julho 2009


O metamorfose fez um resumo de dois excelentes textos, um do Leo e outro do Pedro. Acrescento mais este do Laurini para completar a leitura. Se você passar os olhos pelos três textos, creio, terá um guia muito completo para escrever sua monografia (/artigo/tese…etc) honestamente.

Este Firefox 3.5 também será testado…

…mas não o é. Até vocês, galera do Itamaraty?

Mais um episódio no polêmico mercado do sexo pago. Mais aqui.

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Dica da Luciana, eis a matéria da Exame sobre a tese de Peter Leeson.

p.s. no início da crise, alguns comentários neandertais ao se deparar com um tópico como este eram: “mas o que isto me ajuda em um momento de crise”? Mais ou menos como desprezar a cura do câncer porque há uma crise de gripe.

XXII Festa Julina/Tanabata Matsuri
Dia 04 de julho, a partir das 17:00hs, aguardamos todos para a Festa Julina/Tanabata Matsuri na Sede da Associação.

Haverá apresentação de danças típicas, apresentação de taiko, minyô, além das comidas típicas japonesa.

Ingresso: 01 kg de alimento não perecível (para maiores de 12 anos)
Horário: 17:00 às 23:00 horas.
Local: Dom Lourenço de Almeida – 535 - Nova Cachoeirinha.

E aí, galera? Olha o apelo deste político venezuelano! Vamos lá?

…tem banca de doutorado. Vai ser uma boa oportunidade para rever alguns bons amigos. Gente muito boa mesmo. Sim, já li a tese e estou preparando alguns comentários. É sempre bom ler coisas boas e comentar. Sempre.

Já?

Dica do Renato Colistete.

A ANEEL quer ser um case para livros-texto de Microeconomia. Confira aqui.

Leo tem uma ótima dica.

Em diversas ocasiões eu reclamei, aqui, da falta de senso dos economistas brasileiros. Dos políticos, claro, não espero nada por conta dos incentivos que os motivam. Geralmente, meus colegas reclamam da falta de análise de custo-benefício. Coisas do tipo: o governo propõe uma política, implementa-a e sequer analisa corretamente o resultado. Esta é a especialidade de muita gente lá na PUC-RJ, atualmente.

Contudo, minha queixa é anterior e específica a um único tópico: a política fiscal. No início da crise imobiliária norte-americana abundaram discursos sobre o “fim do capitalismo”, “o renascimento de Keynes” e outras baboseiras que não se sustentam, por exemplo, se você relê o próprio Keynes.  Mas o que me incomoda? A falta de simples estimativas de impacto. Onde estão os multiplicadores de renda, por exemplo? Qual a elasticidade-gastos do governo da renda agregada? Quanto, de fato, é gerado por um aumento no gasto do governo?

Alguns estudos já foram citados por mim, em uma tentativa de trazer alguma racionalidade a este debate que mais parece uma conversa de boteco – uma notável involução no discurso dos economistas da era da Silva. Há, claro, um componente da própria evolução da moderna Ciência Econômica que influi nisto – e que me foi lembrado pelo Selva recentemente: os incentivos à publicação acadêmica. Vale a pena, ao leitor interessado em entender melhor o problema ler este pequeno, mas profundo, texto de Bruno Frey.

Mas voltemos ao tema de hoje: os multiplicadores do gasto público. Após tanto tempo, eis que mais um artigo estuda o tema. Trata-se de Oliveira, Marques & Jacinto (no prelo). O foco é o gasto público local, ou seja, o estudo é sobre o impacto dos multiplicadores relativos aos gastos públicos locais. Acho o tema interessante e difícil. Vamos ao resumo do texto:

Este artigo estuda o papel da política fiscal local no crescimento econômico de cidades. Para este fim, o artigo apresenta um modelo espacial de crescimento econômico com governo, que incorpora as contribuições das teorias do crescimento endógeno e da nova geografia econômica. O modelo é avaliado empiricamente através de uma aplicação para as cidades brasileiras na década de noventa. Os resultados mostram que o governo local tem um importante papel no crescimento econômico das cidades, pois os investimentos públicos mostraram-se eficientes e afetaram positivamente o crescimento econômico. O artigo avalia a política de distribuição de recursos via fundo de participação de municípios e encontra efeitos positivos no crescimento econômico. Os resultados mostram indícios de gastos públicos ineficientes e de efeitos negativos da tributação local no crescimento econômico das cidades.

Promissor, não? Bem, os autores escolheram um belo tema e a abordagem da Nova Geografia Econômica está (mais) em moda desde o Nobel ganho por Paul Krugman.  Entretanto, alguns problemas: qualquer impacto que se queira medir, neste caso, restringe-se a uma amostra que parou em 2000. Na verdade, os dados são de dois segmentos de tempo: 1991 e 2000 (o famoso atlas do IDH…). É uma fonte legítima, mas as conclusões para depois de 2000 são sempre complicadas.  Eu seria menos otimista nas conclusões do que os autores, mas vamos lá.

Outro ponto é que a proxy utilizada diz respeito ao crescimento do salário médio em uma cidade. Embora haja um modelo teórico no texto que dá respaldo ao uso desta variável, eu não diria que há uma microfundamentação tal que se possa interpretar o salário como produtividade. Por exemplo, não se considera, nem teoricamente, nem no modelo empírico, a ação de sindicatos locais que, certamente podem impactar no salário médio de uma região.

Finalmente, embora os autores apresentem as seis regressões, senti falta da interpretação que, para mim, é a mais útil em termos de políticas públicas: qual o tamanho do multiplicador? Se os coeficientes estimados mostram algum impacto, tome-se, no artigo, o coeficiente do FPM na equação 6 da tabela 1: 0,0256. Se isto é uma elasticidade, é baixíssima, se não o é, também não é um multiplicador tão forte.  Mesmo com a separação de gastos produtivos e improdutivos (equações 3 e 4), não há muita diferença: o impacto no aumento de salário médio de um aumento do gasto do governo fica em torno de 0,02 (e não está claro que unidade de medida é esta).

Assim, eu gostei mais do título do artigo e de sua introdução do que dos resultados alcançados. Também senti falta de uma revisão da literatura que incluísse artigos publicados anteriormente para o Brasil sobre o tema. O próprio Jacinto, o meu colega Paulo Jacinto, tem artigo anterior sobre o tema. Isto sem falar em alguns textos que o leitor mais atento poderá encontrar nos links deste texto.

Louvável esforço, contudo. Mais um artigo em busca dos multiplicadores tão festejados pelos economistas do governo (lógico…), mas jamais encontrado com facilidade em artigos de quem faz pesquisa e não apenas discurso para a platéia. Novamente, se alguém tiver dicas de artigos sobre o tema, para o Brasil, pode depositar aí na caixinha de comentários.

p.s. a melhor leitura para se entender o que é o tal multiplicador é esta aqui.

Por que existe uma correlação de 99% entre um comentário escrito com um português ilegível até para um analfabeto e um comentário sem educação?

Curioso que não é nem só discordar. É falta de educação mesmo. Claro que existem as exceções, mas observo isto sempre aqui no Brasil. Acho que dá quase para dizer que a ignorância é feita de 90% de analfabetismo e 10% de burrice, se é que ambas as coisas são totalmente não-relacionadas…

Um diálogo entre este que vos escreve e Paulo Roberto de Almeida resultou neste primeiro texto sobre o tema. Acho que teremos mais alguns artigos em breve, mas dê uma olhada no texto que, no momento atual, ele ajuda a entender um pouco sobre os problemas do avanço do autoritarismo na América Latina.

Ronald levanta uma boa questão. Afinal, jornalista não necessita diploma, né? E juiz? Por que necessitaria?

Verbas e salário de um congressista brasileiro são mais do que o dobro dos benefícios a que tem direito um deputado nos EUA

A Transparência Brasil anuncia estudo sobre os rendimentos, verbas e assessoramentos recebidos por congressistas de Brasil, Chile, México, Estados Unidos, Alemanha, França, Grã-Bretanha e Itália. O relatório completo pode ser lido aqui: http://www.excelencias.org.br/@carga.php?carga=docs/CustosCongressistas.pdf.

No agregado, o salário e as verbas (para representação, para viagens e para a contratação de assessores) a que têm direito os deputados federais e senadores brasileiros superam R$ 1 milhão ao ano, colocando os congressistas do Brasil como os mais bem pagos, excetuando-se os deputados dos Estados Unidos (cerca de R$ 3 milhões).

No Brasil, o deputado e o senador recebem mais do que um deputado alemão (R$ 860 mil), francês (R$ 770 mil) ou britânico (R$ 760 mil).

Quando se faz a correção pelo indicador da renda per capita, os benefícios do congressista brasileiro ultrapassam os do deputado norte-americano e chegam ao topo da escala.

Os montantes a que um senador brasileiro tem direito representam 83 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil. Isso quer dizer que, em média, um único senador se apropria de uma quantia equivalente à riqueza produzida por 83 brasileiros.
No caso do deputado federal brasileiro, o número é 68.

O deputado dos EUA se apropria de um montante equivalente a 32 vezes o PIB per capita local; para um senador do Chile, o número é 26.

Outras constatações:
Quando se analisam apenas os salários, observa-se que no Brasil os ganhos do deputado federal e do senador são quase treze vezes o PIB per capita. Nos EUA, esse número não chega a quatro;
No Senado, a verba para a contratação de assessores é cerca de 55 vezes o PIB per capita; na Câmara, quarenta vezes; o terceiro colocado é o deputado dos EUA: dezenove vezes o PIB per capita local;
O número de assessores por parlamentar não passa dos doze em nenhuma Casa legislativa analisada (exceção feita à Câmara dos EUA, onde são dezoito). No Brasil, são 25 (Câmara) e onze (Senado);
A política para contratação de consultores também é peculiar no Brasil; enquanto em outros países o parlamentar é obrigado a explicar as razões pelas quais a consultoria foi contratada (o nome do consultor e o projeto para o qual o serviço foi prestado tem que estar na Internet) ou simplesmente é impedido de contratar consultoria (somente as comissões têm permissão para esse tipo de despesas), no Congresso brasileiro não há filtros para coibir o mau uso da prerrogativa.

Contato: 11 3062 3436
Claudio Weber Abramo (diretor executivo)
Fabiano Angélico (coordenador de projetos)

Fabiano Angélico
Coordenador de projetos
Transparência Brasil
www.transparencia.org.br
(55) 11-3062.3436

Interessantíssimo texto do Peter Klein. Reproduzo um trecho.

It is necessary to correct the misunderstandings that can be called forth by using the expression “Austrian School.” Neither Menger nor Böhm-Bawerk wanted to found a school in the sense customarily used in university circles. They never attempted to turn young students into blind disciples, nor did they, in turn, provide these same students with professorships. They knew that through books and an academic course of instruction they could promote an understanding suited to dealing with economic problems, thus rendering an important service to society. They understood, however, that they could not rear economists. As pioneers and creative thinkers, they recognized that one cannot arrange for scientific progress, nor breed innovation according to plan. They never attempted to propagandize their theories. Truth would prevail of its own accord when man possessed the faculties necessary to perceive it. Using impertinent means to cause people to pay lip service to a teaching was of no use if they lacked the ability to grasp its substance and significance.

Em outras palavras: sem favoritismos, sem passar a mão na cabeça, sem desrespeito por idéias alheias. Posturas adequadas a um acadêmico e coerente com o que tem sido sempre dito, por exemplo, por Peter Boettke. Não existe, portanto, tal coisa conhecida como “escola austríaca” no sentido anaeróbico. Existem, claro, as idéias de alguns economistas sobre determinados eventos e abordagens. Estas idéias podem até ter este ou aquele rótulo, mas, no final das contas,  não é o rótulo que importa na lata de palmito e sim o palmito.

Cristiano está relativamente otimista (pessimista).

Leo faz um breve resumo no qual mostra que ainda não há nenhuma novidade sobre o tema.

Não é o fim do capitalismo. Por que? Bem, se você acompanha o debate, não terá dificuldades em entender o que Sumners diz.

In 2004, the Chávez regime in Venezuela distributed the list of several million voters whom had
attempted to remove him from office throughout the government bureaucracy, allegedly to identify and
punish these voters. We match the list of petition signers distributed by the government to household
survey respondents to measure the economic effects of being identified as a Chavez political opponent.
We find that voters who were identified as Chavez opponents experienced a 5 percent drop in earnings
and a 1.5 percentage point drop in employment rates after the voter list was released. A back-of-the envelope calculation suggests that the loss aggregate TFP from the misallocation of workers across jobs
was substantial, on the order of 3 percent of GDP.

Eu me pergunto quantos blogueiros acham o uso dos dados privados de eleitores uma “natural” consequência da democracia popular bolivariana. O argumento, distorcido, é o de que “quem não deve, não teme”. Se “quem não deve, não teme”, passe-me seus dados bancários, suas senhas, seus dados e as medidas de sua esposa.

Tentando falar sério, este artigo é um dos mais importantes já publicados sobre as consequências do autoritarismo na América Latina. Vale realmente a leitura e eu já o indiquei várias vezes aqui, antes. Entretanto, esta versão é a mais recente e vem em boa hora já que estamos diante de uma polêmica acerca das frequentes insinuações do presidente venezuelano de que invasões de países alheios feitas por ele podem ser legítimas.

Se você achou muito natural e bonito o que se relata neste artigo – em termos de uso de dados alheios pelo governo – então você está a um passo de aceitar algo similar no Brasil.

Renato Lima escreveu um belo texto sobre o Estado que a esquerda anaeróbica gosta: o Estado que ruge.

Dois artigos aceitos para congressos. Um nacional, outro no exterior. Lá vamos nós…

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