De Gustibus Non Est Disputandum

Porque não existe almoço grátis

Venezuela e Brasil: o papel da Justiça e as liberdades

Eu nunca me esqueço do artigo do Rodriguez sobre como Chavez obteve os dados de votos individuais e passou a perseguir opositores. Eu sei que os leitores de esquerda detestam este tipo de artigo porque incomoda profundamente a noção de “democracia” que dizem defender.

Mas pense no caso brasileiro, no qual a liberdade de imprensa, graças à mesma esquerda, sofre agora risco de cerceamentos. Junte-se a isto a Justiça brasileira, que parece achar, muitas vezes, que liberdade é apenas o direito de extrair informações do Google ou do YouTube, proibindo sua exibição porque algum cidadão incomodado (geralmente contrário à liberdade de imprensa quando as notícias não lhe são positivas) e você fica com uma pulga atrás da orelha.

Será que o candidato vencedor recorrerá à justiça (sim, em minúsculas) para obter os nomes de seus opositores (e de seus aliados)?

Alguém pode dizer que o eleitor é o mesmo consumidor que alguns estudantes de Direito pensam ser um sujeito mal informado, ingênuo, limitado (mas que, por uma estranha razão, sempre é racional e espertão quando escolhe o seu escritório de advocacia, o contrário valendo para quando escolhe aquele escroque do seu concorrente…) e precisa ser tutelado.

Se a leitura das pesquisas de economia comportamental e da nossa tradicional economia (e mesmo da pouco estudada aqui, sem nenhum bom motivo, teoria da irracionalidade racional) for feita de forma superficial, teremos que discutir sobre a tutela que devemos ter sobre juízes, advogados, economistas e lavadores de carros porque, como perguntou o velho Marx, nas teses sobre Feuerbach (paráfrase adaptada): quem tutelará os tuteladores?

No final disto tudo, imagino mesmo é o que aconteceria se as preferências eleitorais do Facebook fossem obtidas – legal ou ilegalmente – por gente que pertence ao governo. Com uma imprensa tolhida e com bancos estatais no poder (lembre-se da Venezuela), um opositor jamais conseguiria um empréstimo ou abrir uma previdência privada. Não apenas um opositor, mas um bem-intencionado cidadão que, porventura tenha mudado de idéia sobre o candidato poderá se ver em uma situação bem desagradável.

Eis aí um exemplo do que acontece quando o Estado passa do seu tamanho ótimo (e não falo só de critérios econômicos….).

About these ads

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

Você está comentando usando sua conta WordPress.com. Sair / Mudar )

Imagem do Twitter

Você está comentando usando sua conta Twitter. Sair / Mudar )

Foto do Facebook

Você está comentando usando sua conta Facebook. Sair / Mudar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 386 outros seguidores

%d bloggers like this: