agosto 2011


…aproveitaram-se disso? No mínimo uns milhões…

A moral é bem simples: a discriminação não é boa ou má em si, mas apenas uma estratégia que, aliás, é ótima para o consumidor (no caso o estudante) pois o conjunto orçamentário dele ficou maior, certo?

Lá no RS, berço de muitos radicais bolivarianos, o pessoal gosta tanto de Estado metendo sua vara interventora em tudo que é buraco nas interpretações jurídicas que, vejam só, resolveram – num ato inédito de anti-bairrismo deles mesmos – processar um cantor que criticou o aumento de salário dos deputados estaduais…gaúchos!

Eu já vi gaúcho chamar carioca de “você do norte”, já li xingamentos racistas em portas de banheiros de universidades, já vi até críticas ao paulista porque, segundo alguns gaúchos, paulista veste de caipira em festa junina para zombar do gaúcho.

Claro, conheci gaúchos com a cabeça no lugar também. Provavelmente meus amigos de lá devem estar bem chateados com tanta intervenção estatal.

Legal ver que alguns(?) políticos gaúchos demonstram uma velada afinidade com o modo Castro-Chavista de governar: assim a gente tem mais material para fazer piada de gaúcho (sorry, gaúcho´s friends of mine…).

O nosso amigo Pedro (procure pelo blog Homo Econometricum) colocou lá no Google Plus esta genial dica.

Dado o que Mansueto relatou, o que mais me impressionou foi o trecho nacional-socialista (afinal, o PT é um partido socialista, senão comunista e, pelo visto, agora é “nacional”) abaixo.

As palavras que mais se ouviu na divulgação do plano não foram inovação, produtividade ou incentivos à pesquisa, mas sim “concorrência desleal”,  “crise no mercado mundial”, “concorrência predatória”, “guerra cambial”, e que “o mercado brasileiro deve ser usufruído pela indústria brasileira e não pelos aventureiros que vêm de fora”. A propósito, quem são esses aventureiros que vêm de fora? Me parece que a preocupação com a politica industria foi muito mais com  “proteção”  do que com inovação, apesar de ter notado há pouco que há linhas novas de fomento à inovação — algo que foi pouco destacado na divulgação do plano Brasil Maior.

Uma pergunta para todos. Quem são os “aventureiros que vêm de fora?

a) A família Rousseff

b) Os imigrantes portugueses

c) Os imigrantes chineses

d) Os imigrantes polacos, alemães e italianos

e) A famiglia Mantega

f) _____ (preencha aqui com o sobrenome não-indígena que quiser).

UnB, reitores e tudo o que você nunca imaginou ver em um “templo do saber”. Lamentável, não?

Aqui.

Frase do dia:

I’m a bibliophile, so I buy tons of books, which creates problems for my house—there are stacks of books all over. But it allows me to economize on time, since I don’t have to spend time at libraries!

Álguem no mundo me entende!

Sabedoria do dia:

Is there any one economic thinker that all public economists should read?

There were people who never lost sight of society at large. Both Keynes and Milton Friedman based their economic views on their direct observations. Now we have reached the stage where it is believed that, if something doesn’t work in theory, why should we pay attention to the practical side? I have always tried to tie my economics less to the technical papers I read, and more to my own direct observations. Not to say that one should exclude the other, but both should be important. I think that macroeconomics should still come more from what you see when you look around you than from purely theoretical papers.

Hurrah!

Manchetes alternativas.

Outro dia falávamos da cobertura da imprensa internacional (e do que chamaríamos de “imprensa” aqui na selva) sobre os problemas orçamentários norte-americanos. Em um determinado momento, os republicanos mandaram um plano para o senado, de maioria democrata, que o rejeitou. Silência na imprensa.

Quando os republicanos entraram na retranca, a imprensa não perdeu tempo em demonizar o “Tea Party” e, claro, qualquer republicano.

E depois me falam da Fox…

Aqui, é manchete quando um político diz que vai pedir satisfações a colegas acusados de corrupção. Lá, quando é para questionar, questiona-se.

Algumas vezes eu penso se este estereótipo de “machão” latino-americano é, de fato, latino-americano.

É muito viés ideológico pretender que apenas republicanos têm uma ideologia. Será que quem pegou em armas nos anos 60 contra a ditadura militar era apenas um oportunista? Começo a desconfiar, após ler isto, que sim.

A(s) mantegada(s) de hoje vai(vão) para as risadas, contradições e indecisões. Veja o trecho abaixo da entrevista do ministro.

1. Tem ou não tem? E quem causa o quê, exatamente?

Repórter:  A presidente Dilma tinha dito que a intenção era não mexer no câmbio devido a dificuldade de convergir a inflação para a meta. O que mudou?
Ministro: As medidas que nós tomamos não têm impacto na inflação. O quadro se agravou. Tem gente vendendo títulos dos EUA e buscando alternativas de aplicação.

Repórter: Por que não tem impacto na inflação?

Ministro: O câmbio tem um impacto relativo na inflação. Ele tem colaborado muito com a inflação, pois tem caído. Mas não precisa colaborar tanto assim (risos)! O dólar a R$ 1,20 ia colaborar tremendamente, mas aí acabava com a indústria brasileira.

2. A BM&F está segura ou pior por conta das medidas do governo?

Repórter: O mercado está engessado com os superpoderes do Conselho Monetário?
Ministro: Não estamos engessando o mercado brasileiro, que é um dos mais dinâmicos e por isso tem também muita atratividade. A BM&F é segura, a Cetip é segura, o mercado brasileiro é muito atrativo porque ele é seguro e permite rentabilidade. Engessar, de jeito nenhum. Só aumentamos a segurança. Até poderia dizer que, no futuro, isso vai atrair mais capital, mas o sadio, que se sentirá mais protegido.

3. Competitividade? Com o incentivo a formação de grandes “grupos”?

O resumo da reportagem:  O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirma que o governo não vai manipular o câmbio para combater a inflação e que a estratégia é garantir competitividade da indústria nacional. Em entrevista à Agência Estado, na última quinta-feira, ele defendeu as medidas que dão superpoderes ao Conselho Monetário Nacional (CMN) para conter a especulação financeira e a valorização do real.

4. Esqueçam o que eu disse?

Repórter: Se for preciso conter ainda mais a demanda, a Fazenda apoia?

Ministro: Se tiver algum repique inflacionário, tomaremos medidas adicionais para reduzir o nível de consumo. Podem ficar tranquilos.

Em Mantega (1979), in Mantega & Moraes (1979, p.102), sobre “medidas para reduzir o nível de consumo” e também ilustrando a “preocupação” com a indústria brasileira…

“Para estabilizar a dominação capitalista os ‘empresários-de-vanguarda’ sabem que é preciso dotá-lo de maior legitimidade, o que significa engajar boa parte da população em um projeto de desenvolvimento que, pelo menos na superfície, vise o bem-estar social. Naturalmente, isso vai implicar em algumas concessões, como a supressão de métodos mais drásticos ou traumáticos de apropriação de sobre-trabalho (fim do arrocho salarial) (…). [Mantega, G. & Moraes, M. "Acumulação Monopolista e Crise no Brasil", Paz & Terra, 1979, p.102]

Ok, os tempos mudam e, como disse a esquerda sobre FHC, ele “esqueceu o que disse” (ou não?).

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