janeiro 2011
Arquivo mensal
janeiro 13, 2011
Todo final de ano a história se repete no Brasil: enchentes e desastres. E não se tente culpar algum suposto “aquecimento global”, os culpados estão aqui mesmo. Há os governos, que não conseguem, em doze meses (onze, ok?) tomar medidas para evitar as tragédias; e há os moradores, que sabem muito bem onde moram, mas não querem deixar suas casas. Claro que há a burocracia governamental que não facilita a mudança de alguém que more em terrenos irregulares (e talvez tenha a ver com o desejo eleitoral de ofertar medidas emergenciais que são divulgadas pela televisão para todos os (e)leitores).
A sazonalidade destas tragédias me parece ser um boa proxy para a medida de ineficiência do governo. Mais ainda, mostra que um governo “grande” (=”desenvolvimentista”), que incentiva a criação de cartéis e monopólios para aumentar a caixinha de campanha, digo, para “competir no mercado internacional” (o pessoal que vai ao exterior deve estar cansado de ver produtos brasileiros nas prateleiras…), que esnoba um supostamente efetivo “PAC” não consegue, há mais de 10 anos, garantir a segurança de seus cidadãos mais pobres.
No final, os governos “dizquerda” não se diferenciam muito dos governos da era militar. Governos são governos, mas por que alguns são menos ineficientes do que outros? Pense um pouco e você começará a perceber onde reside a resposta.
janeiro 13, 2011
Digo, Elio. Nesta, ele foi infeliz.
janeiro 12, 2011
janeiro 12, 2011
A leitora Luciana me sugeriu este interessante texto de outro blog, sobre as quatro, cinco ou mais gerações dos últimos anos. Será que há um crescimento exponencial do conhecimento? Acho que poucos negariam. Agora, se esta relação é linear com o perfil demográfico da população, eis aí um ponto a ser pensado.
De qualquer forma, não sei que geração é a minha. Só sei que a gente estudava muito e sonhava em ter um vídeo-cassete.
janeiro 11, 2011
Bem, de madrugada, mas vale a intenção. Desta vez, um bem didático sobre sazonalidade aplicada.
janeiro 10, 2011
janeiro 10, 2011
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Se boa parte deste pessoal estudasse seriamente economia, aprenderia mais sobre o design dos incentivos, essência de nossa profissão. Assim, não se perderiam em discussões quase circulares como as que infernizam suas vidas. Pior é que não existe solução fácil e nem geral (exceto as óbvias e de senso comum como: “incentivos importam”). Cada caso é um caso e não falo de comparações inter-empresas, mas até mesmo inter-setores de uma mesma empresa.
janeiro 10, 2011
Agora querem nos fazer crer que a culpa do atentado nos EUA é…do Tea Party. Engraçado é que aqui, no Brasil, quando há violência no campo, ninguém culpa os inflamados discursos de certos grupos de interesse. Ademais, se a esquerda crê que discursos são causas de atentados, já posso prever uma paradoxal defesa de censura por parte da mesma (que parece não pensar assim quando se fala de WikiLeaks).
janeiro 10, 2011
janeiro 9, 2011
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A Superinteressante acha que os elevados preços de alguns produtos tradeables no Brasil é fruto dos impostos elevados e também da “busca por status“.
Entretanto, acho que neste caso a oferta é muito mais importante do que a demanda. Este papo de “busca por status” não vale apenas para importados. O pobre que melhorou de vida também compra camisa de marca porque quer mais “status”. Se a matéria quer dizer que somente quem viaja para fora do país busca “status”, então ela se enganou redondamente.
Talvez o que se queira dizer é que estas pessoas estão dispostas a pagar mais por alguns produtos, o que significa que devem estar ganhando bem (o que também significa que a economia brasileira deve estar caminhando bem, pelo menos para uma parte da população) ou então não estão tão bem, mas há muita gente viajando para fora (o que, de novo, quer dizer que a economia brasileira deve estar caminhando bem, pelo menos para uma parcela maior ainda da população, embora o crescimento seja menor do que o suposto anteriormente).
De qualquer modo, os preços mais altos de alguns produtos é, sim, fruto da demanda maior e da oferta massacrada com tributos, mas alguém defenderia o direito à busca por “status” apenas para os ricos? Que os recém-chegados ao mercado tenham o direito à sua TV de 50 polegadas e também a um almoço saboroso em um restaurante melhor. De minha parte, prefiro que o governo reveja suas contas e corte impostos. Eis aí um agente econômico cuja busca de “status” raramente é condenada pelos jornalistas: o governo. Bem, nos anos 80, os jornalistas até criticavam as “obras faraônicas”, mas hoje em dia eles nem falam tanto do “Aerolula” e outras megalomanias das estatais brasileiras. Valeria a pena repensar isto, não?
janeiro 9, 2011
Excelente trecho do Relatório de Inflação do BCB.
O Copom entende que há resistências importantes à queda da inflação no Brasil. Existem mecanismos regulares e quase automáticos de reajuste, de jure e/ou de facto, que contribuem para prolongar no tempo pressões inflacionárias observadas no passado. Como se sabe, mecanismos de indexação de preços, mesmo que informais, reduzem a sensibilidade da inflação às flutuações da demanda. De modo geral, ao conter o processo de desinflação da economia, os mecanismos de indexação contribuem para elevar o “ponto de partida” da taxa de inflação em ciclos de recuperação econômica e, assim, potencializam os riscos para o cenário inflacionário prospectivo. (p.87)
Para os mais novos, indexação era a paixão de 10 entre 10 economistas pterodoxos nos anos 80. Ok, alguns reclamavam, mas quase todos achavam que a indexação era uma boa idéia, só não diziam isto com todas as letras porque quem criou a indexação foram os economistas do governo.
Infelizmente, a indexação é pouco conhecida dos brasileiros mais novos. Digo, infelizmente porque tem muito picareta dando aula de economia e elogiando a indexação sem entender o óbvio. Daí eu dizer que este trecho representa um excelente momento de “didática do BCB”.
janeiro 9, 2011
Excelente a entrevista de Affonso C. Pastore no Estadão de hoje. Confira aqui. Destaco o seguinte trecho:
As medidas do BC vão ajudar a conter a tendência de valorização do real?
A nova medida do BC reduz drasticamente a posição vendida dos bancos em dólar. Mas o maior efeito se dará no cupom cambial (juro em dólar dentro do Brasil). É equivalente a uma intervenção no mercado futuro, mas o BC opta por não seguir este caminho, e sim por medidas prudenciais. Dado seu pequeno efeito sobre a taxa no mercado à vista, isso é apenas o topo do iceberg. O governo continua desconfortável com a valorização do real, e provavelmente virão outras medidas.
Por que o real vem se valorizando?
Como no Brasil as poupanças domésticas são baixas, a alta dos investimentos requer a absorção de poupanças externas, o que se faz pelo aumento das importações. Para que essas se elevem, o câmbio tem de se valorizar (barateando as importações). O dilema que enfrentamos é simples: na ausência de poupanças domésticas suficientes, o Brasil terá de conviver com uma moeda forte para elevar os investimentos. Ou descobrimos uma forma de conviver com um real mais forte (elevando a eficiência da economia com reformas) ou temos de elevar a poupança doméstica para permitir um câmbio de equilíbrio mais desvalorizado.
Perceba, leitor, o beco sem saída que a administração da Silva deixou à nova presidenta. Bem, há uma saída, mas ela ou é dolorosa para uns, ou o é para todos. Obviamente, os “uns” (funcionários públicos) não serão tão patriotas assim na hora de apertar os cintos e a corda romperá, como de costume, do lado dos eleitores.
Mas vejamos o que acontecerá ao longo de 2011.
p.s. também é bacana fazer como o prof. Pastore e ler o Relatório Trimestral de Inflação. O último está aqui e note que a página do BCB finalmente foi atualizada e, aparentemente, parece mais user-friendly. Ah sim, o BCB, de olho no futuro, agora está no Twitter.
janeiro 9, 2011
Eu me pergunto se a legalização de incentivos financeiros na alocação de órgãos para transplantes não poderia evitar situações como esta. Basta pensar no caso do Irã. Sim, leitor, o mercado pode gerar resultados funestos. Basta que se incentive o tipo de capitalismo que existe no Brasil, no qual não se valoriza a liberdade econômica (o discurso, inclusive, é o de que todas as liberdades são boas, exceto esta), incentiva-se o rent-seeking e as práticas paroquiais, como o recente episódio (vergonhoso…) dos passaportes para parentes e amigos do ex-presidente.
É fácil evitar que os incentivos de mercado sejam distorcidos: basta vigiar os políticos. Vigiar e puni-los a cada quatro anos (ou antes, em casos excepcionais como o impeachment do ex-presidente).
janeiro 9, 2011
Tendo sido pioneiro no estudo do tema nos meados dos anos 90 no Brasil (modéstia realmente à parte porque, na era da internet, há quem se aproprie de suas palavras sem citar a fonte), gostaria de comentar a notícia sobre a possível criação do Sudão do Sul, divulgada hoje no ótimo Estadão.
Criar países/estados/municípios por meio de secessões (ou emancipações, para nossos fins, sinônimos) ou por fusões é uma forma interessante de redefinir custos e benefícios não apenas econômicos, mas também políticos. Lembre-se, leitor, que o cálculo de custo-benefício econômico nem sempre coincide com o político, pois este último nem sempre se alinha com o desejo dos eleitores (a melhor referência é Weingast, Shepsle & Johnsen, citado na bibliografia deste pequeno artigo).
O caso do Sudão do Sul é interessante, neste sentido, porque é possível que ambos os países passem a ter uma convivência pacífica se souberem explorar a divisão de trabalho proposta: oleodutos no norte, poços no sul. Se o arranjo econômico entre os dois países for tal que se considere o desejo de paz das pessoas, então será ótimo. Para que isso seja feito, claro, é necessário aumentar o custo da violência como forma de se alocar recursos e aí é que não consigo pensar de forma muito otimista.
Vejamos, primeiramente, se o ditador do Sudão (ou presidente, como queiram) respeita o resultado do referendo de hoje, caso o mesmo resulte, realmente, em vitória da proposta emancipacionista.
janeiro 9, 2011
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janeiro 9, 2011
Nesta semana eu postei sobre o prof. Fukutaro Kato (quem clicou, leu) aqui. Bem, não é que hoje o assunto “soroban” volta ao blog? Sim, porque além de encontrar uma curiosa calculadora neste post, também encontrei um excelente manual básico sobre como usar o soroban.
O bacana do soroban é que você não apenas soma ou adiciona, mas também multiplica, divide e até – esta eu nunca aprendi – tira a raiz quadrada (e outras) de números. O bom mesmo era o antigo manual do prof. Kato, que você – acredito – ainda encontra no bairro da Liberdade. Se não encontra, peça emprestado a alguém que o tenha. Nos meus bons anos de segundo grau, eu treinei um bocado no soroban. Já fiz muita conta lá. Mas como a economia exige habilidades de cálculo algébrico muito mais do que aritmético, acabei por abandonar o meu soroban que está em algum lugar em casa…
janeiro 9, 2011
Já vi muita gente tentar dar uma de esperto para cima dos outros e esta tirinha do Dilbert resume um dos argumentos mais engraçados usados no processo de “convencimento”. Tem economista que tenta usar isto de qualquer jeito. Algo como: “se você não acredita em duendes ou câmbio-de-equilíbrio, então é porque você leu e não entendeu”.
Brilhante (a tirinha, não o argumento pterodoxo).
janeiro 8, 2011
janeiro 7, 2011
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janeiro 7, 2011
Fukutaro Kato fez mais pelo ensino de matemática no Brasil do que muito pedabobo e ociólogo (thanks, Gaspari).
janeiro 7, 2011

Depois do triste incidente do assassinato de um professor universitário em BH (e da falta de manifestações mais efetivas de sindicatos, da eterna “sociedade civil organizada”, etc), talvez a solução seja usarmos uniformes como este.
janeiro 7, 2011
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janeiro 7, 2011
Os historiadores terão muito trabalho, no futuro, para avaliar as causas de tão exóticas medidas da diplomacia brasileira. E não falo do silêncio perante os atos de governos como os do Sudão ou Irã. Falo de algo mais paroquial.
Sabe, seu imposto é que sustenta este tipo de coisa.
janeiro 7, 2011
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Nada como encontrar estas coisas por aí. E um pouco de história sobre o desenho aqui e aqui.
janeiro 7, 2011
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…que aliás, têm uma quota para filmes nacionais, a nossa velha “barreira à entrada”. Entretanto, parece que, ao contrário da sequência produzida pelo, agora falecido, Yoshinobu Nishizaki, em 2009, este tem feito sucesso por lá.
Talvez seja datado (o sucesso é grande entre gente da minha idade), mas, no Brasil, a legião de fãs desta antiga – e importante (na história do anime) – série é grande, ou seja, o potencial de sucesso do filme é muito razoável.
Infelizmente, como sempre, eu aposto que o filme não chegará às telas nacionais. Temos que torcer pela “pirataria” para assistir um filme? Ou o mercado legal fará sua parte?
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