De Gustibus Non Est Disputandum

Porque não existe almoço grátis

Parceria Público-Privada Sacana

Deve ter sido citada entre os estudiosos do ramo, mas se não…

“Ficara claro que a colonização de terras tão vastas e distantes exigiria um volume expressivo de recursos que a Coroa, sozinha, não tinha condições de mobilizar. Os que receberam as capitanias deveriam promover à própria custa, o povoamento e a colonização de seu território. De modo geral, porém, os donatários eram membros da nobreza que, em Portugal, jamais haviam chegado a ter independência econômica. No final da década de 1540, os pobres resultados obtidos levaram à adoção de uma opção mais de acordo com as tradições portuguesas. Decidiu-se pela centralização do poder, dando-se à colônia um governador-geral. As capitanias não desapareceram. Aos poucos, foram incorporadas ao patrimônio real, mediante compra ou abandono dos respectivos donatários”. [José Júlio Senna, Política Monetária,  2010, p.395]

Em outras palavras, use a iniciativa privada e depois dê-lhe o golpe. Para tanto, escolha aqueles que nunca terão muito poder econômico para não se arriscar. Ou escolha alguns, mas use sua prerrogativa de Estado para dar-lhe o chute no traseiro em algum momento.

Não é a cara do Brasil?

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1 Comentário

  1. paulo araújo

    Caro

    Há um sério anacronismo nesse tipo de análise. Em história, nunca se pode perder de vista que os protagonistas não tinham como saber o que viria a acontecer (história é contingência).

    Estamos na primeira metade do século XVI. O que hoje conhecemos como economia capitalista e seu livre mercado se fez, em termos históricos, ao longo dos séculos posteriores.

    Essa primeira experiência de ocupação/valorização do território luso-americano teve um desdobramento importante: a fixação de pessoas em São Vicente e a interiorização, dando origem a SP e, mais tarde, à expansão no rumo de Sorocaba e daí para os sertões de MG.

    Nessa época, São Vicente também era o porto por onde circulavam pessoas e bens, cujas origens/destinos remetiam para o que depois ficou conhecido como América hispânica. Isso, antes da navegação pelo Rio da Prata.

    A posterior implantação da indústria canavieira, depois de ser devidamente testada na ilha da Madeira, teve forte participação de investidores holandeses, que em Amsterdam refinavam os “pães de açúcar” e cuidavam da distribuição no mercado europeu. Não sei dizer se os financiadores também controlavam essa distribuição. Mas sei que os capitais holandeses foram fundamentais para o sucesso lusitano no século XV, na tentativa de romper o monopólio italiano de comércio no mediterrâneo, abrindo uma nova rota para o Oriente (até a expansão marítima, a história do ocidente é marcadamente circunscrita ao Mediterrâneo). A lucratividade desse empreendimento de comércio marítimo foi muito alta. A expressão “negócio da China” surgiu nessa época. Uns tinham a grana e outros a alta competência em navegação no Atlântico, primeiro ao norte e depois ao sul.

    Uma curiosidade: sabe a origem da palavra “juros”? Não existindo a institucionalidade que hoje garante os contratos entre os agentes, os títulos/contratos dos empréstimos tomados pela Coroa junto aos holandeses eram garantidos pelo rei. Daí os “papeis” conhecidos como “os juros do rei”. Esse documento começava com uma fórmula mais ou menos assim: “Eu, rei de Portugal, juro que pagarei o combinado…”. Ou seja, o rei português cristão “jurava por Deus” que honraria os contratos e que pagaria aos investidores cristãos um percentual sobre o montante contratado.

    No meu entendimento, a historiografia que melhor deu conta ao explicar o período é até hoje a marxista. Mas, bem entendido, a de Caio Prado Jr (o sentido da colonização), no Formação do Brasil Contemporâneo, e Fernando Novais, no Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial.

    Posso estar errado na generalização, mas nos cursos de economia a história do Brasil começa no pós-30, com ênfase no estruturalismo cepalino e o gira-gira em torno da questão da “substituição das importações”. Não se estuda aquele que foi o maior empreendimento da modernidade europeia: a implantação da indústria canavieira.

    O sistema de fábrica, tal como a historiografia consagrou como o modelo, é o do século XIX. Então, o que aconteceu no Brasil alguns séculos antes não cabe no consagrado conceito “sistema de fábrica”, Logo, não foi “sistema de fábrica”. Será?

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