Pronto, fundei o meu clube.

Explico-me. Não quero subsídios do governo para mim. Também não quero mais impostos sobre ninguém em meu nome. Tudo começou com o artigo que eu e o Guilherme publicamos aqui. Desde então, não consigo mais deixar de notar a má qualidade da mão-de-obra por aí. Ontem fui a um restaurante japonês de BH com o Ari e sua família. O garçom me soltou um “- A gente temos” em umas quatro ou cinco frases seguidas.

Não dá para ignorar. Como conheço alguns professores da rede pública, sei que nem todos concordaram com o “construtivismo achado na rua” que defende, na prática (mesmo que não o digam, é a consequência lógica do que pregam), o descaso com a qualidade do capital humano. Nesta visão puramente política da pedagogia, “qualidade” é coisa de capitalista que certamente gera exploração da mão-de-obra inocente, burra (e que precisa ser guiada pelos grandes timoneiros da esquerda para…para…para onde?).

Como economista e como professor, não posso compactuar com esta enganação. Não quero mais ver garçom falando como um selvagem. Quero vê-lo estudando e ampliando as chances de evoluir e ser uma pessoa realmente completa, que tem capacidade de escolher entre diversas profissões possíveis.

Cada um com um mínimo de inteligência (note: não necessariamente isto significa estudar muito) sabe que os políticos estão, em sua esmagadora maioria, independente da ideologia que dizem defender, apenas dispostos a permitir que as pessoas tenham a oportunidade de servi-los como garçons, prostitutas, engraxates a troco de uma esmola que pode até ser uma bolsa financiada com o dinheiro público. Isto não é política social, é exploração.

Até os industriais, que sempre defenderam uma única política setorial como sendo social, a tal política industrial, estão em maus lençóis agora, em parte como resultado de suas próprias ações como pedintes (e não como empresários) neste capitalismo paternalista que é o brasileiro. Não é difícil notar a notória dificuldade que eles têm, por exemplo, em apresentar algum estudo com uma medida simples de bem-estar para justificar suas reivindicações. Substituir importações, meus caros, não é um almoço grátis.

Bem, isso tudo nos leva ao clube do capital humano. Qual o objetivo? Simples, quero colecionar, sobre esta tag, notícias que mostrem o problema. Quanto mais a blogosfera espalhar as impressões sobre este problema, melhor. No mínimo vou colecionar evidências, aqui, de que o problema do capital humano brasileiro continua sério e que não pode ser mascarado com o discurso “agregador-keynesiano”. Capital humano é, sim, um problema de infra-estrutura no Brasil e, não, não se resolve criando mais universidades públicas. Capital humano é um problema microeconômico. Está na vida de cada um de nós: na padaria, no posto de gasolina, na faxina semanal e, para a tristeza de alguns, na própria família.

Este Clube está aberto para a coleta de depoimentos, impressões, dados, estudos científicos, etc.

p.s. O primeiro convite é ao professor Guiherme Hamdan, co-autor do artigo. Se quiser blogar aqui sobre este tema (e outros), é só me falar.