O caso abaixo me foi contado por um colega da rede estadual de ensino.
Há muito tempo existia uma escola na Patolândia. Nesta escola, certa vez, um aluno praticamente destruiu a reputação de um professor com exemplos de pouco profissionalismo na frente dos colegas e de outro professor. Este, por sua vez, perguntou:
- Por que não reclamas com o diretor da escola?
Mas o aluno nunca bateu à porta do diretor.
Qual é a moral desta história? Pensei em algumas alternativas:
a) O custo de assumir o protesto pela qualidade de ensino nunca é percebido pelo aluno porque, afinal, ele já fez a matéria, aproveitou-se das ineficiências e, agora, apenas agora, revela suas críticas. Ou seja, é uma questão de custo-benefício.
b) Na mesma linha de (a), o aluno não reconhece a autoridade do diretor, ou não a vê como efetiva para uma mudança imediata, logo, desiste. Obviamente, mudanças são sempre marginais, nunca repentinas (sob o risco de causar um desastre), mas o aluno insiste em mudanças instantâneas para maximizar seu benefício de curto prazo.
c) O aluno apenas quer criar “network”. Ou o professor atual é visto como um ativo importante na construção de sua própria rede pessoal (sua = do aluno), ou o professor criticado já se depreciou em tarefa similar (“já serviu aos propósitos do aluno”). Isto pode ser amplificado se os professores avaliam alunos pela simpatia, mais do que pela competência.
Alguém mais quer ajudar meu colega com novas hipóteses e teorias?
fevereiro 16, 2010 at 5:53 pm
Aconteceu com uma turma na UERJ: um professor maluco (sério, o cara era maluco) adorava manter sua fama de reprovador em massa. Para alcançar seus objetivos ele lançava mão de artimanhas como usar em cálculos de aceleração números complicados, geralmente usando e abusando de raízes de números primos e coisas do tipo. Ele dizia que podia até usar calculadora mas a resposta deveria estar no formato aguardado por ele, ou seja, com raizes e tudo mais. Na hora de corrigir a prova ele usava o seguinte método: olhava a resposta. Se estive diferente do que ele tinha, era ZERO. Se tivesse igual mas o aluno tivesse usado alguma abordagem diferente do que ele queria era ZERO. Ou seja, o cara era um MERDA que descontava todo seu recalque nos alunos. Por diversas vezes, várias comissões de alunos foram reclamar com reitor e a resposta era sempre a mesma: “não posso fazer nada”. Após a situação ficar insustentável (a loucura do professor escalara a níveis patológicos) a UERJ contratou um outro professor para dar aula de manhã. Resultado: fuga em massa para a turma deste professor que apesar de ter um conteúdo muito mais complexo que o do outro (que cagava para o programa da faculdade) tinha uma média razoável de aprovação.
fevereiro 16, 2010 at 5:57 pm
Fale-nos mais sobre estes exemplos de pouco profissionalismo…
Será que foi o aluno mesmo quem destruiu a reputação do professor?
Será que este aluno não está é buscando apoio de mais pessoas indignadas para não chegar no diretor sozinho, minimizando o risco de receber uma retaliação pessoal?
fevereiro 16, 2010 at 11:03 pm
Bela hipótese. Agora, será que você quer mesmo ouvir mais exemplos? Cuidado com o que deseja…rs