Conversa séria
Alexandre Schwartsman deve ser o único economista que aparece na imprensa para colocar um pouco de razão nos debates econômicos. Minto, há também o prof. Affonso Pastore, claro.
Não deixa de ser decepcionante. Qualquer canal de TV paga tem artista falando de política, economia como se fosse uma autoridade em tudo que é assunto. O debate econômico no maior canal da TV paga é uma sombra. Qualquer um que diga diretamente algo sério parece ser deixado de lado. Deve ser o tipo de jornalismo que fazem hoje. Se bem me lembro, até na era militar, nos idos dos anos 70-80, o debate econômico tinha mais qualidade.
De qualquer forma, leiam lá o Alexandre. Entrevista curtinha, mas reveladora.
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Cláudio, ontem mesmo eu lia na exame sobre o aumento de preços das comodities. O texto implicava que o atual aumento está intrinsecamente ligado à grande seca nos Estados Unidos.
Aqui está o link da reportagem:
http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/o-mercado-financeiro-e-o-seu-almoco
Mas aqui, no textol do Alexandre Schwartsman, ele diz: …”O choque de commodities só se traduz em aumento de inflação por culpa da política cambial adotada no Brasil.” …
E agora, José? Que penso eu?
Mas aí você tem que se lembrar da diferença de impacto inflacionário quando o câmbio é flexível ou sofre intervenções (quase um câmbio fixo). Vivemos próximos ao segundo caso e como o governo está forçando para que a taxa de câmbio se desvalorize, esta gera um aumento nos preços no país pois – perfeita ou imperfeita – existe a paridade do poder de compra entre os países (em resumo: preços de um produto tendem a se igualar, corrigindo pela taxa de câmbio para que tudo fique na mesma moeda). Há um pouco mais de consequências, mas acho que aqui já deu.
Aí o pessoal que não quer ouvir a desagradável notícia de que o câmbio desvalorizado que tanto pediram é o vilão, tentam jogar a culpa em qualquer outro bem que tenha seu preço aumentado. Ora são as commodities, ora são os alimentos, etc. Mas estes aumentos são setoriais e apenas são o resultado final do funcionamento dos preços relativos (o que inclui o câmbio) descrito acima.
Acho que ainda se deve tomar cuidado com isto. Muitos pegam um índice, digamos, IP que é a soma de A, B, C, observam que C subiu e dizem que a culpa de IP subir é que C subiu. Mas a pergunta é: o que fez C subir? Esta, sim, é a pergunta que nos diz quais as causas da inflação.
Será que ajudei?
Ajudou, Cláudio, como sempre