agosto 2009


Você ainda não comprou a segunda edição deste livro? Assista o vídeo e dê boas gargalhadas.

Como sempre…

From Drop Box

Minha primeira colaboração com o Erik está quase, quase pronta. Pouca coisa falta (na verdade, o abstract e a tradução). É sempre interessante quando se trabalha a primeira vez com alguém que você nunca viu ou manteve contato (exceto por email). Foi assim com o Leo Monasterio (este velhaco que anda sumido da internet).

Minha impressão é que o Erik é muito mais impaciente e produtivo do que eu. Ou talvez eu fosse como ele na mesma idade. Ou talvez eu esteja mais preguiçoso. Ou são os outros dois artigos com o Ari que me incomodam porque estão, agora, em minhas mãos.

Se há algo de bom na internet, leitor, eu digo: é a possibilidade de conhecer e trabalhar com gente inteligente.

Muitos alunos não encontram seus professores nos corredores e outros acham engraçado como os mesmos adoram galgar cargos burocráticos com um fervor que nem sempre se vê em suas aulas. Acho que é neste momento que a ficha cai: professor também é, infelizmente, humano.

Eis a realidade: você tem que ter cuidado com sua carreira acadêmica. Este trecho abaixo é um excelente exemplo de como os interesses individuais e a ação de alguns grupos pode sabotar o início de um empreendimento científico. Grupos e interesses, veja bem, que estão dentro da própria Academia. Esqueça este papo de que “a faculdade foi capturada pelo setor privado”. O setor público, por exemplo, está longe de ser um isento juiz  e benevolente ator. Verbas alocadas publicamente servem, sim, a interesses específicos.

Agora o trecho:

I proposed the new journal to Cambridge U Press, and they accepted the proposal. Next I needed to select a Board of Editors. I selected a group of Advisory Editors and Associate Editors, with the intent to span all areas of good macroeconomic science, without any prejudice or identifiable “agenda” in methodology, geography, or politics. Then the problems began. I was lobbied by various Advisory Editors and Associate Editors to make changes in the editorial board. The degree of factionalism surprised me. Not only were there attempts to change the balance towards a particular methodological or political view, but sometimes to change the balance geographically, nationalistically, regionally, racially, or ethnically. There also were gender based pressures. Sometimes the lobbying was directed at perceived underrepresentation of a particular group. When I found that to be justified, I asked for suggestions of economists who should be added, and invited additional board members from that group. More disturbing were pressures to eliminate a minority from representation, so that the journal would be captured by a particular group, as has been the case with many other journals, such as the Journal of Post Keynesian Economics, the Canadian Journal of Economics, the Asian Economic Journal, and the Journal of Austrian Economics. I was particularly surprised by the lobbying from some of the European board members to discredit and thereby eliminate board members from other European countries. Since a fundamental purpose of this journal was to avoid becoming identified with any such faction or group, I often did the exact opposite by increasing the size of the minority so that the minority no longer could be marginalized or ignored. When it became clear that attempts to eliminate a minority were counterproductive, that kind of lobbying ended. As a result, the Editorial Board became very large and very diverse, with only the sophistication and high tech competency of all members holding them together.

Difícil gerenciar um simples journal, não?

A esquerda adora usar o mercado, embora fale mal dele.

Sebastian Edwards tem uma interessante resenha que mostra evidências de que as boas reformas dos anos 90, na América Latina falharam por algum motivo que merece estudo. Destaque também para a verdadeira – e, devo dizer, pouco conhecida – definição de Consenso de Washington que não tem nada a ver com as psicodélicas teses simiescas que imaginam que o Consenso veio “de fora”, “imposto” aos “autóctones” (diga-se de passagem, se você é favor da auto-determinação dos povos, tem que aceitar o novo acordo de Uribe).

Deixando de lado a obviedade lógica que alguns diplomatas e presidentes não entendem, vamos ao trecho do texto que acho interessante (é bem no final):

Moreover, in a number of countries privatization was surrounded by corruption and giveaways, where insiders – including government functionaries in charge of the public enterprises and of the sales’ process – ended up buying large blocs of shares at conveniently low prices. At the same time, most countries failed to – or were unwilling to – move forward in the creation of strong and modern institutions that would encourage the rule of law, protect property rights and reduce the extent of corruption. Although these three areas – competitive exchange rates, competition policies, and protecting property rights through institutional reforms –, were part of the original Washington Consensus Decalogue, most countries paid only lip service to them. As a result and as the years passed, most countries were unable to move to the higher phases of the growth transitions, and became increasingly vulnerable to changes in global economic conditions. During the second half of the 1990s and early 2000s many of them succumbed to deep and costly currency crises that increased unemployment, wiped out savings, reduced wages, and generated disappointment and anger. In many countries these crises also paved the way to a new crop of populist governments that rejected globalization and were skeptical of the merits of market orientation.

Boas perguntas a serem investigadas. A selva latino-americana tem algum anticorpo contra reformas institucionais? Esta pergunta, para mim, é uma das principais e que não está, ainda, suficientemente estudada.

Moreover, in a number of countries privatization was
surrounded by corruption and giveaways, where insiders – including government
functionaries in charge of the public enterprises and of the sales’ process – ended up
buying large blocs of shares at conveniently low prices.36 At the same time, most
countries failed to – or were unwilling to – move forward in the creation of strong and
modern institutions that would encourage the rule of law, protect property rights and
reduce the extent of corruption. Although these three areas – competitive exchange rates,
competition policies, and protecting property rights through institutional reforms –, were
part of the original Washington Consensus Decalogue, most countries paid only lip
service to them. As a result and as the years passed, most countries were unable to move
to the higher phases of the growth transitions, and became increasingly vulnerable to
changes in global economic conditions. During the second half of the 1990s and early
2000s many of them succumbed to deep and costly currency crises that increased
unemployment, wiped out savings, reduced wages, and generated disappointment and
anger. In many countries these crises also paved the way to a new crop of populist
governments that rejected globalization and were skeptical of the merits of market
orientation.

Pouca gente (em Minas Gerais pelo menos) entendeu, em 2007, o porquê do Nobel de Economia. Não é mistério para ninguém da academia que muito pouca gente por aqui entende o que é Equilíbrio Geral ou Microeconomia do Equilíbrio Geral, embora nove entre cada dez calouros de economia – em certos cursinhos – aprendam que tal conceito é coisa de “vendidos”, “demoníaca” e outros adjetivos de obscurantismo medieval (com o devido respeito às inovações da época que, sabemos, não justificam esta má fama do período medieval).

É lamentável que muita gente se comporte assim, como se a Academia fosse sinônimo de ideologia. Claro que existe quem queira sabotar o trabalho sério do colega, mas isso não é a mesma coisa de dizer que todos agem assim. Isto só existe em manual marxista de porta de cadeia.

De qualquer forma, dado que a ignorância impera, vamos trazer alguma luz, algum conhecimento. Este artigo recente é uma interessante aula de história do pensamento econômico que ultrapassa a velhaca ementa que “sempre termina em Karl Marx porque não deu tempo de ir além e preciso doutrinar estes meninos”, típica dos pedófilos intelectuais. Não é um artigo fácil, mas, ei, doutrinar fácil, educar é que dá dor de cabeça.

Se você topa o desafio, tente uma lida diagonal e depois volte grifando. Vale a pena.

Duke chama a atenção para mais uma mudança metodológica do IBGE. O problema não é mudar – quando se muda para melhor – mas sim a frequência. Por que o governo tem tanto interesse em mudar frequentemente as metodologias é uma pergunta que me faço em casos como este.

From Drop Box

É só o pessoal não continuar a idolatria acientífica de antigos escritores e poetas e ler os trabalhos deste três para que a história econômica brasileira evolua do estágio ideológico-pedófilo para o científico (com “qualidade” e “preocupação social”, para atender as maricas de plantão, tá?).

Recent Advances in Credit Risk Modeling

Author/Editor: Capuano, Christian | Chan-Lau, Jorge A. | Gasha, Jose Giancarlo | Medeiros, Carlos I. | Santos, Andre | Souto, Marcos
Authorized for Distribution: August 1, 2009

Summary: As is well known, most models of credit risk have failed to measure the credit risks in the context of the global financial crisis. In this context, financial industry representatives, regulators and academics worldwide have given new impetus to efforts to improve credit risk modeling for countries, corporations, financial institutions, and financial instruments. The paper summarizes some of the recent advances in this regard. It considers modifications of structural models, including of the classical Merton model, and efforts to reconcile the structural and the reduced-form models. It also discusses the reassessment of the default correlations using copulas, the pricing of credit index options, and the determination of the prices of distressed debt and estimation of recovery values.

Eis aí. O leitor notou que, do início da crise até agora, vários pseudo-economistas se dedicaram a falar da morte da “teoria ortodoxa” e outras estranhas (e psicodélicas) afirmações? Pois é. Por que é difícil responder esta gente? Porque você deixa de fazer trabalho sério para brincar de criança com gente que não consegue nem praticar o pluralismo que diz defender.

Enquanto a gente briga, caras como os autores acima trabalham. Moral: brigue, mas apenas para mostrar que a lógica e a razão humanas são superiores aos pensamentos etéreos dos economistas de porta de cadeia. A maior parte do tempo deve ser dedicada ao estudo.

p.s. um debate paralelo e importante aqui.

PAC.

Eu pensei em falar de quotas para juízes e da exigência de diploma de Direito para advogados, mas vou dar uma chance para vocês.

Quando eu era novo, os senhores do poder me convenceram a assinar um abaixo-assinado pelo impeachment de um governador robusto aqui de Minas. Hoje, no poder, eles fazem a vergonha de uma geração.

Meu xará levanta um interessante argumento sobre um trade-off que pode ser preocupante. Será que ele está certo?

Fábio Pesavento, direto de Utrecht, pede para publicar esta mensagem:

Escrevo este post da sala onde dentro instantes Gregory Clark (UCLA) vai apresentar seu paper (biologia e história econômica). Mas este post é sobre um assunto paralelo: Thomas Kang e Ricardo Paixão. Se existe cliometria no Brasil ela está muito bem representada aqui em Utrecht. Primeiro pelos trabalhos apresentados pelos dois, segundo pela desenvoltura apresentada no congresso em diversas questões (desde o tradicional bate-papo no coffe-break, até uma pergunta muito bacana numa sala lotada de lendas como Angus Maddison, EU APERTEI A MÃO DELE ehehe). O inglês, neste caso, é fundamental. Mas isto é inútil se não termos idéia do debate e da teoria básica. Novamente a desenvoltura dos dois chama atenção de gente como Jeffrey Williamson. Parece que a cliometria brasileira terá continuidade (se é que existiu) e seus mais novos representantes são Kang e Paixão. Quanto a mim, bom Utrecht está sendo um sonho para eu que lia Marx até pouco tempo…

É ou não é digno de publicação? Se eles autorizarem, eu até publico a foto dos três.

From 21o Kyoudo Minyou Brasil Taikai

Olha só que bacana. O da esquerda é o deste ano, ganho neste domingo. O da direita é o do ano passado quando, pela primeira vez em minha vida, ganhei algum prêmio de concurso.

Neste ano, um pequeno avanço. O segundo lugar na categoria jovem do brasileirão de música folclórica japonesa (minyou). A música é a de sempre: Tawarazumi Uta (em algumas versões: Nanbu Tawarazumi Uta).

Eu sei que é um pouco de auto-propaganda (um pouco?), mas é muita alegria para uma família só. ^_^

George Orwell, se vivo fosse, teria nele um farto material para inspiração. Aposto que a blogosfera pró-amigos continua com suas práticas a la Goebbels. Difícil acreditar em algum futuro para a América Latina.

From Drop Box

Pois é. Nenhum prêmio de economia aqui (isto é monopólio de outro Shikida e do Laurini). Mas lá no vigésimo-primeiro campeonato nacional de música folclórica japonesa, na categoria jovem (menos de 60 anos porque música folclórica japonesa, meus caros, não é admirada por muita gente nova não), eu levei o segundo lugar.

Ano passado, no centenário, ganhei meu primeiro troféu. Por este eu não esperava, embora tenha gostado do que fiz lá no palco. Bem, mais um motivo de alegria. Aliás, a equipe mineira não fez feio não. Mandamos bem. Ótimo. Depois eu conto mais sobre a curta viagem.

From Drop Box

Isto. E eu também morri de rir.

Aulas, só no dia 10. Mudanças nos calendários já foram feitas e quem já sabe da nova página dos cursos deve dar um pulo lá. Os programas de curso só serão liberados no primeiro dia de aula, mas os planos de aula podem ser vistos facilmente.

Lá vou eu de novo.

Até mais, colegas e amigos.

p.s. Quem está em Barcelona? O Thomas.  Este menino vai longe…

p.s.2. Boa sorte aos que enfrentam a ANPEC.

p.s.3. A roça belorizontina nunca tem nada como isto. Desculpem-me os belorizontinos bairristas, mas cosmopolitanismo é fundamental (para mim). No mais, o queijinho e a goiabadazinha são bem gostosos sim.

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