setembro 2009


Mario Rizzo comenta o pacote de gastos públicos de Obama.

O exemplo mais vívido é este.

O uso eleitoral do pré-sal – já na TV como se fosse algo assim, digamos, definitivo – não pára nos atos do presidente. Até os burocratas já fazem seu dever de casa.

Robert Higgs e Nordhaus nunca foram tão atuais…

p.s. alguém se lembra da história brasileira? II PND, Brasil-potência, estas coisas? Não?

Art Carden tem um artigo sobre capitalismo aqui e um mais científico – e interessante – que cito a seguir.

The Skinny on Big Box Retailing: Wal-Mart, Warehouse Clubs, and Obesity

Charles Courtemanche
University of North Carolina at Greensboro

Art Carden
Rhodes College

Abstract:
We estimate the impacts of county-level Walmart Discount Store, Walmart Supercenter, and warehouse club presence on individual body weight, obesity status, food consumption, and exercise. Contrary to the conventional wisdom that cheap food causes weight gain, we find no evidence that any of these stores increase weight or lead to less healthy eating habits. Warehouse club entry is actually associated with reductions in weight, obesity, junk food intake, and eating at restaurants as well as increases in fruit and vegetable consumption. These results suggest that bulk buying is a more important determinant of body weight than food prices, at least in this context. Buying groceries in bulk may lead to healthier eating by allowing individuals to counteract self-control problems by constraining future choices.

Para os alunos de microeconomia:

Conventional wisdom suggests that Walmarts and warehouse clubs sell cheap food, so their entry
should cause people to eat more and gain weight. However, a more careful analysis reveals that
these stores could potentially impact weight through a number of mechanisms – including
substitution effects, income effects, bulk buying effects, and effects on exercise – and that the
direction of the net effect is unclear a priori.
Consider an individual with a fixed food budget who divides this budget between unhealthy
grocery food (such as processed snacks), healthy grocery food (such as fresh fruits and
vegetables), and restaurant food. Assume that Discount Stores, Supercenters, and warehouse
clubs all sell unhealthy food, while Supercenters and warehouse clubs also sell healthy food and
none of the stores sell restaurant food. Assume further that the foods sold at these stores are
cheaper than the same foods at conventional grocery stores.
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If the individual’s preferences are separable, then the conventional wisdom holds. The entry of a
nearby Walmart Discount Store would increase unhealthy food consumption while leaving
healthy food consumption and restaurant eating unchanged. The overall effect would be higher
caloric intake and weight gain. Supercenters and warehouse clubs would increase consumption
of both unhealthy and healthy foods while leaving restaurant eating unchanged, again leading to
higher caloric intake and weight gain.
However, in reality the three types of food are likely substitutes, in which case the net effects of
the discount retailers are more complex.

Conventional wisdom suggests that Walmarts and warehouse clubs sell cheap food, so their entry should cause people to eat more and gain weight. However, a more careful analysis reveals that these stores could potentially impact weight through a number of mechanisms – including substitution effects, income effects, bulk buying effects, and effects on exercise – and that the direction of the net effect is unclear a priori.

Consider an individual with a fixed food budget who divides this budget between unhealthy grocery food (such as processed snacks), healthy grocery food (such as fresh fruits and vegetables), and restaurant food. Assume that Discount Stores, Supercenters, and warehouse clubs all sell unhealthy food, while Supercenters and warehouse clubs also sell healthy food and none of the stores sell restaurant food. Assume further that the foods sold at these stores are cheaper than the same foods at conventional grocery stores.

If the individual’s preferences are separable, then the conventional wisdom holds. The entry of a nearby Walmart Discount Store would increase unhealthy food consumption while leaving healthy food consumption and restaurant eating unchanged. The overall effect would be higher caloric intake and weight gain. Supercenters and warehouse clubs would increase consumption of both unhealthy and healthy foods while leaving restaurant eating unchanged, again leading to higher caloric intake and weight gain.

However, in reality the three types of food are likely substitutes, in which case the net effects of the discount retailers are more complex.

Preferências separáveis? Efeitos-renda? Substitutos? Bem, acho que um bom aluno poderá fazer as conexões necessárias com alguns exercícios rapidamente…

Ronald faz um excelente serviço público ao disponibilizar este link. Gustavo Loyola é sempre uma boa leitura.

Se um governo curte criar privilégios (bolsas ou empregos…sem contrapartida em produtividade), que sinal ele emite para a sociedade que prometeu governar?

Talvez um sinal disso sejam os pedintes de cadeira de rodas que mexem os pés com uma desenvoltura inexplicável. Triste.

O mais engraçado é que o discurso de muito economista chapa-branca (correlação elevada entre pterodoxia heterodoxa e esquerdismo político) sempre foi o de que “a teoria econômica neoclássica (“mein-in-strim”, burguesa, não-marxista, etc) não considerava as economias de escopo. Bem, o ídolo desta galera também não entende.

Como já disse aqui várias vezes sobre Bush ou da Silva ou qualquer outro presidente: não tem problema se o sujeito come grama achando que é strogonoff desde que ele tenha bons assessores e os ouça atentamente (e siga o que eles lhe aconselham).

Pensando bem, se o sujeito come grama, como é que ele poderia prestar atenção e entender o que se lhe aconselha? Humm…

Mais uma engraçado do Philipe.

Acho que o Leo Monasterio já me falou desta base, a CHAT, mas vai aqui a referência precisa.

p.s. o engraçado é que a base de dados parece estar aqui, embora o textinho dê outro endereço…

Quer pensar sobre a pergunta? Leia o texto abaixo:

De Facto and De Jure Property Rights: Land Settlement and Land Conflict on the Australian, Brazilian and U.S. Frontiers – Lee J. Alston, Edwyna Harris, Bernardo Mueller

—- Abstract —–

We present a conceptual framework to better understand the interaction between settlement and the emergence of de facto property rights on frontiers prior to governments establishing and enforcing de jure property rights. In this framework, potential rents associated with more exclusivity drives “demand” for commons arrangements but demand is not a sufficient explanation; norms and politics matter. At some point enhanced scarcity will drive demand for more exclusivity beyond which can be sustained with commons arrangements. Claimants will therefore petition government for de jure property rights to their claims – formal titles. Land conflict will be minimal when governments supply property rights to first possessors. But, governments may not allocate de jure rights to these claimants because they face differing political constituencies. Moreover, governments may assign de jure rights but be unwilling to enforce the right. This generates potential or actual conflict over land depending on the violence potentials of de facto and de jure claimants. We examine land settlement and conflict on the frontiers of Australia, the U.S. and Brazil. We are interested in examining the emergence, sustainability, and collapse of commons arrangements in specific historical contexts. Our analysis indicates the emergence of de facto property rights arrangements will be relatively peaceful where claimants have reasons to organize collectively (Australia and the U.S.). The settlement process will be more prone to conflict when fewer collective activities are required. Consequently, claimants resort to periodic violent self-enforcement or third party enforcement (Brazil). In all three cases the movement from de facto to de jure property rights led to potential or actual conflict because of insufficient government enforcement.

Entender corretamente os incentivos é o primeiro passo. Depois você propõe algo. No caso brasileiro, pelo visto, a história ainda não nos permite muito otimismo.

Descubra aqui.

Aqui, nos EUA e no resto do mundo, o governo, supostamente, faz isto. Na prática, contudo…

Leitura obrigatória para qualquer aluno de economia.

Retorno ao velho tema: onde estão os economistas brasileiros – e os tais técnicos do assunto na burocracia pública – com alguma estimativa de multiplicador keynesiano dos gastos do governo? Lá nos EUA, o debate continua. Aqui, nem sai do chão.

Enquanto isto, os gastos públicos permanentes aumentam perigosamente.

Na agenda dos responsáveis pelo planejamento e pela política econômica deve constar, na primeira linha, com ênfase: reafirmar e demonstrar à classe política que a alternativa à contenção do déficit público e à recessão temporária é o caos hiperinflacionário e a estagnação econômica na próxima década. Esta demonstração se faz ainda mais necessária com a revitalização das ideologias populistas implícita nas promessas de estabilização sem recessão dos programas heterodoxos.

(…)

Concluindo, o princípio básico que deveria orientar o setor público brasileiro e, consequentemente, o processo de privatização é a eliminação da ambiguidade entre as atividades pública e privada. Definida uma atividade como pública, as empresas que exploram esta atividade deveriam estar sob controle acionário, administrativo e gerencial do governo e, portanto, hierarquicamente subordinadas à orientação dos responsáveis pela política econômica do setor.

[Eustáquio J. Reis, Planejamento e Políticas Públicas, n.2, Dez/1989, p.5-16.]

Já em 1989 existiam alertas sobre privatizações no estilo soviético e falácias pterodoxas em sua vertente heterodoxa. De 1989 para cá, ou seja, nestes quase vinte e um anos, o que mudou?

Do noticiário matinal:

a) Obama não pode tanto quanto dizia…

b) Gente nova no pedaço.

c) Bolivarianismo iraniano em desenvolvimento forçado.

Simon vai ao ponto:

“MEC: um em cada 4 professores se forma em curso ruim”, diz O Estado de São Paulo, dando como ruim uma notícia que, se fosse verdadeira, seria ótima: 3 em cada 4 professores se forma em um bom curso!
Mas é claro que não é nada disto. Como os resultados das provas do ENADE são “normalizados” em uma distribuição simétrica, sempre vai haver mais ou menos um quarto no nível inferior, mais ou menos um quarto no nível superior, e muitos cursos no meio. Este mesmo tipo de bobagem aparece em outras notícias, que procuram comparar resultados de áreas diferentes, como se as pontuações fossem comparáveis. Também não faz sentido comparar os resultados de um ano para outro, porque as provas variam de ano a ano, e todas são “normalizadas” cada ano.
O fato é que o ENADE não trabalha com conceitos de “bom”, “ruim” ou mais ou menos, mas, simplesmente, ordena os cursos em uma escala de 5 pontos, distribuições parecidas para cada área como a do quadro ao lado, feito para todas as áreas em conjunto. Se todos os cursos forem muito bons, ou muito ruins, a distribuição vai ser sempre a mesma.

Ahá!

Só rindo do amigo bolivariano…

Neste artigo do economista-chefe da Google, Hal Varian, há, na bibliografia, um artigo co-autorado por Marilda Sotomayor. Quem seria esta economista? Bem, os cursos de economia brasileiros, em geral, não estudam a história do pensamento econômico brasileiro o que é até um alívio, dado o “amor” de muita gente pela idolatria e doutrinação (aponte um erro em um trabalho de Celso Furtado e, pronto, você é um “vendido”).

Mas nem é preciso criar mais uma disciplina para pilantra vagabundear e distribuir panfletos de partido político em sala. Basta que os professores acompanhem as pesquisas de seus pares. Humm…pensando bem, isto também não é muito comum no Brasil. Mas vamos lá, mesmo assim, quem seria Marilda Sotomayor? É uma professora de economia, atualmente na USP.

Pois é. A profa. Marilda é uma das melhores pesquisadoras que temos. E é bibliografia do Varian. Se você quer entender microeconomia, não é comigo que tem que estudar: é com ela.

Chico seria capaz de compor uma música em homenagem ao Francenildo? Luis seria capaz de fazer uma crônica divertida sobre Francenildo? Ou Francenildo está abandonado?

Pobre Francenildo. Seu pecado foi não nascer chefão de sindicato, filho de empresário macomunado com a política ou, quem sabe, filho de bispo católico. Ainda que ilegítimo, ganharia, creio, ao menos uma casinha no interior.

Francenildo é aquele que os bolivarianos dizem representar.

Adeus, Francenildo. Os historiadores marxistas – e os filósofos oficiais – não falarão de ti. Tu, maldito, não és uma “classe social”, és um alienado, um indivíduo e, ensina-nos a dialética marxista-gramsciana-leninista-e-aliados, um indivíduo não é nada. O que vale é a necessidade da maioria.

Francenildo…

Bush prepara nova invasão.

Vamos ver como o leitor reage. Vamos ver…

CADE vai autuar adolescentes por concentração de mercado.

É o que diria o Leo Monasterio, após ler o excelente resumo do último número do Economics and Human Biology.

Antes de coçar a cabeça, pense: a má nutrição tem algo a ver com o desenvolvimento econômico?

p.s. um pluralismo verdadeiro (não o pterodoxo) certamente patrocinaria estudos conjuntos entre biólogos, médicos e economistas. Nem só de mercado financeiro vive o desenvolvimento científico da economia. Arrisco até a dizer que a vedete do próximo século, como parceira da economia, não será o mercado financeiro, mas as ciências médicas. Será que estou certo?

Robert Higgs geralmente é ótimo quando se trata de sua especialidade: história econômica dos EUA. Um artigo curto e interessante é este cujo trecho reproduzo a seguir.

A maior parte das pessoas ouve falar da relação entre o crescimento das grandes empresas e a expansão do governo como se fosse um auto de moralidade. Na versão mais difundida, apresentada em quase todos os livros-textos de história americana, o surgimento das grandes empresas (no papel de diabo) teria causado diversos males e abusos — monopolismo, poluição, exploração de trabalhadores etc. Usando um estilo pungente (ainda que não muito escrupuloso quanto aos fatos), Matthew Josephson conta essa história em The Robber Barons [“Os barões do crime”]. As massas também teriam gritado por auxílio e teriam pressionado seus representantes políticos a criar legislações protetoras. Assim, sobretudo em períodos como a Era do Progresso, da Grande Sociedade e do New Deal, surgiu uma profusão de programas governamentais e agências regulatórias, bem como a participação direta do governo na vida econômica (como se fosse a intervenção divina), que serviu para proteger o povo do efeito supostamente esmagador do brutal capitalismo laissez-faire.

Em geral, muita gente aprende imprecisões como se verdades fossem – como no popular e muito problemático livro de Leo Huberman – sobre história econômica mundial. Na faculdade, temos que corrigir os estragos feitos por professores que se esqueceram, eles mesmos, no ensino médio, de fazer o dever de casa básico: pesquisar antes de lecionar.

Ah sim, Higgs é bom, mas quando se mete a falar de Ciência Econômica, costuma bater em obstáculos.

Músico assume que matou sócio em casa de show na capital.

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