fevereiro 2010


O II Congresso da AMDE é uma boa oportunidade para as pessoas começarem a parar de pensar que “Direito Econômico” é sinônimo de “Economia & Direito” ou “Law and Economics“. Também é uma boa oportunidade para jogar no lixo idéias bisonhas como a de que “econometria é fruto da serpente neoliberal” e outras fantasias psicóticas que se ouve por aí.

Após vários dias – e textos do Coronel (o último deles aqui)- eis que o geralmente pacato Cristiano também criticou uma recente pesquisa de opinião.

A discussão foi quente, com brigas entre o Coronel e o Noblat. Talvez o mais importante seja perceber o seguinte: quanto mais pessoas aprendem estatística (realmente aprendem, não apenas passam neste “mobral” que são as auto-avaliações do Estado sobre sua suposta excelência pedagógica), menos os interesses políticos – que financiam estas campanhas – podem viesar os resultados.

O leitor deve ficar atento às aulas de estatística.

Luciana se esqueceu do link original, acho.

Excelente notícia.

Quase todo leitor deste blog sabe que eu gostava muito de John Lott Jr. Lia seus artigos e sempre o achei muito bom em insights. Hipóteses interessantes e polêmicas e, claro, seus estudos sobre os efeitos do porte de armas. Um belo dia, parei de ler Lott. Por que? Porque ele se envolveu num suspeitíssimo caso de dados fraudulento para defender seu ponto de vista radicalmente favorável ao porte de armas. Um professor de Clemson, famoso, havia, um ano antes, caído em desgraça pelo mesmo motivo, embora fosse um ardoroso opositor da liberação do porte de armas.

Este blogueiro ficou honestamente chateado com a mancha que John Lott criou para si. Claro, nunca mais consegui ler ou recomendar algum artigo dele. Bom para este blogueiro e para os poucos leitores que temos aqui.

Agora, foi revelado que defensores dos defensores da agenda global da “urgência-do-aquecimento-acima-de-tudo” fraudaram dados. Este blogueiro sempre temeu a parcela bolivariana dos defensores do meio ambiente, desonesta e ideológica acima de qualquer evidência científica.  Mas jamais esperou – embora fosse previsível, dados os incentivos – que gente da climatologia jogasse com o medo da população mundial de forma tão irresponsável, falsificando a própria evidência científica.

Espanta mesmo é ver a imprensa engajada jogar com notícias que supostamente desautorizariam as denúncias. Lê-se que “os dados foram obtidos por grupos de interesse”. É como  se famosos políticos brasileiros reconhecessem dados que os incriminassem, mas reclamassem de ninguém tê-los requisitado em uma carta educada, envelopada e selada.

Este blogueiro permanece cético, muito mais simpático a Lomborg, embora reconheça que, como na pobreza, na burocracia governamental ou na condução da política fiscal, também na política ambiental existem problemas. Mas é triste ver como a blogosfera bolivariana continua a adotar a postura “engajada”.

Uma coisa é se engajar como Aron, outra, como Sartre. Fico com o primeiro (e olha que intelectuais franceses não são o meu forte…).

É assim que eu chamo este ótimo texto de Pedro Sette. Os libertários, além de lerem a crítica do Igor Taam, deveriam também pensar neste tipo de estratégia: começar com pequenas – e realistas – propostas de impacto.

A da nota fiscal discriminada me parece a mais decente medida já proposta. Decente com os leitores deste blog – até os ocasionais e mal-educados – pois todos (ou quase todos) pagam impostos.

Uma jornalista do JB me ligou ontem:

“O senhor poderia me dizer como fica a economia do Brasil se o dólar continuar assim?”

Diante de tal pergunta, dei-lhe uma resposta adequada:

“Ora, a taxa de câmbio valorizada facilita as importações e o contrário vale para as exportações. Lembro que uma economia não vive só de exportar. Além disso, em um regime de câmbio flexível, a taxa varia conforme a entrada e/ou saída de reservas (ou entrada líquida) no país”.

A repórter:

“Mas isto é muito genérico!”

E eu pergunto: o que ela queria?

Já dei muitas entrevistas para jornalistas. Para quem não conhece, é uma das tarefas mais difíceis que existem. Bem, pessoalmente posso dizer que o pessoal da Globo Minas é muito profissional e sério: preocupam-se com a pauta, procuram se esclarecer sobre o tema, enfim, tive ótimas experiências com eles.

Mas já vi gente de outros jornais (e emissoras de rádio) se embaralhar com coisas como “2% = 2 pontos percentuais” (um erro básico) e outros, como a repórter acima citada, que fica irritada porque faz uma pergunta genérica e pede uma resposta detalhada.

Se você quer uma resposta específica, faça uma pergunta específica. Se não é especialista na área, deixe claro isto antes da entrevista e procure fazer perguntas mais específicas. Ou deixe claro que vai recolher 15 minutos de monólogo para, depois, pensar em como redigir o texto.

Na verdade seria mais fácil se o jornalista tivesse noções básicas de microeconomia e macroeconomia (e menos noções básicas de doutrinação pterodoxa, como vejo em cursinhos de economia para jornalistas de má reputação), mas o mundo não é perfeito.

Nesse sentido, ficam aí umas dicas para os bons jornalistas.

Este texto indicado pelo SB e este serviço de utilidade pública do “Mão Visível” necessitam a leitura obrigatória de qualquer administrador de faculdades ou economista.

Igor tem ótimas críticas aos libertários brasileiros.

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