março 2011


Para quem não conhece, eis outra sugestão de blog: o blog do Nepom.

Finalmente o povo da The Economist sai do período de deslumbramento com o Brasil e começa a fazer análises mais realistas sobre os nossos problemas.

Aparentemente, uns 23 mortos, até agora. Mais sobre a tragédia aqui. O antigo – e até então o pior – terremoto da história japonesa foi este.

Não preciso dizer que se o Brasil tivesse uma infra-estrutura realmente “social”, as desgraças das chuvas de Janeiro teriam sido menores. Poderíamos gastar menos com “restos a pagar” e mais com obras que realmente importam…para a população, claro.

O Erik é mais eficiente que muita ONG ao nos mostrar que os incentivos na selva são exatamente o oposto dos que geram desenvolvimento.

Humor galináceo.

Vou dar uma divulgada no VoxLacea para meus um leitor +- 2 desvios-padrões: eis um resumo de artigo que vem, inacreditavelmente, sem o link para o mesmo. Na verdade, os autores falam de vários artigos (que, ainda assim, não estão com os links lá). Tirando esta falta de referência para a leitura, o tema parece ser bem interessante: a relação entre política monetária e setor bancário no Brasil, com ênfase no último.

Como falei, sem os links fica difícil aprofundar na discussão do tema. Mas vale aí citação ao VoxLacea.

 

…aplaudam!

Este artigo, reproduzido pelo PRA, não poderia ser mais perfeito. Foi ao ponto. Conclusão: a administração Rousseff parece não ter aprendido ainda a se desfazer da herança maldita dos desastrados oito anos anteriores.

Assim anuncia o Estadão: “Hillary pede para Kadafi acabar com violência na Líbia”.

Alguém duvida que Kadafi não faça isto se o deixarem livre, leve e solto? Uma coisa é pedir para acabar com a violência, outra, bem diferente, é dizer como fazer isto. Humor negro de quinta-feira para vocês…

Recentemente falecido, Peter Kennedy é autor do maior “quebra-galhos” para o praticante de econometria. Ao longo dos anos, o seu livro ganhou massa e ficou gigantesco. Não recebi ainda o meu (dados os frequentes erros de tradução que vejo por aí e o valor da taxa de câmbio, optei por comprá-lo em inglês).

Eu, claro, recomendo o livro. Outro dia, lendo um artigo dele com John Elder no Journal of Economic Education (todo professor de economia deveria ler este journal) sobre raízes unitárias, descobri um modo mais simples de ensinar o tema, dentre outras.

Gente assim, como Peter Kennedy, faz falta na academia.

Tudo que existe pode ser modificado, claro. Mas para pior ou para melhor. O ponto é que o BCB discute a possibilidade de incluir mais agentes (que fazem previsões) em sua pesquisa.

Será que é uma boa idéia?

Problema potencial: tal como o antigo Conselho Monetário Nacional (CMN), tal prática poderia gerar um comportamento indesejado por parte de alguns agentes econômicos que pretendem influenciar na política monetária. Ok, este é um ponto preliminar, mas o que será que os dois leitores (notem a sobreestimação) pensam sobre o assunto?

Eis o tema para discussão do dia.

p.s. Além disso, como o BCB não é legalmente independente, você confiaria nele? Pergunto porque o governo brasileiro, desde a administração Silva e, agora, na administração Rousseff, insiste em usar algo que, educadamente, é conhecido como “contabilidade criativa”.

…fizesse o que faz o governo sul-coreano com os descendentes da era colonial japonesa (e olha que estou falando de coreanos…), quantos descendentes de escravos e de escravagistas perderiam dinheiro? E, pior ainda, os descendentes de ambos (praticamente, estimo informalmente, uns 95% da população brasileira)?

Leis retroativas não deveriam ser aprovadas como quaisquer outras leis, creio.

Mas é o que ele faz com uma frequência inacreditável.

Quem eram mesmo os defensores do “controle social da mídia”? Eu não me lembro, mas o governo da Líbia, tradicional xodó (meio que pouco divulgado) da esquerda brasileira tem mostrado como levar tal controle às últimas consquências, conforme o desejo desta patota. Veja aqui e aqui.

Como é mesmo a história? “A vontade de uma minoria não pode se sobrepor à vontade do partidão”, ou algo assim.

Um maravilhoso texto didático e, para a época, extremamente inovador e importante. Refiro-me ao “O insucesso do Plano Cruzado: a evidência empírica da inflação 100% inercial para o Brasil”, publicado no Plano Cruzado: Inércia x Inépcia, lá pelos idos dos anos 80, pela Editora Globo.

O livro deve estar esgotado, mas o texto, para quem começa o estudo de modelos ARIMA, é genial. Graças, claro, ao Fernando Holanda Barbosa e ao Pedro L. Valls Pereira.

Se eu fosse você, leitor, compraria este livro em um sebo (como eu o fiz) ou tentaria arrumar uma cópia do capítulo.

UPDATE: Graças à visita inesperada do prof. Valls Pereira, tenho que esclarecer: a modelagem do artigo, inicialmente, é ARIMA porque se busca entender o problema da inflação inercial. Depois, como disse o professor, vem a parte da estimação e, nela, são utilizados modelos de parâmetros variáveis.

UPDATE2: Ei, quantas vezes um Pedro Valls vai a um blog? Talvez eu deva usar um passeio aleatório, mas que é muita honra, é.

Este comentário do Coronel foi ao(s) ponto(s).

…e a esquerda mundial ainda não conseguiu dizer para todos o que via de bonito no Kadafi além do discurso anti-estadunidense (e ocidental, de modo geral).

Uma forma é esta.

Vou copiar na íntegra:

O Novo Dia do Economista – 9 de Março

Entra ano, sai ano, a mesma coisa acontece: eu esqueço a comemoração do dia economista. Não do economista com carteirinha do corecon, mas do economista de verdade. Aí vai o post de 2004:

O Novo Dia do Economista

No blog economiaeverywhere, chegamos à conclusão que comemorar o dia do economista em 13 de Agosto não está muito de acordo com a nossa profissão. Afinal, essa foi apenas a data que a profissão foi regulamentada no Brasil.

Surgiu, então, a idéia de uma outra data: 9 de Março. Foi nesse dia, em 1776, que saiu a primeira edição da Riqueza das Nações do Adam Smith.

Eu não sei vocês, mas, a partir de agora, eu vou comemorar a data em março. O cardápio do jantar de comemoração será fruto do interesse próprio e não da benevolência: sanduíches de pernil e cerveja na hora do jantar

Portanto, pessoal, e como me lembrou o Guilhermão hoje, hoje é o verdadeiro dia do economista. Parabéns a todos!

Quem é desonesto com o dinheiro público: (a) aquele que não declara IR, (b) aquele que mascara as contas fiscais, ou (c) ambos.

Se você respondeu (c), então me responda: qual a punição para cada um deles? Quem vai se ver com o juiz?

Após esta pergunta, responda: isto acontece a partir de quando, no Brasil?

Depois: por que a sociedade não faz nada? É tanto rabo preso assim ou é só um comportamento selvagem, primitivo, pré-civilizatório? Ou há algum protesto com efeito prático (não apenas uma “tuitada” nervosa)? Se há, onde está(estão)?

p.s. ao contrário de certos exames públicos nos quais as respostas são ideológicas, você pode responder como quiser. Não há gabarito.

O VoxEu já era uma beleza. Vejamos o que o VoxLacea consegue fazer em termos de divulgação de pesquisas, de forma didática e inteligente. O portal é promissor.

Belo momento R do dia.

A Câmara se sente à vontade para desrespeitar seus impostos. Belo início para a administração Rousseff e seus aliados. Digo, “belo”…

Irineu dá uma lição aos “desenvolvimentistas” (= “não gostam de metas de inflação porque….sei lá, meu”) com este working paper sobre o desempenho dos países que adotam metas no período crise e pós-crise.

Note que as commodities têm um efeito estatisticamente não-significativo no artigo, mas em uma especificação sem controles. Como é um artigo preliminar, segundo o Irineu, comentários são bem-vindos (o leitor, portanto, é convidado a comentar lá no blog dele).

De qualquer forma, é mais uma evidência de que metas de inflação não deveriam ser irresponsavelmente criticadas: elas aumentam o bem-estar do país. Claro, pode-se discutir se há um sistema melhor (para os que gostam: metas do nível de preços), mas isto é outra história. Trata-se apenas de discutir qual a melhor forma de combater a inflação. Não confunda com o argumento (sic) “desenvolvimentista” que prega o não-desenvolvimento…

…partindo de uma premissa simples? Só mesmo Shleifer. O relato está aqui e a dica foi do Tim Harford.

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