outubro 2010


Leo Monasterio me acusa de ser hiper-ativo (é mentira, claro) e comemora – um pouco antes da hora porque não chegaram os exemplares ainda – o lançamento do livro no qual temos um capítulo.

O artigo demorou a ser publicado e não teria sido viabilizado sem a hiper-atividade do Leo, claro. Eu e o Noguerol, juntamente com o Leo, estamos muito felizes.

Como este blog é bloqueado pelo “firewall” da faculdade (ele aparece todo desconfigurado), poucos alunos terão ciência do fato. Mas vamos tentar corrigir isto com um pouco de conversa sobre o texto em algumas aulas. Alunos interessados podem me procurar. Terei o maior prazer de falar sobre o tema.

Ah sim, é meu primeiro livro pela Harvard University Press. Dá, sim, uma certa alegria.

Se for, cairá na conversa mole. Por outro lado, a Torre nos lembra de algumas dinâmicas importantes da história.

 

Luciana Yeung, do Insper, fala sobre “cola”.

Eu me lembro de um artigo no Journal of Economic Education sobre o tema. Basicamente, os autores encontravam uma correlação positiva entre corrupção de um país e uma medida de “cola” nas escolas. Em outras palavras, independentemente da lei dar muita importância à “cola” (exemplo da Luciana para os EUA, em meio à sua argumentação), existiria uma relação, digamos, maligna, entre “cola” e corrupção.

Ponto a se pensar: independente dos incentivos, por que será que sempre sinto que o problema é citado como “preferências inatas e genéticas/culturais de um povo” (exceto no post da Luciana)?

p.s. No video de propaganda do blog a Carolina, do Inper, fala de um filme que me pareceu ser interessante. Alguém conhece?

Engraçado isto.

Motivações puramente econômicas? Neste governo? Difícil…

Caplan com outra ótima…agora o exemplo é de vantagens comparativas. Se Caplan fosse meu aluno, certamente seria o melhor aluno em um longo horizonte de tempo…

Feministas da esquerda brasileira devem estar se perguntando sobre como encaixarão seu amado nativo latino-americano no estereótipo de machão latino-americano.

Adolfo tem razão. Foi exatamente isto o que aconteceu. Já falei aqui do problema das estatísticas em meios que lhe são geralmente hostis. Mas esta falha, agora, mostra-nos que institutos de pesquisa de opinião são, no Brasil, faróis muito fracos para que nos guiemos por eles…

Nem Maluf faz como este ícone da esquerda bolivariana brasileira. Ok, pelo menos ele não cometeu crime eleitoral, como o homem do seu partido em Minas, na coligação com a rede de TV “do Roberto Marinho”.

Ah sim, o governador de MG poderia ser mais sincero em suas declarações. Não ajuda nada fazer de conta que vai realmente trabalhar.

Só faltava esta…

Eis aqui algo interessante. Trecho:

If we notice that Scandinavians in welfare state Scandinavia and Scandinavians in free-market U.S share the trait of being more trusting than others groups, the most likely explanation is innate cultural differences rather economic policy.

The treatment effect of those policies is virtually identical for all Americans, regardless if their grandfather was Swedish or not. It’s not like Americans from Scandinavia living in the Midwest get to enjoy lots of secret welfare state programs that Italians in New Jersey don’t have access too. Same country, more or less same policies. Yet trust is very different within the U.S based on your cultural heritage.

Só vou lembrar aos senhores que “cultura”, neste caso, é algo mais bem definido do que a definição de boteco que todo brasileiro adora usar quando quer falar mal (acertadamente?) dos argentinos (exceto no que se refere à alfabetização, que é melhor lá do que aqui, e o churrasco).

Eis Boris Fausto, historiador, homem de esquerda, reclamando…da esquerda. Nem todo mundo da esquerda tem viseira e puxa carroça.

O Renato (A outra face da moeda) me lembrou de um antigo texto que citei aqui, do Igor (Mosca Azul).

Bem, eu costumo anular meus votos. Mas, na última hora, eu pensei em tirar votos dos dois piores candidatos a presidente, na minha opinião e, embora compartilhando da opinião do Adolfo, eu votei no menos pior dos candidatos. Para governador, pensando no cinismo e na falta de compromisso de alguém que se diz “contra o Roberto Marinho” e se alia com um ex-representante de um presidente que não conseguiu terminar o mandato por acusações de corrupção (bem, ele também se aliou ao grupo do suposto mensalão), acompanhado de uma militância bovina, que ama e odeia um certo ex-governador (apelidade de “Newtão”) conforme as conveniências e também não se preocupa em denunciar a falta de liberdade de imprensa sob o governo estadual atual porque, no fundo, é contra a liberdade de imprensa, como vemos no plano nacional….votei no candidato do atual governador.

A explicação acima não se pretende completa, correta ou logicamente consistente. Simplesmente é o que pesou no coração na hora de bater o pênalti. Não me sinto mais ou menos feliz, mas o pessoal libertário não conseguiu nem juntar 10% das assinaturas que precisa para ser uma opção em que possamos pensar em votar, logo…

p.s. ao olhar as ruas, eu penso: você tem que escolher entre um candidato que suja as ruas e outro que…também suja as ruas. E dizem que você tem que justificar se não quiser votar. Espere um pouco, quem tem que se justificar são eles: por que eu devo escolher alguém que é incapaz de controlar sua militância para que respeite a boa educação e não suje as ruas? Se este é seu poder sobre as pessoas, então a ineficiência do governo de ontem, hoje e de amanhã já tem explicação. Além do mais, é feio. Muito feio.

…o Picasa Edits 3.8 confunde a face de ambas em, ao menos, uma foto. Amazing!

p.s. sem falar na cunhada e na tia…

O mais famoso filme de samurais por aqui é o de Akira Kurosawa, o famoso “Os Sete Samurais” que, inclusive, teve influência em Hollywwod, provando que este papo de imperialismo cultural é mais gogó do que verdade.

Mas existe um outro filme, refilmado muitas vezes, chamado “Os 47 Ronin” (Ronin é o termo para samurai sem senhor, sem chefe). Assisti a um de 1933 e outro de 1941 (dirigido por Mizoguchi). Ambos ótimos, embora o de 1933 ainda seja mudo.

Um momento muito bonito do filme é quando Lord Asano lê seu poema fúnebre, logo antes de se suicidar por ordem do Shogun. Direto da Wikipedia que funciona (a que não está em língua portuguesa, claro):

「風さそふ花よりもなほ我はまた春の名残をいかにとやせん」

“kaze sasofu / hana yori mo naho / ware wa mata / haru no nagori o / ika ni toyasen.”

“More than the cherry blossoms, Inviting a wind to blow them away, I am wondering what to do, With the remaining springtime.”

O poema praticamente clama por vingança. A história é mais ou menos assim, Asano é sucessivamente humilhado por Kira, um outro nobre, mas de caráter bem duvidoso. Como qualquer pessoa honesta, Asano não resiste a tantas provocações e, num ato surpreendente, tenta matar Kira. Não consegue, mas pede um julgamento.

A política, entretanto, está do lado de Kira e, enquanto Asano deve se matar, Kira sai ileso do episódio, exceto por uma cicatriz de espada deixada pela tentativa de assassinato.

A história do filme se inicia neste momento. Quarenta e sete samurais ficam, subitamente, sem seu senhor. O que fazer? Resistir ao Shogun – que decreta a apropriação do castelo de Asano – ou abandonar seus deveres para com o falecido Asano? A escolha é por um pacto no qual eles passam a levar suas vidas de forma desonrosa, afim de despistar os espiões de Kira, que teme por tentativas de vingança.

Após um certo tempo, portanto, os samurais se reúnem e, finalmente, matam Kira. Claro que, para cumprir suas obrigações, cometem seppuku (harakiri), terminando o filme e fechando a sangria de desonra iniciada pelas humilhações de Kira a Asano. Não é algo que uma pessoa pouco acostumada com a cultura japonesa vá entender de primeira, mas, convenhamos, um filme de 1933 japonês, recuperado e disponibilizado ao público (ou o de 1941, idem)…não dá para não assistir, certo?

(*) Em japonês o nome do filme é “Chuushingura”, que não se traduz como “47 Ronin”, mas como algo aproximado: “Os leais samurais” ou “a lealdade dos vassalos” (em inglês: “League of Loyal Retainers”, segundo um dicionário que tenho em mãos).

Eu me dei conta de que amanhã é dia de eleição. Até agora, só tenho como certo o deputado federal. Ah sim, também sei que não votarei nos candidatos da coligação TV Globo-partido do sr. da Silva.

Quanto ao resto, não vejo nada que me represente minimamente. Será difícil decidir.

Pedro foi ao ponto. O tal “Falha de São Paulo” erra feio. Parece até que deseja gerar uma revolta de policiais para reforçar um presidente autoritário. Pela última vez, quem censura é o Estado, o governo.

Aprendam e protestem com mais argumento, gente. Senão ficarão nesta lama por muitos e muitos mandatos presidenciais.

O autor do texto abaixo certamente será achincalhado pela diplomacia brasileira. Afinal, se o sucesso do presidente da Silva se deve a uma história (acho que é razoável alguém com mais de um neurônio ativo e saudável pensar que sim, não?), ele deve muito às administrações anteriores, principalmente à de Cardoso.

In Brazil, the economic success of the Lula years was laid by the reforms of its predecessor, Fernando Henrique Cardoso, a sociologist that adopted Hirschman’s possibilism, and became Minister of Finance and later President of Brazil, just before Lula. In the end, one of the greatest success of Lula has been to pursue the incremental changes pursued by Cardoso and abandoned the far-left policies that he had once advocated. He helped Brazil’s transition towards embracing capitalism, the irony being that this impressive transformation had been led by a leader that once denounced “neoliberalism”. Lula surprised financial markets and investors in 2002 by tackling decisively inflation, reducing debt levels and paying back bondholders while at the same time metamorphosing its country from an IMF debtor into an IMF creditor. Lula became the first president of Brazil to pay all its debt to the IMF and started lending to the same institution more than $14 billion.

O resto do texto não é muito inovador, mas vale a leitura. Curioso mesmo é como os históricos militantes do partido do sr. da Silva acham natural dizer que são “éticos e coerentes” ao mesmo tempo que beijavam sua amante “moratória e fim do sistema econômico mundial” e tinham um caso com seu amante, o “sistema econômico do qual fazemos parte”. O erotismo da coisa deve estar em deixar de ser devedor para ser credor.

É, a esquerda precisa ler mais Freud.

Então ocorreu lá no Equador uma revolta contra um presidente que simpatiza com ditadores. Ok, simpatia não é motivo para trocar tiros, eu entendo (embora muitos leitores possam me dizer que uma “operação valquíria” não dói…). Mas é incrível como o espectro político é rico em matizes.

Do lado da esquerda, Chavez se segurou para não pedir o envio de tropas (se bem que sempre aparecem evidências de que ele envia tropas em malas de dinheiro para vizinhos…). Kirchner, enquanto tentava sufocar o orçamento do incômodo poder Judiciário argentino, clamava por democracia. No Brasil, os habituais “altivos-esquerdistas-que-ficam-no-muro” ficaram caladinhos, torcendo para que Correa matasse o máximo de opositores possível nesta maluquice.

Já a temível “direita neoliberal”, sempre acusada de causar febre, dor de cabeça e diarréia, ficou calada, se não saiu em protesto contra a tentativa de bagunçar o jogo democrático.

É, realmente a operação condor, hoje, estã nas mãos dos autoritários de esquerda.

Reproduzo integralmente:

Perguntas sobre o Supremo Tribunal Fecal
Agora que sabemos quanto um dos petistas do STF cobram por sentença há algumas perguntas importantes:
1)Os tucanos cobram mais ou menos que os petistas?
2)Os petistas como socialistas detestam preços flexíveis e preferem controlar preços, sendo assim eles obedecem uma tabela de preços e todos os juízes petistas cobram o mesmo preço?
3)Qual é a comissão dos familiares? Poucos selvagens sabem, mas não existe juiz de porta de cadeia nesse país de merda que não tenha filhos, sobrinhos, genros ou noras que não sejam adEvogados e não se beneficiem da posição deles.

Eis a minha sugestão: ao invés de “conservadores  e heterodoxos”, que tal “ortodoxos e libertinos”?

Se o jornalista acha que ambos são neutras denominações, por que não escolher a segunda?

Mario Rizzo está todo lamentativo com um parágrafo ou dois de Alesina. O ponto é que ele não gostou do fato de Alesina achar que, apenas porque houve uma crise econômica, devemos mudar o ensino de economia.

Corretamente, ao meu ver, Alesina afirma que o que muda é o que estudamos, em resumo, a agenda de pesquisa deverá mudar um pouco.

Rizzo me sai com esta:

It is actually quite depressing because Alesina is one of the better “top” economists around. And yet he is tied to a way of thinking that seems intolerant of other methods.

I do not expect economists to give up their own predilections But is it too much to ask that in a time of policy disarray and questioning among the wider intellectual community that there be a little more self-examination among mainstream economists?

Em resumo, para ele, há um problema sério no pensamento econômico dominante (mainstream) devido à intolerância com “outros métodos”. Se ele estiver falando de métodos místicos, está errado. Se não arrisca tanto – como acho que não arrisca – e está expressando seu desapreço por conta de suas predileções austríacas, então ele ainda tem um grande problema.

Vejamos: o pensamento econômico incorporou análise de insumo-produto, cálculo estocástico, teorias exóticas de história econômica, tudo em nome da tentativa de entender melhor a realidade. Quando a profissão incorporou a linguagem matemática no começo do século XX, com Marshall e, depois, Samuelson, não faltaram críticas, mas fomos em frente.

Agora, Rizzo é um austríaco e, como tal, sabe que um elevado percentual de seus companheiros se recusa a analisar a realidade com…gráficos. Despreza-se o uso de…equações. Claro, não estamos falando de gente como Roger Garrison que criou um modelo notável (simples, problemático, mas é o único modelo) para se comunicar com o restante da profissão.

A pergunta de Rizzo poderia ser direcionada para ele e seus amigos austríacos. Afinal, é pedir demais que os austríacos considerem outros métodos durante uma crise econômica como a que vimos em 2008?

Veja, a questão nem é ideológica, mas de percepção. Se você quer discutir macroeconomia e tem uma visão, digamos, diferente da de todos os demais, então tem que, primeiro, entender bem a visão alheia (ou as visões alheias) para depois propor algo. Quando leio austríacos como Peter Boettke, sinto que ele e eu pensamos de forma similar.

Isto me leva ao último ponto: críticas e ceticismo são sempre bem-vindos. Eu não tenho problemas com isso, mas apenas com grosseria e fanatismo. Grosseria apenas é feio entre cientistas. Já fanatismo, bem, fanatismo não é uma questão científica, mas de fé.

Enfim, Rizzo exagerou e argumentou de maneira muito ruim. Que ele tenha algo interessante a dizer sobre o funcionamento de mercado do ponto de vista austríaco, ótimo. Mas nesta, ele escorregou.

Caplan novamente ataca com a história da “introspecção”. Parece-me que tem sido um inovador na microfundamentação macroeconômica, no sentido genuíno de pensar a idéia antes de modelá-la. No estágio atual, as discussões ficam muito interessantes, como o caso em questão.

Contagem regressiva, gente.

Yoram Bauman é genial. Piadas para economistas que aprenderam economia na faculdade. Pterodoxos não entenderão muito do que se diz neste engraçadíssimo video.

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