março 2011


Este pequeno texto está ótimo. Leia-o com calma e veja o que é um governo legítimo.

Quando o governo brasileiro se abstém de uma votação destas com uma posição tucana, começo a pensar em como o partido da presidenta deixou que o pragmatismo pela conquista do poder tenha gerado até coronéis que proíbem os militantes de protestar contra um presidente estrangeiro. Coronéis de esquerda é um termo que alguns (s)ociólogos (thanks, Gaspari) temem estudar porque podem perder fundos de pesquisa, cargos de confiança, etc.

O que mais um partido único – sonho dos socialistas – pode fazer com as pessoas, heim? Com a palavra, os alcaides dos coronéis (mas fiquem calados, que é melhor não falar do que dizer barbaridades como certos ministros…).

Conheça o conceito de “mottainai”.

…eles reclamam, reclamam, quando o caminhão parte. Mas depois de um tempo, eles se aquietam.

Se tiver uma metáfora menos suína, eu sou todo ouvidos…

…que não se pode fazer comparações apressadas e tal. Mas a lentidão da OTAN em decidir qualquer coisa sobre a Líbia mostra que não é o governo japonês que é “culturalmente” lento. Talvez sejam os governos e seus problemas…

De certa forma, Mishima resumiu bem o que passaria pela minha cabeça se eu estivesse no lugar dos funcionários da Tepco que estão trabalhando na usina nuclear há dias.

Quando fazemos o nosso trabalho pensando que podemos morrer hoje, não podemos deixar de sentir que nossa tarefa se torna, de repente, radiosa de vida e de significado. [Mishima, Yukio. O Hagakure, Editora Rocco, 1987] p.35

Para homenagear o inevitável sacrifício deste pessoal – que talvez nunca tenha imaginado que um dia encarariam este gigantesco problema – um vídeo que somente será entendido por fãs ou gente da minha idade e, quem sabe, por alguém mais…

Alguns nipo-brasileiros criticaram a infeliz declaração de um ministro brasileiro. Em outras palavras, o sujeito pisou na bola. O argumento é: “a crise no Japão é boa para o Brasil”.

Por que isto está errado? Por vários motivos. Primeiro, o crescimento do Japão, após a superação desta crise, na melhor das hipóteses trará o Japão de volta ao mesmo patamar atual. Logo, o que perdemos de exportações agora, ganhamos no futuro. O ministro ignora problemas intertemporais básicos.

Segundo, a recuperação do Japão hoje, certamente será diferente daquela do pós-guerra. Menos mão-de-obra, tecnologia completamente diferente, mundo mais globalizado (para ficar só em três variáveis). Assim, é preciso se perguntar em como será esta recuperação. A verdade é que ninguém sabe.

Terceiro, se o ministro está correto, uma explosão atômica em Cuba, Venezuela e Bolívia também deve melhorar nossa economia. Por que ele não defende este argumento?

Por falar em “controle social da mídia”…

Ontem, o especialista em energia nuclear, o ministro Lobão do governo de esquerda da administração Rousseff tentava nos dizer, na TV, que as usinas brasileiras eram mais seguras do que as japonesas. Já hoje, a notícia mostra que a eficiente burocracia brasileira lentamente parece se dar conta de que o buraco é mais embaixo.

No mesmo Brasil, mais um “articulista” da esquerda brasileira, em artigo (que não merece link) na tal “Carta Grandona”, consegue culpar a humanidade, os bancos, etc pela crise nuclear japonesa. Procurem lá, sob o curioso título: Tragédias naturais expõem perda da noção de limite. Esse não merece link aqui e os leitores que também querem voltar à agradável vida das cavernas ou no campo, cheio de animais saltitantes e de olhos grandes – no que um antigo filósofo de esquerda pop em BH chamaria de “modernismo reacionário” – podem facilmente encontrar o artigo por meio do google.

Engraçado como a esquerda sempre se esquece de como a ex-URSS destruiu a natureza em proporções alarmantes, sem falar de Chernobyl, fazendo uso do discurso da mesma esquerda. Isto, claro, ninguém da esquerda quer lembrar. É o eterno “dois pesos, duas medidas” desta galera. Uma pena.

Claro, se este pessoal realmente tem preocupação com seres humanos (mais do que com baleias ou pés de alface, não, obviamente, excluindo-os de nossas preocupações ambientais), eles são bem-vindos a humanitária tarefa de enviar algum auxílio aos que perderam tudo e enfrentam a neve lá no Japão. Não precisa nem enviar dinheiro, basta uma velinha acesa. Nem precisa acreditar em Deus, ok?

p.s. ah sim, a cidade natal do Martin, São Lourenço do Sul, para este pessoal, também deve representar algum tipo de depredação da natureza pelo capitalismo selvagem. Mas é mais fácil escrever do que ir lá, em meio aos destroços, para defender esta idéia para quem mora em um casebre…

Eis minha solidariedade com o Martin. Sigam a recomendação do Leo e chequem a página que o Martin fez.

O imperador Akihito fala à nação neste vídeo (uma versão mais leve aqui). Mais sobre o pronunciamento aqui. A contabilidade governamental nos dá 10 mil mortos e 25 mil resgatados, segundo esta notícia. Entretando, as estimativas de mortos elevaram-se para 11 mil.

Já o BOJ continua aumentando a liquidez, cumprindo um papel importante neste momento.

Outro exemplo de como o mercado oferta bens públicos mais eficiente do que o governo, em muitos casos: o Procon e as redes sociais.

E ainda querem controlar a internet (o mesmo pessoal do “controle social da mídia”). Quem ganha com isso?

Meu amigo Guilherme Hamdan (“Randômico”, em português, segundo minha autorizada tradução) sempre arrepia quando ouve falar de “cultura” (cultura, cultura, cultura, cultura, cultura, cultura, cultura, cultura, cultura, cultura, cultura, cultura). Não vou mentir, como economista também sempre achei muito simplista e fácil jogar a culpa em algo que não se define.

Por isso, eu não sei se concordo 100% com o Mr.X (um blog interessante, vale dizer), mas o fato é que se definirmos “cultura” de uma forma científica (há várias formas), como alguns teóricos de Jogos e outros de Desenvolvimento Econômico o fazem, então a resposta pode ser que a cultura pode ser importante, como o mostra Easterly.

Aliás, eu, Ari e Pedro recentemente publicamos um artigo sobre o tema. Não é um artigo definitivo, obviamente, mas o leitor interessado pode começar seus estudos pela bibliografia do mesmo. Ao ler o nosso artigo, o leitor perceberá rapidamente que “cultura”, para nós, tem uma definição muito específica, compatível com o que muitos bons sociólogos (sim, eles existem, mas são raros na selva) e economistas de peso (como Guido Tabellini) usam em seus trabalhos.

Fica aí o convite ao estudo desta pergunta simples: por que não se vê saques no Japão de hoje, ao contrário do Japão pós-guerra, no qual haviam roubos, pivetes, etc?

UPDATE: só para apimentar a discussão… e parabenizar o empresário nipo-brasileiro que gerou um belo bem público.

É muito bom ouvir que o sudeste asiático, eterno palco de guerras e barbaridades, também tem um pouco de humanidade. Agora, este pessoal sem noção no Twitter, citado no mesmo link, realmente, me lembra que o ser humano é o ser humano. Enfim, agora é reconstruir!

Está chegando o dia, pessoal. Para quem não viu, eis os detalhes. Espero vê-lo na FEA/USP!

Programa do Encontro

Abertura (13:30)

Carlos Eduardo Gonçalves , Cláudio D. Shikida, Cristiano M. Costa

Painel Temático I (13:40)

O Papel dos Blogs no Debate sobre Política Econômica
Carlos Eduardo Gonçalves, Alexandre Schwartsman, Felipe Salto
Vídeo: Adolfo Sachsida

Coffee-Break (15:00)

 

Painel Temático II (15:10)

A Blogosfera e o Jornalismo Econômico: Complementares ou Substitutos?
Cristiano M. Costa, Leonardo Monasterio, Silvio Crespo, Thais Herédia
Vídeo: Rodrigo Constantino

Coffee-Break (16:20)

 

Instituto Millenium (16:35)

Painel Temático III (16:50)

Os Blogs na Sala de Aula:  A Disseminação do Conhecimento
Cláudio D. Shikida, Ronald Hillbrecht, Márcio Laurini, Mauro Rodrigues
Vídeo: Roseli Silva

Encerramento (18:00)

Carlos Eduardo Gonçalves , Cláudio D. Shikida, Cristiano M. Costa

 

A idéia surgiu com o Cristiano Costa – um dos melhores blogueiros de economia – e conta com meu total apoio. Se você está em São Paulo, não perca este evento. Mais detalhes no site de inscrições. Clique no cartaz oficial abaixo para ser redirecionado ao mesmo.

Ah sim, se você gostou da idéia, adote nosso logo. Pessoalmente, achei-o muito simpático.

Este é o espírito. O vovô mandou bem!

Credibilidade do  Banco Central do Brasil sofre primeiro abalo. A matéria é de dar medo. Se o Banco Central realmente perdeu transparência na administração Rousseff, então a inflação pode sair de controle. Tomara que haja tempo de o BCB mostrar que ainda é o mesmo dos últimos anos.

Por que a significância estatística de um parâmetro estimado nem sempre é sinônimo de boa ou má previsão em modelos ARIMA? Resposta simples aqui.

O pessoal da assessoria econômica do Senado está de parabéns! Nem todo funcionário público é igual ao estereótipo. Vejam que excelente trabalho é este blog. Recomendo que todos os interessados em Economia Brasileira o coloquem em seus “favoritos”.

Dica da Made in Japan.


Gente que usa o serviço do Google para achar parentes e amigos no Japão para fazer falsos anúncios de mortes.

Não é o fim da picada?

O discurso do Primeiro-Ministro Kan (infelizmente, sem legendas). A NHK Online tem um programa initerrupto com tradução em inglês .

Para quem procura parentes, talvez a Cruz Vermelha seja uma ótima opção. UPDATE: Lembro que os que desejam assistir mais, o KeyHole TV é um programa útil. Em resumo, você pode ouvir ou assistir rádios e emissoras de TV japonesas em seu computador. Detalhes aqui. Talvez isso ajude os meus colegas descendentes nestas horas.

Do governo do Japão, vários links encontram-se aqui, alguns desatualizados, outros com novidades sobre o ocorrido, como a página da Polícia Japonesa ou da Agência Nuclear Japonesa.

O BOJ vai ativar a política monetária. Nada mais correto em um momento como este.  Cito Friedman:

We simply do not know enough to be able to recognize minor disturbances when they occur or to be able to predict either what their effects will be with any precision or what monetary policy is required to offset their effects. We do not know enough to be able to achieve stated objectives by delicate, or even fairly coarse, changes in the mix of monetary and fiscal policy. In this area particularly the best is likely to be the enemy of the good. Experience suggests that the path of wisdom is to use monetary policy explicitly to offset other disturbances only when they offer a “clear and present danger.” [Friedman, M. "The Role of Monetary Policy", 1962]

Agora é torcer para não piorar. Acabei de ouvir o discurso do primeiro-ministro Kan (Naoto Kan). Foi um dos discursos mais emocionados que já ouvi de um político japonês. Em resumo, a mensagem principal é: o Japão precisará do esforço de todos para se recuperar.

De qualquer forma, o bom foi saber que os parentes estão bem. Torço para que os seus amigos também não tenham sofrido muito com a desgraça que ainda é perigosa. Intercambistas, até o momento, parecem não estar entre as vítimas.

O blog segue com um pingo a menos de alegria.

UPDATE: Um pouco do que aconteceu antes da explosão da usina nuclear, em outros pontos do Japão, inclusive Sendai, a região mais atingida, provavelmente, pelo terremoto.

o MPF finalmente acerta o alvo: as famosas vendas casadas da CEF. Quem já fez financiamento imobiliário neste banco sabe o que é ligar para o gerente e nunca encontrá-lo, dentre outras burocracias estranhíssimas.

É, pessoal, e agora, vão continuar obrigando o pessoal a comprar cartão de crédito, seguro, etc?

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