Marketing, Economia, Psicologia Evolutiva e os bárbaros humanos
“Nós, psicólogos, pensávamos que os economistas gostariam de ouvir sobre nossos experimentos envolvendo preferências, para que pudessem desenvolver modelos do comportamento econômico humano mais exatos e sofisticados. Como estávamos enganados! Ficou claro que os economistas ainda seguiam uma doutrina de ‘preferências reveladas’, que sustenta que os gostos dos consumidores são abstrações psicológicas – estados ocultos e hipotéticos que não podem ser medidos ou explicados, a não ser pelas compras que causam. (…) Em suma, a doutrina das preferências reveladas sugere que a psicologia é irrelevante para a economia. (Isso foi antes de o psicólogo Daniel Kahneman receber o Nobel em economia por seu trabalho sobre decisões e preferências, em 2002.) Assim, pouco a pouco, os economistas foram embora da conferência, deixando que os psicólogos cuidassem de nossos egos feridos, na companhia de um pessoal de aspecto estranho que nunca havíamos visto antes.
Esse pessoal não era como os acadêmicos da conferência. (…) Eram marqueteiros e estavam ávidos por psicologia. Eles realmente se importavam com as preferências das pessoas – de onde elas vinham, como trabalhavam e como tirar proveito delas”. [Darwin vai às compras - Geoffrey Miller, 2012, p.54-5]
Claro que há aí muito o que pensar sobre os modelos de decisão dos consumidores. Primeiro, que o “pluralismo” dos brasileiros, que só incluem a sociologia e a doutrinação partidária faliu. Também faliu o isolacionismo de economistas que se esqueceram do simples fato de que após a divisão do trabalho vêm os ganhos com a troca (uma lição já reforçada por McCloskey, em algum de seus textos).
Ironicamente, os marqueteiros revelaram suas preferências ao autor (que parece não ter percebido esta deliciosa ironia, diga-se de passagem).
Quem quer que leia o trecho acima deveria pensar nos estudos de Bryan Caplan sobre a irracionalidade racional e temas correlatos. Ou nos de Akerlof sobre dissonância cognitiva. Kahneman está além de meu conhecimento, embora eu faça uma vaga idéia do que ele diga.
Isso tudo me faz pensar que os ganhos com a troca que temos – e os relevantes – ainda são com (não necessariamente nesta ordem): 1. História, 2. Psicologia Evolutiva, 3. Computação, 4. Neurociências, 5. Estatística.
Não vejo muita relevância na Sociologia, tal como se ensina em grande parte das escolas: uma surrada discussão sobre o mau (Durkheim), o belo (Marx) e o feio (Weber). Isso é quase um “tomismo”, no sentido vulgar do termo. Uma exceção é o que fazem meus amigos Adriano e Diogo Costa, claro. Mas eles são poucos em meio a uma massa de ignorância.
Claro, talvez a História seja mais um terreno de coleta de amostras do que uma fonte de teorias sobre o comportamento humano, mas deixo em aberto. Finalmente, e sem perder muito tempo, não ignoremos a Biologia e os estudos sobre a saúde humana e a minha querida antropometria (em sua versão mais interessante: a antropometria histórica).
Quem sabe outro dia voltamos a este papo?
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Claudio,
As áreas de organizational theory e network analysis em sociologia são interessantes, tem muita estatística e podem ser relevantes para economia. Na literatura de organizational theory tem muita coisa de economia, como discussões de make or buy etc. e, inclusive, o Oliver Williamson é considerado um autor importante na área, assim como o Simon.