maio 2009


IV Prêmio SEAE 2009. Aos meus colegas e ex-alunos de Concorrência Imperfeita, fica a dica.

Excelente pergunta. Eis a tentativa de resposta.

If a Pure Market Economy Is So Good, Why Doesn’t It Exist? The Importance of Changing Preferences Versus Incentives in Social Change
EDWARD P. STRINGHAM and JEFFREY ROGERS HUMMEL

Abstract Many economists argue that a pure market economy cannot come about because people will always have incentives to use coercion (Cowen and Sutter, 2005; Holcombe, 2004). We maintain that these economists leave out an important factor in social change. Change can come about by altering incentives or preferences, but since most economists ignore changing preferences, they too quickly conclude that change is impossible. History shows that social change based on changes in preferences is common. By recognizing that preferences need not be constant, political economists can say much more about changing the world.

Será que a resposta satisfaz? Vamos ler…vamos ler…

Eis um exemplo de regulação governamental. Um governo provincial chinês obriga os funcionários públicos a fumarem. p.s. dica do Philipe.

Tyler and Alex have new textbooks on micro and macro. Both begin with the same anecdote.

In 1787, the British government had hired sea captains to ship convicted felons to Australia…On one voyage, more than a third of the males died and the rest arrived beaten, starved, and sick…

Instead of paying the captains for each prisoner placed on board ship in Great Britain, the economist suggested paying for each prisoner that walked off the ship in Australia. In 1793, the new system was implemented and immediately the survival rate shot up to 99 percent.

That is economics on one foot–incentives matter.

Direto do Arnold Kling.

How useful is anthropometric history? Some reflections on Paul Hohenberg’s recent presidential address to the American Economic History Association

John Komlos
Department of Economics, University of Munich

Abstract: In his recent presidential address to the American Economic History Association, Paul Hohenberg argued that anthropometric history does not meet his criteria for useful research in the field of economic history. He considers research useful if (a) it “helps shape one of our underlying disciplines”; b) it contributes “to clear—even fresh—thinking about current, policy-related issues or on-going scholarly debates about the historical past”; and c) it “penetrates the fuzzy realm of identity-shaping popular discourse”. I argue briefly that only a superficial reading of the literature would lead to the conclusion that anthropometric history has not been useful.

Porque os pais querem que as escolas eduquem seus filhos. Em todos os sentidos.

O último recurso – aquele nosso cérebro velho e gasto – assim conhecido pela famosa tese de Julian Simon, funciona. Não a despeito da crise, mas com ou sem ela (geralmente mais com ela do que sem ela, eu diria). Aqui.

Renato, em outro bom momento.

p.s. como o modelo se alteraria se incluíssemos expectativas de preços? Ou dinâmica? Bem, estas são perguntas que já pensam em um leitor mais sofisticado do que o mediano leitor de jornais.

Como alguns sabem, minha esposa descende de okinawanos. Okinawa, embora parte do Japão, é peculiar em vários aspectos culturais. Caso queira saber mais, recomendo estes links:

É isto aí. Este foi nosso post não-econômico deste domingo.

Esta semana me pediram, por mensagem eletrônica, respostas a algumas perguntas. A matéria, editada, foi ao ar (e às bancas) hoje. Aqui está o link. Entretanto, a última frase da matéria, que está entre aspas, não é, de forma alguma, o que eu disse. Vejamos o original (repare no trecho em negrito):

- Vc acha que essa mudança é realmente necessária e até mesmo oportuna para fazer alterações que já eram até mesmo precisas? Pq? Quais?

Se você quer favorecer o pequeno poupador, o mais adequado seria promover mudanças que diminuissem as taxas que os administradores de fundos cobram. Ao invés disso, opta-se por uma solução na qual aquele que escolheu uma aplicação de menor ganho, mas de custo reduzido é penalizado. Não creio que esta seja a melhor medida.

Além disso, as quedas de juros promovidas pelo Copom não são eternas. Conforme as condições da economia se alterem, pode ser que as taxas de juros voltem a subir. Em um cenário como este, o pequeno poupador será mais penalizado do que seria sobre a regra atual.

Agora, compare com a frase que a jornalista Paola atribui a mim:

“Além disso, as quedas de juros promovidas pelo Copom podem se estagnar e as taxas voltarem a subir”, critica.

Eu não disse que as quedas estagnam, mas sim que podem voltar a subir.

Vamos aproveitar para informar melhor o leitor sobre a economia. Apesar do bom trabalho da jornalista Paola (exceto no caso da última frase), vale a pena falar mais sobre a questão da poupança. Assim, segue abaixo todo o conteúdo da mensagem que enviei para a jornalista, em resposta às suas perguntas. Sem edição, sem correção, mas com mais informação do que foi publicado.

De: Paola Carvalho [mailto:xxxxx]
Enviada em: segunda-feira, 27 de abril de 2009 20:01
Assunto: Entrevista Estado de Minas

Caros,

Estou fazendo matéria sobre essa polêmica em torno das mudanças na poupança. Gostaria de saber a sua opinião sobre:

- Pq o governo quer alterar as regras da poupança?

Existem duas explicações que tentam “adivinhar” as motivações do governo. Uma delas diz que o governo está preocupado com o pequeno poupador, a outra, que o governo não quer perder recursos para continuar se endividando. Historicamente, a poupança tem rendido menos do que os fundos de aplicação. Historicamente, também, o governo não tem seguido uma trajetória consistente de tentar diminuir seu gasto público. Muito pelo contrário, os últimos oito anos mostraram que se chega mesmo a ameaçar a sociedade – quem não se lembra da novela em torno da CPMF? – para garantir que o superávit primário seja sempre gerado muito mais por aumentos na arrecadação do que cortes nos gastos. Logo, parece-me que o discurso de “proteger o poupador” não ilustra bem as intenções do governo.

- Oq pode acontecer se as regras não forem alteradas?

Como o Banco Central tem atuado no sentido de diminuir os juros, os fundos de aplicação se tornam menos atrativos do que a poupança. Logo, há uma tendência de migração dos recursos dos primeiros para o segundo.

- Vc acha que essa mudança é realmente necessária e até mesmo oportuna para fazer alterações que já eram até mesmo precisas? Pq? Quais?

Se você quer favorecer o pequeno poupador, o mais adequado seria promover mudanças que diminuissem as taxas que os administradores de fundos cobram. Ao invés disso, opta-se por uma solução na qual aquele que escolheu uma aplicação de menor ganho, mas de custo reduzido é penalizado. Não creio que esta seja a melhor medida.

Além disso, as quedas de juros promovidas pelo Copom não são eternas. Conforme as condições da economia se alterem, pode ser que as taxas de juros voltem a subir. Em um cenário como este, o pequeno poupador será mais penalizado do que seria sobre a regra atual.

- Em meio a essa crise, a poupança é um bom investimento? Qual o desempenho dela em relação a outras aplicações desde o agravamento da crise? Quais as perspectivas para 2009?

Perguntas de resposta difícil. Sou economista, não astrólogo. Vamos lá. Um bom investimento é sempre dependente das preferências e condições do investidor. Uma pessoa pode muito bem aplicar em fundos e poupar, dividindo seu patrimônio de forma balanceada. Já outros preferem, por motivos individuais, poupar mais e não desejam pagar as taxas de administração de alguns fundos. É uma decisão individual. O melhor, para o indivíduo, é procurar sobre as opções que existem, verificar seu bolso e pensar sobre seu próprio desejo de assumir mais ou menos risco.

Para 2009, as perspectivas são de baixo crescimento. Não se espere milagres na economia. Eles não existem. As condições para uma retomada do crescimento não dependem apenas do Brasil, mas da economia mundial como um todo. Neste sentido, não há motivos para otimismo. O cenário só não será pior porque o Banco Central tem tido a sensatez de buscar cumprir sua meta de inflação. Imagine uma economia em recessão e com inflação: certamente seria o pior dos mundos.

- Nesse momento, quais os cuidados o investidor tem que ter?

O investidor deve sempre olhar para seu fluxo de renda futura. Um investimento arrojado, digamos assim, no momento atual implica em um elevado retorno futuro? Quais os custos disto? A resposta depende de um cuidadoso cálculo dos custos e dos retornos esperados de cada opção. Não se deve confiar cegamente em conselhos de economistas, especialistas em finanças, administradores de fundos ou gerentes de bancos. Você tem suas metas de crescimento pessoal, eles têm as deles e nem sempre o que lhes parece atrativo também o é para você. Como já disse antes: reveja suas metas, calcule cuidadosamente seus custos e respeite seu perfil de investidor (arrojado, conservador, etc). Ou seja, respeite-se enquanto tomador de decisões e se informe bem.

- É vantagem resgatar o dinheiro de outras aplicações para depositar na poupança?

Cautela é sempre necessário. É melhor aguardar pelas novas regras. O governo seria extremamente estúpido se fizesse medidas como o famoso “calote” que vimos nos anos 90. Estude as novas regras antes de mais nada. Elas são novos parâmetros para você rever suas decisões de investimento. O mundo não acabará no dia seguinte. Calma e cautela em primeiro lugar.

É isto aí, gente. Nepom na imprensa, ajudando a informar.

O maior feriado japonês, a Golden Week, atinge recordes de viagens. Obviamente, se feriados são “recessivos” (pois o pessoal pára de trabalhar), você não vai me dizer que a patota não incorpora isto em suas expectativas, né? [piada interna do Nepom]

Este, este e este.

É um câncer na política brasileira esta história de criar privilégios segundo o calendário eleitoral, não? A discussão, agora, é a das cotas. Leia aqui. O que está em jogo é a destruição ou não do capital humano brasileiro. Pode-se retardar o desenvolvimento por décadas com políticas burras ou pode-se desacelerá-lo por décadas com políticas tolas. Claro, há sempre a possibilidade de uma política burra/tola dar errado e o crescimento não ser prejudicado.

Mas pense bem nas questões que Simon levanta antes de reclamar de “vôo da galinha”…

Although Brazil has no official list of terrorist groups and does not recognize the Revolutionary Armed Forces of Columbia (FARC) as a terrorist organization, President Luiz Inácio Lula da Silva has been critical of the FARC’s use of violence and has publicly called on the group to desist in the armed struggle against the Colombian government. President Lula also signaled a renewed commitment to cooperate with the Colombian government that could help curtail the FARC’s activities along Brazil‘s border. In July, Lula and Colombian President Alvaro Uribe signed bilateral accords to cooperate on combating the illicit trafficking of weapons and munitions; to enhance defense cooperation; and, together with Peru, to combat the trafficking of drugs, weapons, and munitions by increasing intelligence sharing and joint patrolling of border riverways.

Estar em cima do muro não é tucanice, é lulice. Ironias à parte, o relatório completo é uma boa fonte de estudos para os interessados na evolução do terrorismo no Brasil, no continente, e no mundo. 

O que enfraquece o poder de fogo do Brasil? A leniência com o terrorismo no campo e, claro, os interesses dos que lavam dinheiro. Aliás, em muitos casos, estes interesses coincidem…

Cuidado com o que te tentam vender.

Uma propaganda irritou o presidente. Do que ela trata? Do seu direito de poupar e do “direito” do governo alterar as regras da poupança quando lhe convém. O que irrita o sr. da Silva? Ser comparado com o presidente Collor. Talvez ele ignore o “mensalão” (onde estão os envolvidos?), mas não vejo nada demais na propaganda. Você anuncia que vai mexer na poupança, não diz como, e quer sair desta como “o cara” bacana? 

Péssimo. Além disso, como já lembrou o SB, gente que precisa, não usa o SUS. Ou seja, o sistema de saúde público não é confiável para as elites. Porque o seria a decisão pública sobre a poupança? Eis um problema de credibilidade política que sempre é usado por políticos de maneira irritante. Sobre credibilidade e ufanismo, aliás, leia isto.

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