agosto 2009


Renato Colistete me avisou que haverá um mini-curso do Colin Lewis na FEA. O que me deixou mais feliz foi saber que meu artigo com Leo e Noguerol é parte da bibliografia de leitura do último dia do mini-curso.

Recomendo fortemente o novo Mendeley.

A internet civilizada (fora da selva) tem dado alguma importância a um artigo de Richard Posner no qual ele critica a postura dos intelectuais.

Na verdade, Posner (Richard, não Eric)  já bateu nesta tecla antes e, para mim, ele tem um ponto relevante sobre a ética do intelectual quando o mesmo passa ao serviço público. Ainda que se possa dizer que suas críticas ao pacote de Obama são de má qualidade acadêmica, isto não invalida o ponto anterior: o do padrão ético do intelectual.

Quem não conhece Posner pode achar que o sujeito é um qualquer. Mas quem já leu seus trabalhos mais acadêmicos sabe que não é bem assim. Parece-me que Posner é muito ruim para livros de divulgação, mas excelente para artigos teóricos. Há um artigo – cujo nome não me recordo – com um modelo teórico da economia numa sociedade primitiva que é muito bacana e vale a pena a leitura.

No fundo, o problema é o mesmo de Krugman: muito artigo em tablóide = menos tempo para um bom artigo acadêmico. Mais ainda, artigo em tablóide é um perigo porque o padrão (nível) de exigência de pensamento lógico é mais baixo (aqui em Minas sempre vejo absurdos escritos como “análise econômica” nos jornais). A diferença é que o público-alvo do tablóide nem sempre entende o que se passa na argumentação e compra gato por lebre.

O nosso livro-texto - Applied Econometric Time Series – tem pouquíssimos problemas (e o autor tem a errata em sua página pessoal). Mas há alguns que escaparam ao autor e que listo abaixo.

p.45, no parágrafo que começa com “In terms of (A.1.2), we can…”, note que deveria ser b = squareroot(-d/2)”, não  ”b=squareroot(d/2)”.

p.368, antes da eq.6.68: “You know this is equivalent to estimating…”

Na medida em que eu encontre outros, publico.

Sou só eu, ou o Economics Bulletin está com falhas no acesso aos arquivos?

From Drop Box

No início do curso, talvez o criador fosse o da esquerda. Hoje, após tanto tempo, é difícil dizer quem é o criador e quem é a criatura.

O mesmo vale para a foto aí embaixo.

From Drop Box

Axioma Keynesiano #1 – todos pterodoxo diz que a Teoria dos Jogos é muito abstrata e não se aplica à realidade.

Fato -

In July 1994, game theory got its big test when the US government held its first auction for the sale of radio spectrum. Initial estimates by the Federal Communications Commission (FCC) put the value of spectrum at about 10bn, but of course it was difficult to guess a value for a unique product.

So, in a rare test for academia, the government pulled in game theorists and asked them to construct rules for a real auction that would ensure the best possible price from the bidders. The result was a stunning success. By early 2001, the FCC had collected more than 42bn for spectrum rights in a series of auctions. The theorists were further flattered by imitation around the world, where spectrum sales reached 100bn by the end of 2001.

Conclusão – Pterodoxos fazem leitura seletiva. Não porque estudaram muito, mas porque se recusam a estudar autores diferentes aos de seu culto.

p.s. não se engane, pterodoxos sabem, melhor do que ninguém, manipular dados estatísticos para provarem pontos absurdos. Reza a lenda que um deles provou que a gravidade não existe.

p.s.2. nem tudo são flores. Teoria dos Jogos pode levar a resultados ruins. Mas assim também o é com a faca e o melão: você pode cortar a mão ou o melão usando a mesmíssima faca (inside joke).

Diogo Costa levanta uma formidável questão: por que os eleitores norte-americanos ficaram tão calmos, de uma hora para outra, com a situação no Iraque.

É bem verdade que há algo de manipulação política – os democratas não são nem um pouco idiotas no uso das mídias e do marketing – mas é realmente incrível como toda aquela revolta diminuiu subitamente. Talvez a hora de Obama esteja se aproximando. O homem não entregou o que prometeu. É um presidente afro-americano, o primeiro, e tal. Bonito, emocionante e tudo o mais.

Mas após este êxtase popular, voltamos ao dia-a-dia. Neste ponto, Obama tem que dizer a que veio. O que ele acha da repressão em Myanmar? O que ele pensa do autoritarismo exponencialmente crescente na América Latina? Se eu soubesse que o objetivo era eleger um mineiro para a Casa Branca (e também afro-descendente), teria sugerido Dadá Maravilha. Se bem que Dadá ainda é mais incisivo em suas opiniões que o apagado Obama…

Estuprador diz que estupro foi causado pela minissaia da moça.

Anteriormente publiquei o comentário bastante crítico de Charles Rowley sobre as práticas de citação de Avner Greif. Agora, o mesmo publica uma curta resposta.

Independente de quem esteja certo nesta polêmica, um fato importante permanece: a área acadêmica – não exclusivamente de economistas – está cheia deste tipo de problema. Pessoas não citam, cometem plágio, fazem-se de primeiros autores de uma determinada idéia, etc. Cientistas nem sempre querem o avanço da ciência pois, afinal, são também maximizadores de utilidade.

Porque se fossem muito diferentes, não daria certo.

A filha de Aaron Director, casada com Friedman, Rose A. Friedman, deixou este mundo. A família Friedman é uma das mais importantes no avanço do conhecimento econômico, gostem disto seus detratores ou não. Nada de idolatria, claro. Você pode conhecer mais sobre a história do casal na autobiografia dos dois: “Two Luck People” (um livro que ainda tenho que ler além da introdução…na fila aqui em casa há tempos…).

Existem uns experimentos muito interessantes sobre como os animais percebem quantidades. O desenho é em geral da seguinte forma. Suponha que estamos tratando de macacos. Macacos gostam de banana, então, se um macaco pode escolher entre duas caixas cheias de bananas, ele vai escolher a caixa que tenha mais bananas. Então os cientistas pegam caixas diferentes que o macaco consiga identificar e coloca quantidades diferentes de banana em cada uma, de maneira que o macaco veja quantas bananas estão sendo colocadas. Depois, o cientista permite que o macaco escolha uma das caixas.

O resultado é que diferentes animais sabem “contar” até 3. Ou até 5. Ou até 7. Mas nunca até 21, por exemplo. O que acontece é que quando o macaco vê duas bananas sendo colocadas em uma caixa e uma banana sendo colocada na outra, ele sabe que 2 é maior do que 1. Mas quando ele vê 12 bananas sendo colocadas em uma caixa e 23 em outra, pra ele as duas quantidades são simplesmente “muitas ba[na]nas”, e ele não consegue lembrar, ou saber, qual é maior.

Pronto. Finalmente uma justificativa real (não apenas nominal) e de curto e longo prazo (mortos ou não, os pterodoxos são os mesmos) para a barreira (mental) à entrada dos números naturais (e reais) na cabeça dos economistas-de-porta-de-cadeia.

Contudo, não façam pouco caso desta gente. Uma das minhas recentes leituras, pensada justamente para um trato mais adequado com os selvagens, é o “Troglodita é você” do (francês) Michel Raymond. Isto mostra que eu me preocupo em adequar meus modelos (de bate-papo) às realidades de cada um, ao contrário da “teoria ortodoxa” (segundo os próprios pterodoxos).

Sou ou não sou um cara bacana com os que nos atacam com pedras, paus e tacapes? Nem saco o revólver e nem me faço de divindade diante dos urros guturais da galera.

Bom humor é isso. O resto é debate plural entre pessoas que pensam igual.

Tyler Cowen’s new book.

Eu gostaria é de obter dados sobre a economia do shochu na Ásia…

Um aluno fez uma pergunta mais ou menos assim, hoje (17/08), em Jogos. Só que disse ter lido um artigo de “esquerda” sobre o tema (resumo: o FED é capturado pelos bancos norte-americanos). Engraçado como o mesmo tema aparece na literatura econômica de corte liberal. Por exemplo, em George Selgin.

O que eu disse em sala é: estamos longe de ter evidências de que o FED tenha sido capturado pelos bancos norte-americanos. A hipótese é interessante, mas testá-la é bem difícil. Isso sem falar no aspecto pouco científico da afirmação a priori. O ponto é: testar esta hipótese não é a mesma coisa que fazer jornalismo investigativo embora o segundo possa nos fornecer pistas para um eventual teste.

O problema da ciência é que um mesmo resultado, eventualmente, pode vir de dois modelos diferentes (pense no problema econométrico…). Por isso é necessário o teste da(s) hipótese(s).

Dica de palavras-chave no Google: George Stigler, captura da agência, Sam Peltzman, George Selgin.

Meu xará tem uma dica de notícia que simplesmente me dá vontade de puxar uma passeata com paus e pedras em direção a qualquer representante do poder público. Paga-se uma nota de tributos sob o humilhante rótulo de “contribuinte”, atura-se discursos e práticas insanas que ocupam tempo nos meios de comunicação…e agora isso?

Os colegas que fazem sua renovação de habilitação, em especial, têm aqui uma singela homenagem.

Selva Brasilis tem uma ótima dica.

A BBC tem um breve comparativo. Dica do Selva.

Continua sendo o mais apagado governo norte-americano da história. O nível de contradição é tanto que até a discussão sobre a merenda escolar é motivo de reclamações por parte do insonso presidente. E eu que achei que ele poderia…

” ‘Se prefiro as mulheres aos homens, é porque elas têm em relação a eles a vantagem de serem mais desequilibradas, portanto mais complicadas, mais perspicazes e mais cínicas, sem contar essa superioridade misteriosa conferida por uma escravidão milenar’: reflexão muito pessoal de um filósofo (Cioran) sobre as diferenças entre os sexos. [Raymond, M. "Troglodita é você!", Paz e Terra, p.91]

Há vários motivos para se gostar das mulheres. Devemos sempre ser pluralistas e respeitar as opiniões alheias, ainda que sejam de um filósofo (doce ironia!), né?

Divertido este parágrafo, devo dizer. Aposto que somente leitores com algum curso de graduação feito (e entendido) não pensarão em Cioran como um burguês neoliberal e excludente (não dá para dizer que ele seja homossexual, se bem que, hoje em dia, heterossexuais é que são discriminados…doce ironia, again!).

Mario Rizzo, um eterno crítico da matemática em economia, levanta um bom ponto que pode ser resumido pela pergunta acima.

Obviamente, alguém poderia dizer que o melhor seria jogar fora a matemática. Muita gente que nunca a usou – por fé ou por má vontade e preguiça – diz isto. Rizzo não é bem um caso como este, por isto merece ser citado aqui. A crítica é interessante. Certamente, leitor, você ouvirá gente invocando nomes da era do gelo como Celso Furtado ou outros antigos economistas para criticar a economia atual.

Digo isto porque um dos pontos principais de Rizzo é que falta ao estudante de economia um conhecimento dos problemas reais. É verdade que o livro de Mankiw derruba boa parte de seu argumento, mas, no caso brasileiro, é verdade. Diversos economistas pterodoxos vivem em um mundo em que não é possível prever uma crise, exceto por adivinhação. Ao ler qualquer texto destes autores, depara-se com uma infinidade de jargões e frases feitas nas quais ou o “mundo está em crise”, ou o “capitalismo financeiro está em crise inerente” ou “eu avisei que a crise viria um dia”.

Sempre com o mau uso da história econômica – por exemplo, citando Furtado como um semi-Deus – estes charlatães do conhecimento acusam seus colegas – os economistas não-pterodoxos, não-charlatães – de apenas aprenderem matemática.

Nossa, que sono. Argumentos infantis me dão sono. Eu deveria propor proteção aos economistas pterodoxos da competição externa afim de proteger sua indústria infante de propostas infantis sobre e para o mundo real. Se bem que eles mesmos adorariam expulsar a competição…

De volta ao nosso tema, sim, eu concordo que o povo precisa ler mais história, mas não de forma doutrinal, como querem – implícita e explicitamente – os charlatães. Que tal lerem mais os historiadores econômicos que corrigiram e refutaram várias afirmações dos pioneiros como Furtado ou Prado Jr? Por que não investir menos em encontros religiosos de adoração de um único sujeito e mais em pesquisas que nos ensinem mais sobre a história econômica?

Uma coisa é subir nos ombros de gigantes para olhar adiante, outra coisa, feita pelos charlatães, é ficar lá embaixo alisando (ou coisa pior…) as genitálias dos gigantes.

Querem sugestões de historiadores bons? Já dei várias aqui. Dos meus conhecidos, cito: Renato Colistete, Renato Marcondes, Thomas Kang, Fábio Pesavento e todos os que estes caras citarem. Eles também lêem Celso Furtado ou outros caras, mas não de joelhos.

A teoria normativa da economia do setor público diz que sim. Já a teoria positiva – a verdadeira economia política – diz que não. Cuidado, não confunda esta economia política com o a “economia política normativa” que é o estudo de Marx, Marx e, pasmem, Marx.

Dito isto, não há nem como pensar em externalidades ao ver isto:

Um dos grandes fabricantes de jabuticaba nacional é o deputado Aldo Rebelo, com vários projetos estapafurdios:

1) PL. 4502/1994 – Proíbe a adoção, pelos órgãos públicos, de inovação tecnológica poupadora de mão-de-obra (sic).

2)PL. 4224/1998 – Proíbe a instalação de bombas de auto-serviço nos postos de abastecimento de combustíveis;

3)PL. 2867/2000 – Proíbe a instalação de catracas eletrônicas ou assemelhados nos veículos de transporte coletivos;

Vale a pena ler para refletir sobre suas consequencias econômicas…

Pense bem, como diz o Paulo, autor deste pequeno apanhado de absurdos, antes de dizer que o governo corrige externalidades com estes projetos. A lógica dos grupos de interesse em detrimento dos eleitores me parece muito mais óbvia. Há, portanto, duas opções: ou o sujeito é obtuso ou faz um inteligente jogo político e, cá para nós, eu jamais parto da hipótese de que um político é obtuso.

O que falta ao país é que gente mais honesta com respeito ao que aprendeu na escola seja eleita. Isto, claro, requer eleitores que realmente queiram um país “de todos” e não apenas de alguns – como é o governo atual. Um país de todos requer políticos que realmente combatam privilégios e não que os criem.

Isto deve ser uma tremenda oportunidade para se estudar orçamento de famílias…

Verissimo tenta, sempre que pode, disseminar sua ideologia “pró-você-sabe-quem” em suas inocentes crônicas. Eu poderia escrever um livro como “Como ler o Pato Donald” só para este cronista. É um direito de qualquer um disseminar suas idéias (nazistas, comunistas, etc inclusos). Não vejo problema nisto. Por isso eu morro de rir ao ver que a prática do cronista – segundo o Marcelo – é uma perfeita contradição.

Não deixa de ser uma consequência não esperada da crônica do autor: pode-se rir de sua contradição lógica ou, claro, aplaudir-se-lhe o apego à dialética. Hic Rhodus, hic, salta!

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