outubro 2010


Grandes momentos dos últimos dias.

* Prof. Pery Shikida, autor de alguns artigos como este, tentou trazer um pouco de humanidade aos alunos do Ibmec. Não que nossos alunos não o sejam, mas acho que visualizar alguns aspectos de pesquisas de campo faz bem. Faltou, claro, um modelo e alguns resultados econométricos, mas o objetivo da palestra foi menos o de expor uma dada pesquisa (e mais expor um assunto delicado de forma descontraída).

* Apertar a mão de Sam Peltzman e dizer-lhe: “I just felt the Peltzman effect” foi genial. A professora Raquel achou que eu não conseguiria encontrá-lo, mas perdeu a aposta (bem, não apostamos, mas eu ganhei, he he he).

* Fazer piada sobre correlação e causalidade (usando a tirinha do XKCD) e não ser entendido por todos advogados (exceto pela profa. Raquel) foi instrutivo. Pery tem razão, advogado sem estatística é cada vez mais um problema para o Brasil. Claro, eu também deveria saber mais Direito (para processar consumidores limitados que nunca procuram meu boteco, mas só o da concorrência), como sempre diz o Ivo.

* Assistir Rodrigo Castriota (que nos visita sempre) dizer que não iria explicar as equações de regressão e fazer exatamente o contrário para o desespero dos alunos de Direito que o assistiam.

* Ver o prof. Timm fazer o sorteio de um livro e conseguir que o nosso presidente fosse o sorteado.

O que faltou?

* o prof. Fernando Araújo fazer piadas de brasileiros. Nós merecemos. Basta ver o debate político.

* Ivo Gico explicar, para alunos de graduação de Direito, que “função social da XX” (XX = o que você quiser) não é um conceito exclusivo do Direito e nem que, necessariamente, faça sentido. É triste ouvir alunos dizendo que “Direito e Economia são muito distintos”. É verdade. Você não precisa ir ao III Congresso da ABDE para descobrir isto. Você só vai a um congresso desses se você está disposto a aprender mais sobre a interseção das duas áreas.

Dilbert explica como os gerentes alinham seus incentivos com os dos empregados e, claro, com os dos acionistas. Genial, como sempre.

Entry, Growth, and the Business Environment: A Comparative Analysis of Enterprise Data from the U.S. and Transition Economies

J. David Brown , John S. Earle

US Census Bureau Center for Economic Studies Paper No. CES-WP- 10-20

Abstract:
What role does new firm entry play in economic growth? Are entrants and young firms more or less productive than incumbents, and how are their relative productivity dynamics affected by financial constraints and the business environment? This paper uses comprehensive manufacturing firm data from seven economies (United States, Georgia, Hungary, Lithuania, Romania, Russia, and Ukraine) to measure new firm entry and the productivity dynamics of entrants relative to incumbents in the same industries. We contrast hypotheses based on “leapfrogging,” in which entrants embody superior productivity, with an “experimentation” approach, in which entrants face uncertainty and incumbents can innovate. The results imply that leapfrogging is typical of early and incomplete transition, but experimentation better characterizes both the US and mature transition economies. Improvements in financial markets and the business environment tend to raise both the entry rate and productivity growth, but they are associated with negative relative productivity of entrants and smaller contributions of reallocation to growth among both entrants and incumbents.

A segurança institucional deste país é uma piada. Ok, sabemos disso. Mas, com todos estes boatos que o governo solta, antes do segundo turno, para ganhar votos de setores da indústria, só há uma coisa a se fazer: comprar muitos dólares.

Já que o governo – espertamente de forma não-oficial, mas com notícias plantadas na imprensa aqui e ali – diz que vai forçar uma desvalorização do câmbio, é bom comprar os últimos livros no exterior e encher o cofre de dólares.

Eis aí algo que eu não esperava ver há quatro anos atrás: uma deterioração progressiva da responsabilidade fiscal acompanhada de uma intervenção maciça no câmbio.

 

Há leitores e leitores deste blog. Hoje descobri um leitor deste blog que é bem diferente dos que costumam aparecer nos comentários (com as usuais exceções de praxe).

Estou honrado com a presença do além-mar…

Governos Cardoso e da Silva.

Eis mais uma nota publicada na vasta rede de pesquisas econômicas. Desta vez, o tema é o teste internacional PISA, que mede o desempenho de alunos de diversos países, inclusive o Brasil (que, infelizmente, sempre se sai mal neste teste). O estudo tenta identificar os determinantes do desempenho dos alunos neste teste.

Os 10 piores momentos do atual presidente.

Eis aí uma evidência triste. O Brasil não mudou tanto assim, né porta-vozes do discurso oficial?

Eis um resumo aqui.

Sim, aqui. [hat tip: Laurini]

1st collector for Palestra no III Congresso da ABDE
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Se você ficar sem emprego, dançou.

E tem gente que acha que um monopólio é melhor que um oligopólio. Sinto muito, mas não dá para ir contra as evidências empíricas.

Existe uma instituição duramente criada na democracia brasileira, na jovem democracia brasileira, que bem poderíamos chamar de “sonho de Celso Furtado”: as travas ao mecanismo de socialização de perdas. Podemos chamar isto de “saúde fiscal”, cuja representação empírica pode ter vários nomes: “contabilidade pública”, “meta fiscal”, etc.

Bem, os últimos oito anos, notadamente os últimos quatro, serão lembrados pelos historiadores da economia brasileira como os anos em que o governo destruiu este sonho do economista que alega ter como patrono.

Sim, Furtado falou muita coisa boa e muita coisa errada. Mas ele tinha uma indignação com a manipulação dos recursos públicos similar à indignação de vários economistas que dele discordavam. Em outras palavras, se vivo fosse, ele estaria muito, muito chateado…

…é calar qualquer oposição.

O presidente perdeu a oportunidade de não falar bobagem. Liberdade de imprensa, pessoal, é muito mais do que esta gente diz ser. Aliás, é difícil saber o que eles pensam sobre a liberdade da imprensa. Na época da ditadura, a esquerda chorava lágrimas e até se dizia torturada pela liberdade.

Quanto disso era sincero? Pelo visto, pouca coisa. Os nossos colegas esquerdistas têm tão pouco apreço à liberdade que não se os vê protestando na rede ou nos jornais contra tentativas de cercear a imprensa. Não é preciso dizer mais. O silêncio da galera é um testemunho das preferências deste pessoal. As exceções, caso existam, são convidadas a dizerem que são a favor, sim, da liberdade de imprensa e outras liberdades.

Para não dizer que estou apenas usando as mesmas armas deste pessoal (a retórica, aliás, fraquinha), vejamos o que diz este estudo da ONU, onde o presidente sonhou, um dia, conseguir uma cadeira no Conselho de Segurança.

A free press always has a positive infl uence, whether it be on poverty and its different aspects (monetary poverty and access to primary commodities, health and education), on governance or on violence and confl ict issues. It serves as an intermediary between individuals and government, informing the latter of people’s needs and acting as a buffer against crises and situations of extreme deprivation; it holds governments accountable and makes their actions more transparent; and, along with other indicators of good governance, it creates a business-enabling environment, a climate conducive to more effective public affairs management, and so forth. The results thus suggest that a freer press can contribute to achievement of the Millennium Development Goals and, most importantly, to attainment of an acceptable and viable level of development. By promoting freedom of the press, States and international organizations provide themselves with a powerful development tool. A free press constitutes an instrument of development as such, in the same way as education or investment.

Satisfeito? Não? Ok, é um direito do bom ceticismo. Então, que tal isto? Mais um pouco das conclusões:

A free press is strongly associated with a good level of development and reduced poverty. Income poverty is of course obviously strong when FOP does not exist, but this is also the case for povertyheadcount ratio and Gini index. Access to primary goods and better nutrition also coexist with strongFOP. However, some countries, even if they reach some decent standards of living, still do not have afree press.A free press is well associated with decent medical environment: where medical staff is missing, afree press can help spreading the word about it, and thus help improve the situation.FOP and education have a double relationship: education seems to play more on FOP than FOPdoes on education. But of course, people do care about their education when they are free from fearand free from basic needs, from want. This means that in developing countries, where survival comesfirst and freedom second , the press needs educated people who use their abilities to help their fellowcitizens attain other types of freedom.

Algo menos ambicioso está aqui. Por que será que alguém teria interesse, então, em restringir a liberdade de imprensa? Bem, eis uma boa pista.

We test the relationship between aggregate press freedom and corruption performing a modified extreme bounds analysis. We also test the relation among different forms of restrictions to press freedom usingpreviously unexplored disaggregated data. Our results support the theoretical view that restrictions to press freedom leads to higher corruption. Furthermore, we obtain that both political and economic influences onthe media are strongly and robustly related to corruption, while detrimental laws and regulations influencing the media are not. In all cases the evidence indicates, although not conclusively, that thedirection of causation runs from a freer press to lower corruption.

Notou, leitor? Quem se envolve com corrupção tem sempre problema com liberdade de imprensa. Claro que você pode continuar cético. Eis outro estudo e mais algumas conclusões (mas apenas teóricas):

In a theoretical model we find the impact of education on corruption to depend on the capacities of civil society to oversee government officials.If those capacities are well developed, education decreases corruption,whereas it may lead to higher corruption if civil monitoring is low. Wefind empirical evidence to support this result for secondary and higher education.Furthermore we investigate the direct relation between corruption and press freedom. We find no evidence that corruption negatively affectspress freedom. We find, however, strong empirical evidence that a lack of press freedom leads to higher levels of corruption. This implies that strengthening press freedom should be among the priorities in the fight against corruption.

Quer mais informação? Então tome outro estudo. Eis algo a se pensar:

I offer empirical evidence that whether an autocracy censors the media or not depends on the type of non-democratic regime under discussion.

Ou seja, fica difícil mesmo defender as restrições à liberdade de imprensa, não fica? Se até as Metas do Milênio são favorecidas por esta característica de uma democracia liberal (ué, tem liberdade, é liberal, né?), porque será que o sr. da Silva, sua candidata e seus aliados mais íntimos insistem tanto no contrário? Eu não diria que o presidente quer piorar o desempenho do país em direção às metas citadas, mas fica a impressão desagradável de que ele pretende alcançá-las de modo autoritário, forçando procedimentos anti-democráticos goela a baixo dos eleitores brasileiros.

Engraçado também é ver que mesmo a outra candidata, a derrotada, não tem sido muito enfática neste segundo turno. Uma coisa é liberar o voto, mas o silêncio diante destas agressões pesa contra sua reputação de democrata. Bem, não só ela. Há gente do lado do outro candidato que também não quer saber de imprensa livre. Entretanto, os ataques mais virulentos ainda são oriundos da rede de transmissão da esquerda brasileira. Após este breve resumo, acho que todos sabemos a quem serve o discurso das restrições à liberdade de imprensa…

Acho mesmo que qualquer um que não se manifeste neste momento está desinformado (bem, agora não mais) ou de má fé. Faça sua escolha.

Igor tem uma lista de eventos recentes que atentam contra seu direito de discordar. Se um jornal pode ser calado, porque um jornalista não pode?

Claro, tem jornalista que ganha muito bem do governo para defender seu monopólio da (suposta) verdade, ou seja, para calar a boca dos outros. O que preocupa, no caso, é que tem gente comprando o discurso do “liberdade de imprensa só serve para os poderosos”. Uma simples examinada nos dados ou mesmo na literatura especializada mostrará evidências de que, em geral, países com menos liberdade de imprensa também são os piores colocados em vários rankings.

Faça você mesmo a busca e me diga se o discurso do monopólio da verdade não é um papo muito furado.

Interessante análise sobre as diferenças entre a TV aberta e a TV paga. Vale toda a leitura.

…enquanto tento não pensar mais em trabalho.

Chavez é como Morales (lembra do video da pelada no qual ele apela?): tem dificuldades para admitir que está errado. Se fosse no Brasil, ele diria que “não sabia de nada”…

Difícil, né?

Então eis uma oportunidade: Gretl Conference 2011.

Vamos falar sério, a religião, goste-se dela ou não, é uma característica marcante do brasileiro e ninguém acredita que campanha eleitoral é hora de “iluminar” as pessoas para o “perigo da religião”. Se um sujeito pode imprimir um panfleto repudiando a dívida externa ou pregando invasões de terras, por que alguém não pode pedir para que alguém não vote em um abortista?

Nem é questão de se discutir o aborto em si. A questão é o direito de pedir votos contra candidatos que são contra o que você pensa ser o correto. Os abortistas têm o mesmo direito de imprimir panfletos contra o pessoal pró-vida.

Agora, isto que aconteceu não tem o menor cabimento: é autoritarismo puro. Vários conhecidos simpatizantes do partido do presidente da Silva que eu conheço repudiaram o ato. Não todos, apenas alguns. Mas, para mim, mostra que nem tudo está perdido na esquerda. Ainda existe gente com neurônios.

As evidências deste artigo são ótimas. Principalmente para nós, economistas não-pterodoxos. O artigo – que já tem algum tempo – foi publicado agora, segundo nos informa um de seus autores, Bryan Caplan.

O SB já perguntou isto, mas sou obrigado a repetir: por que o fundador do WikiLeaks só implica com o governo dos EUA? Aqui no Brasil, por exemplo, ele teria muito o que fazer para nos dizer mais sobre o mensalão, sobre Celso Daniel, sobre laranjas de movimentos de esquerda…

Sem falar nos governos norte-coreano, cubano, chinês, russo. O governo russo, aliás, é suspeito de envolvimento na morte de uns jornalistas que lhe incomodava…

Pois é, Wikileaks tem um objetivo de democratizar a informação e revelar o poder dos governos? Parece que sim. Mas se for o caso, por que seu fundador não consegue falar de outra coisa senão dos americanos?

A série Fringe e o conceito de cointegração.

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