dezembro 2011


O Cristiano Costa deveria criar uma nova categoria para sua “mantegada semanal”. A notícia sobre como o governo quer que o Exército brasileiro tenha mais custos não comprando fardas mais baratas feitas na China (ao invés de, por exemplo, promover uma simples reforma tributária que vem sendo adiada há anos…) tem uma pérola ímpar:

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), as fardas não são importadas pelo Exército, e sim por empresas nacionais que vencem as licitações governamentais e contratam fabricantes chineses.

“A margem de 8% não vai resolver o problema, mas entendemos que é um sinal positivo do interesse do governo em apoiar a produção e a inovação tecnológica do setor”, afirmou o diretor superintendente da Abit, Fernando Pimentel.

Segundo ele, a lei de licitação em vigor permite que as importações continuem. “Na China, o exército é proibido por lei de utilizar farda estrangeira”, disse Pimentel. “Um mecanismo de reciprocidade poderia acabar de vez com o uso de uniformes estrangeiros pelos soldados brasileiros”.

Espere um pouco! A moda agora é “reciprocidade”? Vamos usar a “reciprocidade” para fazer comércio com os países? Bem, em Israel, um ex-presidente foi preso. Poderíamos fazer comércio com este país usando o critério da reciprocidade, prendendo ex-presidentes ladrões. Ou podemos torturar nossos dissidentes, para mostrar nossa boa vontade “recíproca” com o queridinho do Itamaraty: o governo sírio.

Se “reciprocidade” é critério para comércio externo, parece-me que é um critério que só ganha destaque quando uma parte do comércio externo incomoda certos grupos: as importações.

Os empresários que se locupletam com esta história de “reciprocidade” deveriam viver em uma economia fossilizada com tributos mais altos. Afinal, a recíproca de seus privilégios é a existência de privilégios para todos e, como até um bebê sabe, privilégios econômicos só são mantidos com impostos.

Sensacional exemplo do clássico modelo de Hotelling usando pôsteres de cinema.

UPDATE: veja todos os exemplos aqui.

Olha aí, de novo, o falecido otimista Julian Simon se fazendo ouvir.

Peguei a dica do SB (Selva Brasilis) e realmente vale a leitura do artigo do Toledo, bem como o vídeo da matéria do JN no link fornecido por ele.

Quer argumentar tecnicamente? Então é necessário um pouco mais de rigor. Nada contra lobbies, mas a qualidade dos argumentos deve ser sempre a melhor possível.

Ou Mantegada semanal? Mansueto dá o tom.

Outro bom momento R do dia, bem didático, sobre o teste ADF.

Tema muito querido deste blogueiro – que lhe anda meio distante – o tamanho ótimo de municípios, localidades ou distritos ainda está na moda, como se percebe aqui.

Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Mas se quem manda é burro, então todos se danam.

Em outras palavras, há pelo menos dois equilíbrios possíveis: um de burrice gerando desastres e outro de inteligência gerando virtudes. Digo “pelo menos” porque sempre pode haver uma distribuição de burrice (estocástica) e os resultados vão do mais absoluto mundo Dilbert até o mais absoluto mundo perfeito.

Sei que a humanidade está entre as duas pontas extremas, mas não deixa de ser engraçado pensar que o jogo pode ser dinâmico: se alguém burro contrata outro alguém burro para mandar em alguém que não é burro, mas que obedece (porque tem juízo), então vale a piada Dilbertiana de que o presidente da empresa seria o mais idiota de todos (a piada começa com o carinha do RH – Relações Homo…digo, Humanas, dizendo que “deve-se contratar sempre alguém mais inteligente do que você”).

Não deixa de ser um ditado popular engraçado. Tem lá sua verdade, seu apelo coronelista e anti-criativo, sua faceta realista (caso você seja um empregado) e, pelo visto, pode revelar mais sobre o que a gente pensava.

p.s. a ex-aluna Natália, atualmente mestranda (ui, ui, ui…dançou!) em Economia trocou umas idéias comigo sobre isto outro dia. Não sei porque ela não tem um blog.

Queria ser enfermeiro, não gostou da nota e agrediu a professora.

Em breve, estará na cadeia.

A revista da LACEA chegou. Tenho que ler, mas a vida…

O final do ano está chegando. Há duas contagens regressivas: uma para o próximo ano e outra para a queda do próximo ministro da equipe armada pela presidenta Dilma.

p.s. cuidado, pessoal. É nesta época do ano que o Mantega promete não aumentar impostos e, no dia 02 ou 03 de janeiro do ano seguinte ele me vem com uma “eu disse que não ia aumentar nos últimos dias do ano passado”. Como é que o Cristiano Costa não comentou esta antiga mantegada até hoje?? Cristiano, cadê você?

…este blog fica meio paradão, não é mesmo?

Tenho que elogiar o site novo da editora Blücher. Da outra vez que estive lá, eles sequer te enviavam um comprovante de compra – e me queixei disso, acho que aqui, no blog . Desta vez, comprei a 2a edição revista e ampliada do livro do Morettin (Econometria Financeira) e o site está todo remodelado.

Além da resposta automática, o cadastro, é perfeito: ele permite que você cadastre seu lattes lá. Por que esta opção é ótima? Quase todas as editoras de livros técnicos são péssimas em cadastrar professores. Você é obrigado a se cadastrar várias vezes ao ano (parece que os representantes não conversam com a editora e nem os da editora falam entre si, ou com seu próprio sistema). Claro, além de se dizerem interessados em livros universitários, jamais checam seu currículo lattes, o que é muito estranho. A editora Blücher ganhou pontos comigo.

Sim, recomendo a compra da 2a edição do livro do prof. Morettin. Quanto ao livro, especificamente, senti falta de um maior detalhamento sobre as mudanças feitas, o que dificulta a comparação das edições. De qualquer forma, a folheada inicial me deixou com vontade de ler mais (mas estou com hordas de livros na fila…).

Outro dia eu falava em sala sobre a idéia de que alguma agência da UE intervisse em governos irresponsáveis como o da Grécia. Uma aluna contestou: “mas o povo da Grécia não vai aceitar isso”. É verdade que as pessoas pensem nisto como uma perda de soberania mas também é verdade que ninguém vê exatamente o mesmo quando um governo adota um regime de câmbio fixo. O resultado é o mesmo: a política monetária do país se transforma em uma adoção da política monetária da moeda com a qual o câmbio foi fixado.

Sendo assim, por que as pessoas relutam em aceitar uma intervenção na esfera política? Os burocratas gregos mentiram por anos ao seu povo e à UE. Por que este “surto” de nacionalismo?

Bem, não sei a resposta, mas vejo que o prof. Pastore e sua colega Pinotti, hoje, no Estadão, discutem o mesmo espírito da proposta.

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