outubro 2010


…e a Roseli adianta boas novidades.

Claro que os candidatos não farão o dever de casa e o Brasil deve ir mesmo para o brejo no longo prazo. Mas não é por falta de avisos.

Só para não dizer que não dei meu pitaco, veja o gráfico abaixo (receitas e despesas totais do Tesouro Nacional, coletados na página do Banco Central do Brasil).

O gráfico apenas atualiza os dados usados neste estudo.

Um teste de causalidade simples (ignorando a possível cointegração entre as variáveis) mostra que há bicausalidade (todo mundo é endógeno na brincadeira), ou seja, variações na receita Granger-causam variações na despesa e vice-versa. O que dizer sobre isso exige um pouco mais de cautela. Por que?

Primeiro, as séries podem apresentar sazonalidade ou quebras estruturais e testes precisam ser feitos para detecção das mesmas.

Segundo, há evidências de que as séries cointegram. Neste caso, o correto é estimar a causalidade de Granger por meio do VECM, não do VAR.

Claro, a pista é que dei uma olhada nestes dados agora de manhã e parece que os resultados não mudam muito. Entretanto, fica em aberto aos (e)leitores a pergunta sobre se é este o processo de finanças públicas que se quer para o presente e para os seus filhos e netos…

p.s. só para pensar….as funções de resposta ao impulso no VECM(5) com dummies sazonais.

Divirta-se aí. Tio Claudio volta mais à noite…

Então perceba que, no mundo real, não é tão diferente. Neste triste caso, os talebans (aqueles que alguns gaúchos de esquerda bolivariano elogiaram, quando do ataque às torres gêmeas) mostram que, como gostam alguns, “não se pode fazer omelete sem quebrar alguns ovos”.

Triste, mas é a realidade.

Zanella tem um estudo interessante (Zanella (2008)) sobre o comportamento do governo imperial brasileiro. Aqui. O que não entendi claramente do texto é se a imigração é apenas uma variável exógena ou se isto só vale no início da análise.

Se eu fosse professor de história econômica, levaria este artigo para minha sala de aula. Como professor de econometria, já tenho que fazer isso, mas o charme todo da discussão está na história brasileira, não é?

p.s. Zanella tem sido um grande incentivador para (meus) estudos em história econômica.

p.s.2. Estudos com VAR e história econômica? Veja também o Renato.

Claro que tenta. Sempre. Liberdade para o governo, sim, Frank, é uma desgraça (exceto se você acreditar em tortura como instrumento legítimo de dissuasão). Eis aqui um interessante levantamento da Google sobre os pedidos que a empresa recebe, do governo, para retirar material da rede.

Ah sim, sempre pode aparecer alguém dizendo: “mas a Google tem interesses…”. Claro que tem. Assim como quem faz este comentário também tem os seus. Seus interesses não são mais ou menos legítimos do que os meus, já que ambos temos um voto, certo? Agora, entre alguém que defenda o “top-top” para a imprensa e alguém que defenda a liberdade de imprensa, eu prefiro o segundo.

Se quiser evidências históricas, posso fornecer uma tonelada de estudos a respeito e duvido que alguém encontre um estudo científico que mostre que menos liberdade de informação (ou de imprensa, ou civil, ou religiosa, etc) leve a uma sociedade melhor, mais desenvolvida, etc.

p.s. veja não apenas 2010, mas também o ano de 2009, no mesmo gráfico.

Aparentemente, sim. Mas como nunca vi os dados desagregados, não posso saber, por exemplo, se esta provocação (para os EUA) vale para o Brasil. A pergunta é interessante, embora o próprio autor não ofereça nada além de uma curva de Laffer sem muito detalhe.

Dica original do Instapundit.

Se um aluno aparecer dizendo que: (a) aprende o pacote econométrico que for preciso quando fizer a matéria prévia à Monografia (a tal Monografia I), (b) já pesquisou ou está disposto (e de fato fará isso) a aprender a história (vai ler livros de história econômica sem frescura) de uma ou duas séries de tempo históricas do Brasil, então ele tem a chance de me mostrar que é capaz de fazer uma monografia comigo.

A partir de agora, minha linha de pesquisa com alunos de graduação envolverá apenas o estudo de séries de tempo históricas. Uma ou outra exceção poderá ser feita para alunos que não apenas tenham idéias interessantes, mas também que me apareçam já com um modelo (teórico e econométrico)  que faça sentido. Também posso aceitar orientar alunos com bases de dados originais, caso o tema me interesse.

Mas nesta fase nova em que me encontro, a orientação só funcionará se encontrar orientandos que não tenham medo de pacotes econométricos, textos em inglês e também que não gastem metade do tempo reclamando que não acham base de dados, que não têm acesso a este ou aquele texto, etc.

Posso prever que os orientandos que porventura apareçam terão a chance de dar um salto muito maior na qualidade de seus trabalhos. Afinal, trabalho nunca rendeu fruta podre (exceto se o sujeito é muito mané para desperdiçar o próprio tempo…).

 

Recomendo que todo interessado em macroeconomia passe os olhos por estes slides. Em resumo, o autor tem uma visão bem mais interessante da macroeconomia, a qual chama de “macroeconomia da ambiguidade”.

Ao contrário da leitura superficial e fácil que se pode esperar com um título destes, a construção de um novo modelo econômico, neste caso, é bem mais sofisticada e interessante.

Não que eu seja lá um homem da macroeconomia, nunca fui, mas os microfundamentos desta proposta são interessantes e, creio, dão cabo de boa parte da lenga-lenga pterodoxa da ala heterodoxa que, por sinal, não entende álgebra básica na maioria das vezes…

p.s. também recomendo a inclusão deste blog nos bookmarks.

Duke tem uma dica boa de leitura. Simples e elucidativa, aqui. Para entender o título acima, você tem que ler o texto, claro.

Ari e eu estamos com artigo novo. Onde? Aqui.

Eis aqui um estudo simples (o que não quer dizer que não seja trabalhoso) e interessante sobre o velho tema da “demanda de encaixes reais”, só que em Portugal.

Só não tem idéia para monografia, realmente, quem não quer. Com a abundância de bases de dados – e mesmo a facilidade para se as conseguir – hoje em dia, não há como escapar: sempre há um tema à espera de um sujeito que queira pesquisá-lo.

Comece por esta página. Esqueci tudo de Eviews já. Agora, só Gretl, EasyReg e R.

Não vejo outro título para expressar o óbvio.

Já fez sua inscrição no evento que ocorrerá no período de 20 a 22 de outubro, em BH?

Engraçado ver a evolução disso.

Governo chinês concorda com secretário do governo da Silva: não apenas a liberdade de imprensa não serve para nada: também a liberdade individual deveria ser abolida.

p.s. quem já participou de guerrilha para defender a liberdade de ir e vir deve estar com nojo destas últimas declarações. Imagine só descobrir que aquele jovem idealista que lutou ao seu lado queria mesmo era trocar o tênis pela bota e esmagar qualquer liberdade. Deve ser difícil para o pessoal da esquerda brasileira. Tenho, realmente, pena deles neste momento. Muita pena.

O protesto da moça da foto é raivoso, mas ela tem razão em um ponto: onde está a tolerância dos amigos islâmicos dos eleitores da candidata do sr. da Silva?

No dia em que a tolerância bolivariano-islâmica permitir que uma sinagoga seja construída em Meca (não estamos falando de uma imposição militar, claro), talvez estejamos mais próximos de uma solução para o Oriente Médio.

Além do leitor(a, ambos) que tentou impor sua falta de educação aqui, por não aceitar que sua candidata pisa na bola (comentário ignorado, claro), temos outras amostras de besteiras na internet. O Econosheet, por exemplo, encontrou uma bela “shit” no portal Terra (que, por sinal, deixou de ser minha referência há tempos por sua fraca capacidade de crítica).

A esquerda pode ser infantil, não tem problema. Só que tem que ficar no cercadinho do Shopping quando os pais brincam de Irã e Coréia do Norte.

Interessante reflexão, algo coasiana, sobre o conceito de “Giri” (uma característica da sociedade japonesa) e o uso da justiça. Giri diz respeito à obrigação social de retornar presentes recebidos com outros de valor nunca inferior, o que pode bem gerar uma espiral de presentes trocados…

De qualquer forma, fiquei curioso quanto ao estudo citado no final do parágrafo que parece concluir que o “Giri” seria uma forma de instituição informal substituta da justiça formal, um tema que volta e meia retorna a este blog…

Nowadays the “Giri” concept is still prevalent in Japanese customs. Gifts in special occasions are very common, and when you receive something it is almost an obligation to give something back in return that has a similar value. This is common sense in any other culture, but in Japan the amount of gifts that you receive can be really absurd. There was some study that concluded that in Japan the money spent on gifts is the same that the amount spent on justice in the USA. At the same time Japan is the country in the developed world that spends less money per person in justice. It turns out that the “Giri” helps in a certain way to maintain harmony so that Japanese people don’t tend to confront with each other in law courts.

Trecho interessante, não?

Achei algo que cita a relação entre Giri e justiça aqui. Outro texto é este cujo trecho a seguir é esclarecedor.

How does giri affect the settlement of disputes? There is a definite effect. In the event that parties under giri should fall into a dispute then they will adopt a conciliatory and flexible concessionaire approach. The presence of giri might be incompatible with the nature of litigation and operate to inhibit a resort to legal resolution of disputes.

In managing disputes where the parties interact under giri there will be an effort to consent and to act spontaneously rather than to force agreement. This has led to a large gap between the expectations of legal codes and the daily reality, which results from numerous compromises based on human relationship considerations (Inako 1981, 131-45). It may seem strange, but in disputes law, lawyers and the courts do not seem to have a primary role and are actively avoided in giri situations. In Japanese disputes there is an emphasis on such mentality as “sincerity” (sei-i) rather than on “rights” in any legal sense (Rokumoto 1986, 228-9).

O engraçado é pensar que se a sociedade tem um sistema informal tão bom para resolver disputas, o custo de se ter advogados aumenta um bocado, tornando-os quase inúteis. A ironia? Bem, advogados já estabelecidos têm um incentivo para estimular a discórdia… ^_^

O pessoal do Ordem Livre ainda não atualizou sobre o evento em seu blog e, graças ao Bernardo, temos algumas fotos do mesmo. Assim, aqui vai uma rápida exposição do que tivemos.

Bruno falou sobre o problema da lei nos países de tradição “civil law”. Diogo nos lembrou de nossa herança liberal, uma característica intelectual que, creio, deveria ser resgatada. Por fim, eu falei sobre o capital humano dos economistas e do meu (raro) otimismo com a evolução na qualidade da política econômica brasileira.

Aliás, minha palestra está aqui.

Houve um certo debate sobre o Bolsa-Família porque este que vos escreve é um crítico do mesmo, mas não acha que o Bolsa-Família (BF) seja um desperdício. Aliás, é bem simples pensar nisto porque a maior parte dos argumentos contra (liberais ingênuos?) o programa é que o mesmo seria um desestímulo ao trabalho. Ok, digamos que isto está correto. Então o que os liberais diriam sobre o imposto de renda negativo do falecido prof. Milton Friedman?

Bem, eles titubeariam e diriam: “aí não, depende!”

Se depende para a proposta dele, depende também para o BF. Como é que é este “depende”? Se você é um cientista, como no meu caso, deve-se investigar os incentivos do programa para ver se ele gera mais custo do que benefício (sem falar no curto/longo prazo) para as pessoas.

Há, obviamente, o benefício eleitoral de quem propõe um programa destes, que é outra questão importante. Mas nesta outra, Carraro et al (2009) iniciaram um debate que tem seguido pela literatura e que parece encontrar evidências de que o BF gerou frutos para o presidente da Silva.

Enfim, é um debate interessante e infindável, mas, voltando ao evento em si, foi bem mais concorrido do que no ano anterior. O Liberdade na Estrada, eu dizia ao Diogo, bem poderia fazer, ao final, um “livro” ou um resumo do que se pode tirar de todos estes interessantes debates.

Erik tem um novo artigo – ainda não divulgado – sobre este tema. Aliás, os resultados preliminares que ele apresenta aqui vão dar o que falar. Afinal,  o que significa uma “distribuição de renda mais justa”? Descubra lá.

Agora a candidata do sr. da Silva se mostra como realmente é. Alguém opinou contra ela, fora do jogo eleitoral, ela usa o trator da suposta Justiça.

Bom é que no Brasil é assim: sai mais barato para o político usar o “direito de resposta” do que para um cidadão qualquer. Afinal, quem tem tempo e dinheiro para gastar com processos como este tem sempre um uso melhor para o próprio tempo: trabalhar. No caso dos políticos, contudo, trabalho é algo que passa longe…

 

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