junho 2010


Eis aí um belo trecho:

Nowhere is the gap between sinister stereotype and ridiculous reality more apparent than in Afghanistan, where it’s fair to say that the Taliban employ the world’s worst suicide bombers: one in two manages to kill only himself. And this success rate hasn’t improved at all in the five years they’ve been using suicide bombers, despite the experience of hundreds of attacks—or attempted attacks. In Afghanistan, as in many cultures, a manly embrace is a time-honored tradition for warriors before they go off to face death. Thus, many suicide bombers never even make it out of their training camp or safe house, as the pressure from these group hugs triggers the explosives in suicide vests. According to several sources at the United Nations, as many as six would-be suicide bombers died last July after one such embrace in Paktika.

Povo ruinzinho de serviço…

É o que entendo por esta constatação do Leo.

Estas galinhas me fazem rir toda manhã. A tira de hoje é uma ótima reflexão sobre como a internet se transformou no contrário do que 11 em cada 10 psicólogos/pedagogos/pais diziam no começo dos anos 90.

Para quem não se lembra, naquele tempo, a internet seria a porta para o isolamento social, para o individualismo egoísta e, entre os mais ranzinzas, o início do fim das relações sociais.

Pelo contrário, a internet não é um substituto para as relações sociais (pode sê-lo para alguns, mas não se pode generalizar isto), mas sim um complemento.

De fato, você não precisa mais desenvolver “relações sociais Niemeyerianas” na fila do banco, com gente desconhecida, já que a internet permite com que se faça transações bancárias em casa.

Além disso, com a mesmíssima internet, você pode conhecer novas pessoas, desfazer amizades, falar bem, falar mal, tudo o que já fazia sem a internet. Em outras palavras, apenas mais um meio de interação social.

Igor está de mau humor e, com isto, produziu dez interessantes dicas. Aqui.

O PRA faz uma bela crítica a esta novidade que certamente encantou os cronistas gaúchos fãs incondicionais de qualquer manifestação bolivariana. Claro que o jornalismo chapa-branca “esqueceu” de falar sobre o tema porque devem estar enviando cartas-da-capital-para-os-caros-amigos na Coréia do Norte ou em Cuba. Já quanto ao Itamaraty, desta vez não se pode criticá-lo. A política judicial doméstica da Bolívia é problema dela.

Essa menina canta bem.

Eis uma interessante reflexão sobre a Suécia.

Publico na íntegra:

Senadores distorcem informações da Transparência Brasil

Parte da imprensa tem repercutido declarações de políticos acerca de dados apresentados pela Transparência Brasil a respeito da produção legislativa brasileira. Tais declarações precisam ser retificadas porque trazem afirmações feitas a partir de leitura enviesada de estudos da TBrasil.

As proposições de lei apresentados pelos parlamentares constituem uma das diversas famílias de informações constantes no projeto Excelências (www.excelencias.org.br).

A partir desses dados, a Transparência Brasil realizou em 2009 o estudo “Perfil da produção das Casas legislativas brasileiras” (http://www.excelencias.org.br/docs/prod_leg_congresso.pdf), no qual se apontou o alto grau de irrelevância no conjunto das proposições e projetos de lei apresentados nos Parlamentos brasileiros.

Para favorecer a compreensão, separaram-se em duas categorias as propostas apresentadas: projetos sem impacto (irrelevâncias como instituição de datas comemorativas, concessão de medalhas etc.) e projetos os quais, por falta de melhor denominação, designamos como “com impacto”.

Ressalte-se, porém, que a classificação de um projeto de lei como “com impacto” não representa um juízo a respeito de seu mérito. “Impacto” pode ser altamente negativo.

É precisamente nesse ponto que se concentram as distorções cometidas por alguns políticos, notadamente os senadores Marcelo Crivella (PRB/RJ) e Serys Slhessarenko (PT/MT).

Ambos reiteradamente têm declarado à imprensa que foram “eleitos” ou “escolhidos” pela Transparência Brasil como “um dos melhores mandatos” e afirmações semelhantes.

Uma leitura um pouco mais atenta dos estudos da Transparência Brasil e das informações constantes no projeto Excelências desautoriza tais declarações.

Fabiano Angélico
Coordenador de projetos/ Projects coordinator
Transparência Brasil http://www.transparencia.org.br
(55) 11-3062.3436

Você também tinha ficado horrorizado com a história daquele austríaco que abusava da filha? Pois é. Apesar de brasileiros acharem ruim quando os Simpsons fazem piada com o Rio de Janeiro, ou quando os israelenses fazem troça das bobagens do presidente da Silva, o fato é que, novamente, a galera conseguiu: também temos um “austríaco” entre nós.

Mais uma evidência de que o mercado funciona, inclusive às custas de quem ganha a vida tributando os outros, sabe-se lá para que (sim, às vezes eu fico muito decepcionado com este povo…).

Eu só me alegro ao ver que existe vida inteligente à minha volta. Por exemplo, este artigo. Aliás, com cinco minutos eu já encontrei as bases de dados mais interessantes utilizadas pelos autores.

É só ter interesse que a coisa anda, não é o que dizem?

Mas dê uma olhada no artigo. É mais um bom exemplo de uma pergunta difícil respondida de forma criativa. Se a resposta é definitiva ou não é algo que não se pergunta em ciência. Mas a tentativa é sempre geradora de bons estudos.

Existiria relação entre isto e isto?

Sardenberg faz uma excelente crítica a este chamado “paternalismo na saúde” da ANVISA.

O que mais me chama a atenção é a simplicidade com que ele mostra que o problema de escolha do consumidor é muito mais rico do que quer a ANVISA e sua regulação uniforme.

Quem já estudou economia sabe que considerar as diferenças entre os indivíduos é muito diferente de “pregar o individualismo neoliberal, excludente, sem alma, quiabo e sogra” do discurso de gente que pensa que homossexualidade é ‘desvio’ gerado pelo consumo de frangos industrializados (Quem foi que disse esta asneira mesmo? Ele é amigo de quem? Quem adora elogiá-lo?).

Não poderia ser a mesma coisa, claro. Afinal, a turma do “abaixo o individualismo” é a mesma que acha importante que se crie privilégios para sub-grupos da população a qualquer custo. Se preciso for, tentam até enfiar um prêmio Nobel para um único ícone da esquerda brasileira moderna (estes que não são doutores, orgulham-se de não terem estudado ou aqueles que se dizem doutores até serem pegos por jornalistas investigativos). Eis aí o cúmulo do individualismo encontrado no coração dos não-liberais.

Ironicamente, poderíamos falar de dialética, mas dialética é algo muito sério para ser deixado nas mãos desta gente. Eles provavelmente a usariam como papel higiênico ou sabão, não necessariamente em seu melhor uso…

O SB deu a dica desta triste notícia sobre o Senado Federal. Ei-la.

O núcleo da situação e também da oposição está bem representado entre os acusados, neste notável exemplo de descaso com os direitos de propriedade de um autor.

Quando eu falo de minha decepção com a política sempre aparece alguém para me dizer que estou exagerando. Bem, a cada dia que passa aumenta minha crença de que tenho é sido muito bondoso em minhas críticas…

Esta é uma homenagem aos eternos utópicos que sonham com um mundo sem “individualismo”, economia de mercado, etc.

Claro que o choque com a realidade nem sempre traz sabedoria. Como apontado pelo pessoal da Economia Comportamental (por uma ironia deliciosa, geralmente os pterodoxos de esquerda usam tal teoria para criticar a economia de mercado), há uma certa dificuldade, em alguns casos, para que os agentes se comportem de maneira racional…

Com um pouco de pressa eu diria que achei ótima esta rápida visualização da desigualdade de renda na América Latina comentada pelo Leo.

Também diria que estes comentários do Adolfo sobre os incentivos errados que guiam as ações no mercado de trabalho para acadêmicos valem uma reflexão (e também pesquisas).

Finalmente, sempre me alegram os estudos que buscam ampliar nosso conhecimento sobre o papel do empreendedorismo na teoria econômica. Sanandaji tem três artigos interessantes: este, este e este.

Ainda bem que não uso mais o Oi Velox. Espero que minha operadora não faça algo similar e, claro, gostaria de saber onde está o apreço do judiciário brasileiro pelo direito das pessoas à sua privacidade.

Será que o discurso superficial e errado sobre o “individualismo” destruiu a resistência da galera? Ou vale mais para um juiz falar bonito sobre o “social” do que defender o direito à privacidade?

p.s. não confunda privacidade com direito de cometer crimes. Não se trata disto nem aqui, nem no caso do Oi Velox.

…mas trabalhou bastante.

FARC ajuda traficantes brasileiros? Sim. Embora o Itamaraty ainda não tenha se pronunciado sobre o assunto, já podemos imaginar o tamanho do problema gerado por mais esta revelação.

Ok, só não era novidade para a polícia e para a parte não-comprada da imprensa brasileira, mas é sempre bom ver que um dos mais importantes membros fundadores do Foro de Sao Paulo cumpriu a meta de internacionalizar suas ações no continente. Muito além de qualquer Operação Condor, não?

Parece-me que existem evidências interessantes na área. Aqui.

Marcelo Madureira denuncia o poder do governo sobre os meios de comunicação, censurando o que pode. É interessante ouvir argumentos “politicamente corretos” sobre a liberdade de expressão (uma vez um assessor de imprensa me falou uma asneira sobre isso, mas um dia eu conto mais), críticas de “imparciais” em suas torres de observatórios, bem distantes da realidade, falarem do poder dos grupos e tudo o mais.

Mas não falam nunca o que o Marcelo disse nesta entrevista. Recados da presidência da república (em minúsculas mesmo) para os humoristas moderarem o tom? Sinceramente, é demais. O brasileiro morre de rir com Lil’ Bush, mas não admite uma piada do mesmo nível com um político? Ora, ora, esta militância toda que me falava de liberdades e democracia me saiu bem mais imbecil e tacanha do que um carrasco de campo de concentração. Nota zero para o presidente e para seus assessores de comunicação (inclusive os comprados com cargos de confiança e empregos convenientemente pagos com nossa elevada carga tributária).

Genial este vídeo. O bom humor do narrador me faz pensar sobre o quanto o sr. da Silva não riu depois de fazer aquele discurso super-estranho (eu faria um igual, se estivesse bêbado).

…anos e eu não consegui terminar de ler nem este, nem este outro livro. Agora, acabei de adquirir a versão traduzida deste outro. Certo é que me interesso por estes estudos sobre o uso político da ciência (ou mesmo sobre como bolivarianos do século XX gostavam de tratar a tal “ética” científica em seus experimentos, aham…, com seres humanos).

Fascinante mesmo pensar em quanta besteira um cientista não é capaz de fazer quando começa a se achar um senhor da verdade. Ou quando busca na ciência respostas que somente a religião (ou outras crenças místicas) poderia(m) lhe dar. Lembro-me de ler sobre esta importante distinção em um dos ótimos livros do meu amigo Alberto Oliva, filósofo da UFRJ sobre filosofia da ciência.

Mas eu realmente vou tentar terminar de ler estes livros. Não é só o interesse histórico, digamos, arqueológico, da profissão de pesquisador. É para ver o que as atitudes cientificamente desonestas ou ideologicamente guiadas de hoje nos dizem sobre a (falta de) evolução da ciência. Melhor dizendo, ajuda a pensar um pouco nos incentivos que guiam as ações de tomadores de decisão peculiares: os pesquisadores.

É o que pensa Arnold Kling, creio.

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