Quem disse que a URSS não serviu para nada? Bem, talvez seja mais exato dizer que o fim da URSS serviu aos interesses do povo. Precisamente, US$ 3 milhões foram ganhos pelo governo da Letônia com a venda antiga base (secreta) soviética que ocupava (isto sim, é ocupação imperialista) uma cidade inteira. Quarenta e cinco hectares de terra e mais alguns imóveis convertidos em recursos para o governo letão.
Bem, para ser mais preciso ainda, os interesses do povo só serão totalmente servidos se o governo letão não utilizar mal estes recursos.
Continuo, quase diariamente, a leitura deste excepcional livro. É interessante aprender mais sobre a história dos EUA sob uma visão tão detalhada como a de Goldberg. A abundância de citações dá um bom suporte à sua narrativa e, o que é mais assustador, mostra que o fenômeno descrito por ele, o de um fascismo “paz e amor” que teria surgido em ondas nos EUA (ondas que sempre voltam) é extremamente parecido com algumas coisas que se vê na América Latina.
Especial atenção para a eterna – para mim, interessante – tentativa de um grupo ideológico de reescrever sua história extirpando fatos e pessoas que possam causar algum constrangimento para a biografia do movimento. Sim, outra estratégia é reescrever a história revisando-a, o que também é destrinchado por Goldberg.
O caso abaixo me foi contado por um colega da rede estadual de ensino.
Há muito tempo existia uma escola na Patolândia. Nesta escola, certa vez, um aluno praticamente destruiu a reputação de um professor com exemplos de pouco profissionalismo na frente dos colegas e de outro professor. Este, por sua vez, perguntou:
- Por que não reclamas com o diretor da escola?
Mas o aluno nunca bateu à porta do diretor.
Qual é a moral desta história? Pensei em algumas alternativas:
a) O custo de assumir o protesto pela qualidade de ensino nunca é percebido pelo aluno porque, afinal, ele já fez a matéria, aproveitou-se das ineficiências e, agora, apenas agora, revela suas críticas. Ou seja, é uma questão de custo-benefício.
b) Na mesma linha de (a), o aluno não reconhece a autoridade do diretor, ou não a vê como efetiva para uma mudança imediata, logo, desiste. Obviamente, mudanças são sempre marginais, nunca repentinas (sob o risco de causar um desastre), mas o aluno insiste em mudanças instantâneas para maximizar seu benefício de curto prazo.
c) O aluno apenas quer criar “network”. Ou o professor atual é visto como um ativo importante na construção de sua própria rede pessoal (sua = do aluno), ou o professor criticado já se depreciou em tarefa similar (“já serviu aos propósitos do aluno”). Isto pode ser amplificado se os professores avaliam alunos pela simpatia, mais do que pela competência.
Alguém mais quer ajudar meu colega com novas hipóteses e teorias?
Uma única observação: para mim, o calcanhar de Aquiles que impede a disseminação deste tipo de serviço bancário é a segurança das redes. Como sempre, o baixo nível do capital humano é um obstáculo. Talvez devêssemos conversar com gente da área de Ciência da Computação (ou qualquer um de seus apelidos mais ou menos nobres: Tecnologia da Informação, Tecnologia de Redes, etc) para ver o que eles acham.
Se eu pudesse fazer uma entrevista, escolheria alguém daqui.
Estive em uma agência do monopólio estatal chamado “Correios” para buscar uma encomenda.
Ao chegar, encontrei um rapaz já à espera e, como bom cidadão, ocupei meu segundo lugar na fila. Por nós passou um senhor idoso, de aparência bem desarrumada, que entrou pela porta ignorando-nos completamente. Quando o segurança autorizou, entramos e encontramos o dito cujo. O guarda tentou um aviso:
“- Senhor, eles chegaram primeiro”.
Entretanto, o idoso respondeu em tom de desafio e arrogância:
“- Eu tenho preferência, não?”
Geralmente, se bem me recordo, o idoso deve ser tratado com respeito não porque exista uma norma governamental (aliás, não existe tal norma expressa na agência do monopólio em que estive). Pensei em responder-lhe:
“- Sim, o senhor tem a preferência e nós, mesmo que não existisse tal lei, ceder-lhe-íamos o lugar. Mas, pela sua postura, vejo que tem muita preferência e pouco orgulho”.
O engraçado é que pela aparência do idoso, percebi que o capital humano não seria o seu forte. Aliás, ao ser atendido pelo funcionário, o idoso continuou seu show de arrogância, reclamando em voz alta e, ao ser deixado de lado da fila (o problema dele, desconfio, não foi resolvido) a espera de outro funcionário que poderia, talvez, ajudar-lhe, praguejou em voz alta sobre o monopólio estatal dos correios.
Quando chegou a minha vez, peguei a encomenda e perguntei ao rapaz sobre o porquê das três tentativas de entrega não terem sido acompanhadas daquele tradicional documento na caixa de correio avisando o destinatário de que o correio teria tentado me encontrar. Afinal, com um papel destes eu poderia buscar a encomenda pelo menos com uma semana de antencedência.
Entretanto, o funcionário do monopólio estatal dos correios – friso novamente para o leitor não se esquecer do significado do monopólio – embora educado, deu-me uma explicação confusa e genérica. Algo como:
“- Quando a etiqueta é esta azul (todas as encomendas vêm com a mesma etiqueta que alardeia o “PAC” para qualquer eleitor…ou seria uma imensa coincidência?), então pelo tamanho da caixa, o tipo de encomenda….não, só este aviso”.
Imaginei: este cara seria bem ajudado por algum tipo de documento explicativo. Por que ele não tem um panfleto simples, explicando as modalidades de encomendas que são entregues e como elas se diferenciam quanto ao aviso de entrega? Talvez o pessoal do monopólio estatal dos correios ache que todos são como o arrogante idoso, que enchem a boca para dizer sobre sua “preferência na fila”, embora pareçam nem saber ler e, assim, tenham escolhido por explicações verbais, por mais confusas que estas possam ser.
Talvez, claro, seja a falta de concorrência a causa desta ineficiência no atendimento. Ou a falta de capital humano entre o pessoal dos correios. Ou ambos.
Eu imagino o que aconteceria se um funcionário de um monopólio – que se arroga o direito de colocar avisos ameaçando o usuário de seus serviços (“desrespeitar o funcionário público te dá cana, negão, segundo o artigo x, da lei y…”) – perdesse a paciência com o tal idoso que se acha melhor do que os outros porque o governo (o patrão do monopólio) criou um estatuto só para ele.
No final, parece que os principais problemas são: (i) privilégios concedidos são sempre geradores de arrogância; (ii) o capital humano não se corrije corrige (valeu, Beltrano, por apontar meu escorregão!) com PAC ou com universidades: o trabalho é na base, como já dizia boa parte da oposição (aqui sou obrigado a concordar com a oposição, ainda que esta seja uma massa amorfa e pouco significativa no discurso político), (iii) a competição poderia ter efeitos positivos sobre os serviços dos correios, mas o governo não tem interesse em melhorar a qualidade destes serviços, nem mesmo discutir a quebra do monopólio, principalmente em ano eleitoral.
Ah sim, a encomenda chegou com atraso, mas chegou…sem danos.
Sempre fui um entusiasta dos produtos da Firefox. O Thunderbird, por exemplo, foi um programa que adotei logo quando lançado. Agora, sou obrigado a dizer: ele piorou muito na última versão. Nem por isso voltarei ao pesadíssimo Outlook, mas já penso em alternativas. Talvez usar meu outro computador, aquele exclusivamente recauchutado com o Ubuntu, como base de mensagens para o Thunderbird.
Lamento muito, Mozilla-maníacos, mas o novo Thunderbird é sofrível. Já o Firefox vai bem, obrigado.
A dimensão histórica disto é algo sobre o qual eu gostaria de especular. Mas apenas vou deixar aqui meu relato pessoal: já ouço boas músicas coreanas há anos. Como macarrão coreano há pouco tempo (e gosto) e, claro, tenho uns poucos amigos conhecidos coreanos.
O mercado, com seus encontros e desencontros, já havia me informado mais sobre as peculiaridades e similitudes dos dois povos do que o ato oficial. Entretanto, claro, este é muito bem-vindo. Ganhei meu feriado.
Enquanto o governo continuar gastando mais do que arrecada – sim, amigo funcionário público, você também faz parte da conta – teremos sempre tentativas de tributar a população. Não é mistério, portanto, isto aqui.
Como disse o atual ocupante da Granja do Torto, não é para a sua candidata vender por aí o discurso da esquerda, estatista e estatizante. Provavelmente ele percebeu que levantar esta polêmica pode levá-lo a responder por esta desagradável – mas elementar – lógica.
Até onde o governo pode arrecadar sem provocar repugnância no cidadão? Tudo depende de um antigo artifício que é chamado de dispersão de custos, concentração de benefícios. Quando o governo subsidia um sindicato às custas de parcelas do imposto que você paga, todo mundo acha que paga um pouquinho (“ah, tudo bem, R$ x,00 não me fazem falta”), mas os escolhidos ganham um bocado.
Há maneiras de fazer isto, por exemplo, aprovando medidas provisórias confusas, que unem itens totalmente díspares, agregando interesses de deputados (com ou sem mensalão adicionado). Uma vez que a “anestesia” da dispersão tenha sido feita, não é difícil escolher um grupo para premiar.
Eventualmente há até algum mérito moral em premiar determinado grupo (um imposto de renda negativo para um miserável é uma boa aplicação do meu imposto, sob determinadas circunstâncias de transparência e valores). Mas a maior parte do que você cede ao governo vai para algo que você não vê.
Geralmente, quem gosta do texto 1 não gosta do texto 2, ou seria o contrário? Se alguém mostrar evidências de que a espiritualidade pode ser exacerbada por danos cerebrais, obviamente sofrerá críticas de alguém que, tenho fé (he he he), usaria o texto 2 como prova de que cientistas agem por interesse próprio (como ensinam os economistas não-pterodoxos, i.e., não-cabeças-de-Word).
Já os que têm fé na ciência, adorarão o texto 1 e acusarão o texto 2 de um mero caso isolado amplificado por agentes secretos do Vaticano, da Opus Dei e tudo o mais.
No final das contas, eu digo: incentivos afetam padrecos (estes insaciáveis perseguidores de crianças e incentivadores da violência no campo em nome da paz) e cientistas (estes insaciáveis perseguidores de fundos públicos, dispostos até a chamar gente séria como Lomborg de “vendido”, enquanto calculam o valor de seu trabalho que, nem sempre, é o melhor, como demonstrado no último capítulo de Super Freakonomics).
Divertido trabalhar com ciência (conscientemente).
Estava batendo um papo com o Pedro Albuquerque (já viu a última coluna dele lá no Ordem Livre?) sobre as conversas na blogosfera. Resultado? Realmente, junto com ele, começo a achar que a tese do Caplan realmente é correta.
Assim como o leitor mais chegado em Public Choice, eu também já passei pela fase “cálculo do consenso não é tão bom para descrever a realidade” para “economia do conflito explica melhor o surgimento dos contratos sociais”.
Em outras palavras, geralmente achamos que o melhor modelo para explicar o surgimento de instituições como a Constituição não é o acordo social – tal como descrito no clássico de Buchanan & Tullock – mas sim alguma visão analiticamente mais próxima daquela cujo pioneiro foi o grande Jack Hirshleifer.
A patuléia conhece muito de Kurosawa, Ozu e Mizoguchi. Mas poucos conhecem Kinoshita (já falei dele aqui) ou Youji Yamada. O vídeo acima é de um dos filmes do último. Youji tem uns 77 anos e 80 filmes. Este, se não me engano, dos anos 70, mostra bem o espírito japonês e sua ligação com a terra natal (Furusato ou Koukyou).
A patuléia local (não descendente ou pouco ligada ao cinema japonês) ganharia muito se assistisse mais filmes como este.
Ok, rapidamente, quem assistiu Gaijin reconhecerá a atriz principal, Tieko Baishou (também a irmã de Tora-san, o anti-herói de “Otoko wa Tsurai yo“) e, claro, quem conhece a música japonesa, poderá ver Akira Terao em uma tocante interpretação de um angustiado líder jovem local de uma comunidade agrícola que tem sua vida amorosa e profissional praticamente encrencada pelos infortúnios da vida. Aí é que entra o enredo do filme. Bem, deixo ao leitor a tarefa de demandar o filme em alguma boa loja de DVD´s nacional (a tradicional pouca variedade) ou estrangeira (sim…).
p.s. se eu tivesse o apoio infra-estrutural necessário, promoveria a exibição deste filme (com legendas em inglês, claro) para a parte nobre da patuléia (meus amigos). Infelizmente, o PAC não se preocupou comigo, mas apenas com grandes fornecedores…he he
Espero que não aconteça o que aconteceu com o Igor. Desta vez, Ângelo da CIA traz suas reflexões para os liberais, libertários e afins. Não se esqueça de ler também as últimas da Lu, do Pedro e do Diogo.
Afinal, seguindo o exemplo do neosocialismo (sim, ele mesmo) de Chavez (apoiado por muita gente que não tem a coragem de dizer que apóia este tipo de “gente”), liberdade é uma palavra burguesa que só serve para quem tem TV a cabo. Opa, nem para estes pode.
Obviamente que é curioso ver a oposição (oposição?) deixar passar a oportunidade de fuzilar esta idiotice. Talvez porque a idiotice, claro, seja disseminada e um direito (eles dirão: “adquirido”) dos políticos. Bem, talvez seja mesmo.
O Martim ficou bravo com um texto de uma jornalista do Estadão. Bem, eu raramente leio o caderno “Aliás”, dominical, embora goste muito do restante da edição dominical do Estado. Chama a minha atenção o fato de que tive a mesma impressão que ele em diversos pontos. Realmente a jornalista constrói sua narrativa de maneira bastante ”radical” (afinal, ou você está com Obama, ou contra ele, logo, “radical”).
Ok, acho que todos deveriam ler o texto original e o do Martim. No caso, este último é capaz de enxergar o problema ideológico do primeiro texto.