outubro 2010


Estive trabalhando quase que integralmente em meu tempo vago em minhas notas de aula de Econometria nos últimos cinco dias. Chegava já em cointegração num ritmo frenético. Claro que os artigos de Hendry & Juselius lá de 2000 e 2001 sobre cointegração são a referência mais do que básica quando se quer recordar o tema.

Mas eu já estava cansado de esperar pela chegada do Juselius (2008) aí ao lado. Bem, já tenho o que ler na antesala do médico hoje. O bom deste livro é que ele é didático não muito no sentido econométrico, mas mais no sentido da integração da teoria com a econometria. É raro achar material didático com este formato, com uma cobertura detalhada de tópicos da área, sem falar na metodologia de Juselius que é bem interessante.

Se você já passou por dificuldades ao interpretar os coeficientes daquelas matrizes “companheiras” e demais coleguinhas gregos das equações, e se não tem medo de álgebra linear, este é um bom livro.

Bem, o presidente da Silva é um simpatizante do bolivarianismo, embora não faça declarações públicas inflamadas e de improviso sobre o tema. Ele e sua candidata, claro, representam esta exótica – e ilógica – ideologia no Brasil, como atestam vários dos militantes de seu partido em conversas e, eventualmente, em artigos de jornal.

O bolivarianismo, que nada mais é do que o socialismo com uma roupagem “nativista”, nasceu em Cuba e, desde então, em uma espécie de “Operação Condor” da esquerda, tem sido irradiada por toda América Lat(r)ina. Isso também não é novidade e os próprios bolivarianos brasileiros falam disto com orgulho.

Contudo, só porque alguém acha que mascar coca, falar mal do dinheiro (enquanto o embolsa) e enxergar conspirações “neoliberais” até embaixo da cama é bonito, não quer dizer que funciona. Veja só este exemplo:

Mr. Sanguinetty, who served as a senior economic official with the Cuban government until he resigned in June 1966, said that Cuba might be just beginning the long, painstaking process of rebuilding the most basic economic relationships. He noted that Cuba even eliminated accounting schools in the first decade after the 1959 revolution because officials thought money would be unnecessary, and that many Cubans had no experience with credit cards, banks or checks. Now, he said, the government must move forward — with import-export licenses, with clearer communication about rules — if it hopes to make entrepreneurs a vital element of the economy.

Imagine como é organizada a economia na Cuba bolivariana. Depois me perguntam porque os “países capitalistas” não mostram dados de Cuba em bases de dados mundiais. Resposta simples: os cubanos não sabem resolver problemas de partidas dobradas porque, afinal, isso atrapalha o mensalão de Castro.

Seu último texto – cujo resumo está aqui – está bem nervoso com o estado atual da macro.

As pessoas reclamam que a candidata é indagada sobre sua posição quanto ao aborto. Quando perguntaram a FHC sobre maconha, as mesmas pessoas acharam uma ótima idéia. Ou seja, estas pessoas são viesadas em suas opiniões políticas.

O engraçado mesmo é que há um documento, assinado pela candidata, defendendo o aborto, mas ela não consegue sustentar sua própria posição agora.

Parece com o teorema do eleitor mediano, realmente. Mas o irônico de tudo é pensar que se fosse um certo ex-governador de São Paulo, diriam que mentir sobre suas verdadeiras posições seria um motivo suficiente para não se votar no dito cujo. Entretanto, a ética-de-mentira da galera que “torce” pela candidata é suficientemente exótica para que a mesma postura de falsificar as próprias preferências perante os eleitores seja tida como sinônimo de virtude.

Ou seja, virtude mesmo tinha Adhemar de Barros, do “rouba, mas faz”, um personagem sempre citado por professores de (s)ociologia e (ciência) política como um exemplo que jamais deveria ser imitado. Podemos afirmar, sem qualquer sombra de dúvida, que Adhemar de Barros, no que tange à sua famosa frase, é o melhor exemplo da prática política brasileira, notoriamente a de esquerda, sem incluir os não-liberais da direita, claro.

O grande Gregory Chow nos deu este bem público.

Um breve resumo de uma curiosa e divertida aplicação da Teoria do Caos em Economia. Bibliografia indicada ao final da apresentação.

1st collector for Chaos
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Até ex-funcionários são citados de forma viesada.

Há um debate na rede, sobre uma coluna recente do Mankiw. Não li a dita cuja e gosto muito do Mankiw, mas também gosto do Andrew Gelman…que não gostou nada da coluna do nosso economista favorito.

Como não li a coluna, vou me abster de comentar, obviamente.

Quem gosta de microeconomia já passou por pelo menos um artigo deste clássico economista…

Agora, até índice de preços eles calculam.

Tyler Cowen aponta para uma interessante compilação de Bill Goffe sobre os mais comuns erros nas disciplinas iniciais de macro e microeconomia. Confira aqui.

Macroeconomics are, and should be, schizophrenic about the use of time serie methods. [Blanchard & Fischer, 1989]

Quem já leu o livro, sabe. Vá ao capítulo 1 para entender o porquê.

A cada dia que passa, minhas “notas de aula” de econometria de séries de tempo se transformam em algo mais próximo a uma apostila. O novo co-autor, Erik, ainda não meteu a mão dele no texto mas, quando o fizer, ficará muito melhor.

Os usuários da apostila, creio, notarão diferenças na versão que virá após o feriado, mesmo no que já foi lido. Aos poucos, os exemplos novos surgem e trabalho neles com muito gosto.

Desnecessário dizer que o projeto é mais amplo do que supõe nossa vã filosofia…

Savage Chickens.

O G-7, econometricamente analisado em uma nota muito interessante lá no Economics Bulletin.

Se há um tamanho ótimo para o governo, então alguém tem que calculá-lo. Bem, aqui alguns achados, enquanto ajudava um orientando (aqui e aqui). Ah sim, de onde veio a série de investimento público deste (e de outros) artigo(s) é-me ainda um mistério.

Pronto, pronto. Quem ganhou o Nobel foram os microfundamentos da macroeconomia. Excelente escolha! Os pesquisadores de economia do trabalho devem estar exultantes, não?

Trecho do anúncio:

This year’s three Laureates have formulated a theoretical framework for search markets. Peter Diamond has analyzed the foundations of search markets. Dale Mortensen and Christopher Pissarides have expanded the theory and have applied it to the labor market. The Laureates’ models help us understand the ways in which unemployment, job vacancies, and wages are affected by regulation and economic policy. This may refer to benefit levels in unemployment insurance or rules in regard to hiring and firing. One conclusion is that more generous unemployment benefits give rise to higher unemployment and longer search times.

Ótimo, não?

Peter Diamond, Dale Mortensen, Christopher Pissarides!

Mais informações logo, logo.

Mais um artigo que leva a sério o conceito de “cultura”. Desta vez, o foco é o mercado de trabalho.

!!

O trecho abaixo me faz pensar em ler o livro citado por Caplan (mas não posso gastar mais com livros…tenho que ler o meu estoque atual):

The authors go on to ridicule irrelevant brain scan rhetoric, myths about subliminal persuasion, and claims that you can improve your general mental ability withspecific mental exercises.  Instead, they argue that recent experimental psych confirms the century-long literature on Transfer of Learning.  Contrary to popular belief and desperate teachers of irrelevant subjects, learning is highly specific.  The way to get good at X is to extensively practice doing X.

A correlação entre pterodoxia e estes “pensadores” heterodoxos da New Age com suas exóticas (e, agora, comprovadamente estúpidas) teorias sobre como alguém pode ser mais inteligente com pouco esforço sempre foi alta. Dado o debate econômico atual, este livro deveria ser traduzido e forçado goela abaixo de muitos supostos economistas…

Eis os campeões do concurso de “Previsões por meio de Teoria dos Jogos“. Neste link você encontra tudo o que precisa para se divertir, caso goste de jogos. Aliás, o concurso é um avanço em nossa compreensão dos fenômenos sociais, pela sua própria proposta (dê uma lida lá).

p.s. por que os professores de Teoria dos Jogos não se divertem mais com torneios similares entre seus alunos?

Difícil imaginar uma sugestão como esta em países institucionalmente subdesenvolvidos como  os da América Latina, mas é interessante pensar nisto.

Curioso também é pensar que a política monetária avançou muito mais do que a fiscal, em termos institucionais. Temos autoridades monetárias bem mais eficientes do que as autoridades fiscais. Talvez seja pelo fato de a autoridade fiscal ser, na verdade, várias autoridades (gastos municipais, estaduais, federais).

Repito minhas apostas:

1. Alesina & Svensson

2. John Taylor

3. Christopher Sims

Eis a página oficial com o countdown.

Aqui.

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