Estado em obrigar pessoas a investirem para aposentadoria?
e) Mulheres devem ter tratamento diferenciado?
f) O que fazer em caso de falência de um fundo de pensão?
g) Como financiar a transição de um regime previdenciário para outro?
h) As empresas devem contribuir para a previdência de seus funcionários?
i) Previdência deve redistribuir renda?
j) Outras sugestões são bem vindas.

O encontro é uma oportunidade única. Não há um único empresário, que eu saiba, colocando recursos nisto (eu não espero nada de empresários que vivem em um ambiente totalmente propício ao comportamento rent-seeking). É uma chance de se debater temas importantes para a sociedade. Onde está sua “consciência social” ou sua preocupação com o futuro? Se você gosta destas coisas e concorda com o princípio básico da não-coerção, este encontro é para você.

Encontro Liberal (reprodução integral)

ENCONTRO LIBERAL – Programação

Demorou, mas ai vai a programação do Encontro de Pensadores Liberais:

Data: 01 e 02 de dezembro de 2007 (sábado e domingo)
Local: Universidade Católica de Brasília, campus II (Asa Norte)

01/12/2007 – Sábado:

12:00 – 13:00 horas: Inscrição (gratuita)

MESAS REDONDAS
13:00 às 14:45: Idéias Liberais para o sistema educacional
14:45 às 15:00: Intervalo
15:00 às 16:45: Idéias Liberais para o sistema de saúde
16:45 às 17:00: Intervalo
17:00 às 18:45: Idéias Liberais para a previdência
20:00 horas: Confraternização

02/12/2007 – Domingo:

9:00 às 10:45: Palestra com o Prof. Dr. Nelson Lehmann
“Fundamentos Liberais nas obras de Platão, Aristóteles e Santo Agostinho”
10:45 às 11:00: Intervalo

DEBATE
11:00 às 12:45: Quais deveriam ser os fundamentos de um PARTIDO LIBERAL?
13:00 horas: Encerramento.

O formato do encontro foi definido para contemplar uma ampla gama de assuntos e minimizar custos de participação. Assim, interessados em participar do encontro que residam fora de Brasília terão que arcar com apenas 1 (uma) diária de hotel.

Aos residentes fora de Brasília que necessitem de hospedagem, por favor entrem em contato comigo pelo e-mail: sachsida@hotmail.com. Eu tentarei conseguir preços promocionais junto aos hotéis da cidade. Também estou providenciando transporte para os que chegarem de fora de Brasília. Apenas me enviem um e-mail informando o horário de chegada e providenciarei o transporte até o hotel e até o local do encontro.

Isso é tudo que eu posso fazer, sei que não é muito. Mas conto com vocês, principalmente para ouvir suas idéias e sugestões. Sei por experiência própria o quão cansados estamos de falarmos sozinhos, essa é nossa chance de nos organizarmos, essa é nossa chance de trocarmos idéias e experiências com pessoas que pensam como nós. Pessoas que defendem a liberdade individual – a liberdade de escolha, o livre arbítrio – como valores máximos de nossa existência.

O sempre brilhante Milton Friedman

I’ve been very fortunate in being part of two communities of scholars: the community of economists on the one hand, and the community of libertarians on the other. And that combination has been very productive so far as I’m concerned, but I can’t really tell you why. One thing is that it’s very hard for somebody on his own to be sure that he’s thought of all the angles. Discussion among people helps an enormous amount. And particularly able, good people. If you have a person isolated in an environment unfriendly to his ideas and thoughts, he tends to turn bitter and self-directed. But the same person with three or four other people around–it doesn’t have to be a lot of people–will be in a wholly different position since he will receive support from the others.

You remind me of one incident where in a sense the two worlds interacted. Back in the 1960s, my daughter was an undergraduate at Bryn Mawr, and I was invited by Haverford, I think it was, to spend three days giving talks on mathematical economics. Absolutely no policy involved, pure mathematical economics. And because my daughter was at Bryn Mawr, I agreed.

After I had agreed, they asked if I would also be willing to give a chapel talk on political matters. I said sure and I gave a title, something having to do with freedom. Then I discovered that chapel at Haverford was compulsory. I wrote to the president and said that I was very much disturbed at giving a talk on freedom to a compulsory audience.

When it was time to go to the chapel, I asked the president, “How do they count attendance?” And he said, “At the beginning of the hour there are people going around in the balcony and looking down. Everybody has an assigned seat, and they count.”

When I got up to talk, I spoke up to the people in the balcony and said that those who were counting attendance, please let me know when they’re through because I don’t like the idea of speaking about freedom to a compulsory audience. I’m going to sit down and give the people who want to leave the chance to leave. And I did. Now, the students hadn’t really thought that I was going to do it and when I did, about one or two people got up to leave and the rest of them booed them because obviously, I was talking on their level. As a result, I’ve seldom had a student audience who were so completely on my side as that group, even though the political atmosphere at Haverford was very much to the left. That’s one of the greatest coups I’ve ever had as a public speaker.

Friedman era, realmente, o cara. O resto da entrevista está aqui.

Quer combater a desigualdade de renda?

Então, tome cuidado.

This study examines the extent to which changes in household formation exacerbated income
inequality in the United States during the last two generations. Using a time-varying
parameter model, the impact on how marriage decisions, changes in human capital, and
fertility choices influence inequality are estimated. The estimation results show that marital
sorting evolves over time and positively and increasingly affects the degree of income
inequality and intergenerational human capital transmission induces path-dependent income
distribution dynamics. This suggests that intrahousehold choices explain a substantial
proportion of income distribution dynamics.

Ao fazer uma leitura rápida, você percebe: muito da desigualdade citada vem das próprias decisões dos casais. Assim, os que gostam radicalmente de engenharia social diriam que deveríamos elaborar políticas públicas intrusivas nas decisões dos casais norte-americanos para, dados os resultados acima resumidos, acelerarmos a dinâmica virtuosa da igualdade de renda.

Os economistas que não compartilham desta – pretenciosa e simplista visão – pensam diferente. Nestes casos, a abordagem é sempre no sentido de buscar entender o que ocorre de forma muito mais precisa antes de, sequer, imaginar em alterar  um único incentivo.

Cá entre nós – e aí vai meu toque pessoal em Economia – prefiro deixar que as pessoas errem e acertem por conta própria. São poucos os casos em que, realmente, é necessário uma decisão mais rápida e rígida sobre algum aspecto da vida das pessoas, em termos de políticas públicas. Ao contrário do adolescente marxista (“é preciso transformar o mundo, não apenas entendê-lo”), creio que é necessário ter muita serenidade e respeito pela escolha alheia antes de propor alguma mudança. Afinal, você está invadindo a esfera decisória alheia! Não é trivial aceitar isto – somos todos muito ansiosos, ainda mais em selvas como o Brasil, cheias de probleminhas – mas é preciso fazer um esforço.

Um dia eu elaboro melhor minha visão do que seja e do que não seja “engenharia social”. Mas eu devo dizer que ela bebeu muito na fonte de autores como Friedrich Hayek, James Buchanan, Virginia Postrel, David Thoreau, David Friedman, Milton Friedman e, quem sabe, Groucho Marx…

Liberdade

Sachsida tem uma boa pergunta: por que estudar Marx? Embora seja interessante pensar no aspecto econômico disto, note que sua (a dele) resposta é bem simples: ninguém realmente estuda Marx. O que ocorre é que quase todo mundo louva Marx. Os mesmos que acusam os economistas de “positivistas que fazem uma distinção fictícia entre positivo e normativo” são também os que fogem dos fatos sobre o desastre sócio-econômico causado em nome das idéias de Marx que abalou o século XX. Nestas horas, para eles, positivo é positivo e normativo é normativo. Muita cara-de-pau, claro.

Dito isto, um complemento interessante à esta leitura é este pequeno post do David Friedman. Um dia eu escrevo um ensaio sobre minarquistas, anarco-capitalistas, libertários e liberais clássicos. Fiz algo assim, uma vez, de forma muito simples, em um texto pro Millenium.

Super-burocratas e a Pretensão Doutrinadora dos Nossos Pseudo-Educadores

Tem gente que parece realmente acreditar na supremacia do curso de Direito sobre as leis da Física ou sobre a humanidade. Só gente assim é capaz de prestar um concurso (ou concorrer a um cargo público) e, ao final, elaborar uma “lei” como esta.

Gente assim delira. Acha que pode controlar o mercado e torná-lo eficiente apenas com o seu “bom senso” (neste caso, bem pouco razoável, mesmo para os padrões humanos), que, pensa, é o bom senso que deveria prevalecer na sociedade.

Como é que podemos confiar na regulação política da vida? Aliás, quem não gosta dos mercados vive dizendo que o bom é o “controle social” ou o “controle político”, “democrático” de todos os aspectos da sua vida, leitor. É gente assim que faz doutrinação nas escolas e tenta ensinar que passeatas contra o governo só são legítimas quando o governo não é de gente que torce pelo mesmo time que o dele (onde está o pluralismo?).

Enquanto você, (e)leitor que também é pai, ignora as reuniões do colégio ou não acompanha o aprendizado do seu filho ou de sua filha, estes caras ensinam que a sociedade só não é melhor porque existem caras no mundo que não sabem escrever (os burgueses). Esta é a conclusão inevitável que tiro do link acima. Afinal, só um sujeito com preocupações sociais, na visão destes caras, é capaz de salvar o mundo.

Tenho amigos protestantes que alfabetizam seus filhos para que leiam a Bíblia e tenham uma vida pacífica. Outros, pelo que vejo, querem alfabetizar as pessoas para que repitam jargões “sociais”, “democráticos” ou “políticos” de forma a, cada vez mais, tirar a liberdade individual das pessoas. Os fanáticos religiosos estão no último grupo. Os sensatos – protestantes ou não – compartilham da visão que eu chamaria de benigna da alfabetização.

Ah sim, como bom liberal (na tradição clássica), eu gostei de muita gente neste poster. Mas, ei, eu não quero te doutrinar. Eu gostaria mesmo é que todos deixassem a preguiça inercial de lado e lessem mais sobre as idéias que, digamos, Hayek tinha sobre o funcionamento da sociedade. É doutrinação? Na verdade, não. O fato de você estranhar o nome ou pensar que estou radicalizando sem nunca ter lido nada de Hayek mostra que você, de alguma forma, incorporou um preconceito de que Hayek é um “malvado aristocrata neoliberal e burguês”, mesmo sem nunca ter tido contato com nada do que ele escreveu.

Como isto é possível se não através da doutrinação? Pense nisto.

Você tem medo de ser feliz? É porque alguns que não tiveram medo apostaram, dentre outras, em sua humilhação progressiva…

Se você se formou em alguma faculdade; se você, por acaso, aprendeu mais de um idioma; se você é um profissional liberal bem-sucedido ou ocupa um cargo elevado na empresa em que trabalha, cuidado. Esconda os seus diplomas no armário, jamais torne a usar os seus ternos sob medida e trate de comprar um carro velho ou popular. Demonstrar mérito ou ostentar sinais de prosperidade, no Brasil, agora é pecado. Essas coisas significam que você faz parte das nossas pérfidas elites e, portanto, carrega consigo grande parte da culpa pela miséria em que vive razoável parcela da população.

É curioso. Eu nunca interpretei o termo elite por um ângulo pejorativo. Ao contrário. Elite, para mim, sempre significou os melhores dentre os melhores em cada área. Há a elite dos empresários, como existe a elite dos médicos, a dos políticos ou a dos advogados. Com exceção de parcela da elite econômica, cujo patrimônio veio por hereditariedade, ninguém vem a ser reconhecido como membro de alguma elite se não demonstrar mérito, talento e empenho pessoal. São todos pessoas de peso, merecedoras da admiração geral. Ou, pelo menos, era assim até a chegada da companheirada ao poder, há quase cinco anos.

Confesso que não me surpreendi com essa total inversão de valores. Quando cursava a faculdade, em meados dos anos 1970, um dos mitos mais caros do pensamento esquerdista era o que pregava que todas as mazelas do Brasil eram culpa exclusiva de suas execráveis elites. O povo em geral, os cidadãos humildes, era puro de alma, solidário por natureza e sempre pronto a empenhar o melhor de si em prol da coletividade. Mas ele não tinha chance de fazê-lo porque as elites, egoístas e gananciosas, não lhe davam oportunidade. É mais ou menos a forma como os marxistas tradicionais idealizavam a classe burguesa. Elimine-se a burguesia e os seus valores, e a sociedade, quase que naturalmente, se tornará justa, fraterna, cooperativa e voltada para o bem comum.

Clique aqui e leia o restante do texto. Acho que Mises é quem fez a denúncia, pela primeira vez, sobre o comportamento bem pouco ético (e bem invejoso) dos “intelectuais”. João Mellão Neto, autor do texto acima, é um escritor talentoso: resumiu bem o problema da desonesta argumentação que pretende condenar o mérito de qualquer pessoa tentando dar à palavra “mérito” ou a à palavra “sucesso pessoal” uma conotação pejorativa.

Engraçado que se for um operário que diz ser deficiente porque perdeu meio dedo que vira presidente, não há quem não faça campanha midiática salientando o sucesso do dito cujo. Ao mesmo tempo, o sucesso alheio é tido como um pecado de 500 anos de herança maldita ou outras bobagens que fazem corar qualquer sujeito decente, por mais não-liberal que ele seja…

Encontro de Pensadores Liberais

Nosso encontro de pensadores liberais esta tomando forma. Já temos a data: 01 e 02 de dezembro. Já temos o local: Universidade Católica de Brasília. E agora já temos 3 temas de mesas redondas e 1 palestra agendados.

Tema 1: Idéias Liberais para o sistema educacional

Tema 2: Idéias Liberais para o sistema de saúde

Tema 3: Idéias Liberais para a previdência

Palestra: Prof. Dr. Nelson Lehmann “Fundamentos Liberais nas obras de Platão, Aristóteles e Santo Agostinho”

Caso você tenha sugestões de temas, por favor, envie-as ao blog.

Metropolis

Existe um filme brilhante de Fritz Lang, o Metropolis. Na época de universitário, como todo mundo na minha idade, eu assisti ao filme. Trata-se de uma obra-prima, certamente. O interessante é que, na época, eu vivia submetido a bons professores e os tradicionais pterodoxos (e os explosivos pterodoxos-bolivarianos). Para minha sorte, havia um amigo, da Filosofia, que era mais crítico de tudo do que qualquer um que conhecia. Hoje ele leciona filosofia em uma universidade federal.

Este meu amigo me ajudava na compreensão destes filmes malucos. Talvez ele tenha sido o responsável por eu gostar dos filmes expressionistas, odiar os franceses e torcer o nariz para o pervertido Pasolini. Ele simplesmente me apresentava aos filmes e eu, seguindo a idéia de experimentar novas formas de expressão cinematográficas, assistia a tudo que via pela frente. E conersávamos muito sobre o que víamos. Foi uma boa época, sem dúvida.
Não quero tirar o prazer de alguém que nunca assistiu nenhum destes filmes (até mesmo Pasolini e Godard), mas Metropolis tem uma mensagem que, na época, combinava com o discurso nazista e que era a acomodação entre os proletários e os burgueses. Meus amigos socialistas achavam isto ruim porque, na verdade, gostariam de ver o pau comer , desde que não os atingisse, claro. Para este povo, a vida é passear de motocicleta escrevendo um diário enquanto se mata um ou outro burguês aqui e acolá.

Ok, há muita polêmica sobre se o final feliz deste filme é apenas uma infeliz coincidência com os desejos de Goebbels, Hitler e a corja toda, ou não. Não vou discutir este etéreo conceito de “pensamentos da época”, mas o fato é que, após receber o convite de Goebbels para trabalhar pelos nazistas, Fritz Lang se mandou para os EUA onde, aliás, filmou o último filme da trilogia de “Dr. Mabuse, o gênio do crime” (e o único falado deles) .

Desde então, toda vez que vejo um discurso de “pacto social”, eu fico desconfiado. Mas mais desconfiado ainda eu fico quando vejo união de sindicatos patronais e de trabalhadores (embora patrões também trabalhem, a esquerda anaeróbica gosta de pensar em si própria como o único amontoado de gente que trabalha) em torno de propostas. Sempre há algum interesse oculto. Por exemplo, nenhum destes sindicatos defende o fim da contribuição sindical, senão que a deseja como algo petrificado em lei. O objetivo, claro, é fazer com que todos pertençam às corporações. Qual a diferença deste discurso para o de Mussolini? Nenhuma. Mas o problema é que quem diz isto é chamado por eles de anti-socialista ou anti-patriota, conforme a tonalidade da madeira que cobre a cara-de-pau do sindicalista.

Ok, falamos um monte de cinema e de cinismo sindical. Agora, isto tudo me veio à mente quando eu vi a que nível podem chegar as relações perigosas entre esta gente.

É preciso um pouco mais de leitura – e eu recomendo Mancur Olson – para se entender as implicações dos efeitos negativos dos sindicatos sobre o desenvolvimento econômico (para o caso do Brasil, veja isto, por exemplo). Mas no caso das relações perigosas, eu me lembro do clássico artigo de Bruce Yandle, sobre batistas e contrabandistas (revisitado e revisado pelo próprio aqui).

Qual é o final disto tudo? Bem, nem toda história tem moral (ou ética, como vimos entre os aliados do sr. da Silva, esta semana, notadamente seu amigo, o sr. Calheiros). Mas o mais importante é que você tenha a chance de, um dia, assistir Metropolis do Lang (veja se consegue a cópia original, em preto e branco, muda, não a que ganhou cores e trilha sonora nos anos 80), o 1984 do Orwell, e tente sair da armadilha mental que é achar que uma ideologia que justifica matança porque “o futuro será melhor para todos” é melhor que a outra que justifica a mesma matança porque “você é de uma raça superior”.

Aliás, pouca gente gosta de admitir (porque realmente é incômodo para quem ama ideologias como estas), mas nazismo e socialismo têm muito em comum (além do fato de Hitler ter importado a idéia dos campos de concentração da URSS) e um bom livro que mostra isto é o The Lost Literature of Socialism, de George Watson. É meio chato de se ler, mas é interessantíssimo. A capa do livro tem as chamadas mais interessantes:

  • The state can make of mankind anything it wants – that sums up ther theories (Tocqueville)
  • Germany takes Schleswig with the right of civilisation over barbarism, of progress against stability (Marx)
  • There is something wrong with a regime that needs a pyramid of corpses every few years (Orwell)
  • How, as a socialist, can you not be an anti-semite? (Hitler)

A combinação é explosiva, certo? Ok, o ponto é óbvio: não se deve tomar escritores humanos como escritores divinos, imunes aos erros da lógica (ou às imoralidades). Talvez aí esteja uma das melhores formas de se defender a liberdade de pensamento. Afinal, é melhor ter várias pessoas errando e acertando do que apenas uma, cujos erros e acertos são impostos a todos por um governo assessorado por um conselho de iluminados que, opa, também são humanos.