Um dos países menos liberais do mundo, o Haiti, hoje enfrenta uma situação indigna e triste. Trata-se de um exemplo simples de como um Estado gigantesco (mesmo para um minúsculo país como o Haiti), com o poder concentrado nas mãos de um presidente pode ter um destino horroroso.
Pode não, terá. Sempre.
Foi só o chão tremer e todo o gigantismo do governo haitiano veio abaixo. Sequer conseguiram tirar as pessoas dos escombros, ao contrário do governo chileno em situação similar (mas de menor impacto).
Haiti é um exemplo a ser lembrado quando se discute o tamanho do governo.
outubro 31, 2010 at 4:35 am
‘Haiti é um exemplo a ser lembrado quando se discute o tamanho do governo.’
Por quê?
Nunca ouvi dizer que o Haiti se caracterizava por governo grande.
outubro 31, 2010 at 8:25 am
Mas é só olhar o Haiti no índice de liberdade econômica da Fraser. Não falo apenas de G/PIB, mas do governo de maneira geral. Ponto anotado, thanks.
outubro 31, 2010 at 11:50 am
Mas liberdade econômica não tem muito a ver com tamanho de governo.
O Haiti é muito mais um caso de país com Estado fraco – no sentido do Estado não ter capacidade tributária para fazer aquilo que cabe ao Estado (lei e ordem, bens públicos etc).
Quanto à sua pobreza, vem do fechamento do país ao mundo depois de sua independência. Por várias décadas o Haiti se viu cercado de países escravocratas e colônias européias. Durante boa parte do século 19, a sociedade haitiana foi militarizada com o intuito de defender a ilha de uma volta dos franceses ou conquista pelos espanhóis. A agricultura de exportação foi destruída. É uma história triste, mas muito interessante.
Quando os americanos chegaram nos anos 1920 e passaram a construir estradas, os haitianos achavam que as estradas estavam sendo construídas para que os invasores melhor pudessem controlar o país – e não para que a economia pudesse se desenvolver.
Ainda hoje, muito da estrutura agrária haitiana ainda é baseada no minifúndio de subsistência, com pouco contato com o mundo exterior.
outubro 31, 2010 at 12:03 pm
Disto não discordo. Belas informações, Irineu. Só me faz pensar que a correlação entre fraqueza de um estado e tamanho do governo (ultra-regulador, rent-seeking dominando profit-seeking) deve ser elevada. Tristes trópicos…