Claro que toda análise de uma série de tempo começa por uma bela examinada do gráfico da mesma. Nada mais natural. Mas a econometria não foi feita para “confirmar” a intuição do pesquisador porque, aliás, o certo seria “não rejeitar” e, adicionalmente, só a vaidade e a pretensão fariam um pesquisador bater o pé em sua intuição a despeito do que os testes estatísticos dizem.

Eventualmente, a lupa (intuição) do mané pode até ser não rejeitada pela econometria. Mas nem sempre isso acontece. Assim como a Economia não foi criada para aceitar (não rejeitar) o que você pensa da realidade, e sim para testar sua intuição, a Econometria não foi feita para dar o aval a qualquer intuição que o sujeito veja no gráfico.

p.s. o mais fascinante é que a econometria evolui, possibilitando-nos usar novos testes contra os antigos e rever vários resultados importantes. Mas nada disso seria possível com a atitude “cabeça-de-Word” de que: “X ou Y é óbvio no gráfico”. A única coisa óbvia, em ciência, é a nossa ignorância (claro, como disse Ronald Coase, a ciência é o resultado dos interesses particulares dos cientistas e, portanto, outra coisa óbvia é a vontade de poder de certos cientistas…).