setembro 2010


Estou curioso para ver isto.

Trabalho intensamente, nestes dias, em uma nova apostila de econometria, totalmente diferente da antiga. Há duas semanas não consigo fazer muito além de anotar. Por enquanto, não é apostila, são notas de aula pois incluem resumos e resumos de diversos tópicos.

Creio que, em dois anos, no máximo, vira uma apostila bacana.

Quem conhece a apostila antiga – que serviu de ajuda para muito mestrando e doutorando nos anos 90 neste Brasil – não reconhecerá a nova. Claro que tenho aproveitado material antigo, mas, honestamente, ele não ocupa nem 5% do material novo.

Uma coisa que vou fazer também é criar uma apostila de exercícios para acompanhar as notas de aula. No futuro, obviamente, tudo isto pode se mesclar em um livro-texto, mas é muito cedo para pensar em algo assim.

De qualquer forma, o início é promissor. Não sei se algum aluno aproveitará bem o material, mas eu tenho me divertido um bocado.

Se tem, então o prazo já terminou ou está por terminar para este prêmio. Bem, o lado bom é que o prêmio se repete anualmente. Regras? Veja o link citado.

Por acaso descobri um site com várias bases de dados compiladas, relativas à América Latina. Está em Latinoamericalibre.

Mansueto ensina economia a um diretor do BNDES.

Ficou com vontade de fazer carinhas no R? Veja esta dica, com dados de crime para os EUA. Dica do Leo Monasterio

Para entender, duas perguntas:

1. Se você quisesse roubar documentos importantes de alguns políticos ou queimar arquivos de seu partido político, você: (a) assaltaria um banco; (b) forjaria um assalto à sede do partido político

2. Se você quisesse roubar dinheiro, você: (a) assaltaria um banco; (b) assaltaria a sede do tal partido político.

Claro que alguém pode dizer que partidos políticos têm cofres mais cheios que bancos privados, mas isso seria uma descortesia com os sindicalistas dos bancários, que sempre juram que seus sindicatos e políticos amigos são pobres (precisam até de Bolsa-Família para seu sustento), enquanto bancos são poderosíssimos e cheios da grana.

Bem, agora você escolhe.

É incrível como, em épocas de eleição, as sedes de partidos se transformam, subitamente, em depósitos de dinheiro. Há até militante que teme pelo aumento da oferta de moeda, embora seus aliados supostamente conhecedores de economia afirmem que a moeda não causa inflação…

Além da antiga democracia – que até sob a administração Collor existiu – em que os indivíduos eram respeitados (sempre com o governo tentando, a todo custo, desrespeitá-los), existe um outro problema com a Receita ou melhor, com a autoridade fiscal: a incerteza que o governo cria para todos. Este sucinto, mas esclarecedor artigo diz muito sobre o problema.

Evidentemente, com tantos candidatos (e vices) exóticos como este e o Tiririca, ambos com uma noção bem pouco séria de democracia, não posso dizer que esteja otimista…

A educação é sinalização ou é também algo buscado para fins de aumento do próprio capital humano. Ilya Somin divulga um debate recente aqui.

A administração da Silva mostra que o comportamento racional dos políticos – que geralmente é visto como bobagem pelos cientistas políticos filiados ao partido do sr. da Silva – é uma hipótese não refutada pelos dados.

Paulo Roberto Almeida reproduz uma notável matéria da Veja (via Reinaldo Azevedo) bastante ilustrativa do que seja rent-seeking. Vamos ver o que os cientistas políticos dizem diante da realidade crua dos dados:

Um cruzamento de dados realizado por VEJA mostrou que 6 045 servidores federais de alto nível se filiaram ao PT desde o início do governo Lula. Sete em cada dez desses convertidos tiveram sua carreira turbinada e, em pouco tempo, foram elevados a postos de chefia ou receberam alguma espécie de promoção. (…) “As instituições do estado passaram a ser subservientes aos interesses do governo do PT – e não do restante da população”, diz Maria Celina D’Araujo.
(…)
O cientista político Pedro José Floriano Ribeiro, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). estudou durante oito anos as mudanças na base social do PT e em seus programas. Ele diz que a sigla pode hoje se encaixar na definição de partido cartel: retira cada vez mais do estado recursos vitais à sua sobrevivência.

Ok, podem haver outras interpretações para os mesmos dados, mas a realidade da súbita conversão dos servidores a uma ideologia política não me parece fruto de uma longa e serena reflexão filosófico-existencial. É rent-seeking mesmo.

O leitor pode dar de ombros e perguntar: “e daí?”

Daí que sociedades rent-seeking crescem menos. Não jogue a culpa na política monetária, meu amigo. O problema está no outro lado…

Isto aqui embaixo, direto do blog do Pedro Sette (com o qual terei o prazer de jantar daqui a pouco), está muito, mas muito bom mesmo. Por falar em cordel em defesa do leitor enquanto cidadão, não como quadro de algum partido mixuruca, que tal isto?

Cidadão, não companheiro
Martim Cardoso

Prefiro cidadão a companheiro
Salvo se escolho acompanhar
Prefiro por opção e por inteiro
Não por alguém me obrigar

Prefiro igualdade na lei
Que igualdade em tudo mais
Dispenso veleidades de rei
Mantenho veleidades reais

Reais até na ilusão
Que se possa acalentar
Meu direito à decepção
Ninguém ouse roubar

Prefiro iniciativa privada
Com certa dose de risco
A uma vida empatada
Encalacrada no Fisco

No sustento do impostor
(Daí o nome imposto)
Na falta de pudor
De quem assume um posto

E trabalha em causa própria
Como se dele fosse o Estado
São cenas muito impróprias
Para as quais sou tributado

Prefiro que a sacanagem
Seja restrita à cama
Nada a ver com vantagens
Estranhas a quem ama

A quem ama seu semelhante
Por mais que declare fazê-lo
O Estado, quando gigante,
Ninguém consegue detê-lo

Prima pela voracidade
De olho em todos os ganhos
Minguando-os à vontade
Conforme seu tamanho

Dando pouco em troca
Mas com que estardalhaço
Uma bola para a foca
Um nariz para o palhaço

Prefiro cidadão a companheiro
Salvo se escolho acompanhar
Prefiro por opção e por inteiro
Não por alguém me obrigar

A pedidos, eis a maior série de tempo de todos os tempos, menos reduzida. Fiquem à vontade para reproduzirem, citando, por gentileza, a fonte (este modesto blog).

O Selva, este tomador de tequilas do Texas, em meio a um ou outro gole, acerta na blogagem. Aqui está um excelente comentário sobre a natureza golpista de um suposto operário e seus supostos aliados honestos que, supostamente, nunca estiveram envolvidos em mensalões, dentre outros.

Quem quiser mostrar que acha uma estultice se preocupar com o futuro dos seus filhos pode votar na candidata do maior gastador dos últimos governos. Enquanto os liberais se preocupam com seus filhos (e os filhos dos leitores), os não-liberais, aqueles do discurso oba-0ba, pregam a destruição da responsabilidade fiscal, com mensalão, quebra de sigilos, tudo o que a ditadura militar tinha vergonha de fazer, mesmo quando fazia.

Eis a diferença entre a esquerda e a direita: a primeira não tem vergonha de ser autoritária.

p.s. se o povo da esquerda pudesse, beijava as botas do Pinochet. Aqui em Minas, por exemplo, o choroso vice de um certo candidato da grande mídia fez beiço e hoje sorri como um lobo em frente a um galinheiro junto ao seu aliado. É a esquerda brasileira, sempre se dizendo atuante, militante e popular…

Prometi e cumpri: eis aí a maior série de tempo de todos os tempos. Vários professores já estão com inveja e alguns alunos temem que a prova seja impressa em papel A3. Entretanto, a foto acima é uma prova irrefutável de que a felicidade dos alunos está na aula de Econometria. Note como estão todos sorridentes com o gráfico. Há quem diga que a felicidade é porque a série convergiu, mas este é um debate cuja resposta é mesmo empírica.

p.s. em breve: a maior curva de indiferença Cobb-Douglas, a maior otimização intertemporal do consumo, etc.

Clique na figura para ver a programação. Inscrições já abertas!

Diogo Costa resumiu de forma excelente o tema. Aqui.

Não sou eu quem digo que eles estão de sacanagem. São eles mesmos. Não acredita? Veja aqui.

Já falei sobre isso várias vezes aqui. Creio que o leitor interessado encontrará muito material se fizer uma busca pelo blog. Mas eis novos textos sobre o tema.

Deve ter sido assim que uma suposta séria candidata conseguiu ignorar apostilas de concursos, livros-texto, panfletos de sindicatos dos bancários e jornais de R$ 0.25 e disse tanta besteira sobre o câmbio.

A reação natural é o riso, mas rir não é a melhor reação em um momento como este. Estamos falando de gente que se propõe a governar.

Eu leio e ainda não consigo imaginar o que ensinam nas escolas de Direito.

Alguém tinha que investigar isso, não é? Pois o James Hamilton – do famoso manual de séries de tempo – e sua orientanda fizeram o que ninguém havia feito por aqui, na selva, ainda: examinar o problema. Texto um tanto técnico, mas não existe almoço grátis, certo?

Temo por continuar a frase. Estaria ele com a mão no bolso? Ou segurando a cornucópia do governante de plantão, para ver se jorra algum cobre? E, segundo o que ouvi outro dia, do antigo Freud, o cobre é a merd.?

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