junho 2010


A economia é sempre interessante na hora destes estudos. Afinal, o cara pode ter preferências ou pode responder a incentivos. Em resumo, é o velho debate entre as força relativa da herança genética sobre a influência do meio. Caplan faz alguns comentários sobre um novo estudo, aqui.

Gostou do assunto? Então, sem piadinhas, aqui vão mais alguns pontos de partida para a pesquisa: este e este.

Mais uma. Só falta o Itamaraty dizer que adorou.

John Lott Jr. volta ao mundo acadêmico, com uma nova edição do seu criticado livro. Vamos ver se desta vez ele disponibiliza os dados, as fontes e não faz a besteira que fez na edição anterior, fingindo-se de outro na página da Amazon.

Independente das questionáveis atitudes de Lott, o ponto levantado por ele vale o debate. Afinal, as externalidades do uso das armas é, em termos líquidos, positiva ou não?

Eu bem que gostaria de dar uma olhada nos dados…

Este texto do Leo, antigo co-autor (e co-fundador do blog) sobre piratas realmente é um clássico do blog.

SB tem uma boa pergunta. Eu, particularmente, gostei muito do A Nascente (livro e filme). Mas há quem não goste, talvez pelo mesmo motivo pelo qual eu goste. Enfim…

Piada do dia.

p.s. Sim, se é só aumentar os impostos nas costas das pessoas, não há descontrole. Que genial…

Vale como um exemplo interessante de bem público e de como os custos e benefícios nem sempre recaem todos sobre os mesmos agentes, na mesma magnitude. Japão, China, França e EUA têm um interesse comum que é a diminuição da violência terrorista (e pirata) na região. Seja por transporte de petróleo, seja por ações terroristas, é um empreendimento que aumenta a segurança na região.

Mas, há o que pensar sobre a economia local de Djibouti. Pode esta base melhorar a economia local? Dado que piratas e terroristas geram externalidades negativas, a resposta pode ser positiva.

Links interessantes:

1. Wikipedia – Piracy in Somalia

2. Dados sobre atividades de pirataria no mundo

Agora sim, poderemos ter, no mundo da não-ficção, a ira de Kan.

Socialistas do mundo todo ainda não enviaram suas doações ao jornal falido. Talvez eles não queiram, ainda, entender os problemas de ação coletiva, embora vivam na luta de classes psicotrópica.

Como a poluição e os pobres estão relacionados? Não da maneira como você provavelmente pensou. Descubra aqui.

Mercados, externalidades…nada como um estudo mais profundo. A propósito, sobre o mercado de permissões de emissão de CO2, uma leitura – para quem já conhece VAR, VECM e afins – está aqui.

Lula^(0.5) = Morales

Lula^(2) = Chavez

Lula^(3) = Castro

Lula^(10) = Kim

Tido por alguns como a resposta do cinema japonês ao famoso Os Dez Mandamentos, o gigantesco filme de Hiroshi Inagaki, Nippon Tanjyou (O nascimento do Japão) é mais um daqueles filmes que você tem que assistir se quiser conhecer mais sobre a mitologia daquele país. Claro que a atuação de Toshiro Mifune é ótima, como sempre, mas o filme vale mais pelos conhecimentos sobre a cultura japonesa. Recomendo.

Claro que não chega ao humor ácido de um Little Bush, mas é muito bom. Pena que a gente que mente tentou esconder o vídeo, seguindo sua tradicional luta pela democracia – iniciada pacificamente no Araguaia, quando queriam substituir a ditadura militar pela ditadura militar de esquerda – mas eis que os amantes da democracia e do bom humor deztepaíz deram um jeitinho brasileiro de arrumar o link do video.

Então não faça como o ministro da fazendinha, e sim como este autor. Vejamos o resumo:

The Yuan’s Exchange Rates and Pass-Through Effects on the Prices of Japanese and US Imports
Yuqing Xing – National Graduate Institute for Policy Studies

Abstract:
This paper estimated the pass-though effects of yuan’s exchange rates on prices of the US and Japanese imports from the People’s Republic of China (PRC). Empirical results show that, a 1% nominal appreciation of the yuan would result in a 0.23% increase in prices of the US imports in the short run and 0.47% in the long run. Japanese import prices were relatively more responsive to changes of the bilateral exchange rates between the yuan and the yen. For a 1% nominal appreciation of the yuan against the yen, Japanese import prices would be expected to rise 0.55% in the short run and 0.99%, a complete pass-through, in the long run. The high degree of pass-through effects were also found at the disaggregated sectoral level: food, raw materials, apparel, manufacturing, and machinery. However, further analysis indicated that the high pass-through effects in the case of Japan were mainly attributed to the PRC’s policy to peg the yuan to the United States (US) dollar, and that the dollar is used as a dominant invoicing currency for the PRC’s exports to Japan. After controlling the currency invoicing factor, I found no evidence that the yuan’s cumulative appreciation since July 2005 was passed on to prices of Japanese imports at either the aggregate or disaggregated levels. The estimated low pass-through effects of the yuan’s appreciation suggest that a moderate appreciation of the yuan would have very little impact on the PRC’s trade surplus.

Pronto, nada como um trabalho simples e objetivo do que declarações estranhas.

Candidatos realmente são engraçados. Por exemplo, em um momento bem exaltado (ah, minha cervejinha…), o sr. da Silva, patrono de sua candidata, defende que mais impostos são a melhor coisa que existe (para ele e seus amigos, claro). Por sua vez, a dita cuja diz que diminuirá os juros e fará uma reforma tributária com gosto de menos impostos. Ou acabará com as políticas monetária e fiscal que melhoraram a vida da população (aproveitando-se do fato de a maior parte dos eleitores jovens não ter vivido sob os planos heterodoxos dos anos 80), ou fixará a taxa de câmbio, na contramão do que precisamos.

Ela negará, mas como conseguirá se desvincular de seus aliados de sangue que o Itamaraty trata desmesuradamente bem?

A resposta é simples: não há motivo para acreditar em promessas da dita cuja na área econômica. Além do falso diploma de doutora (revelado na imprensa, exceto naquele subgrupo da mesma que chamam de “Carta-aos-Amigos-da-Capital-cabeças-de-Word”), a desconfiança só aumenta quando se vê que nem a infeliz candidata, nem seus concorrentes conseguem se posicionar claramente sobre itens básicos da economia. Temeroso mesmo é quando você ouve dizer dos possíveis nomes para os ministérios da Fazenda e Planejamento deste povo.

…falam sobre pagar mais impostos. Um protesto contra a candidata do sr. da Silva – que, na CEPAL, praticamente prometeu não diminuir jamais a carga tributária – está aqui.

p.s. outro dia um comentarista ponderou sobre se Serra seria ou não um gastador. Bem, aqui está outra evidência de que ele segue como pensa há anos, não como governa há quatro.

Eis uma boa idéia.

…o superávit primário só existirá porque o brasileiro aceita pagar mais impostos sem reclamar (exceção feita ao movimento de ONGs que protestam). Aliás, sobre estas ONGs, eu estranhei a ausência absoluta dos tais institutos de defesa do consumidor, gente do Procon, etc. Será que a isenção de impostos que lhes cabe (cabe?) é o preço de sua acomodação? Ou estou enganado?

O presidente da Silva deve ter bebido antes de fazer este discurso de boteco. Intelectuais de esquerda pagam um preço interessante por sua opção pelo presidente-que-improvisa: não há um que resista a assistir um discurso destes sem ficar sem graça…

p.s. aliás, esta mesma galera, que adora falar de “ética na política”, não consegue explicar tanta má fé…

Caplan tem um belo texto aqui. Em resumo, imagine como alguns fatos podem ser pré-estilizados de maneira bem viesada.

Consider a model where workers are either rich or poor, and employers are either nice or mean.  Rich workers might be more conscientious than poor workers, or simply less tempted to steal from their boss.  Nice employers trust their workers to do the right thing, but hire carefully.  Mean employers hire anybody, but watch them like hawks.  What happens?

In equilibrium, nice employers hire the rich, and mean employers hire the poor.  It makes sense: Nice employers need rich workers they can trust, and poor workers misbehave unless there’s a mean employer on their backs.  Nevertheless, the firms where mean bosses employ poor workers look very different from the firms where nice bosses employ rich workers.  An ethnographer who visited the mean boss/poor worker firms would probably tell a vaguely Marxist story about class conflict.  An ethnographer who visited the nice boss/rich worker firms would tell a much more pro-market story about cooperation and meritocracy.

Eis aí um belo exemplo de quão estúpido pode ser o argumento do “você não pode criticar X porque não conhece o Brasil todo”. Certa vez, um rico funcionário público me veio com esta tentativa de argumento. Já que ele havia viajado pelas praias do nordeste e nunca andou na floresta amazônica sem um guia, então, dizia o esperto pterodoxo, ele conhecia mais da “realidade” do que eu, um pobre funcionário da rede privada de ensino.

O trecho acima esclarece um bocado sobre esta história, mesmo que ignoremos o viés fortemente pterodoxo do meu interlocutor engraçadinho. Mais ainda, creio que a reflexão acima dá mais pano para a manga, como habitualmente acontece com Bryan Caplan.

Eis aí uma interessante notícia: diante da possibilidade de se verem engolidas pelos ebooks, editoras se unem. Há quem diga que são ganhos de eficiência – provavelmente existem, já que se uniram – mas como será o arranjo interno? E a competição? Afinal, alguém já conseguiu, nestes 500 anos de história, estudar o mercado editorial brasileiro?

Há tantas teses sobre inflação, sobre astrologia pterodoxa, sobre a cor da cueca de Karl Marx, mas há algum estudo aplicado ao mercado editorial brasileiro? Ou só os consultores conseguem dados nesta área?

Eis aí outro exemplo do problema do capital humano (já se juntou ao meu clube?): escassez de dados, má qualidade da estatística aplicada (e do ensino de estatística) e discursos insanos de gente que diz que economia e métodos quantitativos são seres estranhos entre si são todas características de nosso subdesenvolvimento econômico.

Mas as coisas evoluem. Por exemplo, a política monetária, ainda sob ataque dos astrólogos pterodoxos (até ofendo, sem querer, astrólogos bem-intencionados, sorry guys) só não é consenso para quem nunca teve que trabalhar com ela, na prática. No mercado, onde o salário não está ligado ao número de discursos “alternativos”, mas sim ao conhecimento dos dados, o incentivo para falar asneiras sobre política monetária é bem menor. Já na academia, notadamente nos departamentos de economia cujos incentivos são todos políticos e pouco eficientes, discursos cabeças-de-word-le-monde-diplomatique-carta-aos-caros-amigos-da-capital abundam.

Abundam mesmo. Inclusive nas privadas, não apenas nas públicas…se é que você me entende.

Meu bem-estar aumentou com esta notícia.

…no próximo encontro da Public Choice Society. Os artigos prometem debates interessantes.

Em ano de eleição, o sr. da Silva atinge a maior parte de seu eleitorado: a galerinha da educação pública.

Entretanto, os militantes sindicalizados não levantaram a voz. Nem uma proposta de greve. Nada de assembléias. Passeata? Nem pensar.

Se fosse outro presidente, evidentemente, a galera dos impostos-recebidos-mesmo-que-eu-não-seja-sindicalizado iria fazer o maior barulho.

Lamentável ver como se comportam? Nem tanto. Triste mesmo é ver como os eternos ingênuos continuam acreditando no discurso moralista dos sindicalistas, com sua conversa mole sobre ética, socialismo e humanismo.

Humanismo de bú é bolha.

Em 1933, diríamos: Críticas ao novo gabinete de Adolf Hitler são precipitadas.

Sempre que alguém chama uma crítica de “precipitação”, tenho vontade de puxar o revólver do coldre.

Excelente e bem-humorado texto do Philipe sobre as exóticas mensagens de algumas propagandas.

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