outubro 2009


Larry White tem uma hora de aula sobre como o sistema monetário se corrige por si só. Vale a pena pensar criticamente no que ele diz, com certeza.

Houve aí um pessoal da esquerda anaeróbica pedindo por pressões imperialistas de Obama em Honduras. Bem, eis o que conseguiram.

Creio que aposto em Robert Barro, mas as apostas ainda correm.

Militantes do MST que destruíram laranjais temem aplicação de justiça bolivariana.

p.s. enquanto isto, a diplomacia brasileira faz pouco caso de vítimas da ditadura.

Há alguma coisa em comum entre este aqui e o outro Shikida. Talvez haja um ponto que sempre nos foi permanentemente comum: o humor de Woody Allen (e, claro, de Groucho Marx, que Allen adora). De onde veio nossa iconoclastia absurda e, devo dizer, deliciosamente cínica? Olho para o meu passado e não consigo pensar em nada além do Cuca Fundida do Woody Allen. Houve um tempo em que eu não perdia um filme dele. Depois, enjoei.

Mas é fato que estas leituras de Mafalda, Robert Crumb (mais o meu irmão do que eu, mas sempre curti), a boa e velha revista Mad, os filmes de Woody Allen e, quando o conheci, Groucho Marx, ajudaram na construção do que eu chamaria (pomposamente) de o humor peculiar dos irmãos Shikida.

Obviamente minha formação de economista tornou meu quinhão deste humor um tanto quanto hermético, mas sempre há a esperança de que as futuras gerações corrijam isto. Minha sobrinha provavelmente carregará este legado. Será que fico feliz com isto? (mais uma piadinha sarcástica…)

Meu desenhista norte-americano favorito é Peter Bagge. Bem, a notícia bacana é que ele pode ter uma série na Fox, em breve. Detalhes aqui.

O professor Elzinga tem algo a dizer sobre os alunos da matéria mais básica do curso: Princípios de Economia. E ele não o faz da cabeça para fora: ele tem 35 mil observações. Uma econometria e tanto!

p.s. O texto foi publicado no Southern Economic Journal de Julho último.

O governo admite: usa a restituição alheia como bucha de canhão. Sinal claro de que há problema de excesso de gastos, não é? Qualquer empresário do setor privado diria o mesmo.

O que é preocupante é que há um hábito ruim de certos ministros, de dizerem uma coisa e, depois, fazerem o oposto. Quem conhece Teoria dos Jogos sabe que há aí um problema de credibilidade. Quem não conhece, fala uma coisa, faz outra e acha que pode enganar a todos por muito tempo.

Se vale para Pré-Sal e para Olimpíadas, este blog faz uma modesta proposta: “neutralizem” também as taxas e procedimentos para abertura de empresas.

O governo é seu amigo, leitor. Tanto que, para te proteger de sua estupidez, já segura boa parte do seu salário no FGTS. Palmas para o governo. Tem gente até querendo que as farmácias tenham grades, balcão e o remédio só seja vendido com receita carimbada por representante dos Sem-Terra (desde que não envolva laranjas ou “laranjas”). Palmas novamente.

Não é preciso ir muito longe para entender que os custos do falatório dos políticos em campanha eleitoral (não, não, não estão não…) para o pagador de impostos (vulgo contribuinte) também devem ser alvo de medida similar. Assim, o governo, sabendo que você, estúpido e irresponsável (ou irracional), gastará muito se receber o imposto de renda, resolveu criar barreira fitosanitárias à devolução do seu imposto.

Entendeu?

Empresários (eleitores do presidente atual e até filiados ao PSB, membro da esquerda brasileira) reclamam que países do além-mar (já que vizinho pode até dar calote que a militância afaga) impõem barreiras fitosanitárias (ou fitossanitárias, ou fito-sanitárias ou qualquer porcaria parecida com isso) aos nossos produtos de excelente qualidade (ô, meu Deus, até quando vamos nos ver como gigantes adormecidos e não como filhotes de Macunaíma?) e, agora, o governo faz o mesmo com seus impostos: barreiras à devolução!

O melhor é que não tem candidato “didireitcha” na próxima corrida eleitoral no jóquei clube de 2010. Isso garante que os falcões neosocialistas continuem injetando dinheiro em amigos e arrancando impostos dos pagadores de impostos. Ah sim, se você não pagar, você é um criminoso, fora da lei e tem até blogueiro chapa-branca (anônimo) que dirá que isso é anti-ético (embora seja anônimo).

Adolescente amuadinho, com probleminha de déficit de atenção (ou superávit de arrogância), ou outros problemas mentais é um sujeito diferente dos adolescentes sem problemas mentais? Sim. Mas se a pergunta referir-se ao preço do cigarro, a resposta é um sonoro “não”.

Ou seja, nem vem com aquele papo de política pública para uma legião de aborrescentes amuadinhos que a evidência empírica não sustenta.

No Brasil, país no qual se separam fumantes de não fumantes e se fala dos efeitos maléficos do cigarro como se políticos e burocratas não fumassem (ou cumprissem, eles mesmos, as restrições que criam para a patuléia), sente-se falta de pesquisas similares. Afinal, o preço do cigarro é um importante meio de se afetar o seu consumo. Quem tiver conhecimento de estudos (havia um na RBE, se não me engano) sobre o tema pode citá-lo nos comentários.

Eis um debate de alto nível entre dois economistas da George Mason University: Byran Caplan e Peter Boettke. O tema é o velho xarope sobre economia austríaca e não-austríaca. Chamo de “velho xarope” porque é cansativo ver o debate ser repetido e repetido por aí, nem sempre com um mínimo de civilidade.

Mas no caso de Caplan e Boettke, o tema é bem tratado. Dois pesquisadores que sabem, realmente, do que falam. Note a ausência do lugar comum latino de usar de sentimentalismos (“criticou Mises, ofendeu minha mãe”) e outras estratégias tropicais pouco científicas, provocativas e infantis.

Se você quer ir além do superficialismo, assista ao debate.

Yoani Sanchez é entrevistada sobre Cuba, as histórias mal contadas sobre as supostas estatísticas cubanas, etc. Aqui.

Esta é do interessante livro de Gonçalo Junior, “A guerra dos gibis”, editado pela Companhia das Letras:

O comic book nasceu de uma idéia simples, porém revolucionária, pela praticidade de manuseio e também do ponto de vista comercial. Bastava dobrar o tablóide ao meio e grampeá-lo para ter uma revista com o dobro de páginas, mas com o custo quase igual – somente algum tempo depois adotou-se uma capa impressa em papel de melhor qualidade. [p.66]

Nossos leitores mais antigos se lembram de outras abordagens feitas, aqui, sobre os quadrinhos. Por exemplo, esta.

p.s. eu jurava que já havia falado aqui sobre algo similar, mas na cultura japonesa, sobre os mangás. Um dia destes eu conto de novo (ou publico pela primeira vez aqui) sobre o tema.

Usando a força bruta e a arbitrariedade – ou seria “truculência”? – você pode transformar um terreno produtivo em improdutivo. Melhor ainda, pode sair dessa limpo sem ser processado. Como? Pergunte às “comunidades eclesiais de base”, à “sociedade civil organizada (por quem?)”, aos setores “progressistas” da política.

Lamentável ou condenável?

Se sim, eis a grande oportunidade de gente que não quer ir para a cadeia por discordar do socialismo do século XXI da administração Chavez. Claro que o movimento estudantil brasileiro não se manifestou ainda sobre isto. Nem os invasores de terra – estes que arrancam pés de laranja “improdutivos” – ou as comunidades eclesiais de base. Nem mesmo a sociedade civil organizada (por quem??). Nadinha.

Detalhes aqui.

Porque o multiplicador dos gastos públicos é maior sob câmbio fixo. Piadinhas à parte, eis mais uma evidência de que a teoria econômica tradicional vai bem, obrigado.

O Alex Schwartsmann tem um interessante ponto no seu blog sobre o tema. Quem o conhece, sabe que o sujeito é um cavalheiro e não é idiota. Nos comentários do post citado, pude ver que não sou o único a receber comentários que conjugam o pior do português com o pior da boa educação (ou seja, a má educação total). Claro, se ignorarmos os comentaristas do tipo pré-Homo-Sapiens, temos coisa interessante para ler de vez em quando.

Mas o fato é que o tema da relação entre economia e os esportes (ou as olimpíadas) – muito mal exposto pelo presidente da Silva, como de hábito, com seu improviso macunaímico, cheirando a romances tropicais de banca de jornal, sentimentalismos infantis (“não falo mais sobre Honduras, humpf” e afins), poesias tropicanais (hum…) – é importante do ponto de vista científico. Com exceção dos que só querem um resultado econométrico imediato, há, sim, muito o que estudar sobre o benefício líquido de se sedir uma Olimpíada. David Henderson, por exemplo, fala disso aqui.

Sim, você pode usar o google e encontrar mais artigos interessantes. Aos interessados: mãos à obra!

Não sei se os assessores da área econômica alertaram o presidente, mas gasto é gasto e investimento é investimento. Em caso de dúvidas, recomendo os primeiros capítulos do famoso manual de Macroeconomia do falecido prof. Simonsen e seu co-autor, o prof. Cysne.

A leitura pode ser de difícil compreensão (ou dar sono) e, assim, é recomendável consultar algum material mais simples. Aposto que uma boa busca no Google ajuda. Sempre há um powerpoint feito para alunos do primeiro período de algum curso superior.

p.s. talvez uma leitura mais adequada (avançada) seja o manual de finanças públicas do Fábio Giambiagi e Cláudia Além. Também é uma boa leitura para deputados, vereadores, prefeitos, governadores e senadores que não conseguem distinguir corretamente entre gastos, gastos permanentes, gastos provisórios, ou mesmo não entendem direito o significado de restrição orçamentária (intertemporal), contabilidade, balanço, etc.

Se o governo cria, é um experimento anarco-capitalista? Pode ser uma consequência não-intencional da política do governo italiano, mas…(trecho):

- A proliferação dos grupos de patrulha cidadã desde a legalização da prática pelo governo, no início do ano, vem dividindo a Itália.


Os defensores desses grupos, formados por cidadãos comuns para supostamente ajudar no combate ao crime nas cidades, argumentam que eles ajudam a manter a lei e a ordem. 

Mas os opositores da ideia afirmam que seu objetivo final é a intimidação, especialmente de imigrantes. 

Os grupos formados por voluntários têm autorização para patrulhar as ruas, mas sem armas nem remuneração.

Algumas prefeituras brasileiras usam uma guarda metropolitana que também não usa armas, embora seus membros sejam remunerados. Mas o que dizer de grupos voluntários que defendem a ordem pública? É algo parecido com o que a polícia norte-americana fazia (ou ainda faz?) com os voluntários grupos de pessoas que mantinham segurança em determinada área não?

Não sei se os voluntários reprimem imigrantes mais do que a polícia oficial italiana, como dizem alguns. Pode até ser que ocorra o oposto. De qualquer forma, eis um interessante problema de bem público a ser discutido.

O Enoch fala sobre os gabaritos recém-divulgados. Mas o mais engraçado mesmo é este video, no YT, com a famosa cena de “A Queda”, na qual Hitler, um estudante de um curso de economia “pesado em economia política”, descobre que afundou na prova de microeconomia. Fortes emoções, eu sei.

Para meus ex-alunos que prestaram a prova, espero que tenham ido bem.

A questão 3 do ENEM vazado me parece totalmente descabida. O objetivo do governo com o recolhimento dos impostos de forma eletrônica não me parece algo que se possa responder em múltipla escolha. Sobre o problema que este tipo de questão representa, veja também o livro do Sardenberg e o apêndice deste outro livro, que narra as sérias distorções introduzidas em questões de concurso público pelo primado da ideologia sobre a razão.

Geralmente as duas se confundem em História Econômica. Eis mais um exemplo:

Fertility Decline and the Heights of Children in Britain, 1886-1938
Date: 2009-07
By: Timothy J. Hatton
Richard M. Martin
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:auu:dpaper:613&r=his
In this paper we argue that the fertility decline that began around 1880 had substantial positive effects on the health of children, as the quality-quantity trade-off would suggest. We use microdata from a unique survey from 1930s Britain to analyze the relationship between the standardized heights of children and the number of children in the family. Our results suggest that heights are influenced positively by family income per capita and negatively by the number of children or the degree of crowding in the household. The evidence suggests that family size affected the health of children through its influence on both nutrition and disease. Applying our results to long-term trends, we find that rising household income and falling family size contributed significantly to improving child health between 1886 and 1938. Between 1906 and 1938 these variables account for nearly half of the increase in heights, and much of this effect is due to falling family size. We conclude that the fertility decline is a neglected source of the rapid improvement in health in the first half of the twentieth century.

O novo Yamato estréia em 12.12 deste ano. Uma prévia aqui.

Pergunta para se pensar.

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