maio 2009


Em Belo Horizonte, de 13 à 17 de maio de 2009.

a) Não é hora de ressuscitar Marx

b) Não é hora de ressuscitar Keynes 

Ambos, claro, em formato dogmático

Infelizmente, não é no Brasil.

Philipe faz uma crítica interessante ao Google. O argumento me lembrou o da Chicago School sobre o monopólio (ponto no qual o nome de George Stigler aparece fortemente).

Eu fico furioso quando leio alguém criticar previsões/econometria/métodos quantitativos. Sou da turma de economia que não trabalhou o devido com esse tema na graduação. Somente no mestrado tomei conhecimento de verdade e fiquei fã. Não dá: TODO curso de ECONOMIA de verdade entendo que deva exigir ECONOMETRIA mesmo. E quem não gostar, paciência.
Abraço,
João Melo, direto da selva

Eu não teria dito melhor…

Douglass North fala um pouco mais sobre o tema.

Eis um clássico . Mesmo diante de uma incerteza incrível, motivado pelo desejo de alterar sua própria situação, o pensamento canino pode levar a uma teoria absurda. 

Claro que a dissonância cognitiva pode fazer com que a teoria obtida – com tanto esforço (embora errada) – demore a ser substituída por outra, melhor (em termos do objetivo a ser atingido). A dissonância, claro, é apenas um dos motivos desta rigidez (talvez se possa dizer que ela é um wishful thinking neste caso…). Mas há outras possíveis causas, como se percebe do próprio video. 

Trata-se de um vídeo muito bom para se explicar, com bom humor, a metodologia científica.

Para iniciar o final de semana…Ken Naoko, em sucesso dos anos 80.

Mais um aluno mostrando seu talento.

Como dizer que a resposta está errada: “- Sua resposta é uma transformação da resposta correta…mas não é monotônica”.

Seminário de dois temas mais ou menos afins. A inscrição é salgada, mas…

Basta se perguntar: algum destes pop economistas de jornal conseguiria formular (ou entender) o teste de stress do FED? No Brasil, as previsões só começaram a ser levadas a sério (e ainda são “acusadas” de obscuras por alguns – ironicamente – obscurantistas) desde o surgimento do Relatório Focus, ainda no segundo governo FHC (segunda administração Cardoso).

Vale a pena pensar no tema. Curso de Economia no qual não há Econometria e/ou o professor fala mal de métodos quantitativos (e faz sucesso entre os colegas professores) só pode ser sinônimo de algo fortemente correlacionado com a alta probabilidade do aluno ficar como um peão na busca por um emprego.

Alguns dos meus amigos – e muitos dos que me acham imbecil – gostarão deste periódico. Se bem que os que me acham imbecil, já abertamente, disseram que acham os artigos de doutores em economia um lixo. Coisas das trevas medievais, claro. 

De qualquer forma, fica aí minha inexplicável (em termos de ação humana, claro!) divulgação (para alguns imbecis) do periódico.

Preciso dizer mais?

O famigerado item ZERO

Quinta-feira, manhã, ali pelas dez horas. O início da aula havia sido conturbado porque, como de costume, a intranet não dava sinais de vida. Eu com minhas notas de aula na mão – com as soluções das questões e, claro, as questões em algum servidor inacessível pela tal rede mundial de computadores. Já imaginava em começar com:

“- Pessoal, vamos lá, a resposta é (t^2)*(z1)^(0.5). Qual é a pergunta?”

Comecei com um exercício da aula anterior. Tudo corria bem quando resolvi acreditar na Estatística: tentei aleatoriamente e a intranet – Milagre! – funcionou. Antes que saísse do ar novamente, abri o meu email e baixei meus slides com os enunciados das questões. Sentia-me (quase) feliz e aliviado. Sim, lá estava eu em meio a uma aula de exercícios com questões do exame da ANPEC.

Os alunos que sempre saem da sala porque não querem mesmo estudar Microeconomia, com a desculpa de que há poucos exercícios na aula, eram os mesmos que saíam porque…havia exercícios. Surpreendente? Nem tanto. Como o mundo não pára por conta do umbigo deste ou daquele aluno, prossegui. Cálculos aqui, acolá, ali, acima, abaixo,…..e toma-lhe funções de produção! A temível função CES, a famosa Cobb-Douglas e os alunos testando seu potencial com derivadas, numa ótima oportunidade de rever a utilidade dos cursos de Cálculo.

O clima na turma estava bom. Vários tentaram se superar, outros buscavam pistas em livros e eu tentava fazer com que todos trabalhassem.

- Shikida, não entendi aquela derivada.
- Pensa um pouco.
- Shikida, não entendi a última frase.
- Ouve um pouco.
- Shikida, vou ao banheiro.
- Vai, mas não se perca por lá. Quer levar uns exercícios?

Alguns se arriscavam mais:

- Shikida, y^2 = x^alfa?
- É, sin(y) + exp(y)…
- Ah….TMS = pz/px!
- Yeah, baby! You got it!

Tudo corria mais ou menos bem quando, de repente, uma aluna (vamos chamá-la hipoteticamente de Helena) me chamou:

- Fala, Helena.
- Posso fazer uma pergunta que não tem nada a ver com os problemas?

[parênteses curtinho: o irmão de Helena também é meu aluno. Está um ano na frente. Ele usa sempre esta introdução em suas perguntas "abobrísticas". A genética não mente...]

- Claro, Helena. Desde que eu possa responder sem ter nada a ver com os problemas…
- Por que toda questão da ANPEC começa com o item (0) [zero]?
- ??

[parênteses curtinho...again: o exame da ANPEC tem, em cada prova, 15 questões, cada qual com 5 itens de Verdadeiro ou Falso. Os itens são sempre numerados como (0), (1), (2), (3) e (4).]

- É! Não entendo isto! Por que não (1)?
- Ué, Helena, zero vem antes de um.
- Eu sei, mas zero?
- Pensa assim: poderia ser (31), (32)…mas é (0), (1). Melhor que (-3), (-2), (-1), (0),…
- Mas porque zero? Como? Isto não faz sentido! O universo enlouqueceu?
- Como assim?
- O zero…o que é o zero? Como provar que o zero existe?
- Eis aí uma questão complicada!
- Zero…zero…zero…
- Helena?
- Zero…zero…zero…

Assustei-me.

- Helena, você está bem? Mariana, passa a mão em frente aos olhos dela.
- Ok, Shikida. Xi…ela não reage.
- Zero…zero…zero…
- Helena, você está sob sugestão hipnótica?
- Zero…zero…zero…

Pensei no que acontecia e resolvi arriscar:

- Helena. Você vai me ouvir e obedecer. Desde agora, você estudará mais Microeconomia. Mais ainda, vai gostar.
- Zero…zero…zero…
- …e vai sentir uma vontade incrível de fazer todos os exercícios da apostila, na sexta à noite.
- Zero..zero….zeroooo
- Mariana, acho que ela vai acordar. Checa aí.
- Ahn?? Onde estou?
- Helena, tudo bem?
- O que foi que eu fiz, Shikida?
- Não sei. Está tudo bem?
- Sim. Mas tô com uma vontade incrível de fazer os exercícios amanhã à noite. Acho que vou chamar a turma para estudar lá em casa.

Interrompi a aula e dispensei a turma. Todos os que passavam por Helena olhavam-na com espanto e medo. Eu mesmo estava estupefato!

Estaria a aluna em estado de choque? Seria tudo culpa do prof. Salvato e suas matrizes insanamente estocásticas? Seria culpa do prof. Coutinho e sua interminável lista de exercícios de matemática financeira? Não sei. Realmente não sei. Pensei muito sobre isto no resto do dia.

Talvez, leitor, exista mesmo algo de hipnótico na prova da ANPEC. Talvez o item zero, que lá existe, tenha um significado importante, oculto e, como diria Rod Serling….além da imaginação.

Gostou? Compre o meu livro então. Esta historinha não está lá, mas fica de brinde. ^_^

Nem o mais raivoso líder (sério) de grupos de interesse ligados às minorias defenderia isto. Nojento.

Este blog também lamenta a morte de Gerald Scully. Seus trabalhos me foram apresentados pelo Ronald e sempre o achei bem didático e útil para o entendimento de problemas de falhas de governo. Descanse em paz.

Dois moleques no elevador, ontem.

- Véio, aquele cara é chato demais. Reclama igual a um velho, véio!

- Nó, véio, é mesmo. Reclama demais. 

- Fiz tudo direitinho e ele reclamou, véio!

- Chato demais ele reclamar, véio.

- Precisa reclamar igual a um velho rabugento, véio?

Saí no quarto andar. Acho que os molequinhos reclamões continuaram por mais uns dez…

Nova notícia sobre este tema delicado, aqui. Mais sobre o tema? Faça uma busca pelo blog. Já falamos um bocado sobre isto.

Breaking with the academic tradition of considering journalists mainly as victims of the media systemand glorifying them in their role as humble servants of the public interest, we have argued that economic theory can be usefully applied to journalism. Journalists can and should be seen as rational actors seeking to promote own interests, calculating risks and benefits, reacting to material and non-material incentives and rewards while trading information for attention with their various sources.

O leitor já entendeu: jornalista não é nenhum santo. Responde a incentivos. Quais? Se tiver acesso ao artigo, leia. Há toda uma gama de problemas a serem estudados.

From Drop Box

Obesity as Market Failure: Could a ‘Deliberative Economy’ Overcome the Problems of Paternalism?
Paul Anand and Alastair Gray (KYKLOS, Vol. 62 – 2009 – No. 2, 182–190)

SUMMARY
The paper argues that the problem of obesity can usefully be seen as illustrating a new kind of market
failure. At the heart of such failures is the emergence of a sub-optimal choice environment which, though
derived from a large number of small individual optimising decisions, is not the choice environment that
peoplewould choose if they were able to choose the environment itself. This idea is claimed to be consistent with modern economic theories of freedom of choice and applicable particularly to choice environments that emerge in highly competitive market situations. The retail supply of food and consumer credit is discussed by way of example.Concluding, the paper develops the concept of a ‘deliberative economy’ as an alternative to liberal paternalism and explores conditions under which such an approach to social choice might deliver desirable outcomes.

Mais um artigo na fronteira da Teoria Econômica. Ao invés de choramingar, o pesquisador sofre com as dificuldades, mas não desiste. Talvez os insights destes dois autores possam nos levar a um novo nível teórico. Senti mesmo falta foi daquelas boas e velhas equações de otimização.

Agora, esta história de meta-jogo me parece mais antiga. Lembro sempre dos jogos ocultos do Tsebelis ou do início da Economia Política Constitucional, nos anos 90, com James Buchanan. A idéia é sempre a de que estamos diante de alguma variável – até então exógena – que deveríamos começar a estudar. 

p.s. Mais ou menos assim também se iniciou aquela área de economia comportamental. Como bem disse Byran Caplan em algum artigo, antes assumíamos preferências constantes (muiiiiito constantes) porque não tínhamos elementos para pesquisa (dados). Só com base na pterodoxia de boteco não se vai muito longe em pesquisa (já em política…). Mas com a neuroeconomia, com a economia experimental e demais, hoje, as possibilidades são muito, muito bacanas. Sorte dos que vieram após esta geração…

Eu me pergunto se algum há. Deve haver, claro. Mas quem poderia dizer mais sobre isto? Alguns discutem aqui.

Já citei a entrevista de Selgin aqui. Mas Arnold Kling tem outras ótimas observações sobre o problema. Especialmente em termos de sinalização. Vejamos:

The question I have is whether a system of government guarantees produces an overall higher level of economic growth. It could do so by giving people more confidence in financial intermediaries on average through time.

It could be that putting the symbol “FDIC insured” on the door of banks is a very inexpensive signaling mechanism with a lot of social benefits. It could be argued that without that signaling mechanism, financial intermediation would be much more costly than it is today.

I am not saying that this is definitely true. However, I do think that it is the key issue in banking theory. It is all about the costs and benefits, including moral hazard and regulatory costs, of different signaling mechanisms.

Observe que, o problema não é necessariamente ter ou não um banco central, mas sim a forma de sinalizar a reputação.

Jesus sobre os direitos de propriedade.

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